" /> Gabriela com Café: maio 2007 Archives

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maio 30, 2007

Cabeça Dinossauro

esses holofotes estão me incomodando. quero voltar a ficar na sombra. o macaco q tem medo do ego é na verdade um gorila. ainda arrebento essa jaula. ando grunindo demais. conflituosa conflitante conflitiva! viva. e é esse monte de mulher me cegando o rosto. quanta vaidade. quanta vaidade eu tenho. podia ter inventado algo mais simples. eu, você, nosso amor e uma cabana. mas não ando bacana. me irritei com essa história de ultrapassar o niilismo e saí da sala vendendo peixe. cara feia pra mim é fome. e sim, tenho implicância com pastas. principalmente pastas ambulantes incapazes de produzir pensamento. porque aquela massa uniformizada, aquela não pensa mesmo. estão ali para sugar aqueles conceitos até serem confundidos com os livros. mero repetidores de palavras feitas pra provocar. e o que eu sinto tem que ser respeitado. é o que eu sinto. e pra mim o niilismo tem é que ser afirmado. qualquer coisa da sua vida deve ser afirmada. assim como essa minha vontade de ter um ritual e todos os parangolés que vem com isso. eu afirmo minha vontade de ser o que sou hoje. e depois me digam qual o significado de ultrapassar no dicionário. porque eu, parei. vou voltar a ser buda porque ganho mais. boca fechada não entra mosca. e o que tá escrito nesse blog, não vale o pão nosso de cada dia. ;)

maio 29, 2007

Saudosa Maloca

ano passado tivemos goulash. familia. amigos. glória. foi jogo do inter. era importante. alguém ficou em casa vendo tv. não me lembro o que te dei de presente. de natal foi um rimel. e um sabonete. mas o rimel você pediu. rimos muito. você estava de azul. a carteira na mão. engraçado, o mesmo conjunto do natal. trocamos beijos de longe. saudade. luz enorme no fundo infinito. tudo bem.

"mas o seu amor me cura, de uma loucura qualquer. é eu encostar no seu peito, e se isso for algum defeito por mim tudo bem. tudo bem. tudo bem." - Lulu Santos

maio 24, 2007

Coisas em devir palavra

a vida me mostrou novas faces das pessoas. algumas apaixonantes, outras bem feias. tento não julgar mas é impossível não sentir. há momentos em que a gente precisa de carinho. e é muito bom receber sem pedir. ;)

porque você faz uma falta enorme aqui e nada é capaz. e suas coisas espalhadas pela sala não são nem sombra da tua presença. é estranho demais tudo continuar igual. será que nimguém vê que tá faltando um pedaço no mundo?

o amor é essa coisa engraçada cheia de posse e hábitos. mesmo livre meu amor é posse. o saber estar ali ainda que seja só pra contemplação.

o tempo anda tiquetaqueando rápido. to flutuando pelos acontecimentos. espalhada demais por aí. liquefeita em anseio de pé no chão, casa nova, outros rumos e filhos.

maio 22, 2007

Terra

eu quero sair dessa boca e engolir o mundo. mastigar cada pedaço de futuro ainda não construído. triturar esses meus sonhos em pedaços até perceber o valor do meu presente. da minha vida ponte passando do estado liquido pra outro liquido. do meu corpo que não é mais o mesmo. da serenidade que me entorta a vista. do abandono que eu tanto aprecio. quero rasgar minha cabeça até aparecer nua. e chega desse tanto de pano envolvendo as minhas feridas. quero secar a dor com o vento pra escancarar um sorriso. é nesse deserto que mora minha maior virtude. aqui, nesse nada marrom.

E quem disse que o fútil não é filosófico?

eu sou muito calmo, sereno por dentro. então preciso de movimentação do lado de fora, de coisas diferentes, visualmente não simétricas. mas você é muito movimentada por dentro e por isso a necessidade de simetria do lado de fora. da organização. da forma.

tanta coisa pra pensar após um simples desabafo no final de noite. depois de horas divagando sobre toalhas, arranjos, flores, cores, mesas e etc. me pego pensando sobre o apolineo e o dionísiaco. sobre a forma e a não forma. sobre o contorno e a loucura. sobre o belo e o sublime. sobre o controle. essa eterna necessidade de controlar (um pouco) essa vida que esperneia dentro de mim.

maio 21, 2007

Abre o pano

meu avô, 97 anos, internado, recebe a visita do urologista.
muito sério, vira-se para ele e diz:
- doutor, posso lhe fazer uma pergunta?
prontamente o doutor diz que sim.
mas ele retruca:
- posso mesmo? é algo indiscreto, pessoal.
o médico intrigado acena com a cabeça positivamente.
e meu avô manda:
- o que um velho de 80 anos tem entre as pernas?
surpreso e sem ação, o doutor responde:
- joelhos.
meu avô diz que não e lhe dá mais uma chance.
sem graça e curioso, o médico pede a resposta.
- um defunto e duas testemunhas.
gargalhadas geral.
fecha o pano.

maio 17, 2007

Engole

a vida me engole. nem dá tempo de sentir a dor que se esconde atrás da minha orelha. sinto cansaço. e dor nas costas. a vida me engole. e de repente você está tão presente que quase nem se percebe ausente. são suas coisas, minhas memórias, o nosso amor. maior que tudo de real e sobrevivente a nossa pobre noção de tempo. a vida me engole. e eu me esfrego em sua lingua.

maio 16, 2007

O pulso ainda pulsa

tá simplesmente tudo acontecendo ao mesmo tempo e eu só queria que fosse um pouco mais devagar. a vida passa por mim como um trem e eu me sinto embolorada. depois não sabem porque eu não consigo dormir. Ando tão ligada que perdi o caminho pro botão de pause. e é nessas horas que temo ser desligada da tomada com uma mão só.

as mãos que vem até mim surgem não sei de onde e me acariciam. os olhos que já conheço, os braços que procuro, as vozes que gosto, os textos que recebo, os rostos conhecidos. são aqueles que me amam que seguem. e servem.

maio 14, 2007

Relaxa e...

enfim, aconteceu. esse arquétipo de milênios se apoderou de mim e ando tomada de insegurança. e se eu engordar? e se não emagrecer o suficiente? e se meu vestido não for bonito? e o cabelo? os pés? a lista, a bebida, a comida, as flores, nossos pais, amigos, familias... (suspiro) a música, o horário, o transporte, aquilo que falta, aquilo que sobra. a cada dia que se aproxima é menos um da estréia (da peça de teatro). pior que festa de aniversário. montes de opinião de todo mundo caindo do céu e reverberando na minha cabeça. to irritantemente e cada dia mais dentro desse papel. me sinto meio ridicula. mais fazer o quê? como diz o ditado popular (e bota popular nisso) "relaxa e ...*".

(*vamos evitar a busca no google)

maio 9, 2007

Dor-de-cotovelo

aquele bêbado cantando lupicínio rodrigues só pode ser coisa sua, rindo e animando aquela chatice toda. foi você que não permitiu que fosse pesado, chato, monótono. aquela missa sem vida, sem alma. foi aquele bêbado quem nos deu alegria. seu canto tropeçando por entre os bancos enormes, ecoando no pé direito alto. não sei o que ele cantava. mas ao seu jeito, louvava a Deus.

* Lupicínio Rodrigues nasceu em Porto Alegre, RS, em 19 de setembro de 1914. Foi o inventor do termo "dor-de-cotovelo". Este termo, ao contrário do que se propagou como inveja - se refere à prática, comum nos bares, do homem ou mulher que se senta no balcão, crava os cotovelos no mesmo, pede um Whisky duplo, faz bolinhas com o fundo do copo e chora o amor que perdeu.

maio 7, 2007

A tristeza é senhora

as coisas perderam um pouco de cor. e até meu samba pulsa mais fraco. será que se você está, onde está, também tem saudade? por que aqui tem muita. mais muita mesmo. e de repente, eu me sinto anos mais velha. e sozinha.

* desde que o samba é samba é assim. a lágrima clara sobre a pele escura. a noite a chuva que cai, lá fora. solidão, apavora. tudo demorando em ser tão ruim. mas alguma coisa acontece no quando agora em mim, cantando eu mando a tristeza embora.

maio 2, 2007

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para um aprendizado de saudade vácuo.
te amo.