Babel
eu sai do cinema muda, em silêncio. sem poder, ou melhor, sem querer falar nenhuma palavra, nenhum som. eu sai do cinema mas ainda não consegui me despir do filme. é babel quem me configura agora de manhã e me faz escrever esse texto digestivo, chá de boldo, quase um banho. babel é triste, mas feito de uma esperança própria da vida. é denso, real, surpreende. babel não é um soco, mas uma agonia fina. um médico costurando os pontos com uma agulha suja, tosca, primitiva; esterelizada em um isqueiro. babel é cru e repleto de música, de cor, de silêncio, de vida. é tão próximo da vida que é alegre. como uma tragédia grega aonde os personagens não tem como fugir ao seu destino e sofrem sem ter efetivamente culpa. pequenas burrices, bobagens, escolhas, acasos; que provocam grandes sequelas. afetam. afeto. um filme sobre o afeto com pinceladas de cultura, inversões de moral e verdades construídas pelo mundo atual. não há muito o que falar sobre a história do filme, prefiro que você vá vê-lo assim, inocente, sem saber muito do que se trata. quem viu amores brutos e 21 gramas, irá reconhecer a forma de contar a história, em partes, com pontos que se tocam, se tangenciam. o diretor diz que seu novo filme é sobre compaixão. e eu concordo. tem de haver muita paixão, muita angústia, para filmar algo tão lindo.
babel é cru, cozido e arrebatador. imperdível. estréia prevista para janeiro/2007.


