" /> Gabriela com Café: junho 2006 Archives

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junho 30, 2006

Consultório Sentimental

Uma amiga veio me pedir conselhos amorosos. Disse que me acha uma pessoa centrada (!!). Não sei muito bem o que ela quis dizer com isso, mas me fiz toda ouvidos. O caso é que a moça separou do ex marido com quem tem uma filha, ficou alguns anos sozinha e depois de levar um fora de um cafa dos bons, foi no colo desse mesmo ex, ainda apaixonado, que ela foi procurar abrigo. Ela me disse que estava fragilizada. Uma forma de dizer que no fundo, já sabia que não gostava dele.

Hoje ela namora o ex marido e não sabe como terminar. "Somos amigos" ela me diz. E começa a contar coisas escabrosas como inventar doenças ginecológicas para não transar com ele, e o pavor de abrir as pernas para aquele homem, e as tentativas anteriores de artifícios eróticos para apimentar a relação. Coitada. O tesão não precisa de artifícios. E não existe fantasia que instaure libido onde não há. Eu sei, o caso parece simples, a relação parece próxima do fim. Mas ela ainda teme. Ainda tem dúvidas. Escuta à mãe que acha que ele é um bom pai, bom marido, é apaixonado por ela e que acha normal sacrificar o desejo em nome da "moral familiar" (?). As amigas seguem o lema melhor mal acompanhada que sozinha e falam pra ela ir levando, enquanto não conhece outro. Todos vendem o medo de envelhecer sozinho, o perigo de não haver outro, a infelicidade de não ter um par na vida. Mesmo que esse par não caiba nos seus pés (bom não é esse o lugar que ele não anda cabendo, mas enfim... vocês entenderam).

Me assusta ouvir tantas mulheres com medo de ser sozinha. Eu sei que a vida apaixonada é muito mais colorida. Mas será que vale fingir paixão a esse ponto? Vivemos ainda no tempo das nossas avós para só nos sentirmos seguras com um homem ao lado? Que merda de cultura é essa em que a gente não aprende a se amar primeiro?

junho 28, 2006

Borboletas Psicossomáticas

" O termo psicossomático provém dos vocábulos gregos “psykê” = alma, e “soma” =corpo. Logo concluímos de que a psicossomática se refere à relação corpo x mente. Mas, o termo distúrbio psicossomático não possui uma definição precisa, podendo ter várias interpretações. Mais freqüentemente, o termo é aplicado a distúrbios físicos supostamente causados por fatores psicológicos. "

essa gripe-alergia deve melhorar na semana que vem, assim que essa sensação de congestionamento passar.

~*~

no paralelo, tenho um lustre lindo-cafona de borboletas no quarto, que combina com a cortina lilás. há mais de um ano esperando no ármario feito casulo pra ganhar asas, minhas borboletas agora voam alegres pelo quarto. conhecer alguém capaz de soltar suas borboletas é um presente. melhor ainda quando esse alguém entende suas mariposas. dá asas as suas cobras e faz graça quando elas gritam pelos cantos da casa. pendura o lustre, lava a louça, te faz cafuné na hora de dormir. to adorando ter alguém com quem eu quero compartilhar minhas borboletas. e finalmente, meu quarto tem luz.

junho 26, 2006

Café da Manhã no Parque Lage :)

Doce de Côco
(Jacob do Bandolim / Hermínio Belo de Carvalho)

Venho implorar pra você repensar em nós dois
Não demolir o que ainda restou pra depois
Sabes que a língua do povo é muito mais traiçoeira
Quer incendiar desordeira, atear fogo ao fogo

Tu sabes bem quantas portas tem meu coração
E os punhais cravados pela ingratidão
Sabes também como é passageira essa desavença
Não maltrates o amor

Se o problema é pedir, implorar
Vem aqui, fica aqui, pisa aqui neste meu coração
Que é só teu, todinho teu
E o escorraça e faz dele de gato e sapato
E o inferniza e o ameaça
Pisando, ofendendo, desconsiderando
Descomposturando com todo o vigor

Mas se tal não bastar
O remédio é tocar este barco do jeito que está
Sem duas vezes se cogitar

Doce de côco
Meu bom bocado
Meu mau pedaço de fato
És o esparadrapo que não desgrudou de mim

* na voz de zélia duncan

junho 23, 2006

Ela mexe com as cadeiras pra cá...

Mudaram meus móveis de lugar, mas ainda quero arrastar algumas cadeiras. Fazer barulho nesse chão de taco. Sapatear em cima do meu corpo morto, deitado no chão, querendo voar. É, mudaram meus móveis de lugar e eu me sinto espaçosa. Tô feito botão de árvore alagando os galhos, nadando as folhas, em saltos triplos de flores. Tô botão de pouso dando cavalo de pau no carro e saltando do viaduto em um mortal vermelho. Tô botão. E apertei o pause, porque o play continua tocando sem parar, enquanto mudam meus móveis de lugar. O sofá na cabeça da cama me cai bem. E aquele espelho refletindo o que ainda não houve é meu mantra de manhã. Acordo com os sinos do fogão repetindo seu nome. E ele ecoa pela minha casa. E eu adoro. E como. E é da tua comida que mais tenho sabor, quando salpicada pela tua lingua, que me lambe nas paredes da sala, sem móveis. Mudaram meus móveis de lugar, mas ainda quero arrastar algumas cadeiras. E cada dia elas estão mais leves porque não entro mais em mim. Não há espaço para ficar aqui esperando o que quer que aconteça, refrigerando meu miolos, amargando meus dedos, assoprando meus olhos. Eu vi e quero sair correndo. Colocar teus quadros na minha parede, enquanto levo minha escrivaninha pra outro lugar. Nova vida, novo ano. E começa agora.
Mudaram meus móveis de lugar. Pontapé descortinado das paisagens encantadas do futuro.

ps. ...ela mexe com as cadeiras pra lá, ela mexe com o juízo do homem que vai trabalhar. (Dorival Caymmi)

junho 21, 2006

Você tem fome de quê?

muita vontade de largar tudo e sair por aí. fazer outra coisa. exercer meus neurônios. pensar. que vontade de fazer as malas. ingerir cultura. mastigar novos cheiros, terras, cores. que vontade de misturar as cores. sair por aí. com rumo. sabendo o que eu quero e cheia de sede. que saudade de ter sede.
aqui a terra é parada. e nada de fértil brota no chão. minha terra ao lado floresce e a daqui soterrada por tanta mediocridade. falta de estímulo. falta de vontade de ter o corpo habitando.

vou voltar a ter sede. só tenho que descobrir onde.

junho 20, 2006

Pravc

acordei hoje com uma vontade enorme de dizer
nada
e isso é de uma grandeza que só o presente me cabe
enfim
acordei e ando pra lá das vontades
e é no perder dos teus dedos que ando
até
pedaço de cereja já vi no parapeito da janela
e luz azul no canto na minha boca
e se
for de madrugada será mais bonito
porém
espanto é o que não
e enquanto eu estiver assim
me deixe repleta dessa vontade de dizer nada
porque a palavra não mora aqui.

Passeio

sumi por alguns dias e fui viver um pouco.
tô de volta.
mais bonita e com cheiro de flor.

junho 12, 2006

Dia do Sonho

a vida é feita de pequenos gestos e grandes sorrisos.
ontem me lembrei do quanto eu quero ser mãe.
e do quão maravilhoso deve ser mostrar o mundo pra alguém.
o difícil é que o mundo as vezes é feio, bem feio.
e a pessoa que aqui escreve não sabe bem o que pensar, ou falar, ou fazer ou sentir.
não sabe. não tem as respostas. e nem as perguntas.
mas depois de pular em uma cama elástica com 4 pessoas que podem mudar o mundo, e de sentir aqueles sorrisos gigantes te penetrando, e ganhar uma corrida com abraço sincero. depois disso não há como esquecer a realidade que nos aproxima muito mais do que a que nos separa.
porque a vida é sim sentida nos pequenos gestos de grandes sorrisos.

junho 9, 2006

arbustos num arco-iris

para plantar um abacate é preciso tempo
e quando colher o maduro, não se espante
a vida cresce de um sopro
feito sopa instantânea
e quando de um arbusto aparece um arco-íris
não é porque você bebeu demais
nem desejou demais
é porque a vida queria te fazer uma surpresa
te enroscar numa curva
te jogar no chão, só pra vc se levantar depois
quando ficar em pé
olhe em volta
jogue fora esse bando de caretice
e sorria
não tem nada de mal em estar feliz
e eu to pra caramba.

junho 7, 2006

Preguiça de pensar em título

quando perdi a fala
ganhei
e ao ficar muda
emiti um som que eu não conhecia
porque meu silêncio as vezes faz barulho
e quando ele é só silêncio
grita mais alto, ainda.

***

pra me perder não é preciso muito
fico te olhando e logo estou longe
contando os fios da tua barba
pra me perder, não tem sido preciso muito
tenho ficado tonta
acho que é a coluna.

***

homens que pedem desculpa são um luxo
mulheres que pedem desculpa são um luxo
pedir desculpa é um luxo
e eu acho lindo.

***

ótima noticia
alguém em breve faz as malas. :)

junho 6, 2006

Enquanto isso...

Esse monte de palavra agrupado na tela que não quer dizer nada e me açoita feito burro de carga enquanto carrego o peso de ter que me debulhar em lágrimas pra que você entenda, entenda? meus pensamentos. e são tantos e eles passam ligeiros que não percorro e sigo torta pela sombra esquerda do lado direito da tua rota de ônibus perdida entre os pardais da antiga esquina. ao dobrar mais a frente me encontro morta e se ressuscito é quando te vejo, como cristo, descalço, lavando minhas feridas. e elas são muitas encorbetas em véus de porcelana e redes de pregos enfeitando os corais. e se te bato é na cara é pra que me acordes deste torpor em que me encontro nua, sem sentido, calçando os sapatos dos miseráveis que babam no chão. porque só feito louca poderei encontrar-me sã e adentrar o sentido do que não tem remédio e a dor dos que não sentem nada, entupidos de goma de marcar e gosma. e minha barba mal feita que te engrandece a carne só te serve como cabide de uma luxúria desmedida que não me pertence mais. e ao te falar rouca, e perseguir tonta e fugir. e ao te fugir do frio ao encontro dos teus pés mornos suspensos nos meus ombros, fujo de mim mesma, porque já nem sei mais o que digo.

Além do Bem e do Mal

Nietzsche - Capítulo 4 - Máximas e Interlúdios

" 76. Em circustâncias de paz, o homem guerreiro se lança contra si mesmo.

94. Maturidade do homem: significa rever a seriedade que se tinha quando criança ao brincar.

106. Através da música as paixões gozam a si mesmas.

132. É por nossas virtudes que somos bem punidos.

139. Na vingança e no amor, a mulher é mais bárbara que o homem.

142. A frase mais pudica que já ouvi: No verdadeiro amor, é a alma que envolve o corpo.

153. O que se faz por amor sempre acontece além do bem e do mal.

156. A loucura é algo raro em indivíduos, mas em grupos, partidos, povos e épocas é a norma.

161. Os poetas não têm pudor em relação às próprias experiências: eles as exploram.

175. Por fim amamos o próprio desejo, e não o desejado. "

flor de maio

minha varanda tá linda, toda rosa dos sorrisos da minha flor de maio, que resolveu abrir em junho. e eu fico toda orgulhosa de ver minha plantinha toda florida depois de um ano juntas. :D

junho 5, 2006

Salve Jorge

santa clara clareou
e aqui quando chegar vai clarear
santa clara clareou
e aqui quando chegar vai clarear
os caminhos
os meus caminhos
salve santa clara

junho 2, 2006

Não

vou fechar um pouco a porta
tem entrado muito vento
encolher de leve as pernas
pra não parir antes do tempo
ficar quieta, em silêncio
gestando
mãe das crianças que não nascem
e neta das madrugadas vadias
vou ser vidente abandonada de presságios
e pipoqueira em ócio do oficio.
vou ser nada, cansada de existir
pra não respirar esse remoer de molas
gemendo na minha cabeça
e esse eco de cadeiras
rangendo nos meus dedos.
vou fechar um pouco a porta
e recolher de leve as pernas
pra pertencer de novo a mim.

Silêncios que ouço

"Gosto de andar nas ruas e comprar coisas
Que vão se arrumando em torno de mim.
Eu tenho muitas coisas, quero dizer, tenho muitas camadas.
Uma camada de livros, outra de sapatos.
Tem a camada de plantas. E toalhas de rosto.
Tenho camadas de coméstico e adereços.
Uma camada de nomes e coisas que vejo.
Tudo ordenado ao meu redor. Em forma de corpo.
Um corpo que me sustenta quando o meu próprio me falta.

Cadeiras são meus ossos. Sapatos são meus braços.
Torneiras em meu poros. Paredes como roupas de inverno.
(Quando toca música em minha casa sai do umbigo.)

Descanso recostada nas paredes da casa
Que me guardam como um abraço.
Me abraço quando me derramo na sala.
E na cozinha. Em geral adormeço no quarto.

Tudo em minha casa tem existência.
Todas as coisas significo. Com os olhos.
Ou com as mãos. Minha casa tem silêncios
Que às vezes ouço. Em meu corpo
Tem silêncios maiores ainda.
Que às vezes ouço. e faço poemas.
Faço poemas dos silêncios que ouço."

Trecho de Desato - Viviane Mosé

junho 1, 2006

Katia Flavia

virei fã do fausto fawcett!
o cara é inteligente, culto, debochado, sagaz, sacana, irônico e boêmio. vou dançar katia flávia com ainda mais prazer que antes.