" /> Gabriela com Café: outubro 2006 Archives

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outubro 31, 2006

Ai de mim que sou romântica... Como um mutante

"Há tanta poesia, e no entanto, nada é mais raro que um poema!
Eis o que faz a abundância de esboços, estudos, fragmentos, tendências, ruínas e de materiais poéticos."

F. Schlegel, Fragmentos críticos, Lyceum, 4.

outubro 30, 2006

Alienação

secretaria do direito da mulher é das coisas mais pré-históricas (e odiosas) que eu já ouvi... porque não criam uma secretaria dos direitos dos homens? só nós, pobrezinhas e indefesas, é que precisamos de uma secretaria especial para defender nossos direitos? isso pra mim é a prova viva de que esses infelizes entendem a mulher como um ser inferior e que a igualdade entre os sexos ainda não foi internalizada por essa gente que acha que tá fazendo o bem e, na verdade, tá é se achando... foi mal, mas só seremos iguais quando toda essa parafernália especial do direito da mulher, for a mesma dos direitos dos Homens.
e sim, somos femininas, mas burras não!

outubro 27, 2006

Vai trabalhar vagabundo

hora de arregaçar as mangas e começar o trabalho. muita coisa para fazer, pouco tempo, vontade de ir à praia, ao cinema, viajar. sair com amigos. namorar. apartamento. mas há muito para fazer. arregaçar as mangas e suar como louca na ginástica do tempo.

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ontem recebi a resposta que eu queria. mas em algum lugar, uma parte minha, ficou triste. senti vazio. preciso parar de projetar o futuro. as coisas acontecem na hora que tem que acontecer.

outubro 26, 2006

Margarina

talvez eu seja mesmo um furacão que sobe na cadeira, canta e dança enquanto bebe uma tequila. eu sigo em frente. aposto. lanço. me jogo. é que a vida padrão que eu construo pra mim é minha e nimguém tem nada a ver com isso. e nem me venham falar das suas regras, teses, verdades. o que me importa é que faça sentido pra com quem eu estou. e acho que faz. tem feito. to me redescobrindo tanto. encontrando cada pedaço de mim por aí perdido... aprendendo a me aceitar, a achar normal o que parece estranho. desenhando verdades vivas. e é de vida que é feita nossa cama, nosso quarto, nossas coxas. e o cheiro inconfundível da tua barba já mora nos móveis. até a geladeira vibra por você enquanto eu aprendo a achar normal que você cultive minha solidão e enterneça minha liberdade ainda criança fazendo manha pela sala. é que perto de você minhas inseguranças não têm lugar e até minha comparação com os outros é ridícula. você me afirma como eu sou e tem me ensinado a amar. e como é dificil. cada poro meu é feito de critica e não consigo escrever uma linha porque tenho medo de soar banal. e como é dificil. ler tanta coisa e ficar ali pequena, perdida entre as calorias do doce e o trabalho de manhã. acho que há lindeza em certo ser medíocre. e o que há de mal em sonhar com o comercial da margarina?

outubro 19, 2006

Classificados

procura-se um ou dois quartos, com cozinha espaçosa e área de serviço, sem vista pra casa do vizinho e, se possível, varanda ("sacada"). agradeço se tiver espaço pra rede, antigo sonho de consumo. vontade de levar as cortinas coloridas e meu armário branco. muita vontade de levar armário branco. pede-se também lugar na parede para uma nova e iluminada borboleta, colega do lustre e do tapete em construção. ah, vaga na garagem. e pronto pra um casal ansioso por terra nova. amém.

outubro 17, 2006

Aos meus Porto Alegre

ainda não pude digerir todas as informações desse final de semana feriado prolongado e escrevo com o coração gigante de quem participou de um rito de passagem e venceu. escrevo com o coração amado e florido, cheio de sorrisos, escrevo. saúdo a chegada da minha primavera e me percebo mais porto alegre. e é por você que os sinos dobram enquanto minha carruagem passa. agradeço por ter sido digna de tanto amor, de tanta gente, que saudade dos cachorros e dos abraços apertados que lá ficaram. ainda não pude digerir todas as informações. mas aos poucos, a vida me fagocita. ramilonga.

outubro 11, 2006

A morte do eu

vi trilhos de vidro em frente a locomotiva, disco tocando sem som e montanha de entulho escultura. vi espelho que levou tiro. soube de arrastão no alto da boa vista. sentir amigo indo embora é duro. tanta coisa pra falar e tudo tão sem importância. só o saber estar ali sempre, até. senti saudade de amigas que moram perto. e resolvi com abraço longo e apertado, email com sorriso e o tão falado encontro na semana que vem. talvez você não saiba o quão maravilhosas são vivi, anne, gloria, jo, mari, monica e fernanda que existem na minha vida. e muitas outras, que adoro tanto. li texto que me emocionou e de mãos dadas caminho. talvez de outra forma, sempre a mesma. visito os teus que agora são meus, já que tomaste minha vida de assalto, de gosto, de tudo. já que invadiste minha casa, cama, familia. e eu aqui no meio todo desse lugar repleto de signos lutando pra não me dar significado. sem pressa. eu tenho a vida toda pra isso. vou matar meu eu aos pouquinhos.

outubro 10, 2006

Pesadelos

de novo aquele pesadelo em que eu quero acordar, mas não consigo. me vejo deitada na cama, quero abrir os olhos, levantar, mas não me movo. eu grito e não sai som. faço força, mas não abro os olhos. num salto em 3D, tento em vão sacudir meu namorado que dorme como um anjo ao meu lado, mas ele se dissolve liquido na cama. ou sou eu que passo através dele e fico de ponta cabeça. continuo gritando e não há barulho. nenhum som nesse lugar e não há nada de mais pertubador. espero que o céu dos mortos tenha barulho. nem que seja barulho de ar. o silêncio infinito é horrível. em desespero, sigo tentando me acordar... até cansada emendar em um sonho. e dormir novamente. que alívio abrir meus olhos de manhã e ver minhas cortinas, lençol, armário. sentir aqueles braços novamente em volta, me aconchegar a eles e continuar viva.

outubro 9, 2006

Tá Combinado

Então tá combinado, é quase nada
É tudo somente sexo e amizade.
Não tem nenhum engano nem mistério.
É tudo só brincadeira e verdade.
Podemos ver o mundo juntos,
Sermos dois e sermos muitos,
Nos sabermos sós sem estarmos sós.
Abrirmos a cabeça
Para que afinal floresça
O mais que humano em nós.
Então tá tudo dito e é tão bonito
E eu acredito num claro futuro
de música, ternura e aventura
Pro equilibrista em cima do muro.
Mas e se o amor chegar pra nós
de algum lugar
Com todo o seu tenebroso esplendor?
Mas e se o amor já está,
se há muito tempo que chegou
E só nos enganou?

Então não fale nada, apague a estrada
Que seu caminhar já desenhou
Porque toda razão, toda palavra
Vale nada quando chega o amor.

- Caetano Veloso / na voz de Maria Bethânia
* porque hoje nada posso escrever que seja mais meu do que essa música.

outubro 6, 2006

Chão

(ontem alguém me disse que a pós-modernidade é um eterno sem chão. que a certeza, ou verdade, nunca existiu. mas a gente acreditava tanto nela, que se tinha sempre onde pisar. terreno firme. enquanto que agora se sabe que tudo pode desabar a qualquer momento. E aí estão os homens, vivendo na imanência, na incerteza. ...)

eu quero um chão, mesmo que seja uma escada rolante. eu quero uma terra, uma pranchinha de isopor pra ajudar na aula de natação. um placebinho. eu quero. eu topo chão palavra, chão mão que segura, chão mentira. eu sou cafona, eu preciso de rótulos, de nomes, pronomes, eu sou antiga. quero promessas, mesmo que falsas e declarações corrompidas. as coisas em mim chegaram antes e eu to dentro desse quarto descobrindo retalhos de antigos vestidos. eu tenho sonhos. penso demais. apalpo com lupas meus pensamentos. quero etiquetar meus sentimentos. alguém amarra as minhas mãos e cala a minha boca, que eu aprendi a vomitar tudo que eu sinto e vou ficar desidratada. são essas aulas. sim, as aulas. ativadores dessa coisa que me coça o corpo todo e quer sair. não sei ainda controlar, definir, etiquetar isso que vivo. eu quero um chão, mesmo que seja uma escada rolante. eu quero uma terra, uma pranchinha de isopor pra ajudar na aula de natação. um placebinho.

outubro 4, 2006

Dor nas costas

é preciso fortalecer o corpo para aguentar a violência do pensamento. é preciso alimentar o pensamento para suportar a engenharia do corpo. engenho de pensamento, corpo violência. e o que é preciso para matar pensamentos que se pré-ocupam? e esse absurdo desesperado pela perfeição? ser magra, ser inteligente, ser magra, alisar o cabelo, ser magra, ler mais, ser magra, trabalhar melhor, ser magra, aprender a cozinhar, ser magra, ganhar mais, ser magra, passar mais tempo com todos os amigos, ser magra, dar atenção à familia, ser magra, arrumar a casa, ser magra, economizar dinheiro, ser magra, fazer pilates, ser magra, fazer as unhas, ser magra, ficar sozinha, ser magra, escrever melhor, ser magra... santo focault, vê se me liberta desse mantra infernal.