" /> Gabriela com Café: setembro 2007 Archives

« agosto 2007 | Main | outubro 2007 »

setembro 27, 2007

Vai que o samba vai até de manhã

não sei ao certo quando descobri o samba. desconfio até que foi ele quem chegou miudinho, na ponta dos pés, na barriga da minha mãe. contam que eu sabia de cor as pastorinhas, linda criança, tu não me sai da lembrança...e me lembro de algum tempo depois remexer as cadeiras como uma morena de angola. tive alguns anos de paixonite infantil pelo salgueiro, varando as madrugadas, no desespero do atravessar dos 5 mil componentes. dos meus carnavais em vassouras, com o baile rodando no salão. da bailarina azul que rodopiava com mamadeira na mão. dos bailes em teresópolis. do samba com os primos. das fantasias do carnaval de rua no rio. rodas de samba, bip bip, guanabara. os pés deslizando com o balanço da cadeira dela. as tristezas lavadas na cadência alegre do choro mais dolente que existe.

setembro 26, 2007

Não penses ter a vida inteira, para ganhar meu coração

faz diferença. oscilando entre ter ganho na loteria e a moldura desse papel. de repente ganhei contorno simbólico e tenho prazer. evitei pensar sobre o significado de ter um marido e agora ele cai em mim como um machado, cortando minhas dúvidas. foi tão leve que nem percebi que nosso dia a dia tinha nome e atravessei. agora eu que ando atravessada. perplexa. engolindo o cuspe que joguei pro alto. to com sombra de casamento atrasado. só agora me permito. é que tanta coisa acontecia que meu vestido de noiva parecia uma grande brincadeira. sem esse para sempre em neon berrando na porta. hoje me dei conta de que eu quero esse para sempre. e saí correndo pra abraçar meu lado mais cafona, doente por você.

setembro 25, 2007

Maria Robô

maria robô demora a acordar. repete a mesma rotina e veste a camisa de força de latão. entra no condutor e aguarda. adentra a cidade de playmobils, sobe na caixa, chega ao andar e coloca as bolas de ferro. maria robô é presa à cadeira e só tem direito à um banho de sol por dia. não importa se ela tem outras funções, inteligência, brilho. maria não é paga para isso, seu trabalho é repetir. e ficar calada. a cada dia a camada de ferrugem na alma é maior. são metros e metros de limo de tanto engolir sujeira. maria termina o dia engasgada.

aguarda a catarse da lata, que com um grito profundo, irá parir uma borboleta.

setembro 20, 2007

D

dia amarelo caminha pela beira da estrada até cair pra cima. nadando. piscina afora. e dia amarelo descansa as pernas em cima do banco. ingênuo. macio. saber deixar viver dia amarelo todo. até voar por aí.

setembro 19, 2007

Quem não tem colirio, usa óculos escuros

eu pago o pato por ser critica e te sirvo com laranja. engoli as papas. a lingua corre solta esbofeteando o mundo. quanta gente medíocre. inclusive eu, perdida na minha ignorância de perguntar. a verdade é que cansei. to aqui cumprindo hora até a mudança da lua. falem o que quiserem. o lobisomen sou eu.

setembro 18, 2007

Diversão e arte, para qualquer parte

acordei hoje apaixonada pelos seus olhos que não abrem e enxergam um mundo enorme. pelas suas canelas finas pulando montanhas. seus pêlos pretos habitando minha sala, saia, sofá. coisas. acordei apaixonada pelas suas coisas. seu muquifinho de roupas. suas moedas espalhadas. seus papéis, documentos e chaves adornando a mesa. acordei. desse sono pesado de culpa de algo que não fiz. resolvi ficar feliz e pronto. achar graça da nossa briga pelos cartazes no canto da parede. minha carência eterna. seus devaneios múltiplos. somos assim, um casal qualquer. estressados com o barulho, sentindo falta de comida na geladeira, pedindo pizza com vinho em plena segunda. amém.

setembro 17, 2007

Santiago

diálogo entre criador e criador, com aplausos para a criatura. a auto critica gerou um filme sensível, bonito, comovente. delicadeza. acho que é essa a palavra. e o que chamamos de loucura como uma infinita sabedoria de ser alegre, contente. e não feliz. certa inveja de quem é capaz de criar seu próprio mundo e habitar nele. triste daquele que não tem ilusões.

"Ideologia, eu quero uma pra viver" - Cazuza

setembro 14, 2007

Andar com fé eu vou

ando critica demais. decepcionada demais. comigo. não consigo mudar porra nenhuma. não consigo afirmar nada. e os dias passam meio sem gosto pela minha boca. tô chata. sem graça. irritante. não sei ler. escrever muito menos. todo mundo me elogia. e eu magra, sem apetite. minha vida tá apática. rotina. compromissos. vontade enorme de sumir descalça por aí...até esquecer de mim.

setembro 13, 2007

Feliz

ano novo de sorte e paz.

setembro 12, 2007

Vem cá Luiza, me dá sua mão

luiza mergulhou no rio e ficou lá, se olhando. não via nada. era só seu umbigo gigante. e peixes. cabelo. muito cabelo. eles enrolavam no balanço das águas e ela lá, estática. luiza. mergulhada no rio feito peixe. a cabeça dando voltas sem sentido e os braços parados. era ela. querendo virar sereia e quase sem ar. luiza no rio de cabelos gigantes. e eles estranhos. a casa desmoronando. o piso rachado. o barulho. e luiza no silêncio do fundo do rio. tanta água que nada se podia ouvir. sem movimento. só os cabelos dançando. e ele atormentado em um barulho de trem incessante. luiza sem forças. achatada pelo rio. era corrente do porvir que a oprimia. e ele não podia estender a mão. ela estava longe de mais, no fundo d'água.

setembro 10, 2007

O dia se renova todo dia

recebi elogio e fiquei feliz. não faço mais parte. mas vou fazer de outro. respeito. esse é o caminho. de vestido vermelho solta por aí entre os que amo. e ver gente feliz é balsamo pra dias estranhos. vou permanecer inquieta. assistindo de longe à catequização corporativa. enquanto sambo miudinho.

setembro 6, 2007

Uh

sinto saudade vergonha. mas sinto saudade. muita. como é que a gente corta o amor? ou aprende a fazer crescer pra outro lado? ando soturna. preta. escura. voltei da luz direto pra lama. e as vezes acho que não quero sair daqui. to sem brilho. apática. precisando de ajuda. esse blog não é um pedido de socorro. é um espasmo. me deixem viva, enquanto ainda questiono.

setembro 5, 2007

Chegaaaaaaaaaa

nunca fui de ter esse tipo de medo. ou de não acreditar em mim. acho chato gente que fica triste tempo demais. a vida é tão curta. tem tanto problema grande. e eu aqui cheia de saúde, amor e força paralisada feito gente. porque natureza não fica parada. a pedra, o gelo, a mosca. tudo move. e eu ando pra lugar algum. simplesmete porque agora não sei pra onde andar. incrivelmente porque não sei mais andar. essa lavagem que me cortou as pernas e me fez vomitar todo esse medo. detesto gente vitima. tenho pavor de acreditar que minha vida é isso. eu crio opções. e torço pra que a vontade permita que ocorra. eu mudo. e me encaixo em um fluxo novo que se apresenta. eu não existo. posso pairar solta em outras ondas. eu ando tonta. e desligando dessa coisa estranha sem sentimento até vibrar de novo. vou vibrar de novo. e chega de vocês.