Porque hoje é quase sábado
estou muito feliz e muito triste ao mesmo tempo.
somos mesmo "aburdos incoerentes".
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estou muito feliz e muito triste ao mesmo tempo.
somos mesmo "aburdos incoerentes".
há algo em mim que estranha esse desejo de morte. e me pergunto se é moral. que tipo de filosofia pode explicar essa quantidade enorme de forças que habitam em mim ao mesmo tempo. é claro que eu não quero. e você não foi e já sinto sua falta. me pego lembrando dos guardanapos que não combinam com a mesa, das suas pulseiras e colares, do pote grande de balas de vidro, da rosinha, do fusca, do buraco na casa da aninha, da páscoa em que acordamos aí, de ver viva a noite até a tarde enquanto você bordava, das fantasias e vestidos antigos em um grande baú ou em cima do armário, de te ver passando no estácio...de teatro, cinema, arte. não consigo entender como você não vai estar mais aqui. mas ao te ver desse jeito, desejo que você vá embora. e encontre de novo a paz. (ou será tudo um grande egoísmo nosso, que não aprendemos a lidar com a vida, irmã da morte?)
me sinto abençoada pela minha vida hoje.
tanta coisa boa acontecendo.
um lugar meu está muito feliz,
mesmo que não seja possível esse sorriso.
e nem o abraço longo que eu queria te dar.
sonhei que serviam seus orgãos em grandes bandejas de prata cobertas de sangue. havia uma mulher de óculos e colher de prata na mão. queriam que eu bebesse. participasse da sua morte. enquanto você sorria murcha na cadeira de madeira, apoiada na parede de frente à mesa, no canto da sala.
a vida tá atropelando meus pés. tanta mudança. e mais eu quero que mude. tenho medo das coisas definitivas. e elas estão de mudança pra minha casa. tenho que conceber o definitivo passageiro. e nesses seis a sete meses de gestação vou parir casa nova. mas ainda falta. tenho que mudar daqui. fugir desse tecido morto que me permite o novo. olhar pro lado. lançar um passo largo e valsar pro lado. até mudar daqui.
Composição: Belchior
Na voz de Elis Regina
Não quero lhe falar meu grande amor das coisas que aprendi nos discos
Quero lhe contar como eu vivi e tudo o que aconteceu comigo
Viver é melhor que sonhar, eu sei que o amor é uma coisa boa
Mas também sei que qualquer canto é menor do que a vida de qualquer pessoa
Por isso cuidado meu bem, há perigo na esquina
Eles venceram e o sinal está fechado prá nós que somos jovens
Para abraçar seu irmão e beijar sua menina na rua
É que se fez o seu braço, o seu lábio e a sua voz
Você me pergunta pela minha paixão
Digo que estou encantada com uma nova invenção
Eu vou ficar nesta cidade, não vou voltar pro sertão
Pois vejo vir vindo no vento o cheiro da nova estação
Eu sei de tudo na ferida viva do meu coração
Já faz tempo eu vi você na rua, cabelo ao vento, gente jovem reunida
Na parede da memória essa lembrança é o quadro que dói mais
Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais
Nossos ídolos ainda são os mesmos e as aparências não enganam não
Você diz que depois deles não apareceu mais ninguém
Você pode até dizer que eu 'tô por fora', ou então que eu 'tô inventando'
Mas é você que ama o passado e que não vê
É você que ama o passado e que não vê
Que o novo sempre vem
Hoje eu sei que quem me deu a idéia de uma nova consciência e juventude
Tá em casa guardado por Deus contando vil metal
Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo, tudo, tudo o que fizemos
Nós ainda somos os mesmos e vivemos
Nós ainda somos os mesmos e vivemos
Ainda somos os mesmos e vivemos
como nossos pais
(aos pais que eu amo)
quase que viro celebridade.
isso que dá ser linda, jovem e comunicativa.
(risos)
eu estou muito triste. e você tem sido incapaz de enxergar. quem pode julgar a dor do outro? eu não sei o quanto sua mão te dói. o quanto sua vida te pesa as pernas pra que você não possa andar. eu te sinto egoísta, enquanto sei (ou acho) que você faz tudo que pode. as lágrimas congeladas não chovem. e não quero pena. estou triste. porque acho que você sofre e isso é o que mais dói. nimguém é capaz de julgar a dor do outro. nem você.
A tua presença morena
Caetano Veloso e Gilberto Gil
A tua presença
Entra pelos sete buracos da minha cabeça
A tua presença
Pelos olhos, boca, narinas e orelhas
A tua presença
Paralisa meu momento em que tudo começa
A tua presença
Desintegra e atualiza a minha presença
A tua presença
Envolve meu tronco, meus braços e minhas pernas
A tua presença
É branca verde, vermelha azul e amarela
A tua presença
É negra, negra, negra, negra, negra,
negra, negra, negra, negra,
A tua presença
transborda pelas portas e pelas janelas
A tua presença
Silencia os automóveis e as motocicletas
A tua presença
Se espalha no campo derrubando as cercas
A tua presença
É tudo que se come, tudo que se reza
A tua presença
Coagula o jorro da noite sangrenta
A tua presença
É a coisa mais bonita em toda a natureza
A tua presença
Mantém sempre teso o arco da promessa
A tua presença
morena, morena, morena, morena,
morena, morena, morena.
ainda não consegui transformar esse bolo em palavras. e nem em lágrima. assim que der, eu te conto.
Porque esse seu olho perdido, bóia na água, é certeiro na minha visão e me machuca sem direito. Vontade sua, e eu respeito, mas é que seu escuro nos dói demais. Acontece que nessa vida a gente não escolhe hora de chegada e nem de saída. E eles vendem venenos na fármacia, mas não há ânimo nem pra comprar. Somos verdadeiramente mundos sozinhos. E te sinto encolhida no seu. Rezo pra que você brote de novo.
saudade de jobi, papo filosófico, samba de gafieira, orelhas de coelho, aulas de arte, ipanema, dança de salão e horas intermináveis de conversa.
feliz aniversário!!!!!!!!!!!!! :)
