Recently in jornalismo Category

Picture 1

Anteontem fiz um post sobre o TwitScoop. Em linhas gerais (para quem tiver preguiça de clicar no link para ler o post em si), trata-se de (mais) uma (dentre inúmeras) ferramenta criada a partir da API do Twitter, cujo diferencial é exibir uma nuvem de tags atualizada em tempo real com as palavras que estão sem mencionadas naquele instante no Twitter. Divertido, não?

Mas foi só depois de fazer o post que percebi o potencial dessa ferramenta para o jornalismo. No mesmo dia, cheguei a comentar no Twitter que fiquei sabendo de um terremoto nas Filipinas a partir do TwitScoop (veja a imagem acima). E hoje o Donizetti comentou que ficou sabendo de um atentado à embaixada norte-americana em Instambul pela mesma via.

O que há de interessante no TwitScoop, então, é que observar as tags aumentando e diminuindo de tamanho em tempo real não só pode nos revelar tendências do Twitter, como também permite acompanhar o estopim de grandes acontecimentos, em um autêntico crowdsourcing. Em síntese, trata-se não só de uma poderosa ferramenta de marketing, como também pode ser usado como uma ferramenta para o jornalismo.

Dois eventos sobre Jornalismo para acompanhar amanhã (28 de maio) pela web:

- Para comemorar os 10 anos da revista eletrônica Cyberfam, os alunos da Famecos, PUCRS, irão realizar uma maratona de 24 horas de discussão sobre jornalismo. Estão previstas entrevistas e atividades das 18h do dia 28 até às 18h do dia seguinte. Será possível acompanhar por áudio, vídeo, e até pelo Twitter. O release do evento pode ser acessado aqui.


- Já em Recife, na UFPE, acontece amanhã o I Seminário de Jornalismo Contemporâneo, promovido pelo Grupo de Pesquisa Jornalismo e Contemporaneidade. Alunos de Jornalismo farão a cobertura ao vivo, por texto, foto e vídeo, no blog do Grupo (Via GJol). Confira a programação do evento aqui.

Jornalismo e Twitter

| | Comentários (3)

Image Hosted by ImageShack.us Em um post recente no ReadWriteWeb, Marshall Kirkpatrick discute, em linhas gerais, a idéia de se fazer jornalismo através do Twitter. Na verdade, o post enumera as formas com o próprio RWW vem usando a ferramenta. E o resultado acaba sendo um apanhado bem útil do que se pode fazer com o Twitter:

- ficar sabendo das últimas notícias - seja através de feeds de jornais online, seja a partir de comentários de amigos - o que, no caso de um blog sobre novidades na área de tecnologia, como é o caso do RWW, acaba sendo algo bastante útil. Muitas vezes, postar primeiro que os demais acaba sendo um fator crucial para conseguir um maior número de visitas.

- realizar entrevistas - o RWW tem pedido direto através do Twitter sugestões de perguntas para seus leitores, e essas perguntas são depois selecionadas e usadas em entrevistas realizadas pela equipe do site.

- controle de qualidade - além de se poder usar o Twitter para fazer perguntas rápidas (e, na maior parte das vezes, obter respostas), ele também serve como um canal para obter feedback rápido sobre determinados assuntos - por exemplo, ao se postar o link para um post de blog no Twitter, tem-se mais chance de receber comentários e correções/complementos das pessoas do Twitter pelo próprio Twitter do que junto ao post do blog.

- divulgação - a criação de um feed para notícias é citado no post do RWW como o uso jornalístico mais óbvio do Twitter. Há inúmeros feeds de notícias espalhados pelo Twitter. E a maior parte deles não é oficial. Entretanto, no Twitter vige uma espécie de regra não escrita segundo a qual fica chato usar a ferramenta o tempo todo para se auto-promover - talvez por isso muitos blogueiros optem por linkar apenas alguns dos seus posts, ou então criar contas no Twitter em separado para servirem como feeds de seus blogs.

Os usos que o RWW faz do Twitter dão uma boa idéia do potencial que a ferramenta tem para ser usada para assuntos sérios. Ou seja: há muita coisa para além da pergunta "O que você está fazendo?". O Twitter não é só o que deixa transparecer o hype em torno dele.

--

Paul Bradshaw também fez, recentemente, uma espécie de texto guia sobre jornalismo no Twitter, voltado para jornalistas, com várias sugestões de usos interessantes que estão sendo feitos do sistema ao redor do mundo. Vale a pena conferir.

--

Falando em usos interessantes do Twitter, em um dos comentários ao post sobre jornalismo no Twitter do RWW, cheguei até o Crowdstatus, uma ferramenta criada por Darren Stuart a partir da API do Twitter que possibita a criação de páginas com grupos de usuários do Twitter que permitem que se visualize a última atualização desses usuários de uma forma amigável em um mesmo endereço. Dá para criar manualmente os grupos (criei um lá, como teste, com alguns exemplos de usos jornalísticos do Twitter), ou então entrar com seu nome de usuário e acompanhar as atualizações dos seus contatos nesse formato diferente.

No dia 12 de abril acontece em São Paulo a segunda edição do NewsCamp, uma desconferência sobre Jornalismo. Assim como a Ciranda de Textos, o NewsCamp também teve sua origem na Lista Jornalistas da Web.

Quem não puder ir até São Paulo para participar do evento pode acompanhar a "desconferência virtual". Desde o final de março, rola blogosfera afora o "Esquenta do NewsCamp!". A idéia é a de se fazer postagens sobre temáticas que se gostaria ver sendo discutidas no evento, como uma forma de se preparar para as discussões que por lá serão travadas. Além de servir como um ótimo aperitivo do que vai acontecer por lá, também é uma forma interessante de fazer com que pessoas que, como a gente, não terão como estar presentes, também possam participar das discussões.

Então, vamos lá... entrei... er, entramos (vide rodapé do post) nesta conversa mediante provocação. Sam Shiraishi, do Nossa Via, colocou em pauta a discussão sobre nova e velha mídia, além de comentar um pouco sobre as especificidades do meio online. No post, ela sugere a idéia de que uma mídia absorve a outra, e que a nova geração de jornalistas estaria mais preparada para enfrentar essas mudanças. A partir disso, a Ceila Santos, lá no blog do NewsCamp, sugeriu que a discussão fosse continuada...

Dentro dessa perspectiva, talvez fosse ser interessante discutir no NewsCamp, também, a questão das novas ferramentas para comunicação na web, e no que elas podem influenciar na prática do Jornalismo. Será que o Twitter poderá acabar com o impresso? Será que joguinhos e entretenimento serão a grande tendência do online? As empresas jornalísticas que ficarem de fora das redes sociais terão condições de sobreviver?

A discussão de como a mídia irá lidar com essas ferramentas, e também com as participações espontâneas dos internautas, não deve ser vista como um mal que irá mudar o jornalismo como o conhecemos hoje. As possibilidades de interação entre os meios de comunicação e a sociedade, através das ferramentas da Web, devem ser vistas como uma extensão do jornalismo "tradicional" - um avanço, um complemento. Por exemplo, as contribuições que podem ser feitas nos espaços destinados aos comentários de alguns veículos podem influenciar na pauta desses mesmos veículos. Além disso, os links que alguns sites estão utilizando para blogs que comentam suas notícias através da ferramenta trackback também provocam pequenas mudanças no modo como encaramos as notícias. Este é o caso, por exemplo, dos jornais Público, de Portugal, e La Vanguardia, da Espanha (e muitos outros sites europeus) que utilizam a ferramenta Twingly para disponibilizar de forma automática links das postagens de blogs que fazem referência àquela notícia. A CNN.com usa a tecnologia do Sphere para linkar para posts de blog (conforme comentado pelo Thassius). No Brasil, a própria Agência Brasil já faz algo parecido, listando as notícias "mais blogadas" em sua página inicial (como lembrado pelo Gustavo D'Andrea). Então, o leitor mais apurado, que procura ver a discussão e repercussão daquela informação na blogosfera, poderá acompanhar as opiniões das pessoas que estão escrevendo e fazendo referência àquele texto. Ou seja, a notícia online já não termina mais na última palavra do texto, mas pode ser apenas o primeiro passo rumo à discussão sobre um tema, que pode ser comentado por qualquer pessoa que possua um blog, ou então, gerar discussões em redes sociais ou servir de pretexto para diálogos no Twitter.

O leitor tem outras formas de interagir com a notícia votando nas que ele julgar melhor, dando de certa forma o seu aval àquela informação. Uma outra forma, porém mais passiva, de voto, seria o seu simples acesso, pois há sites que disponibilizam em suas home pages listas das notícias mais acessadas, que podem acabar influenciando nos clics dos visitantes. Antes, quando se comprava um jornal impresso, as manchetes eram definidas exclusivamente pela redação dos jornais. Agora, o leitor passa a poder influenciar nas manchetes que irão para a capa num simples clicar. Com isso, tem-se conhecimento instantâneo e imediato do que está sendo mais lido pelos visitantes do site, e, mesmo que ainda sejam influenciados pelas manchetes sugeridas pela redação, há a possibilidade de uma notícia que foi julgada de pouca importância para a capa ir parar na página inicial.

Essas são algumas sugestões de assuntos que também poderiam ser abordados lá no NewsCamp. E também daria para discutir no que a interconexão em tempo real poderia contribuir para a prática jornalística - será que a web e suas ferramentas não abriria a possibilidade de construção de redações descentralizadas e produção colaborativa à distância de conteúdo?

--

Além de participar do Esquenta do NewsCamp!, este post também foi uma tentativa de escrita coletiva. O texto foi elaborado no Google Docs. A autoria de cada frase é indeterminada - o texto inteiro foi escrito por mim e pelo Gilberto Consoni.

Bem que os jornais brasileiros poderiam seguir essa iniciativa. O Público.PT, jornal online português cujo editor é António Granado, passou a incluir trackbacks de blogs em suas notícias. A partir de hoje, sempre que algum blog comentar alguma notícia do jornal, irá aparecer um link para esse post na area lateral da notícia, logo abaixo da foto principal da matéria. Para fornecer os links, o jornal utiliza a ferramenta Twingly. A estratégia segue a tendência de outros jornais europeus, que também linkam para blogs em suas notícias, como o Politiken, da Dinamarca, e o Dagens Nyheter, da Suécia.

Image Hosted by ImageShack.us
Imagem: primeiros trackbacks na notícia de lançamento do serviço


O problema prático: sistemas assim podem atrair muitos links irrevelantes, como no caso de blogueiros mal intencionados querendo atrair visitas para seus blogs a partir do trackback (afinal, aparecer em lugar de destaque em uma notícia, bem ou mal, sempre atrai alguma visita). Mas há uma solução - o pessoal do Público foi esperto o suficiente para incluir um link para reportar trackbacks maliciosos.


Via Ponto Media.

A elite do jornalismo

| | Comentários (13)

A Carla comentou, no post anterior, sobre uma coluna do David Coimbra no jornal Zero Hora, na qual ele critica o jornalismo praticado por não jornalistas. O mesmo colunista teria iniciado, algum tempo antes, o concurso cultural "Leitor cronista". Contraditório? Talvez... O fato é que a coluna, de certa forma, faz ressurgir das cinzas o famigerado debate amadores X profissionais (cuja discussão quase sempre descamba para a já batida falsa disputa entre blogueiros e jornalistas).

O trecho final da coluna de David Coimbra (Zero Hora, 14/03/08) traz as seguintes palavras:

"Não quero ouvir algo que é feito pelo ouvinte, nem ler o que o leitor escreve. Quero o trabalho do especialista, do jornalista de comprovadas experiência e competência. Quero consumir a elite, não a mediocridade. Até democracia demais cansa"

Ou seja: David Coimbra posicionou-se contra o jornalismo participativo em bloco. Pelas palavras dele (leia a coluna inteira), daria para depreender que qualquer produção de conteúdo jornalístico que não fosse feita pela "elite" de jornalistas profissionais não teria valor algum.

Talvez o grande problema do texto tenha sido o tom incisivo e firme que ele usou para comparar a produção de notícias feitas por jornalistas e não jornalistas (defender com veemência uma opinião, qualquer que seja, sempre gera vozes dissonantes). O posicionamento foi tão forte que provocou reações nos comentários da versão da coluna publicada no blog. Algumas horas depois, David Coimbra postou um breve esclarecimento - mantendo a posição de ser contra não-jornalistas publicarem textos jornalísticos, mas explicando que não tinha nada contra o leitor¹ participar com opinião ou com colaborações que não fossem textos jornalísticos stricto sensu (meio que tentando defender a interação que ele normalmente mantém com seus leitores).

De qualquer modo, que tanto mal os jornalistas vêem em se poder contar com uma eventual "concorrência" (não há concorrência, e sim complementariedade) com a produção amadora de conteúdo? Se o problema é chamar de jornalismo o que o não-jornalista faz, resolveria se a gente chamasse por qualquer outro nome? É sempre tão ruim assim quando alguém sem formação jornalística produz textos jornalísticos? Todo "jornalista cidadão"² seria incapaz de contribuir com qualquer informação relevante? (Quanto tempo ainda vai levar para a mídia tradicional perceber que nem toda audiência é formada apenas por Homer Simpsons?)

--

¹ O termo leitor só faz sentido em um contexto de comunicação de massa... Mas isso mereceria toda uma discussão à parte.
² A expressão "jornalista cidadão" também é lá um tanto estranha -- os demais repórteres (a "elite") seriam desprovidos de cidadania?

--

Em tempo: o dosh dosh traz uma lista com dez dicas de fontes de informação para produzir um blog de sucesso (ou, em outras palavras, como produzir conteúdo específico, construir credibilidade reputação, e fazer um trabalho relativamente próximo ao jornalismo, mas sem deixar de ser blogueiro). Para quem procura algo mais na linha da mídia cidadã, o guia "Conquiste a Rede - Jornalismo Cidadão" [PDF] pode ser uma boa opção.

Na edição de fevereiro do Carnival of Journalism (projeto que inspirou a criação da Ciranda de Textos), o estudante de jornalismo britânico Dave Lee sugeriu, em seu blog no Press Gazette, uma lista de equipamentos que deveriam constar no bolso de qualquer estudante de Jornalismo. A proposta era apresentar uma lista básica de ferramentas que um estudante deveria ter e carregar consigo sempre. De forma sintetizada (não deixe de visitar o post para conhecer os argumentos), os itens seriam o seguintes:

- Papel e caneta
- Celular
- Gravador de áudio
- Câmera digital

Na ocasião, cheguei a fazer um comentário ao post sugerindo que um bom celular com recursos de imagem e vídeo poderia substituir pelo menos a necessidade de uma câmera digital (e talvez até o gravador de áudio), desde que a câmera do celular tivesse uma qualidade razoável - o que traria ainda como vantagem a possibilidade de se enviar fotos direto do celular para o Flickr Móvel, ou então enviar vídeos por MMS para o YouTube.

Mas um post de ontem no Atrium resgata a discussão e põe de uma forma bem mais clara o que realmente importa para o estudante de jornalismo jornalista: ter o que dizer, independente de poder contar com dispositivos tecnológicos de última geração. A grande questão não é só carregar dispositivos técnicos e aparatos mirabolantes, mas sim carregar equipamentos que efetivamente irão ser utilizados. O meio não é a mensagem. De nada adianta levar sempre a tiracolo uma câmera de última geração se não se souber como contar histórias por imagens... Ou, como colocou Luis Santos, no Atrium, "O determinante é o que fazemos com as coisas...e não a sua simples existência".

... mas, é claro, ter o costume de carregar sempre os equipamentos necessários é extremamente útil - afinal, nunca se sabe quando se estará diante de algum fato com interesse jornalístico (ou blogosférico, ou pitoresco, ou inusitado...). Pelo menos o papel e a caneta, para todas as situações, são indispensáveis :P

Muito tem se dito sobre a possibilidade de a Internet vir a acabar com o jornal em papel. Mas a situação não é bem assim: cada meio tem seu espaço, e assim como a televisão não acabou com o rádio, a Internet também não acabará com a imprensa. Meios diferentes conquistam públicos diferentes, e é preciso aprender a conviver com isso. A grande questão não é se os jornais vão acabar, e sim o que é preciso fazer de diferente para evitar que eles acabem.

Preocupada com essa situação, Romina, do blog En El Medio, traz a lista elaborada em 2005 pelo Real Simple de 10 novos usos para o jornal em papel:

1. Desodorizar caixas de alimentos
2. Amadurecer tomates
3. Empacotar coisas delicadas
4. Limpar vidros.
5. Preservar antigüidades de cristal.
6. Secar sapatos.
7. Embrulhar presentes.
8. Usar como capacho para secar as botas de neve encharchadas.
9. Preparar o jardim.
10. Manter a gaveta de verduras da geladeira seca e livre de odores.

Também daria para incluir um item 11, ou substituir o 8 (já que não temos neve), por: jornais são ótimos para fazer banheiros para animais domésticos.

Não, isto não é uma piada. A idéia é buscar alternativas ecológicas para o jornal em papel, aproveitando-se do fato de que o papel jornal é bastante absorvente. Mas óbvio que isso não tem absolutamente nada a ver com a discussão online/offline - embora seja interessante ler o artigo "Should I Cancel My Newspaper Subscription?" da Slate (via Ponto Media), que traz os prós e contras, sob o ponto de vista do meio ambiente, de se ler notícias online ou offline. Um trechinho:

"Paper may be an energy hog, but so, too, are the servers and desktops that make online newspapers possible"

Dá o que pensar. Leia o texto completo aqui.

Versão pessimista: A concorrência no mercado de Jornalismo no Brasil é grande. A cada ano, milhares de novos jornalistas saem da faculdade e tentam ingressar no mercado de trabalho. O ingresso no curso de Jornalismo se torna a cada ano mais concorrido. Mas o número de vagas nas grandes empresas jornalísticas do país não cresce na mesma proporção. O resultado é muita gente desempregada, ou tendo que ir trabalhar em outras áreas. E esse cenário assusta.

Versão otimista: O mercado de trabalho para o jornalista é bastante concorrido. Mas basta ser um profissional versátil, que sempre haverá uma vaga para quem realmente se esforça e procura. Além do mais, hoje em dia, com um pouquinho de espírito empreendedor e uma boa visão de mercado, é possível começar o próprio negócio. Nunca se teve tantas possibilidades, e muitas delas surgiram em decorrência do avanço da web. Existe vida além do jornalismo tradicional, fora das redações. E o primeiro passo é reconhecer isso.

Em qual desses cenários é mais fácil acreditar?

periodista_frustrado.jpgO Colegio de Periodistas de Chile iniciou, no final de 2007, uma campanha no mínimo curiosa. Intitulada "Não seja um jornalista frustrado", a ação objetiva buscar esforços para esclarecer aos ingressantes nos cursos universitários de Jornalismo no país a necessidade de se observar a qualidade dos cursos e o campo de atuação do jornalista. O motivo? Um estudo realizado pela Universidade Adolfo Ibañez indicou que, após dois anos de formado, um em cada cinco jornalistas do Chile estava desempregado. Dentre os 80% que conseguiam emprego, 44% não trabalhavam como jornalistas. (Não sei como andam as porcentagens aqui pelo Brasil. Mas ver os colegas se formar e não conseguir emprego assusta mais do que um punhado aleatório de estatísticas.)

É comum atribuir o problema da falta de emprego à má qualidade dos cursos. Mas será que o problema está apenas na formação? Será que em parte também o problema pode ser culpa do aluno? Fazer um curso universitário não é uma garantia de que se adquirirá conhecimento, de que se estará preparado para o mercado. A única obrigação da universidade é fornecer os subsídios e as ferramentas (livros, aulas, atividades extra-classe) para que o aluno construa o conhecimento. Mas fazer um curso não garante que se esteja preparado para a profissão. E muito menos estar formado garante o ingresso no mercado de trabalho.

Embora não haja uma fórmula definitiva para sair do curso de Jornalismo com um emprego garantido, há inúmeras listas e sugestões do que fazer para quem, como eu, ainda é estudante e quer aproveitar ao máximo o tempo de graduação para facilitar depois o ingresso no mercado de trabalho. Abaixo, segue a lista elaborada por Greg Linch, estudante de Jornalismo da Universidade de Miami, que, em seu terceiro ano de universidade, já traz na bagagem um currículo bastante vasto e invejável - mais ou menos na linha do que representa o Dave Lee para o Reino Unido. A lista é na verdade uma compilação de sugestões e recomendações disponíveis sobre o assunto web afora (meus comentários estão entre parênteses):

1. Use bastante a Internet (algo como: existe vida além do Orkut).
2. Leia blogs sobre jornalismo online (uma boa dica é seguir o caminho da primeira edição da Ciranda de Textos).
3. Comece um blog (se você ainda tem dúvidas quanto a isso, vale a pena ler a discussão iniciada no LinkedIn e continuada no Online Journalism Blog).
4. Aprenda a contar histórias de mais de uma forma (aqui vão algumas dicas).
5. Sites importantes: entre para o LinkedIn (substituto brasileiro: Via 6) e adicione o Poynter aos seus favoritos (substituto brasileiro: Observatório da Imprensa? Jornalistas da Web? Comunique-se?)
6. Você tem experiência? Trabalhe nos veículos de sua universidade, e procure por experiências fora da faculdade (também conhecido como: estágio).
7. Utilize os recursos da universidade: converse com alunos mais antigos, e conheça seus professores (e também cabe a ressalva de que se deve procurar fazer isso ainda antes de entrar para o curso).
8. Networking: faça contatos.
9. Conheça o mercado. Leia sobre ele (siga a bolinha e acompanhe os textos desta edição da Ciranda).
10. Esteja aberto a mudanças (o que permite retornar a um dos pontos iniciais deste post: nem todo jornalista precisa necessariamente trabalhar como repórter).

(Veja a lista original aqui.)

As dicas não garantem um emprego. Mas certamente ajudam a deixar o estudante de Jornalismo um pouco mais preparado para, ao término da faculdade, tentar o ingresso no assustador mundo do mercado de trabalho. Ou, pelo menos, nos ajuda a ter uma visão do mercado um tanto mais realista (na verdade, confesso que a minha visão é a mais pessimista possível, ainda mais depois da discussão que houve na lista de Jornalistas da Web a partir de uma vaga para jornalista por lá postada que oferecia um salário relativamente baixo - essa discussão inclusive acabou inspirando a temática desta edição da Ciranda de Textos).


--

*Conforme antecipado alguns pixels acima, este post faz parte da segunda edição da Ciranda de Textos. Esta rodada está sendo hospedada no blog Meio Digital.

Uma pergunta para aqueles que seguem veículos jornalísticos no Twitter (G1, Último Segundo, BBCBrasil, etc.) - vocês efetivamente acompanham o que dizem os veículos, ou preferem tomar conhecimento dos fatos pelas atualizações dos amigos? (Óbvio que não me refiro aqui àqueles que lêem notícias apenas pelo Twitter - seria insano, não? - mas aos que, além de recorrer a outros sites e meios, também acompanham notícias pelo Twitter).

Chris Garrett, do Blog Herald, questiona se o Twitter não estaria modificando nossos hábitos de consumo de notícias. Garrett comenta que a maior parte das notícias que ele lê atualmente é lida a partir do Twitter (em detrimento de outros meios ou de outros sites). Mas não necessariamente essas notícias vêm da mídia tradicional - ele também fica sabendo das novidades a partir das sugestões dos amigos.

O questionamento veio logo após a morte de Heath Ledger, em janeiro - ocasião em que os usuários do Twitter mostraram-se particularmente ávidos em (re-)informar a novidade, disputando o direito ao furo (ou re-furo, pois reverberavam um fato anteriormente divulgado pela mídia). Mas será que as pessoas realmente acompanham o que diz a grande mídia, ou preferem ler o que seus amigos dizem sobre o que diz a grande mídia? É mais ou menos assim: é mais provável que você tenha tomado conhecimento da morte do Heath Ledger porque algum dos seus amigos comentou sobre o fato (algo como "oh, pobre Ledger, era tão novo e foi dessa para uma melhor") do que propriamente por ter visto a atualização do G1, por exemplo, com link para matéria sobre a morte. Não sei quanto aos outros, mas, de minha parte, já até desenvolvi uma espécie de "filtro subconsciente" para o mar de atualizações no Twitter, e na maior parte das vezes acabo 'pulando' o que dizem os veículos para ler logo as atualizações dos amigos.

Para quem busca notícias, o Twitter traz alternativas interessantes. Há desde empresas jornalísticas que disponibilizam bots automáticos para manchetes e links (mais ou menos desempenhando o papel de um feed) até complexos projetos colaborativos que contam com a participação de vários usuários (também tem vários experimentos praticamente desertos, mas isso é outra questão). A idéia geral é que, se você seguir vários bots de notícias no Twitter, é possível receber notícias o tempo inteiro. Mas isso, por si só, não significa que a pessoa estará bem informada. É como ao assistir televisão: se você não assistir ao telejornal, não vai ficar sabendo das notícias (e isso vale mesmo que a televisão esteja ligada durante o jornal, mas você esteja longe dela).

Assim, há um problema prático ao se usar o Twitter para tomar conhecimento das notícias: como Tamar Weinberg aponta em seu post sobre o consumo de notícias em redes sociais, publicar notícias é apenas uma das 17 maneiras de se utilizar o Twitter, o que significa que é extremamente fácil se perder no fluxo contínuo de informações (a menos que se crie uma conta APENAS para acompanhar notícias, o que ainda leva ao segundo problema prático de simplesmente se esquecer que essa conta existe e voltar a consumir informações apenas na conta principal do Twitter - aquela que tem seguidores, permite falar e ser lido e responder às mensagens dos outros).

Com isso, retorno à pergunta inicial: dentre os que acompanham notícias pelo Twitter, quantos, efetivamente, o fazem a partir de veículos tradicionais? E, só para complicar ainda mais as coisas, substituta "Twitter" por "Internet" ao longo do post, e tente responder à pergunta, tentando pensar na relação blogs, redes sociais, conteúdo colaborativo X sites tradicionais de notícias.


--


Assunto paralelo: Lembram da perguntinha embutida como assunto paralelo alguns posts atrás? Obtive o imenso total de QUATRO respostas, e cada respondente anônimo (ou quatro vezes a mesma pessoa) informou ter chegado ao blog de uma forma diferente... Dos quatro, dois chegaram por feed, um por link em outro blog, e outro por indicação de amigos. Veja o gráfico abaixo:

Interpretação absurda dos dados: Versão otimista: tenho apenas quatro leitores, dos quais dois são fiéis (assinam o feed). Dos dois fiéis, um tem blog e colocou link para o meu blog em algum lugar (o que explica o leitor que chegou por link em outro blog). O outro leitor do feed indicou o blog para um amigo (o que explica o quarto leitor). Versão pessimista: Tenho um único leitor, e este, sentindo pena, respondeu a pergunta quatro vezes, de formas diferentes e aleatórias. Versão pulso-cortante: Eu mesma respondi o questionário quatro vezes, enquanto testava o sistema, e esqueci de apagar os dados. Versão super otimista: o questionário estava fora do ar, daí muitas possíveis respostas se perderam. Versão extremamente otimista: o Google entrou em colapso com tantos acessos ao questionário que esqueceu de coletar as milhares de respostas obtidas. Versão realista: colocar uma pergunta teste como assunto paralelo em uma postagem sobre outro assunto não foi uma boa idéia :P (e vejam que insisto no erro, colocando o resultado novamente em assunto paralelo).

Notícia em 20 palavras

| | Comentários (9)

O site argentino 20palabras.com suspendeu suas atividades no início de fevereiro. O motivo: seus criadores pretendem dedicar-se a outros projetos.

--

Não é nada fácil dar uma notícia completa em apenas 20 palavras. Mas essa era a proposta do 20palabras.com, um projeto argentino idealizado por Pablo Mancini e Darío Gallo, inspirado na idéia de brevidade do Twitter. No ar desde setembro do ano passado, junto com as notícias curtas, o site também trabalhava com uma proposta de redação descentralizada, e apostava em publicações a partir de e para dispositivos móveis.

Ao suspender suas atividades, o projeto demonstra as dificuldades que ainda se enfrenta ao se tentar inovar online. As vinte palavras que José Luis Orihuela, do eCuaderno, usou para comentar a suspensão das atividades do 20palabras.com sintetizam bem essa idéia: "un proyecto original que se toma um respiro porque innovar no es fácil y triunfar no es barato. Hasta pronto".

--

Também na linha de propostas inovadoras em jornalismo que não tiveram fôlego para ir adiante está o ChicagoCrime.org. O projeto de Adrian Holovaty estava no ar desde 2005, e usava dados do departamento de polícia de Chicago para mapear os crimes ocorridos em Chicago. Dava para navegar por tipo de crime, ou por localização. O mapa criado por Holovaty foi um dos primeiros mashups criados com o Google Maps, em uma época em que acrescentar dados a um mapa não era nada fácil (hoje, basta ter uma Google Account para fazer isso). O projeto foi o vencedor do Batten Awards for Innovations in Journalism no ano de 2005.

Mas a idéia do ChicagoCrime não morreu por completo - foi incorporada ao EveryBlock, um projeto mais abrangente de jornalismo hiperlocal, também idealizado por Holovaty.

--

Ver grandes idéias chegarem a um fim em tão pouco tempo nos faz repensar os rumos do jornalismo digital. (Mas vai dizer que não seria bacana tentar misturar tudo isso e fazer uma salada mista do tipo notícias colaborativas via Twitter em caráter hiperlocal e posicionadas sobre um Google Map??? -- foi mais ou menos isso o que o Google tentou fazer na Super Terça...)

2008, o ano dos mashups?

| | Comentários (1)

Anteontem, na Super Terça (dia decisivo nas prévias das eleições norte-americanas, em que 24 estados iriam decidir seus candidatos do lado democrata e republicano), Google, Twitter e Twittervision anunciaram uma ferramenta que permitia acompanhar ao vivo, em um mapa, os comentários que estavam sendo feitos no Twitter sobre as votações (além de agregar notícias do Google News sobre o assunto). O resultado do cruzamento de dados era/é algo que mistura informação hiperlocal (é possível saber o que pensam os eleitores em cada ponto dos Estados Unidos, e do resto do mundo), com a lógica do tempo real (as atualizações do Twitter vão pipocando sobre o mapa, e ao lado, era possível acompanhar, ao vivo, o andamento da apuração da votação em cada estado - os dados da apuração também eram fornecidos em um gadget), a partir do cruzamento de informações provenientes de mais de uma fonte (ou seja, um mashup). O resultado é um grande volume de dados expostos de uma forma visualmente interessante.

Como se não bastasse isso... os vídeos relacionados às eleições postados no YouTube também foram posicionados em um mapa - o que permitiu acompanhar em vídeo as reações à votação Internet afora. No mapa, há ícones que diferenciam os vídeos postados por usuários do YouTube, por empresas jornalísticas, e por candidatos democratas ou republicanos. Significado disso tudo: um volume imenso de informação sintetizado e apresentado com uma boa dose de criatividade. (Ou, na fórmula sintetizada do Google Maps Mania: Google Maps + Twitter + Twittervision + YouTube + Google News = The Google Super Tuesday Map).


Não é à toa que Paul Bradshaw do Online Journalism Blog chamou a Super Tuesday de "Mashup Election" ("If 2004 was the blogged election, and 2006 the YouTube election, 2008 is the mashup election. The bar has just been raised. Again"). Ele também levanta questionamentos quanto ao modo como as pessoas consomem informações atualmente (para onde é mais provável se dirigir um jovem eleitor - para o site de um jornal, ou para YouTube ou Twitter, para um texto seco e sério, ou para algo dinâmico e divertido? A gente chega à informação de forma tradicional, entrando na home page de um megaportal, ou de uma forma mais social/viralizada, indo de site em site a partir de sugestões de amigos?).

Mas os dois mapas não foram algo isolado. A tendência parece ser produzir cada vez mais infográficos e mashups, cada vez mais conteúdo multimídia. As próprias prévias das eleições norte-americanas já foram objeto de inúmeras outras "experiências jornalísticas", por assim dizer. De jogos a mapas, de infográficos multimídia a mashups. Quer mais? O Mashable trazia ontem uma lista com 40 fontes para acompanhar a Super Terça, muitas delas realmente interessantes.

É esperar para ver o tanto que a criatividade de empresas jornalísticas e empresas de Internet (o que seria o Google?) serão capazes de produzir ao longo deste ano. (E tomara que o material produzido nas eleições regionais aqui no Brasil seja no mínimo remotamente parecido com o que tem aparecido lá nos Estados Unidos).




Via Blog da Raquel.


--

Em tempo, a pergunta que não quer calar: qual é o plano secreto do Google para o Jaiku??? -- porque ninguém, em sã consciência (empresas têm consciência?), compra uma ferramenta de microblogging para fazer parcerias gratuitas com o concorrente direto dessa ferramenta...

--

Atualização -- percorrendo a barreira de feeds acumulados dos últimos dias, vi que O Biscoito Fino e a Massa tem feito uma cobertura completa das votações, inclusive tendo realizado uma interessante cobertura em tempo real das primárias da Super Terça. Os posts são uma fonte excelente para quem quiser compreender um pouco mais a fundo como funcionam as eleições nos EUA. (Não sabe por onde começar? Que tal partir de um ABC das eleições americanas, e ter uma aula rápida sobre cada um dos principais pré-candidatos?)

Com toda essa onda de Web 2.0 e endeusamento da participação do usuário, de uns tempos para cá, praticamente todos os sites jornalísticos passaram a contar com ferramentas que permitem a expressão de seus leitores. Além de espaços em que se pratica um ainda incipiente "jornalismo cidadão" (vejam o que se tornou o Minha Notícia, usado para autro-promoção de blogs e publicação de releases), em quase todos eles é possível encontrar pelo menos algumas notícias que permitem comentários.

A política de comentários em cada site varia. Há os que possibilitam comentários em toda e qualquer notícia, outros que restringem os comentários a certos temas e certas notícias. Há ainda os que realizam uma moderação prévia, de modo a filtrar os comentários ofensivos ou completamente nada a ver com o tópico posto em discussão (e nisso a Folha Online acaba se saindo bem). Mas, em geral, a quantidade de comentários em notícias de temas parcialmente polêmicos costuma ser bem grande. Entretanto, quantidade de comentários não é sinônimo de conversação.

O que os blogs têm, e que os sites jornalísticos ainda precisarão batalhar muito para atingir, é a característica de serem um espaço pertencente a alguém. Ao comentar, interage-se não só com os demais leitores, mas com um determinado autor, com o dono do blog. Há uma forma de identificação, uma personificação, ainda que mínima.

Nos grandes e frios portais não se tem isso. O texto da notícia aponta um autor, mas esse autor geralmente é um repórter desconhecido, praticamente anônimo. A quem dirigir o comentário? Ao repórter, à empresa jornalística, à fonte utilizada na matéria, aos demais comentaristas? Como construir uma conversação? Não há um jornalista, um repórter para mediar a discussão. Daí o que se vê são opiniões mais ou menos desconexas sobre os fatos, muita repetição de argumento, e um que outro diálogo entre dois ou mais leitores que se disponham a acompanhar a discussão do início ao fim. Fora isso, vocês já viram o jornalista, o editor ou o veículo interagirem com seus leitores? Então, se não for para gerar uma conversação, de que adianta simplesmente abrir para os comentários???

Em um blog é diferente. Há lurkers, fakes, trolls, pára-quedistas, salsinhas, enfim, toda uma variedade típica de visitantes. Com o tempo, aprendemos sobre os comentadores, passamos a prever suas reações - afinal, também comentamos em outros blogs. Ao comentar em um blog, sabemos que o comentário ao menos vai ser lido, e que poderá ser respondido. Falar alguma coisa absurda vai gerar uma reação, senão do blogueiro, de alguém que leia o comentário depois e não aceite o absurdo da declaração. Blogs formam comunidades. Comentamos e voltamos para ver se tem alguma resposta, alguma continuação, algum outro comentário que complemente o que foi dito.

Em um portal jornalístico... bem, o que me faria voltar para ler os demais comentários das notícias? Um texto informativo, seco, pasteurizado, praticamente despersonificado, mesmo que trate de assuntos polêmicos, não gera conversação - como iniciar uma conversa única, fluida, entre centenas de anônimos, como evitar que não se torne um bate-boca descontrolado, com cada um falando algo destoante dos demais? (okay, a dona Folha é uma pseudoexceção, porque aposta na moderação, e na necessidade de cadastro para poder comentar). As pessoas que comentam uma notícia não costumam ser as mesmas que comentam as demais notícias. Não é como em um blog.

Mas há uma saída, pelo menos a longo prazo - formar jornalistas para gerenciar construir comunidades. Imagine a diferença que seria se os leitores tivessem a idéia de que aquele espaço é cuidado por alguém, um jornalista, um editor, que participasse ativamente das discussões, que comentasse junto, que respondesse comentários que sejam passíveis de serem respondidos...

Claro, nem tudo está perdido. Há blogs em sites de notícias (!), e, nesses espaços, os comentários costumam ser mais bem estruturados, mais lógicos, personificados, enfim, gera-se conversação.

Posso ter feito uma interpretação completamente equivocada, mas acho que é mais ou menos isso o que trata o texto "Why newspaper sites will continue to struggle with reader participation", de Howard Owens. São questões para se pensar...

O que é mais importante em termos de jornalismo online: ser o primeiro a falar sobre um assunto, ou tratar o assunto de forma diferente dos demais?

Na Internet, ao menos em tese, não há limites de ordem espaço-temporal. Em termos práticos, isso significa que uma notícia pode ser dada a qualquer momento, e pode ter qualquer tamanho. Mas essa é apenas uma das possibilidades abertas pela Internet. Além da velocidade, o jornalismo online também se caracteriza pela integração de mídias, pela interatividade, pela personalização, pela memória, e pela hipertextualidade. Entretanto, paradoxalmente, mesmo sem limitações espaço-temporais, não se tem necessariamente um maior aprofundamento dos fatos. A meta é a instantaneidade - a redução máxima possível do tempo entre o acontecimento e a publicação da notícia.

Assim, pode-se perceber uma grande diferença entre o que se poderia fazer na Internet - matérias diferenciadas, inovadoras em termos de conteúdo e formato, que permitissem a participação/interação com o público - e o que acontece na prática - imitação do conteúdo de outros meios, reaproveitamento de material produzido originalmente para outras mídias, enfim, a produção e notícias para a Internet acaba, muitas vezes, seguindo a lógica dos meios de comunicação de massa: publicar tão logo aconteça o fato, em narrativas em que predomina o texto.

Mas, aos poucos, percebe-se o interesse dos veículos em tentar aproveitar as potencialidades da web e procurar inovar. Para tentar ilustrar essas tentativas de inovação, escolhi, como exemplo aleatório, a morte do ator australiano Heath Ledger, ocorrida ontem. Uma rápida passada de olhos em todos os jornais, por volta das 20h27min de ontem, trazia o seguinte panorama geral:

Primeira conclusão óbvia: todos os sites noticiaram a morte. Independente de quem noticiou primeiro (a lógica do 'furo' simplesmente não faz sentido em termos de jornalismo online), o fato é que todos os sites dispunham de informações gerais sobre a morte, além de poder contar com dados padrões para esse tipo de acontecimento (biografia, filmografia e fotos do ator). Há sites que se limitaram a fazer apenas isso - traziam uma notícia textual sobre a morte, com uma fotinho básica do ator, mais ou menos reproduzindo as informações do despacho da Associated Press, além de disponibilizarem uma galeria com fotos. Ah, e claro, a chamada na página inicial. A informação foi dada, os sites cumpriram seu papel. Mas isso basta?


Infográfico do G1 sobre a morte de Heath Ledger

Partindo do pressuposto de que a informação pode ser dada por qualquer um, e mais ou menos ao mesmo tempo (pouco importa quem disse primeiro), o que diferencia um site do outro é a forma de contar a história. Então, por que simplesmente jogar as fotos do ator lá, sem sentido, se é possível usá-las para contar uma história? Por que passar em um texto sem graça as mesmas informações que os demais veículos já deram, se é possível explicar os fatos de uma forma visualmente mais interessante? Por que não aproveitar material de arquivo, e resgatar vídeos, fotos, entrevistas passadas, cruzar informações? Por que não abrir para comentários dos leitores, para aqueles que gostariam de lamentar publicamente a morte do ator? Por que não procurar por fatos que possam ter alguma relação menos óbvia com o ocorrido, mas que possam enriquecer a cobertura de alguma forma?

Claro, foi apenas um fato, escolhido aleatoriamente, e com pouca relevância prática para o nosso país. Mas talvez se se utilizar dos recursos proporcionados pela web fosse rotina, infográficos, slides, galerias, discussão de notícias e outros formatos diferenciados para narrativas poderiam se tornar a regra, e não a exceção.

--

* Este texto faz parte da primeira edição brasileira do Carnival of Journalism - Ciranda de textos sobre jornalismo online. Veja o guia de leitura deste mês no blog do André Deak.

Twitter e Jornalismo

| | Comentários (8)

A partir de um artigo escrito para um jornal da Suíça, Nico Luchsinger fez um post no Online Journalism Blog sobre o potencial de utilização do Twitter por jornalistas. O texto é interessante porque, além de falar do uso óbvio – usar o Twitter como uma forma de ‘alerta’ de notícias (na forma como Último Segundo, G1, BBCBrasil, e outros tantos utilizam – tipo um feed em um formato mais reduzido ainda) – o autor também explora possibilidades mais específicas do Twitter, como interagir com leitores, ou reunir dados e utilizá-los em formatos diferenciados (o Twitter tem a API livre, o que permite que uma série de mashups e integrações possam ser realizadas). Um dos exemplos de sites que reúnem informações que possam ser interessantes do Twitter é o Hashtags, que acompanha e agrega todas as utilizações de palavras precedidas de “#” no Twitter (as hashtags). Um dos criadores do site é Nate Ritter, que ajudou a popularizar o uso das hashtags ao usar a tag #sandiegofire durante os incêndios na Califórnia.

Partindo dos exemplos fornecidos no post de Luchsinger (e incluindo outros que consegui lembrar), resolvi fazer um teste e mapear algumas das iniciativas de utilização do Twitter que tenham relação com o Jornalismo (como no caso dos incêndios na Califórnia). A princípio está tudo meio caótico. Mas assim que tiver dados mais específicos, vou atualizando o mapa. Sugestões (de fatos ou formatos) são extremamente bem-vindas.

Para acessar o mapa, clique aqui.


Exibir mapa ampliado