" /> Gabriela com Café: setembro 2006 Archives

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setembro 28, 2006

Babel

eu sai do cinema muda, em silêncio. sem poder, ou melhor, sem querer falar nenhuma palavra, nenhum som. eu sai do cinema mas ainda não consegui me despir do filme. é babel quem me configura agora de manhã e me faz escrever esse texto digestivo, chá de boldo, quase um banho. babel é triste, mas feito de uma esperança própria da vida. é denso, real, surpreende. babel não é um soco, mas uma agonia fina. um médico costurando os pontos com uma agulha suja, tosca, primitiva; esterelizada em um isqueiro. babel é cru e repleto de música, de cor, de silêncio, de vida. é tão próximo da vida que é alegre. como uma tragédia grega aonde os personagens não tem como fugir ao seu destino e sofrem sem ter efetivamente culpa. pequenas burrices, bobagens, escolhas, acasos; que provocam grandes sequelas. afetam. afeto. um filme sobre o afeto com pinceladas de cultura, inversões de moral e verdades construídas pelo mundo atual. não há muito o que falar sobre a história do filme, prefiro que você vá vê-lo assim, inocente, sem saber muito do que se trata. quem viu amores brutos e 21 gramas, irá reconhecer a forma de contar a história, em partes, com pontos que se tocam, se tangenciam. o diretor diz que seu novo filme é sobre compaixão. e eu concordo. tem de haver muita paixão, muita angústia, para filmar algo tão lindo.

babel é cru, cozido e arrebatador. imperdível. estréia prevista para janeiro/2007.

setembro 26, 2006

Da arte de viver a dois

valorize os momentos a sós. seja cheirosa. tenha charme. e conserve o bom humor. compre ou faça a comida que ele gosta. demore no banho. troque de brinco. coloque aquela camisola nova. escolha uma música. aplique um pouco de rímel. faça uma surpresa. acenda velas. espalhe umas flores. escute horas ele falando sobre o time de futebol ou trabalho. incentive seus projetos. agende pequenas viagens. planeje grandes excursões. vá ao cinema. prepare um dvd com pipoca. aprenda dança do ventre. cante. arrume a casa. olhe pra ele. abuse do hidratante. saia pra jantar. cozinhe o almoço. saiba sorrir. aprenda a falar. invente saudade. crie mini ciúmes e mate os maiores. esteja viva, com beijos longos.

setembro 22, 2006

Confidencial

meu corpo está falando. e eu ando agitada demais. nimguém permite a hiper atividade. nem eu mesma me permito no meu estado mais elétrica. impressionante. impressionada. meu corpo falando. e a gente se amando como nunca entre os livros. cada gota desse saber que envenena meu sangue. inebriado. e a porta. a angústia. esse presente enorme que se arrasta e de tão largo entupiu minhas artérias. esse futuro pernalonga. minha cabeça-corpo que pensa. meu corpo fala. e grita. enquanto eu alucino baixinho no canto da sala. baixinho. que é pra que nimguém escute o que o que esse corpo fala. e eu não tenho mais medo. mas qualquer coisa viva, âmbar, atarantada. ainda sem controle. alegremente sem controle. maravilhosamente descontrolada. sábios aqueles que incorporam o caos nas suas vidas. é um pouco dessa luz, ainda aprendiz, que habita meu corpo. e que no silêncio, fala.

setembro 19, 2006

Sublime

quero me perder ali naquele por do sol até me confundir com o laranja-amarelo e não ser nada além do meu pé tocando a areia da praia e o cheiro do mar me invadindo, vadindo, indo, até eu sair flutuando e me encontrar ali em cima daquela pedra olhando tudo de longe, sem nem saber que tenho pés e muito menos mãos, até abandonar esse corpo e habitar o espaço fotográfico da bola de fogo se pondo entre as montanhas, até sumir no mar e ficar escuro, e ficar estrela, e pisar no chão, sentir a areia, o cheiro de fim de tarde e amanhecer de mim.
saudade de uma longa tarde no meu posto 9.

setembro 15, 2006

A partir de Franz

you can feel my lips undress your eyes
undress your eyes, undress your eyes

e lá vou eu ficando com uma saudade enorme desses dois. uma pequena notável e um irmão. parece que em um giro da saia a vida mudou de lugar. e lá vai ela, sacodindo as cadeiras, sambando um bocadinho mais. no miudinho, sem perceber, o cenário é todo diferente. tenho alguém que me acompanha e nosso primeiro show juntos foi maravilhoso. apesar da minha loucura de achar estranho nosso amor ser calmo demais, bom demais. ê mulher bicho insano. abre os braços e aproveita. e abraça os dois enquanto eles ainda não foram o suficiente pra que dure até eles estarem de volta. e fala o quanto eles vão fazer falta e serão insubstítuiveis por aqui. assim como a minha nina, tão maravilhosa, e que mora longe. e os outros tantos afastados perto de mim. (é tiago, eu sei como é...)

you can feel my lips undress your eyes
undress your eyes, undress your eyes

setembro 13, 2006

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setembro 11, 2006

Tempo

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o corpo da gente carne fraca que sustenta essa cabeça. cabeça? que sustenta esse também corpo de idéias e pensamentos. se é que algo o sustenta. e se existe o além, é desse pensamento vivo que ele é feito. da vontade eterna de continuar vibrando, pertencendo, com corpo. e se nos apegamos a esse corpo com desespero é porque apesar da dor o olho ainda quer ver, a boca ainda quer sentir, e a pele deseja. pele frágil que vai ficando fina de tanto contato com o tempo...que vai comendo a gente devagarinho. saboreando a carne demoradamente. somos apenas uma refeição do tempo. é esse corpo de pensamentos que sustenta essa carne fraca que se recusa a enxergar isso. somos apenas uma refeição do tempo.

setembro 6, 2006

Faltam 4 meses e 3 anos para 100

peixe grande de familia personalidade incrível digno de cinema. elogio de gente, raça humana imperfeita, com todos os defeitos maravilhosos possíveis. meu amor gigante de pouco afeto e piadas rápidas, loucura por torcer contra e amante da manguaça. homem de mulher só apaixonado por todas, pernas que passam, mentes que brilham, palavras tortas numa nota em mil te fez assim. pertencer-te, nascer de ti descendente, escutar te sempre é benção de herói e orgulho breve. aquele que te fez errante, te fez sábio. te emprestou vida de rei embora sempre sarjeta. te amo muito, homem figura mítica da minha vida.

setembro 5, 2006

Dancing in september

a água caindo e você.
o cheiro do carvão e você.
preguiça de manhã e você.
burburinho feminino e você.
goles de champanhe e você.
roupa pra lavar e você.

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setembro 4, 2006

Dificil de entender

tenho me sentido numa mistura de almodóvar, com tarantino e toques de nelson rodrigues. uma mulher foi morta e cortada ao meio. aparentemente sem motivo. aparentemente por um psicopata frio. um homem morreu no centro da cidade e o jornal estampa a foto da mãe, no meio fio, com a cabeça do morto em seu colo. aparentemente serena. dando carinho para tentar conforto a sua dor. 5 jovens morreram na madrugada em um acidente de carro. pais juntos choram na calçada uma perda. aparentemente a impotência da vida. suas vidas.
uma menina de 10 anos é sequestrada e foge aos 18. aparentemente ela está ligada ao sequestrador. e ele se joga embaixo de um trem.

É, talvez o trágico seja mesmo o motor da vida.