Vem cá Luiza, me dá sua mão

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luiza mergulhou no rio e ficou lá, se olhando. não via nada. era só seu umbigo gigante. e peixes. cabelo. muito cabelo. eles enrolavam no balanço das águas e ela lá, estática. luiza. mergulhada no rio feito peixe. a cabeça dando voltas sem sentido e os braços parados. era ela. querendo virar sereia e quase sem ar. luiza no rio de cabelos gigantes. e eles estranhos. a casa desmoronando. o piso rachado. o barulho. e luiza no silêncio do fundo do rio. tanta água que nada se podia ouvir. sem movimento. só os cabelos dançando. e ele atormentado em um barulho de trem incessante. luiza sem forças. achatada pelo rio. era corrente do porvir que a oprimia. e ele não podia estender a mão. ela estava longe de mais, no fundo d'água.

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