Livro: Eating Animals

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Desde muito tempo evito certos alimentos em minha alimentação, muitas vezes sem uma causa profunda, simplesmente por uma questão de gosto. Foi só após a leitura de Eating Animals, de Jonathan Safran Foer, que passei a buscar outras motivações além do gosto para escolher o que comer.

O livro não chega exatamente a ser um manifesto em prol do vegetarianismo, mas passa perto disso. O autor (mais conhecido por Extremely Loud and Incredibly Close, um dos meus livros favoritos, e por Everything is Illuminated) decidiu escrever sua primeira obra de não ficção diante da expectativa do nascimento de seu primeiro filho, preocupado em fazer escolhas conscientes sobre o que dar de alimento para ele. O resultado é uma obra em tom informal que procura retratar como os animais são atualmente criados para serem posteriormente consumidos, intercalado com narrativas sobre a trajetória de vida do autor, e de como ele próprio se tornou vegetariano.

A ideia do autor não é que todo mundo passe a ser vegetariano após o livro - apenas que faça escolhas conscientes quanto ao que comer. Dentre os argumentos apresentados, está o fato de que a criação de animais para consumo é a atividade que mais contribui para o aquecimento global. Isso fora o fato de que parece contraprodutivo para diminuir a fome no mundo o fato de que precisamos dar comida para alimentar os animais, quando poderíamos dar comida diretamente para aqueles que têm fome.

A principal contraposição apresentada pelo livro parece ser entre fazendas que criam animais em condições "desumanas", visando lucro e produtividade, e fazendas que procuram dar boas condições de vida aos animais, ainda que os retirem a vida de modo cruel, mas pelo menos garantindo que os bichinhos desfrutem de bons momentos antes de virarem ensopado ou bife. Obviamente, nos Estados Unidos predominam as fazendas do primeiro tipo. E a maioria das pessoas simplesmente não para para pensar de onde vem a carne que compramos já como carne no supermercado. E o pior: a gente não precisaria comer carne - é perfeitamente possível obter todos os nutrientes necessários a partir de outras fontes.

Ao final, o autor convida os leitores a se tornarem vegetarianos, ou o que ele chama de "onívoros seletivos" (aqueles que só comem carne proveniente de fazendas que tratam bem os animais). Ele reconhece que adotar um ou outro posicionamento pode ser bastante complicado, mas desencoraja qualquer tentativa de meio termo. Ou se pensa no bem estar dos animais, ou não se pensa. Ou se come apenas carne de procedência conhecida, ou não se come carne alguma. Como afirma o autor, "to those for whom it sounds like a hard decision (I would have counted myself in this group), the ultimate question is whether it is worth the inconvenience".

O livro me ajudou a compreender melhor como funciona o sistema, e possibilitou saber, por exemplo, que peixes, camarões, frangos, perus e porcos criados para virarem carne para consumo humano são bem mais mal tratados em vida do que bois e vacas. Há granjas que criam os animais em condições artificiais, em reduzidos espaços físicos fechados e controlados, de modo a possibilitar que seu ciclo de vida seja mais rápido e eficiente, e que possam virar carne ainda mais cedo. Ótimo para o bolso do consumidor, terrível em uma perspectiva moral. Diante disso o autor questiona: "We are the ones of whom it will be fairly asked, What did you do when you learned the truth about eating animals?".

Ainda não sei se conseguiria me comprometer a uma dieta apenas vegetariana. Por ora, continuo contribuindo para a crueldade contra os animais de fazenda. Mas não posso dizer que o livro não me fez pensar e repensar hábitos alimentares. Não consigo mais olhar para uma inocente almondega de frango (já não como carne vermelha há anos) e não pensar nos dilemas éticos levantados pelo livro.

Esta semana terminei de ler um livro pela primeira vez no Kindle. Antes que alguém pergunte, não, o post não é sobre o livro (talvez em um post futuro eu comente sobre ele), e sim sobre a própria experiência de usar um leitor digital para... leitura.

Minha experiência com o Kindle começa um pouco antes de adquirir esse primeiro livro pela Amazon Kindle Store. No primeiro dia de uso do novo brinquedinho resolvi navegar pela Kindle Store a partir do próprio aparelho, que vem equipado com um chip 3G. A experiência foi interrompida assim que comprei sem querer um livro, antes mesmo de ver o título da obra ou o preço. Fui clicar para abrir uma categoria de livros e sem querer cliquei mais de uma vez ao mesmo tempo no botão de navegação. Foi o suficiente para não só abrir a página de um livro qualquer como efetuar a compra do produto. Como o aparelho ofereceu a opção de cancelar a compra, cancelei antes ainda de saber que produto havia comprado. Em seguida recebi um e-mail, pelo computador, informando o livro que havia comprado e o preço - era um livro com dicas para usar o Kindle, cujo custo era U$2.99. Se soubesse antes do valor irrisório, talvez tivesse mantido o livro no aparelho. Mas como me assustei, e na confirmação da compra não havia menção nem ao nome do livro nem ao preço pago por ele, procurei cancelar o mais rápido possível. Na fatura seguinte do meu cartão de crédito veio a cobrança e o estorno do valor desse livro. No fim a brincadeira me saiu R$0,07 referentes a taxa de conversão cobrada pelo banco.

Superado o trauma inicial da compra com um clique, nas primeiras semanas de uso resolvi utilizar o aparelho para leitura de arquivos em PDF, em especial para as leituras do mestrado. Para isso, baixei o programa Calibre para converter os PDFs em arquivos .mobi. Embora ele faça um bom trabalho, permitindo, por exemplo, que posteriormente se possa aumentar ou diminuir a letra do texto no Kindle, não consegui me livrar de cabeçalhos e rodapés dos artigos, e tive que aprender a abstrair a presença desses elementos na hora de ler algum texto no Kindle. Outro problema que também não consegui contornar é como fazer para ler PDFs de textos em duas colunas no Kindle. Dá para enviar o próprio PDF para o Kindle, mas como não tem como mudar o tamanho da letra, fica tudo muito pequenininho.

Foi só na semana passada que comprei um livro pela primeira vez na Amazon Kindle Store - The Shallows, de Nicholas Carr. O livro tem o preço padrão cobrado por um lançamento para Kindle na Amazon: U$11.99. Após a compra, recebi via 3G no aparelho em poucos minutos.

O aspecto mais interessante da leitura no Kindle é que é possível sublinhar os trechos mais interessantes, tal qual na leitura do papel. Também é possível fazer "anotações nas margens" (na verdade, as anotações se tornam espécies de notas de rodapé no texto), digitando num tecladinho simpático em miniatura que vem no próprio Kindle. O aparelho vem com um dicionário de inglês acoplado, então é só parar o cursor diante de uma palavra desconhecida e ele já mostra na tela o significado. (O recurso foi bem útil na leitura do livro. Confesso que quando comecei a ler eu não sabia nem ao menos o significado da palavra "shallows" no título do livro.)

Pontos negativos incluem, por exemplo, a extrema facilidade com que deletei sem querer esse mesmo livro agora há pouco quando fui tentar abri-lo para rever as anotações. Ao clicar com o botão de navegação sem querer coloquei para baixo também e *puf*, o livro sumiu, evaporou, desapareceu. Pelo menos consegui recuperar as anotações no arquivo "My Clippings", que reúne todas as anotações feitas em todos os livros no Kindle.


Tecladinho simpático no centro, e botão de navegação feio bobo e peludo à direita

Apesar de ter gostado da experiência de leitura no Kindle - não cansa a vista, como em monitores de computador - odiei o botão de navegação do Kindle. Tal qual muitos celulares, ele possui um botão de navegação que pode ser movido para cima, para baixo, para a esquerda, para a direita, e também pode ser clicado no centro. Em 99% das vezes que tentei clicar nesse botão, meu clique foi acompanhado de um leve direcionamento para uma das posições que o botão se move, o que pode significar desde simplesmente não funcionar o clique, até apagar o livro inteiro ao invés abri-lo. Por essas e outras também não gosto de usar touchpads clicáveis em notebooks...

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Assunto relacionado: O advogado Marcel Leonardi conseguiu sentença favorável na Justiça brasileira para comprar o Kindle sem impostos. Interessados em tentar seguir o mesmo caminho podem acompanhar a saga do advogado neste post.

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Assunto paralelo: Alguém tem alguma ideia de como se livrar do monstro do malware no blog?

Com o provocante título "What is Twitter, a Social Network or a News Media?", um grupo de pesquisadores coreanos apresentou um interessante trabalho sobre o Twitter no WWW2010 em abril deste ano nos EUA. A partir da análise de uma grande quantidade de dados, os autores chegaram à conclusão de que o Twitter seria menos uma rede social e mais um espaço para difusão de informações - algo próximo à uma mídia noticiosa (news media).

Para analisar o potencial do Twitter como um novo meio para compartilhamento de informações, os autores do estudo partiram de uma grande quantidade de dados: 41,7 milhões de perfis, 1,47 bilhões de relações sociais/conexões entre esses perfis, 4.262 trending topics e 106 milhões de tweets. Com isso, eles dizem ter feito o primeiro estudo quantitativo de toda a twittosfera e da difusão de informação que ocorre através dela.

Nas conexões entre os atores, eles encontraram padrões que fogem às características tradicionais das redes sociais, como uma distribuição de número de seguidores que não segue uma lei de potência, um número de graus de separação menor que em outras redes (média de 4,12 graus de separação), e uma baixa reciprocidade nas conexões (segundo os autores, apenas cerca de 22,1% dos contatos seriam recíprocos: seguir alguém e ser seguido de volta). Outro dado interessante é o fato de que 67,6% dos usuários não são seguidos por nenhum de seus seguidos - uma hipótese levantada pelo trabalho é que esses usuários usem o Twitter apenas como fonte de informação.

Como em outro estudo já comentado por aqui, eles também analisaram a influência dos perfis do Twitter, a partir do número de seguidores, do PageRank, e do número de retweets. Com isso, constataram que os usuários mais retwittados não são necessariamente os mesmos que são bastante seguidos.

Outros aspectos analisados foram os assuntos mais freqüentes nos trending topics (e o comportamento desses tópicos ao longo do tempo) e o alcance de um retweet. Com relação ao alcance do retweet, eles observaram que, independente do número de seguidores que possui o usuário que fez o tweet original, uma vez retwittado, esse conteúdo tem o potencial de atingir uma grande quantidade de indivíduos. Outra curiosidade diz respeito ao fato de que metade dos retweets costuma ocorrer logo na primeira hora após a mensagem original ter sido postada.

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Alguns comentários - o estudo quantitativo traz vários dados para se pensar o Twitter. O aspecto-chave do trabalho parece ser discutir a natureza do Twitter - seria uma rede social ou um espaço para difusão de informações? Por mais que a ferramenta pareça ser mais apropriada para o compartilhamento de informações, acho que não dá para desprezar também seu caráter de site de rede social. Há perfis, possibilidade de interação entre os perfis, e conexões são estabelecidas entre os atores. Ainda que possa predominar um ou outro uso, o Twitter pode ser visto como um híbrido entre uma ferramenta de informação e uma ferramenta de interação. Ou alguém consegue negar que exista na ferramenta um ou outro tipo de uso?

No Brasil não é muito diferente. No estudo que fiz com a Raquel Recuero no ano passado, vimos que a apropriação do Twitter para informação costuma ser mais frequente que para conversação. Mas nem por isso deixamos de observar aspectos de rede social na ferramenta - mesmo as redes usadas para acesso a informação seriam também "redes que importam".

Mesmo que se interaja efetivamente com poucos dos seguidores do Twitter, isso talvez não baste para caracterizar o Twitter como uma outra coisa que não uma rede social. Ou acaso alguém que tenha 1.000 amigos no Orkut efetivamente conhece e interage com cada um desses 1.000 amigos?

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(Via Nieman Journalism Lab - notem a sutileza de que fiquei sabendo do estudo por um blog, e não através do próprio Twitter :P)

Saiu ontem no jornal Diário Popular, de Pelotas, uma matéria sobre o projeto de lei 7.131/2010, de autoria do deputado federal Gerson Peres (PP-PA), sobre responsabilidade civil e penal em blogs. Dei uma rápida entrevista sobre o tema para o jornal, mas acho que seria interessante aproveitar este espaço para discutir um pouco mais o projeto.

A proposta do deputado traz pelo menos três pontos importantes para discussão: a obrigatoriedade de um cadastro nacional de blogueiros, gratuito e através do registro.br; a responsabilização do blogueiro no caso de comentários anônimos ofensivos em que não se consiga identificar os autores dos comentários; e a obrigatoriedade de que todo blog faça a moderação de seus comentários. O descumprimento dessas medidas, conforme prevê o projeto, poderia levar a uma multa de 2 a 10 mil reais.

A tentativa de imposição de um registro obrigatório, com nome, identidade e CPF, de certa forma é incompatível com a liberdade de expressão propiciada pelos blogs. Assim como haveria muitos que não se registrariam, também haveria outros tantos que buscariam estratégias para burlar o sistema, como vincular seus blogs a outros países, ou sei lá o quê. (Não podemos subestimar a criatividade dos blogueiros :P) Ainda que essa medida fosse implementada, ela não seria eficaz.

A questão dos comentários anônimos é um tanto espinhosa. Se por um lado pode-se dizer que o blogueiro assume o risco pelo conteúdo ao se permitir comentários anônimos, por outro não permiti-los fere a liberdade de expressão. Como o artigo 5º, inciso IV da Constituição Federal estabelece ser "livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato", na prática, a jurisprudência já vem reconhecendo a responsabilidade do dono do blog por comentários ofensivos anônimos nos quais não se consegue identificar o autor do comentário, mesmo que não haja ainda uma lei específica regulando essa questão. Ao menos foi o que constatei na minha monografia do Direito, sobre a responsabilidade civil de terceiros em comentários de blogs e em comunidades do Orkut. O terceiro, especialmente o anônimo, muitas vezes escapa impune, pela dificuldade em identificá-lo.

Já tentar obrigar todo blog a exercer moderação de comentários é um tanto complexo. É quase como impor censura prévia a um espaço que é tido como, em tese, democrático. Qualquer um pode criar um blog, ou expressar sua opinião em um comentário. Limitar essa liberdade chega a ser um contra-senso. Transformaria blogs em qualquer outra coisa que não um blog.

Dentre as medidas desse projeto de lei, a única a que tendo a concordar é com a responsabilização do blogueiro pelo comentário anônimo ofensivo, mas desde que antes sejam esgotadas todas as possibilidades de identificação do autor do comentário.

De qualquer modo, acho pouco provável que esse projeto vire lei, ao menos com a redação original. E, mesmo que vire, é pouco provávlel que seja eficaz. Tentar regular um espaço tradicionalmente auto-organizado com imposições de cima para baixo, sem que haja uma discussão nas bases, tem poucas chances de dar certo.

O número de seguidores pode ser usado para determinar se um usuário é influente no Twitter? Aparentemente sim, mas não é o suficiente.

Um estudo de pesquisadores de diversos países - incluindo um brasileiro - observou que o número de seguidores de um usuário no Twitter é insuficiente para, sozinho, determinar o grau de influência daquele indivíduo na rede. O resultado é baseado em uma análise de mais de 1 bilhão de tweets do mês de agosto de 2009 e traz implicações práticas diversas, como no caso de ações de marketing viral desenvolvidas na ferramenta.

Os autores partem do que foi chamado de "a falácia de um milhão de seguidores", proposta em um blog por Adi Avnit, segundo a qual alguns usuários seguem outros de volta apenas por etiqueta (como por reciprocidade). Além disso, seria impossível ler todas as mensagens postadas pelos contatos, especialmente quando se segue muita gente. Assim, ter um milhão de seguidores não é o mesmo que ter um milhão de leitores, o que resulta no fato de que ter apenas muitos seguidores não assegura que um usuário do Twitter seja efetivamente influente.

Para os autores, a análise de três medidas de influência trariam uma melhor compreensão dos diferentes papéis que os usuários desempenham numa rede social:

- O número de seguidores representa a popularidade do usuário, ou o tamanho de sua audiência em potencial. Os perfis com maior número de seguidores incluem jornais e celebridades.

- Os retweets representam o valor do conteúdo de um tweet, ou a capacidade desse conteúdo ser passado adianet. Os perfis mais retwittados tendem a ser aqueles que postam links, como agregadores e jornais.

- A quantidade de menções representa o valor do nome desse usuário, ou sua capacidade de se engajar em conversações. De acordo com o estudo, os perfis com maior número de menções seriam os de celebridades.

Após analisar os dados, os autores concluíram que os usuários mais conectados não são necessariamente os mais influentes, ao menos no que se refere a se envolver em conversações ou a ter suas mensagens retwittadas.

Eles também observaram a influência (a partir de retweets e de menções) através de tópicos e no tempo, e constataram que perfis influentes sobre um determinado tópico costumam ser também influentes em vários outros tópicos (como no caso de jornais, que são retwittados durante grandes acontecimentos, mas também recebem retweets normalmente em outras situações), bem como a construção da influência requer esforço por parte do influenciador.

(Para ler o estudo completo, siga o link > Measuring User Influence in Twitter: The Million Follower Fallacy)


O estudo de certa forma demonstra com argumentos quantitativos o que é possível se observar na prática no Twitter. A influência - e também a reputação do indivíduo - pode ser construída a partir dos relacionamentos que ele mantém com outros indivíduos, ou ainda dos valores que podem vir das informações por ele postadas. A quantidade de conexões pode servir para identificar um indivíduo como central para a rede, mas isso talvez não signifique na prática que as mensagens que essa pessoa posta sejam efetivamente relevantes para os indivíduos (ou, pelo menos, lidas). Lembram de quando a twittess usou um script para inflar seu número de seguidores? Ter vários seguidores pode ser "cool", mas não saber quem são nem obter qualquer reação deles não teria a mínima graça. :P

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Assunto paralelo: Tentei postar alguns dias atrás, mas meu post foi engolido pelo Monstro do Malware.

Por que repassamos notícias

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Já parou para pensar por que você repassa uma determinada notícia para seus amigos?

Um estudo desenvolvido na Universidade de Pensilvânia (estudo completo em PDF aqui) procurou buscar compreender o que uma notícia deve ter de especial para ser repassada e constatou que uma das principais razões para o envio está no potencial de a notícia gerar admiração (awe, no original, em inglês). Segundo os autores do estudo, o mesmo princípio também seria valido para motivar o repasse de correntes e lendas urbanas por e-mail.

O estudo analisou a lista de notícias mais enviadas por e-mail no The New York Times a cada 15 minutos durante um período de 6 meses. Além de analisar o conteúdo das mensagens, eles também relacionaram outras variáveis, como o destaque que a matéria recebeu na homepage do site ou na capa do jornal em papel - isso poderia influenciar uma notícia a ser mais repassada que outras, independente de seu conteúdo.

As notícias foram classificadas como contendo informação prática, serem inspiradoras de admiração, ou por provocarem surpresa. Emoção e positividade da notícia também foram avaliados, de forma automática, a partir da proporção de palavras positivas e negativas constantes no texto da notícia.

Os resultados sugerem que processos psicológicos podem ajudar a moldar o que se torna viral. Constatou-se uma grande correlação entre o potencial de a notícia provocar admiração com sua possível viralização. Os resultados também mostram que, em geral, as pessoas preferem repassar notícias positivas a negativas, e preferem repassar notícias longas a curtas (talvez por conterem mais informações). Ao final, sugere-se investigar se há relação entre o conteúdo transmitido no repasse de informações e o relacionamento que se tem com a pessoa, ou as pessoas, a quem se transmite algo.

O que achei interessante no estudo é que ele se diferencia de outros similares por tentar identificar os aspectos do conteúdo que podem levar uma mensagem a ser mais repassada que outras. Porém uma possível limitação é tentar fazer isso apenas a partir do conteúdo das mensagens, desprezando completamente as possíveis motivações individuais de cada um. De qualquer modo, é útil como mais um ponto de vista para tentar compreender os motivos pelos quais determinadas notícias são mais repassadas que outras.

(Via Ponto Media)

Local Trending Topics

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O Twitter começou a liberar recentemente mais uma função beta: os trending topics locais, separados por cidades ou países. Por enquanto, já estão disponíveis opções como "Brasil" e "São Paulo". Fiz um teste agora pouco, logo após a transmissão do Big Brother, e notei que tanto num quanto noutro predominam tópicos relacionados ao programa (o que imagino que não seja surpresa para ninguém).

De qualquer modo, é interessante notar que aos poucos o próprio Twitter vem incorporando mais e mais ferramentas utilizadas convencionalmente pelos usuários (como no caso do retweet, ou das listas), e trazendo para a ferramenta coisas que outros sites já tentavam fazer a partir da API do Twitter (no caso específico dos local trending topics, vide, por exemplo, Trending Topics Brasil e BlaBlaBra).

Chama atenção em especial o potencial hiperlocal da apropriação da ferramenta - muitas vezes, os tópicos que apareciam nos trending topics tendiam a refletir a visão do grupo que ainda constitui a maioria no Twitter, os falantes de inglês. Agora, tem-se uma regionalização, ainda que o ideal fosse poder procurar por tópicos em destaque em determinados lugares em específico, a partir de palavras-chave, ou próximos a onde se está no momento. Para isso, talvez fosse necessário unificar a linguagem na hora de os usuários acrescentarem seus dados geográficos na ferramenta. Há dispositivos propícios para isso - como a opção de habilitar geotagging, nas configurações do perfil. Mas a maioria do pessoal acaba optando aleatoriamente por colocar sua cidade, estado, ou país, de uma forma um tanto caótica, o que de certa forma depois pode vir a dificultar uma busca localizada.

De qualquer modo, mesmo que seja só por curiosidade, vale a pena acompanhar como se comportam os trending topics em diferentes cidades e países para observar semelhanças e diferenças.

*Sinal de fumaça*

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2009 foi um ano um tanto corrido. Talvez por isso tenha aparecido tão pouco aqui pela blogosfera (perdoem-me a hipérbole de ainda considerar este espaço com atualizações esporádicas como "blog" - e, pior ainda, como "blog integrante da blogosfera"). Ou talvez seja culpa das outras ferramentas online, que disputam nossa atenção. Social games, microblogs, wave - fica difícil decidir se passei mais tempo jogando Mafia Wars, dedicando-me à carreira frustrada de fazendeira em Farmville, ou respondendo bom dias no Plurk. De qualquer modo, recuso-me terminantemente a dizer que foi culpa do Twitter (embora indiretamente até possa ter sido, considerando que o tenho como objeto de pesquisa).

De qualquer modo, pretendo, aos poucos, voltar a usar este espaço para reflexões aleatórias sobre temas que me interessam. Não se trata exatamente de uma promessa. Pode ser que vocês voltem aqui daqui dias, semanas, meses, e encontrem este mesmo post, estático. Pode ser que não. Por via das dúvidas, já aproveito para desejar a todos os meus 4 leitores um Feliz Natal e um ótimo Ano Novo.

O terceiro

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O terceiro é meu personagem favorito no mundo jurídico. Ele não é nem eu, nem você, mas outro, terceiro em relação a nós. O terceiro é aquele que sem querer se mete na relação estabelecida - seja por contrato, seja em decorrência da lei - entre o primeiro e o segundo. Num processo, há autor, réu, e terceiros. Num contrato, tem-se contratante, contratado, e terceiros. Num blog ou em qualquer texto escrito, há um autor, um leitor, e os terceiros - aqueles, além de você, que deixaram comentários, ou até mesmo aqueles que leram antes mas não deixaram rastro algum.

Há sempre uma competição no mundo jurídico. Dizem por aí que o terceiro quer sempre ser primeiro, ou segundo. Se você vende uma casa e depois descobre que ela não era sua, mas estava em nome de terceiro, o terceiro vira primeiro e você se torna o terceiro. Da mesma forma, se decide dar a palavra para o terceiro em algum processo ele pode vir a se tornar segundo - quiçá primeiro - junto ou no lugar do primeiro ou do segundo.

O terceiro é aquele que impele você a escrever cada vez mais em seu blog. O terceiro é o que indiretamente se beneficia de tudo, mesmo que não precise fazer qualquer coisa para que esse benefício o alcance - basta deixar agir o primeiro e o segundo.

A posição do terceiro é bastante cômoda. O problema é quando nos acostumamos a ser terceiros e deixamos de ser protagonistas de nossas próprias vidas...

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Post relacionado: O terceiro de boa-fé

Intercom 2009

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Estive em Curitiba neste final de semana para participar do Intercom 2009 - pela primeira vez, fora do Intercom Jr. Tive péssimas experiências no Intercom Jr., com quase ou nenhuma discussão sobre os trabalhos apresentados. O evento deste ano me surpreendeu bastante - positivamente - na medida em que as discussões sobre os trabalhos foram bem extensas, com bastante troca de contribuições entre estudantes e pesquisadores. A participação no GP de Cibercultura foi particularmente interessante pelo fato de que na verdade estávamos acompanhando dois intercoms: um ao vivo, na sala em que estávamos assistindo às apresentações, e outro no Twitter, através das trocas de mensagens entre os participantes que estava na mesma ou em outras salas, e até entre aqueles que estavam acompanhando de suas casas.

Apresentei por lá meu primeiro trabalho feito durante o mestrado: "Informações Hiperlocais no Twitter: produção colaborativa e mobilidade", em uma sessão mediada pelo vizinho Jorge Rocha.

Com a imagem que tinha do evento recuperada, agora só falta pararem de fazer o absurdo de cobrar a taxa de inscrição ANTES de poder enviar um trabalho.

De maio para cá, a Petrobrás abalou a imprensa ao lançar um blog que, dentre outras coisas, publica a íntegra das entrevistas que a empresa fornece para a mídia. Viajei a Belo Horizonte para participar da Compós, conheci pessoas legais, reencontrei velhos amigos. Michael Jackson morreu (mas continua vivo na mídia), assim como vários outros artistas - mais uma constatação de que todos somos meros mortais. O caso Twitter Brasil foi encerrado, com uma sentença terminativa sem julgamento do mérito, já transitada em julgado (desculpem, não resisti ao juridiquês). Manifestações de ativismo contrárias ao presidente do Senado José Sarney pipocaram em todos os cantos do ciberespaço - com destaque para a atuação desastrada dos chamados "Piratas do Twitter" e para o blog protesto do vizinho Flávio. A gripe suína se espalhou pelo país inteiro, eventos foram cancelados, aulas foram suspensas em escolas e universidades (devo ser a única pessoa que ainda está em aulas - minha universidade optou por começar a suspensão apenas na semana que vem). O Ministério Público Federal entrou com ação contra a governadora do Rio Grande do Sul. O blog Nova Corja parou suas atividades por conta de inúmeros processos judiciais. O Twitter saiu do ar, junto com Facebook e LiveJournal - YouTube e Google também ficaram mal das pernas - num verdadeiro ataque em massa contra sites de redes sociais, que, na verdade, supostamente tinha apenas um único alvo. E ainda não terminei de ler o jornal e os feeds de hoje, então não sei exatamente o que há de novo por aí.

Livro: O show do eu

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21458457 O que nos leva a contar episódios de nossas vidas em um blog, a narrar tudo o que estamos fazendo no Twitter, a mandar para o YouTube vídeos das coisas que fazemos, a postar no Flickr fotos do que vimos, ou, pior, a reunir tudo isso em um único espaço como no FriendFeed? De onde vem essa necessidade constante de tornar pública nossa intimidade, de tornar nebulosa a fronteira da privacidade, enfim, de mostrar ao mundo como, o que, quando, onde e por que estamos vivendo?

O livro "O show do eu - A intimidade como espetáculo", de Paula Sibilia (Nova Fronteira, 2008, 286pp.) procura desvendar os motivos da crescente espetacularização dos indivíduos, que revelam suas intimidades para conhecidos e anônimos, em especial na Internet, tanto na forma escrita como em vídeos e fotografias. Fruto da tese de doutorado da autora, o trabalho aborda o eu sob diversas perspectivas: o eu narrador, o eu privado, o eu visível, o eu atual, o eu autor, o eu real, o eu personagem e o eu espetacular.

Os exemplos são variados. De diários íntimos online - blogs intimistas, em que se conta de tudo - a diários de garotas de programa que se tornam livros. De webcams que transmitem incessantemente a rotina de pessoas comuns, a fotografias tornadas públicas de situações privadas.

Como explicar "fenômenos editoriais" como Bruna Surfistinha senão pela espetacularização do autor, pelo culto à personalidade? Pouco importa a obra produzida. Na sociedade atual, a inversão de valores é tanta que cultua-se o autor, ainda que nem obra possua:

"Qual é a principal obra que produzem os autores-narradores dos novos gêneros confessionais da internet? Tal obra é um personagem chamado eu, pois o que se cria e recria incessantemente nesses espaços interativos é a própria personalidade" (p. 233)

O livro parte do crescente papel de "eu, você, e todos nós" em narrativas disponibilizadas e popularizadas em especial via Internet. O ponto culminante desse fenômeno se deu por ocasião da escolha da personalidade do ano de 2006 pela Revista Time: Você. A capa da edição trazia um computador com uma tela parecida com a de um vídeo do YouTube. Entretanto, ao invés de trazer um vídeo qualquer estampado, havia ali um espelho. A personalidade do ano era você - mas também eu, e todos nós - que publicam conteúdo na rede, que narram para uma, duas, três ou 67 pessoas (olá, leitores anônimos do feed!) seus cotidianos (patéticos?) e suas vidas online.

Mais do que observação do outro e exposição de si próprio, tratam-se de pessoas reais que almejam ser (re)conhecidas. Toda essa publicização do eu pode levar a transformações da subjetividade contemporânea. E gera discussões quanto a questões como a privacidade na Internet.

A leitura do livro é recomendada para todos aqueles que disponibilizam informações pessoais na Internet e em outros espaços, ou que acompanham narrativas de outras pessoas, de ilustres desconhecidos a celebridades instantâneas, do vizinho do lado ao desconhecido que mora do outro lado do mundo.

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Saiba mais:

Confira a entrevista concedida pela autora sobre o livro para o IHU On-Line.

Site oficial do livro - lá é possível ler o primeiro capítulo da obra.

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[modo paranóia]

Engana-se quem pensa que isso tudo está longe de sua realidade. A fronteira entre público e privado na Internet se torna cada vez mais tênue. Saindo um pouco do contexto do livro, tome-se o exemplo mais recente desta extensão para Firefox, cujo objetivo é identificar e reunir dados de perfis de um determinado usuário de uma rede social. Dependendo do quanto de informações o indivíduo disponibiliza online, ainda que em sites distintos, o resultado obtido pode ser uma ficha completa do usuário.

Mesmo aqueles que aparentemente não se preocupam com a privacidade podem acabar se tornando vítimas do sistema. Recentemente, o juiz Antonin Scalia, da Suprema Corte dos Estados Unidos, foi o alvo de estudantes de Direito da Universidade de Fordham. A tarefa, proposta pelo professor Joel Reindenberg, consistia em elaborar um dossiê sobre o juiz, apenas com informações que pudessem ser encontradas online. Os alunos conseguiram levantar 15 páginas sobre a vida pessoal de Scalia, incluindo endereço e telefone pessoal do juiz. O caso pode ser tomado como alerta para se repensar a questão da privacidade online.

[/modo paranóia]

Data venia

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Data venia é um termo jurídico absurdo usado nos mais variados contextos jurídicos - de artigos acadêmicos a peças processuais, de aulas de direito a acaloradas sustentações orais em plenário - o qual, apesar de parecer eloquente, não significa absolutamente nada.

Data venia, aliás, data maxima venia, data venia significa sim, alguma coisa. A expressão quer dizer algo como "com a devida licença", e geralmente aparece antes de se passar a discordar de outrem. Data vem do verbo dar, em latim. Venia significa licença. E o maxima, ao ser acrescentado à expressão, pode servir para intensificá-la.

(Para quem procura uma definição mais séria, vale a pena conferir data venia na Forensepedia.)

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Aplicações na vida prática:

- Você é uma pessoa legal, mas, data venia, quando abre a boca só fala asneira.

- Data venia, você não tem razão.
- Data venia, VOCÊ não tem razão.
- Data maxima venia, eu tenho razão sim.
- Data maxima venia, a razão continua comigo.
(repete ad infinitum)


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Em tempo: data venia, dedico esta exordial aos eminentes amigos do Plurk.

Image Hosted by ImageShack.usFoi divulgada hoje a sentença do caso The Pirate Bay (já comentei antes sobre ele aqui). Em pauta, uma disputa entre a IFPI (entidade que representa diversas gravadoras e produtoras do mundo inteiro) e os proprietários do site de compartilhamento de arquivos, por violação de direitos autorais. A sentença: 1 ano de prisão e multa de 30 milhões de coroas suecas (o equivalente a R$7,7 milhões, de acordo com a Folha Online).

O interessante no caso é o fato de o The Pirate Bay ser um site que não fornece os arquivos em si - trata-se de um sistema de busca de torrents que possibilita que as pessoas possam trocar partes de arquivos entre si, em uma rede peer-to-peer. O perigo da decisão é que ela abre precedentes (ao menos na Suécia, país em que foi proferida a decisão) para se poder processar, por exemplo, sites como o Google que, embora não hospedem conteúdos ilegais, fornecem mecanismo de busca para que esses conteúdos sejam encontrados.

A matéria do The Guardian sobre o caso traz o link para uma linha do tempo do The Pirate Bay, reproduzida abaixo:

Os condenados anunciaram que pretendem recorrer da decisão. Enquanto isso, há um aviso no site onde se lê: "Don't worry - we're from the internets. It's going to be alright. :-)"

Matthew Hurst, do blog Data Mining, diz estar esperando ainda por um estudo definitivo que compare o tempo que uma novidade leva para aparecer no Twitter e em outras mídias sociais (ele fala em tempo de latência). O seguinte caminho é proposto:

1. Pegar alguns dados do Twitter e extrair algumas URLs.
2. Usar a busca do Twitter para encontrar a primeira menção a essas URLs.
3. Usar um sistema de busca de blogs para encontrar a primeira menção na blogosfera.
4. Vice versa.

Antes de mais nada, eis que surge a pergunta: é tão relevante assim saber quem disse primeiro algo, ser o primeiro a dizer alguma coisa... ou o que realmente importa é onde primeiro as pessoas ficaram sabendo das coisas? (Ou, quem sabe, indo mais longe ainda... será que no fundo o que importa mesmo não seria simplesmente ficar sabendo de algo, independentemente de quando?) Nesse caso, importa realmente se um blog ou se um Twitter noticiou primeiro um fato, ou quem sabe seria bem mais interessante fazer o estudo ao contrário, perguntando por que meio as pessoas ficaram sabendo daquilo?

Além do mais, mesmo que os blogs, os jornais, ou seja lá o site ou meio que for, tenha dado a informação antes, se a pessoa viu primeiro no Twitter, por estar permanentemente lá, isso já não bastaria para dar primazia ao Twitter como fonte de informações?

Mas, enfim, tentando seguir os passos propostos por Hurst, primeiro tive dificuldade em entender os trending topics do Twitter - muitas vezes se tratam de palavras soltas, ou siglas. Nesse sentido, o What The Trend ajudou bastante. Como não achei nenhum tópico potencialmente interessante, e também não faria sentido tentar refazer o caminho de informações distantes da nossa realidade, resolvi pegar um exemplo brasileiro.

Tentei seguir o roteiro apresentado por ele, porém esbarrei em questões de ordem prática: nem sempre blogs possuem timestamp em seus posts. Claro, tem o RSS para buscar a hora aproximada da publicação, mas a busca pela hora se torna mais trabalhosa ainda. Também não achei um link recente cuja URL pudesse usar para poder comparar entre blogs e Twitter (as pessoas do Twitter falam muito de coisas sobre o próprio Twitter, presos numa metalinguagem e auto-referenciação ad nauseum que raramente se espalha para outras redes - ok, isso é tema para outro post). Mas para não ficar sem ao menos tentar o experimento, tentei localizar na busca do Twitter e no Google Blog Search a primeira menção à morte do cientista Crodowaldo Pavan. Em ambos os sistemas, busquei apenas pela palavra "Pavan", em todos os idiomas. No Twitter, a primeira menção parece ser este tweet, cuja hora (via Twitter) é 1:15PM do dia 3 de abril. No Google Blog Search, a primeira menção vem da Agência de Notícias da USP, com 1:50PM como horário de publicação (aliás, não me pergunte por que o Google Blog Search procura também em agências e portais de notícias). No começo da tarde do mesmo dia vários blogs de ciência passaram a comentar o ocorrido, mas em geral todos eles citam a própria USP, ou outros jornais, como fonte. Isso quer dizer que o pessoal do Twitter ficou sabendo antes? Não necessariamente. Quem segue a usuária que fez o tweet, e, dos que seguem, quem estava online na hora da atualização, pode ter ficado sabendo antes. E os demais? Mais comentários no Twitter sobre o caso só foram aparecer por volta das 3 da tarde, quando outros sites passaram a noticiar o ocorrido - foi por volta dessa hora, também, que o link da própria USP apareceu no Twitter.

Não é preciso ir tão longe para saber que o Twitter pode ser mais ágil. O próprio blog do Twitter, no ano passado, já nos mostrou um gráfico com o tempo que o terremoto na California levou para sair no Twitter e em agências de notícias. Ok, o Twitter é mais rápido. Mas será que mais gente ficou sabendo pelo Twitter mesmo, ou minutos depois pelo despacho da AP? E como fica no caso daqueles que eventualmente twittaram depois de ver o despacho da AP?

Aí retomo a pergunta: importa saber quem falou primeiro sobre o caso, ou o que nos interessa reter, seja porque vimos no Twitter, em blogs, em jornais, ficamos sabendo na Internet, no rádio, na TV, pela vizinha, pelo colega, por um parente, enfim, é que determinado fato aconteceu? E, nesse caso, importa mais a informação em si, ou também seria interessante observar como se chegou a essas informações - por que meio, de que modo, em que condições?

Tenho cada vez mais perguntas do que respostas. Dois anos *de mestrado* vai ser pouco tempo para resolver essas inquietações...

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Só pra constar: eu fiquei sabendo pelo Plurk...

v e r b e a t  b l o g s

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