Não sei o que anda acontecendo com nós, mulheres, que cada dia queremos ser mais novas. assustadoramente mais novas. não suportamos as marcas da vida no nosso corpo, o galanteio do tempo olhando a gente nos olhos, o arredondamento feminino das nossas curvas e a gravidade gritando, gritando, gritando.
eu olho pra mim e pras minhas amigas e vejo um bando de garotinha preocupada com a idade. nem 30 anos temos. estamos quase lá. e nos sentimos como idosas. queremos voltar a ter 22, ser magras, não ter barriga, sendetárias felizes com seus corpinhos de ninfeta.
me assusto. não são só nossos corpos que passam pela ditadura da beleza, mas nossas mentes. temos medo de ficar sozinhas, de ficar acompanhada, de sermos traídas, de não sermos amadas, de perdemos o emprego, de não fazer o que gostamos, de não ter filhos, de ter filhos, da violência, do não realizado, de ter feito pouco, de estar atrasada, de chegar antes, de não comer saudável, não ler o suficiente, não encontrar com os amigos,...
temos cobrança demais e nos sentimos velhas. incapazes de viver o que a vida nos apresenta porque estamos preocupadas demais em ser perfeitas para sermos felizes. e na busca dessa perfeição, esquecemos que isso tudo importa tão pouco. que é tudo tão breve. como um sopro.
esquecemos no mundo só existe superfície. e que essa já é por demais profunda pra acrescentarmos montes de novelos de pensamentos inutéis. pra termos medo de fracassar quando ainda nem tentamos. para que jovens de 30 anos se sintam velhas.
meu avô tem 96 anos e só quando ele fez 95 disse que começou a ficar velho, porque ele era jovem com 80 anos.
que a gente possa desfrutar mais do tempo e se preocupar menos em ser ou estar perfeito.
porque não é nada disso, ou é tudo isso, que traz prazer.