março 2004 Archives
Do tempo
... e se o Sol perder a hora?
Justo a hora de ir embora?
O que será desta história?
Sem o desfecho que há anos espera
A hora em que hoje o Sol for embora.
... e se o vento
aquele inconstante
Tiver um rompante,
Ou cair de bêbado
Desfalecido.
Teremos nada?!
Ou tudo!?
Não te preocupes, amigo.
Seria eu tão condecorado no reino
Se justamente para embaraços como este
Não tivesse sempre um conserto?
Fique tranqüilo.
Mais calmo fico, com certeza.
No entanto, posso saber de tal proeza?
Também não tal importância eu teria,
Meu caro,
Se toda façanha minha,
fosse publicada em detalhes no diário do dia.
Deixemos de papo furado,
Sinto o cheiro da noite descortinando.
Assistamos, enfim, o que esperamos por tantos anos.
...
[E no banco da praça, sem mais nem menos,
Josefa e Geraldo, setanta e poucos anos,
Se apaixonaram logo após comentarem juntos
sobre o tempo.]
Borrões...
Cada dia me impressiona mais a aceleração do tempo. Março, pois até o eterno mês de março, passou num piscar de olhos.

E por falar em piscar de olhos, semana passada eu e minha querida malvada Menina assistimos ao bom documentário brazuca "JANELA DA ALMA" (Brasil, 2002, 73min.). Dirigido pelo estreante Walter Carvalho, o filme é baseado em relatos de dezenove pessoas, incluindo nomes como José Saramago, Wim Wenders, Hermeto Pascoal, Oliver Sacks e João Ubaldo Ribeiro, que contam como as implicações da visão podem alterar a personalidade, os sentidos e a forma de interpretar o mundo. Entretanto, a obra acaba por ir além e registrando algumas análises interessantes acerca de todo o significado que a, ou melhor, as imagens têm para nós como uma janela para a vida.
Algumas pinceladas que, tenho certeza, valeriam conversas de boteco ou bons textos:
Sentidos não são sentimentos. O que acontece então quando a emoção se perde dos sentidos? A visão capta, mas a emoção interpreta. Ninguém nunca será capaz de ver igualmente como uma outra pessoa.
Nunca foi tão presente na humanidade, e daqui para frente cada dia será ainda mais, a idéia de limitação representada por Platão na Alegoria da Caverna, onde tomamos por realidade a representação das imagens que nos são envidas diariamente.
Há um excesso de imagens e de referenciais por toda parte. O ponto da saturação. O resultado disso é que imagens simples não são mais percebidas e, para prender a atençãodas pessoas, é preciso que as imagens sejam complexas e fantásticas. Vivemos uma exigência crônica de representação, crescendo exponencialmente.
O que vemos pode despertar sentimentos, mas também selecionamos nossa visão, nossa atenção, pelo que sentimos. Olhamos sempre para aquilo que individualmente nos é mais significativo, mesmo no mais aberto dos planos.
O que a miopia, tão comum, pode ter de responsabilidade na personalidade das pessoas, ao exigir do seu portador que, na falta de um recurso "sintético", veja o mundo como naturalmente fora de foco?
E essa é uma minha:
Sinto, às vezes, andando na rua o que chamei de fadiga da beleza. É tanta a busca incansável do ser moderno pelo belo que está cada vez mais comum encontrarmos "design" em coisas e lugares inusitados. O preenchimento de todos os espaços com o cuidado estético. Não julgo certo ou errado, mas, de repente, sem mais nem menos, senti um cansaço enorme de ver tantas linhas, formas e cores dispostas em uma harmonia artificialmente perfeita.
Parabéns!
Parabéns hoje ao grande amigo-irmão Tiagón, que faz aniversário. Mais um passo em direção aos 80. É isso aí!
Vai lá dar parabéns para o cara, vai! Pô...
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E isso lembrou uma passagem de De Masi, aquele italiano do tal ócio criativo. Ele diz que a velhice não pode nunca ser contada a partir do dia em que nascemos, para frente, mas sim do dia de nossa morte, para trás. Isso porque a "velhice" como fantasiamos de forma pejorativa, com inúmeras debilitações de saúde, aquelas que realmente nos impedem de continuarmos sendo produtivos, seja fisica ou intelectualmente, acontece apenas nos quatro ou três últimos anos de vida. E que pesquisas indicam que nos dois últimos anos gastamos em medicamentos o equivalente (em $$) a toda vida até então. E que no último mês gastamos o equivalente a estes últimos 2 anos. Ele só não explica, claro, como diabos posso saber o dia que vou morrer, para fazer esses cálculos inversos e chegar um dia em casa e falar: "Gente, hoje entrei na velhice, em no máximo quatro anos tô me mandando. Me segura que vou vomitar." Enfim: teorias. Que funcionam ainda melhor na Itália, Suíça, Canadá e outros lugares em que o crime e o trânsito, principalmente, não são causas de tanto "encurtamento" de histórias.
Mas o legal disso é saber que, na verdade, são só mesmo quatro anos da nossa "velhice" que são aterrorizantes. Ou seja, se pegarmos a expectativa de vida do Brasil, que gira em torno de 74 anos, temos até os 70 para gozar de uma vida maravilhosa sem muitos impedimentos. É bom parar para pensar nisso. A gente descobre que tem uma porrada de coisas do caralho para poder fazer e transformar na própria vida até lá. E "lá" é longe pra burro ainda. O óbvio: deixemos a velhice para quando a velhice chegar de fato, e nada de sofrer por um monte de besteiras antes do tempo.
Enquanto isso, longe daqui...
A Casa Branca vem recebendo dezenas de cartas injuriadas dos alemães. Invasão do Iraque? Nada disso. O motivo é bem mais inusitado.
Trata-se da indignação de um seleto grupo de pessoas por causa dos planos desrespeitosos da NASA, que pretende em pouco tempo construir uma estação permanente de pesquisa na Lua, ou seja, nos seus próprios quintais. Isso mesmo.
A Alemanha possui um dos mais expressivos números de felizes proprietários de terrenos na Lua, que se somam a algumas estrelas de cinema, como Tom Hanks, Nicole Kidman e Tom Cruise, além de outros tantos. Cada um possui um certificado de posse de um lote na Lua, e pretendem fazer valer seus direitos. Não querem saber de uma estação largando lixo espacial nos seus jardins, ou muito menos acordar às 8h com um robô perfurando o solo da sua calçada. Ora, a NASA que arrange um outro lugar para trabalhar. Aquela terra lá já tem dono.
Este absurdo tem origem nos anos 60 quando, ao serem os primeiros a pisar na Lua, o governo americano tomou posse da região como extensão do seu território. Então um dia resolveu conceder ao "empresário" Dennis Hopper o direito de vender toda superfície lunar. Em 1980 o cara registrou seu latifúndio em um cartório da Califórnia, onde já aproveitou a ocasião para registrar propriedade também de outros terrenos que andavam abandonados: Vênus, Marte e Júpiter. A partir daí, Dennis estava liberado para lançar a pedra fundamental do seu mais audacioso empreendimento. Loucura? Bem, hoje já são mais de 2 milhões de clientes-proprietários.
Interessou? Então é melhor correr. Daquia pouco sobram só os terreninhos do lado oculto. E de lá, dizem, a vista é péssima. Imagine você, infeliz operário/a de uma fábria têxtil de Blumenau, indo até Hamburgo para a abertura do testamento do seu bisavô, que vai mudar sua vida, e na hora H: "E para o/a bisneto/a brasileiro/a deixo o terreno na Lua." Que m...
...
O pior dessa história é que não é mentira, está tudo aqui.
De repente uma saudade da destilação poética genial de um tal clube Feijoada.
Saudade mesmo.
Quando volta? Quando?
Lendas Públicas da Grande Cidade Gaucha
4º e Último Capítulo: Final Feliz
Um dia Manoel e Joaquim foram ao Babo Bear e conheceram Veruska, amante profissional de Jorge Alejandro Multin Plán. Ela prometeu amor eterno aos dois, desde que dormissem todos na mesma cama. Babo ouviu a história e ofereceu os serviços de sua família para produção de vergalhões BB50 na armação do estrado, para evitar qualquer acidente. Buscando uma vida mais reservada, compraram um chalé no norte da Inglaterra e foram todos os quatro. Babo, com o intuito apenas de fazer as medições apropriadas. Mas isso foi há 10 anos. O quarteto descobriu a felicidade e fixaram residência por lá mesmo. Hoje vivem da receita gerada pelo clube de caça esportiva de lebres que fundaram, mais algumas aplicações na bolsa e nos fundos de Veruska, que resiste à aposentadoria. Joaquim e Manoel vez em quando brigam pelo controle remoto, mas todos convivem como uma linda família de imigrantes latinos. Jamais cortaram relações com Puerto Ajegre. Visitam a cidade freqüentemente na primavera para passear no Brique e já fizeram reserva de andar inteiro do Sheraton para o Fórum Social Mundial de 2005.
Lendas Públicas da Grande Cidade Gaucha
Capítulo 3: Sonhos de um Cais de Porto
Puerto Ajegre é abençoada. Despeja-se serena à beira de um lago (ou rio, ou miragem) chamado Guariba. Dizem, os locais, que o pôr-do-sol do Guariba é o mais belo do mundo. Como se existisse um pôr-do-sol totalmente diferente do outro. O sol vai lá, nasce, brilha, esquenta e some. Com ou sem rio e montanhas. Mas o bom disso é o cultivo de uma paixão inconsciente do povo pelo fim do dia e começo da noite. Isso é bom.
Pois todo o crescimento da cidade se deu a partir da margem do Guariba, tendo como marco do desenvolvimento exatamente o porto. Só que o tempo foi passando e o porto foi virando uma tralha, perdendo para os de águas oceânicas. Grandes armazéns e galpões viraram casas mal assombradas. E com medo dos fantasmas, em setembro de 1345, a população se uniu em mutirão para construir um muro que, dizem, tem alho e salsinha misturados à argamassa. Passaram séculos, chamaram o Bill Murray, e ele disse não haver mais registros de espectro no local. Foi uma festa. Enfim o cais poderia ser aproveitado para o bem estar da cidade. O problema era saber como. O poder público, inseguro sobre a derrubada do muro, todo ano encomenda pesquisas para saber a opinião da população. O índice vem crescendo assustadoramente, chegando a 132% no estudo mais recente. Entretanto, ainda acham melhor ter mais certeza. Além disso, a prefeitura instituiu que por ser um patrimônio público, a área só poderá ser destinada a atividades culturais, nunca ao terrível capitalismo. O resultado disso é que o maior movimento mundial organizado de ratos e lagartos cultos tem sede na cidade.
Após algumas críticas da opinião pública, abriu-se uma licitação para exploração da área pela iniciativa privada por dez anos. Foi aí que entrou na história o feliz mega investidor-empreendedor de origem indígina Babo Bear ( aquele que tem dado na danceteria), cujo nome original era Urso que Baba, modificado para uma melhor adaptação social. Babo é sobrinho do multimilionário Jorge Berbau Yo! Rapper, conhecido também como MC Só Aço, megastar muito conhecido no Brazil e no exterior. Mas as regras do contrato, em letras miúdas, avisavam das restrições: Proibido construir, comercializar produtos, ganhar dinheiro, torcer para o Zequinha e manifestar simpatia por partidos de centro-direita. O projeto foi para o brejo.
Neste meio tempo a população, já integrada ao forte movimento dos ratos cultos do Cais, elege como governador do estado o maior ativista do grupo. Antônio Fritto assume em janeiro de 1995. E com ele ganha força um projeto de revitalização idealizado por ratos e ratazanas militantes do partido, com participação até de arquitetos estrangeiros. A briga ficou feia. A prefeitura nunca gostou de Fritto e deu um jeito de dificultar todo o processo. Acabou o mandato, veio outro e outro e outro e outro. Tudo caiu no esquecimento e na Bienal do Mercosul.
Um dia o atual governador resolve relançar o projeto. Apresenta como se fosse novo, mas esquece de tirar o logotipo dos roedores do final do vídeo. Horas depois de apresentado, o projeto já tende ao fracasso. A prefeitura, mesmo depois de tantos anos, continua a mesma. E agora ela diz ter seu próprio projeto.
Especula-se então que seja apenas uma disputa de belezas, entre o prefeito e o governador. O que poucos creem, já que o atual prefeito João Berne evita tanto a exposição pública que alguns duvidam de sua existência, exceto pelo banho no Guariba flagrado pela imprensa, onde se esboteava pelado com o Collaves, que protestava contra o nascimento, um dia, do PT, gritando "o Gasômetro é meu, é meu!". Enquanto isso os secretários encarregados de dialogar com o governador davam com o nariz na porta do palácio Piratini, fechado para reformas e detetização. Mais um embargo ao Cais, já que eles, os secretários da prefeitura, se recusavam em qualquer hipótese a comparecer às audiências no shopping Iguatemi. Com as obras, Ribotto despachava direto da Lyra Beauty, para evitar deslocamentos.
A prefeitura diz que não há demanda turística para um hotel da proporção prevista no projeto, e que ainda fere o plano diretor, datado do século passado. Mas o governo do estado é categórico, afirmando não haver demanda por não existir na cidade um marco da grandeza do hotel proposto. A discussão é tão transcedental que depois de alguns meses mal lembravam por que discutiam e decidiram finalmente experimentar a Nova Schin.
O projeto megalomaníaco também prevê a construção do teatro-sede da OSPA, que viria a somar-se àquele que já existe na Independência, e ao que está sendo construído na Cristóvão Colombo. O que permite à entidade um registro no Guiness como a maior orquestra sinfônica do planeta, tamanha necessidade de espaço.
E a história segue, sem definição. Quem perde? A população, sempre, que continua com medo dos fantasmas. Os fantasmas das lendas públicas desta querida terra Gáucha.
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Capítulo 2: O Enorme Xoping Cristal Paraguaio
Quando Puerto Ajegre pertencia ao império Inca, foi construído, bem ao lado do querido Estaleiro Pó, uma arena de jogos. Na era moderna, aproveitando-se da fama da região, um governante mandou erguer, sobre as ruínas da arena, o Hipódromo do Cristal, que também já teve sua época áurea, mas hoje está meio sucateado, sediando um ou dois GPs importantes por ano e alugando, no resto de tempo, espaços para todo tipo de eventos, desde 15 anos até shows internacionais. No entorno existe uma imensa área nativa, de propriedade do hipódromo que, sinceramente, nunca se soube para que serviria. Ou "quase nunca".
No início dos anos 70 chega à cidade um paraguaio baixinho e barbudo chamado Jorge Alejandro Multim Plán que, envergonhado de sua origem e aproveitando o sotaque estranho, dizia-se empreendedor carioca, freqüentador do Posto 9. Na época, acreditaram. Ele então disse que vinha para esta terra com uma grande idéia, a fim de realizar o maior empreendimento já visto no extremo sul do país. Um shopping de proporções continentais, que seria o maior da América Latina e blá, blá, blá. Mandou cercar o terreno gigante, comprado em troca de quatro teclados Casio e cinco caixas de Chivas 12 anos, todos falsificados. Convocou toda a população e, no dia 10 de março daquele ano, lançou a pedra fundamental, que na verdade era de compensado, do futuro Xoping Cristal, do grupo Multin Plán do Brasil. Anunciou que as obras começariam no segundo semestre e tudo estaria pronto dali um ano e meio.
Passou o semestre. A prefeitura, encarregada de embelezar a área, de acordo com o que tinha combinado com o empresário, fez sua parte, removendo vilarejos e duplicando avenidas. Passou-se um ano. Alejandro vem à Puerto Ajegre, convoca a imprensa, sobe na pedra-caixa fundamental da obra e reafirma: Início daqui 6 meses, término em um ano e meio. E o povo acredita. Passam-se meses, e nada.
Então um dia um empresário local, gordo, resolve arrendar parte do terreno para abrir um supermercado. Consegue, constrói oprédio em tempo recorde. Fica ainda mais rico. E, passado um ano, Alejandro repete o discurso na pedra fundamental, tentando fazer crer que o tal mercado é na verdade um âncora apressadinho do shopping e que, dentro de 6 meses, o resto do complexo será construído em volta, o que justifica a aparência de caixote do tal Bigue Shop. Passam-se meses e nada acontece.
Mas na primavera de 77, Joaquim Souza e Manoel Naubuco, dois irmãos ricos portugueses donos de uma rede de açougues chiques na Europa, de passagem pela capital por causa do aniversário da colonização portuguesa, sobrevoam de helicóptero despretenciosos o local. O "caixote" chama a atenção: "Viste aquilo, Manoel?" "Vi! E tu, viste?!" "Vi sim. Não era assim que tu estavas a procurar?" "Era sim. A Maria vai adorar." Então eles pousaram, chamaram o gordo, fecharam negócio à vista, enquanto ninguém estava olhando, e foram embora, de helicóptero, para Portugal. Assim nasceu o império da Sonau no Brasil. Tem Bigue Shop em tudo quanto é canto.
Enquanto isso, o Xoping Cristal, nada. Mas Jorge Alejandro Multim Plán, ainda todos os anos, em meados de março, é visto subindo na pedra e declarando o início das obras para o próximo semestre, com conclusão dali um ano e meio. Lembra dos exageros do projeto como quinze salas de cinema, dois hotéis, entre outros absurdos, chora um pouquinho e vai embora. Ficou conhecido como o "homem da pedra filosofal". O que não faz o mínimo sentido, já que era "fundamental" a pedra. Foi um erro do jornal que nunca teve errata. Aliás, como o nosso Cais, tema do próximo episódio.
Lendas Públicas da Grande Cidade Gaucha
Puerto Ajegre é uma pacata metrópole situada às margens do lago Guariba. Com um povo hospitaleiro, muito culto e que possui alguns dos melhores exemplares da espécie feminina do Brazil, todos amam cultivar origens e particularidades da sua terra querida. Entre os muitos causos folclóricos que passam de geração para geração, alguns impressionam por serem curiosos, istigantes e inacreditáveis, embora, afirmem os historiadores, são frutos da mais pura verdade.
Capítulo 1: Um Estaleiro Muito Só
Era uma vez uma época de muita fartura, progresso e felicidade na já importante Puerto Ajegre. Longe do centro do município, na zona sul, onde hoje é quase centro comparado à lonjura do resto da zona sul, surge um grande empreendimento, o Estaleiro Pó. O porto de Puerto Ajegre era importante para escoar toda produção milionária de erva mate para Guaíba, São Lourenço, Tapes, Pelotas, Rio Grande, Cassino, Chuí e outros importantes polos tecnológicos e populacionais da época. Entretanto, um dia a China abriu-seao capitalismo e, de olho no mercado local, fundaram a multinacional Barão-Madrugada-Vier-Saphira Cia de Ervas-mate Sam Inc., com sede em Pequim, fábrica na ìndia, escritórios em Nova York, Buenos Aires e sede campestre do clube social de funcionários no Lami, onde desenvolvem um projeto de destruição ambiental sem traumas.
Como era de se esperar, o Estaleiro Pó, virou mesmo pó: faliu.
Passam-se então 780 anos, a cidade cresce, a zona sul, como já disse, vira quase centro, o centro vira São Paulo misturado com Vila Cruzeiro, a Cruzeiro quase toma conta das redondezas do Estaleiro, que sofre, só, abandonado, vivendo sob entulhos de carros alegóricos de carnaval. Mas um dia um prefeito teve uma idéia: "já sei, vamos leiloar a área." E foi oque ele fez. Saíram reportagens em todos os jornais regionais, discutiu-se publicamente, chegaram caravanas de todos os bairros para especular no Araújo Viana qual mega empreendimento seria ali erguido, no aterro. Só quem não apreceu foram os compradores. Nem esta primeira vez, nem nas próximas 12 que se seguiram.
Não há como não se emocionar hoje, passando pelo terreno de prédios destroçados, máquinas enferrujadas e mato crescido. Dos tempos de glória e orgulho, sobra vergonha. Tanto que os diversos passeios turísticos pela orla do Guariba, que partiriam diariamente, evitariam a região, dizendo que se trataria de outra cidade. Partiriam, porque não existem atéhoje diversos passeios turísticos pela orla do Guariba, mas isso é outra história.
O leilão mais recente aconteceu semana passada e mais uma vez não apareceu ninguém. Já virou uma tradição, puro esporte. Inclusive, um vereador popular entrou com um projeto propondo o Dia do Leilão do Estaleiro, que viria a preencher a vaga de feriado municipal, ainda não preenchida, além da construção de um imponente monumento ao chimarrão, obrigando aos fiéis tradicionalistas a, neste dia, se deslocarem ao local em romaria bebendo mate só de erva que não seja transgênica. O projeto só não foi para frente porque não acharam algum estúpido que tope produzir a erva de sementes naturais. "Sou contra! Erva natural por aqui só maconha!", disse um cidadão em entrevista recente, enquanto observava o "homem da pedra filosofal", que você conhecerá no próximo capítulo.
Propaganda? Diga que não estou.
O Nizan perdeu as estribeiras. Eu acho.
Já não bastava a apelação e o baixo nível da reta final da derrotada campanha do Serra para presidente do Brasil, que provocou muita discussão, não sobre do "produto", mas das formas como ele é foi vendido pela Regina Duarte.
Depois vem ele de novo e protagoniza o escândalo VIVO, onde a direção de arte e fotografias de alguns outdoors espalhados pelo país continham uma identificação "coincidente" com a campanha da Oi. De novo, pouco atingiu as empresas, mas gerou-se uma discussão pública em volta da ética na propaganda. Bom se a briga permanecesse dentro das agências e escritórios, mas invadiu a opinião pública.
Agora lá vem ele de novo. Pegou o Zeca Pagodinho para fazer propaganda da Brahma, com discurso "malandrinho" de que não custa nada experimentar outra marca, mas boa mesmo é a número 1.
Sei que o mercado de cerveja é um dos mais nervosos do país, mas até onde o marketing enraízado nas agências e nas empresas brasileiras anda saindo à rua para saber o que pensa realmente o consumidor quando vê uma coisa dessas? Duvido que o Zeca tenha sido o grande culpado pela abocanhada bem significante de mercado gerada pela ação "Nova Schin" que, lembrando, vai muito além de comerciais de TV, passando por "renovadas" em preço, produto e distribuição. Como também não será ele o culpado por algum novo movimento nas fatias desse bolo de alguns bilhões de Reais. Até porque quem perdeu mercado para a Nova Schin não foi a Ambev, mas a Kaiser.
Sendo assim, a única coisa que fica é uma nova onde de "opinião pública" invadindo jornais e websites populares de todo país perguntando mais uma vez: existe ética na propaganda, o que vale para se vender um produto?
Então, em um país que já vê o marketing, as "vendas", a propaganda há alguns anos como uma coisa pejorativa e "aproveitadora", apesar dos esforços intrauterinos dos publicitários, iniciativas como esta acabam por alimentar uma descrença dos clientes pela comunicação de produtos e empresas. No fundo, isso não deve ter muito impacto para as corporações, que resolvem o problema por outras vias. Entretanto, ao contrário, considero um grave ato terrorista contra o mercado publicitário.
Nizan Guanaes quer se tornar um mártir, explodindo dentro da sua própria sala de estar. Garçom, por favor, uma água mineral!
Adonai
O pássaro observador sobrevoa um espaço finito.
Sem diretrizes religiosas, com certo senso crítico, boas doses de curiosidade e, confesso, uma carga de expectativas positivas, estive duas noites dentro de um clube fechado. Talvez não totalmente fechado, mas restrito. Também pudera, sinto que existe no ar uma necessidade de prevervação forte, que atravessa milênios, passando por catástrofes recentes. Feridas superexpostas, às vezes até expostas muito e muito além do necessário. Entretanto, como disse no discurso um membro, "seja bem-vindo a uma imensa família de entusiastas". Dificilmente uma grande força ou idéia nasce em cima do muro, nasce indiferente, nasce para todos. E por isto há de se considerar e entender radicalidades de qualquer que seja o lado. São enormes e marcantes, portanto as virtudes, na mesma proporção dos defeitos. Mas ainda assim, encontrei mais do primeiro tipo do que do segundo. Talvez porque, feliz coincidência, aconteceu a tão incógnita identificação, exatamente com essas virtudes, um valoroso crédito, enquanto o débito permaneceu em um nível perfeitamente suportável. Isso vendo de fora e de dentro, comparado àquela casa que ora sob a eterna penitência da cruz. Não, não concluo nada. Só discorro sobre o que observo agora da minha própria existência, enquanto parte de alguma coisa qualquer por aí. Sobre Ele. Ou nada disso.
Ares de Outono
Uma lágrima.
Uma lágrima senti deslizando hoje quando
ao estender a mão para fora do carro,
a brisa deixou-a gelada.
Fiquei surpreso comigo mesmo.
Definitivamente,
"Beretear" se torna verbo monossílabo tônico ao frio.
Não é preciosismo, mas as coisas ganham mais sentido.
Mais identidade, mais cor, mais movimento, mais expressão, mais intensidade, mais detalhes, mais magia.
E isso que nem chegou o inverno.
Quem lá aponta é, ainda, apenas o outono.
Mas mal sabe ele como a morte seca que espalha pelos campos e ruas de todos os lugares,
E o céu cinzento,
Renovam a percepção desta mente e deste corpo.
Ares de outono significam que daqui pra frente tudo só melhora!
Pelo menos até a chegada da primavera.
Milhões de fragment-os
Desen-contr-ei teu-s ver-so-s.
Derra-m-ado-s po-r so-br-e a te-r-ra,
Des p r ciam a c da v nta ia,
A é s br r
ó o na d .
Gejfin, de G-e-j-f-i-n-b-e-i-n.
Shalon com vodca.
Aprenda em 5 lições como pronunciar certo:
1. Abra a boca
2. Tente algo como Gáifim
3. Tente de novo
4. Fecha a boca
5. Pede mais uma ceva e esquece.
Algumas explicações
Oi, prazer, eu sou o Gejfin.
"Geva" não, Gejfin.
Não tô copiando template de ninguém, plageando ninguém.
Porque o Geva também sou eu.
(Mas então por que a troca?)
Maior liberdade e respeito.
Não que não goste do Geva, mas ele é um e eu sou outro, apesar de sermos a mesma pessoa.
E, aliás, o motivo passa bem pelo inverso do desgosto.
Acontece que o Geva é alguém muito especial, de características tão peculiares, que passou a ser um certo tormento fazê-lo "falar" através do blog coisas que nunca teria dito. Fazê-lo falar por mim. Quando tudo deve acontecer exatamente ao contrário.
Só assim eu sou eu e ele, ele.
Precisava nos preservar para continuarmos vivendo.
Mas tudo bem, essa decisão foi tomada depois de muita conversa. Continuamos em total harmonia, entendendo que o acontecido não foi muito diferente de qualquer amizade adolescente, onde cada um tenta se parecer cada dia mais com o outro. Chegando ao ponto de as pessoas inverterem os nomes. Uma hora amadurecemos. E não é porque um vai para o marketing, e o outro seguir a arte, que não possam continuar sendo os mesmos melhores amigos.
... Claro, pode deixar, digo que mandaste um alô para ele. De mais a mais, pode ter certeza que volta e meia o Geva estará aqui rondando.
Descobri que o Foker 100 é a aeronave que mais se aproxima, em perfeição, do vôo de um pássaro: O maldito avião vez ou outra bate as asas.
Bar, mesa, amigos.
Ele distante, em silêncio, fora do contexto.
E indagado sobre participação, foi definitivo:
Hoje, me transpareçam.
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E lembrando de uma idéia solta que ficou boa...
Vivemos um enorme standard. Toda novidade é só uma questão de lugar na fila.
Nossa. Estou há quase 26 anos com a mesma pessoa.
Isso que é casamento!
Qual o segredo? Respeito, bom senso, cumplicidade e boa dose de desobediência.
E você? Qual sua receita de agüentar-se todo o tempo?
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Tempo de não tô a fim de inventar. Quero só comentar.
Tipo: ler, comentar.
De invenção basta essa desastrosa política brasileira.
Nunca vi o Mercadante tão verde de raiva.
Que palhaçada.