" /> Gabriela com Café: abril 2007 Archives

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abril 25, 2007

Para a minha insustentável leveza

mais nova eu era atormentada por me sentir atormentada. não suportava o peso da minha cabeça pensando sem parar. o looping da figura do teatro de marionetes divino até chegar na idéia de morte e espiralar de vez. eu demorei muito a perceber que eu não era complicada e sim complexa. e muito mais ainda pra gostar da palavra complexa. as piadas de terapeutas sempre mexem com o fato de que eles não nos curam e sim fazem com que a gente se aceite melhor. mas o fato é, curar-se de que? de quem? de si mesma? aos quase 30 eu to muito feliz com essa coisa esquisita e paranóica que é a minha cabeça e encontrei uma "tchurma" tão questionadora quanto eu queria deixar de ser. gente que tem tesão de palavra. e tem poucas coisas melhores do que isso. ;)

* guardo até hj a dica do dé sobre o fim do meu inferno astral num cartão preto na parede.

abril 19, 2007

Só danço samba

quase 30 e amanhã dou entrada nos papéis. há que se dizer que rola um frio na barriga mesmo depois de quase um ano de casa. tento não pensar no pra sempre. expressão sem serventia. vale o agora. e ele vale muito.

abril 16, 2007

Zazueira

"Percorrestes o caminho que vai do verme ao homem, mas ainda tendes muito do verme. Fostes macacos, um tempo, e, também agora, o homem ainda é mais macaco que qualquer macaco. Mas o mais sábio dentre vós não passa de uma discrepância e de um híbrido de planta e fantasma. Mas vos mando eu, porventura, tornar-vos plantas ou fantasmas? Vede, eu vos ensino o super-homem! O super-homem é o sentido da terra. Fazei a vossa vontade dizer: "que o super-homem seja o sentido da terra. Eu vos rogo, meus irmãos, permaneceis fiéis à terra e não acrediteis nos que vos falam de esperanças ultra-terrenas! (...) Depois [Zaratustra] falou assim: O homem é uma corda estendida entre o animal e o super-homem – uma corda sobre um abismo. É o perigo de transpô-lo, o perigo de estar a caminho, o perigo de olhar para trás, o perigo de tremer e parar. O que há de grande no homem é ser ponte, e não meta: o que pode amar-se, no homem, é ser uma transição e um ocaso." (Assim Falou Zaratustra - um livro para todos e para ninguém, Rio de Janeiro, Círculo do Livro, 1985, Prólogo 3-4)

abril 11, 2007

A saber

a ciência, ou técnica, criam um novo problema... a culpa pela morte. do outro. qual será o ganho de mais tempo de vida (se é que a palavra nos cabe) se ganhamos em culpa? em terror? em medo? o poder que nos é dado (pela técnica) nos tira a liberdade do deixar morrer. e nem isso sabemos mais.

abril 4, 2007

Cantar pra subir

com outras palavras de caetano

Nada dessa cica de palavra triste em mim na boca
Travo, trava mãe e papai, alma buena, dicha louca
Neca desse sono de nunca jamais nem never more
Sim, dizer que sim pra Cilu, pra Dedé, pra Dadi e Dó
Crista do desejo o destino deslinda-se em beleza:
Outras palavras

Tudo seu azul, tudo céu, tudo azul e furta-cor
Tudo meu amor, tudo mel, tudo amor e ouro e sol
Na televisão, na palavra, no átimo, no chão
Quero essa mulher solamente pra mim, mais, muito mais
Rima, pra que faz tanto, mas tudo dor, amor e gozo:
Outras palavras

Nem vem que não tem, vem que tem coração, tamanho trem
Como na palavra, palavra, a palavra estou em mim
E fora de mim
quando você parece que não dá
Você diz que diz em silêncio o que eu não desejo ouvir
Tem me feito muito infeliz mas agora minha filha:
Outras palavras

Quase João, Gil, Ben, muito bem mas barroco como eu
Cérebro, máquina, palavras, sentidos, corações
Hiperestesia, Buarque, voilá, tu sais de cor
Tinjo-me romântico mas sou vadio computador
Só que sofri tanto que grita porém daqui pra a frente:
Outras palavras

Parafins, gatins, alphaluz, sexonhei da guerrapaz
Ouraxé, palávoras, driz, okê, cris, espacial
Projeitinho, imanso, ciumortevida, vivavid
Lambetelho, frúturo, orgasmaravalha-me Logun
Homenina nel paraís de felicidadania:
Outras palavras

abril 3, 2007

quero sofrer da dor que tenho e dos seus olhos amargos. finjo que não vejo o quanto você chora. mas o que posso fazer nessas horas em que somos tão sozinhos. que eu tenha a grandeza de sofrer pelo que me assombra. isso me dói sim. e não adianta eu me esconder atrás da obra, do dinheiro, dos presentes, viagens, planos e sonhos que seguem sendo construídos. não adianta. porque não é isso que verdadeiramente me pertuba. é a sua mão trêmula procurando a minha. e seu corpo cada dia mais magro. eu definitivamente não sei lidar com a morte. que a vida seja bondosa ao me ensinar.

Ridicula

o filho de um amigo tem leucemia há dois anos. e tá inchado como um peixe boi. minha avó toma água de colher, não anda e tem raros momentos de lucidez. as vezes se fica tão perto da morte, que só nos resta estender os braços. e eu estressada com colunas, listas, planilhas e outras coisas bobas e sem importância. há momentos em que sou ridícula.