Consultório Sentimental
Uma amiga veio me pedir conselhos amorosos. Disse que me acha uma pessoa centrada (!!). Não sei muito bem o que ela quis dizer com isso, mas me fiz toda ouvidos. O caso é que a moça separou do ex marido com quem tem uma filha, ficou alguns anos sozinha e depois de levar um fora de um cafa dos bons, foi no colo desse mesmo ex, ainda apaixonado, que ela foi procurar abrigo. Ela me disse que estava fragilizada. Uma forma de dizer que no fundo, já sabia que não gostava dele.
Hoje ela namora o ex marido e não sabe como terminar. "Somos amigos" ela me diz. E começa a contar coisas escabrosas como inventar doenças ginecológicas para não transar com ele, e o pavor de abrir as pernas para aquele homem, e as tentativas anteriores de artifícios eróticos para apimentar a relação. Coitada. O tesão não precisa de artifícios. E não existe fantasia que instaure libido onde não há. Eu sei, o caso parece simples, a relação parece próxima do fim. Mas ela ainda teme. Ainda tem dúvidas. Escuta à mãe que acha que ele é um bom pai, bom marido, é apaixonado por ela e que acha normal sacrificar o desejo em nome da "moral familiar" (?). As amigas seguem o lema melhor mal acompanhada que sozinha e falam pra ela ir levando, enquanto não conhece outro. Todos vendem o medo de envelhecer sozinho, o perigo de não haver outro, a infelicidade de não ter um par na vida. Mesmo que esse par não caiba nos seus pés (bom não é esse o lugar que ele não anda cabendo, mas enfim... vocês entenderam).
Me assusta ouvir tantas mulheres com medo de ser sozinha. Eu sei que a vida apaixonada é muito mais colorida. Mas será que vale fingir paixão a esse ponto? Vivemos ainda no tempo das nossas avós para só nos sentirmos seguras com um homem ao lado? Que merda de cultura é essa em que a gente não aprende a se amar primeiro?