" /> Gabriela com Café: abril 2006 Archives

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abril 28, 2006

Trapézio

Na minha casa tem um milhão de coisas
e na minha cabeça idéias tortas navegando sem saber onde ir
na minha cabeça de um milhão de coisas

alguém me disse que hoje acordei confusa
deve ser porque o inferno astral tá acabando e to com a síndrome do ano novo
fazendo promessas pra um novo dia
com sede de mudança e sem saber pra onde ir

as portas foram abertas bem na minha frente
não gosto de onde estou
mas também nao quero entrar
alguém sabe se nesse jogo tem como andar de lado?

não durmo mais
quanto menos horas de sono mais pensamentos
preciso voltar a fazer yoga
aquietar os macacos até sentir o caminho
vou me perguntar pra onde ir

não há controle
só se pode escolher com o que te é oferecido
não há opções
siga em frente, mesmo que andando pra trás

a vida tá me empurrando
vou costurar a cama elástica e me jogar.

abril 27, 2006

Refazenda

ainda não sei o q eu quero fazer quando eu crescer
mas com certeza não é ficar aqui
nada me atrai
nem as cores, nem os cheiros, nem as idéias
muito menos as palavras
ah, as palavras!
não sei viver sem esse tesão de lingua
sem essa vontade de gerar, de criar, de expandir
não sei não
e não nasci pra ficar aturando gente burra
gente ignorante e cheia de delírio sim
gente simples e que não sabe escrever é ótimo
gente imperfeita é tudo
mas gente que irrita a gente...
ah essa não!
essa gente é melhor ir pra longe.

abril 25, 2006

Chuva

andei com pés de chuva pra dar fruto
encontrei o que não procurava
e onde queria estar ainda não cheguei
molhei meus pés de chuva pra dar fungo
mas nunca tive dedos tão saudáveis
e pensamentos tão obscuros
alarguei os pés de chuva pra ficar molhada
tenho suor por toda a pele
e continuo seca como um guarda-chuva
levei os pés de chuva pra fora até fazer vento
não sei bem onde vou
mas o cheiro do novo não demora a chegar aqui.

abril 24, 2006

fé ( ou aquele que escreve certo por linhas tortas)

quero o fim da geografia. das distâncias. das paredes. do vidro.
quero o fim dessa partida. desse eterno fazer malas. do futuro.
quero o fim do futuro. quero agora. quero tudo.
deixa pra lá a fisica, os atomos, os cacete a quatro.
deixa pra lá e chega mais perto que to cansada dessa régua atravessando nosso caminho.
desses kms. dessa terra. desse corpo querendo ser guinchado até você.
to farta da geografia. quero um mapa novo.
e agora.

abril 20, 2006

Viva os pensamentos negativos

é engraçado como alguns pensamentos negativos podem ser libertadores.
escrevo hoje para chegar ao fim da ditadura dos bons pensamentos.
do para sempre. do bom. do volto já.
viva a sensação de que tudo pode acabar a qualquer momento.
de incoerência. de estar fazendo tudo errado. metendo os pés pelas mãos.
viva o não saber pra onde ir e seguir em frente.
o sentir. e a entrega. e o deixar que as coisas te atravessem até ficar com as pernas bambas.
viva as pernas bambas. as pernas. o seguir. o nada querer falar sobre aquilo.
os sonhos não planejados. o achar que a sua vida é um filme. a vida.
é ótimo ter pensamentos negativos libertadores que te permitem afirmar o presente.
e que eu continue achando que tudo pode acabar a qualquer momento, pra que essa sensação de paz dure por muito tempo...

abril 18, 2006

Cama

um pedacinho de mim saiu andando por aquela porta
e deixou minha cama mais vazia
um pedacinho de mim saiu
andando
e me deixou na porta
vazia
um pedacinho de mim na minha
saiu da cama
andando porta
por aquela vazia
um pedacinho de mim saiu andando
e me deixou na porta, vazia

abril 11, 2006

Coisa mais bonita

eu ganhei um presente lindo.
e era isso... to flutuando.
sem mais por hoje. ;)

abril 10, 2006

Inferno Astral

o mês de abril sempre é esquisito pra mim. as coisas ganham dimensões gigantes, o volume de trabalho aumenta, a ansiedade caminha junto e os acontecimentos gordos antecedem o que ainda está por vir.
e aí é q mora o perigo. o que está por vir...

é nesse saco de gato de adivinhações malucas que minha cabeça se perde, se encontra, se afunda e lá se vai mais uma hora de vida inutilizada por um aguaceiro de pensamentos.

lembro da dedicatória do livro do calvino decretando o fim do meu inferno astral e de uma certa forma debochando disso tudo. aliás, é isso q eu to precisando. me levar menos a sério. debochar de mim um pouco mais. querer menos que esse tal de futuro chegue logo. querer menos. pra viver mais.

até pq se eu continuar nesse ritmo, nimguém me aguenta... primeira!

abril 7, 2006

Vontade de hoje

uma casinha na beira da praia.
deitada na rede.
de frente pro mar.
o pé esfregando na areia.
balanço gostoso pra lá e pra cá.
aquele quase soninho.
o sol se pondo.
barulho de mar no fim da tarde.
biquini e canga.
cheiro de praia.
sono de sol.
ficar ali perdida.
entre a rede, o mar, a areia e o sol indo embora.
sem hora pra nada.

mas antes disso, muita vontade de mandar camisa polo pra aquele lugar!

abril 6, 2006

Palhaços

me peguei triste com a morte do palhaço carequinha.
na verdade, ontem quando li a noticia, fiquei uns dois minutos pra baixo.
é engraçado como é imediato pensar que se está ficando velha quando pinta uma certa nostalgia.
porque eu nem conhecia o palhaço tanto assim. mas ele tinha um ar simpático.
e me lembra minha infância.

só não entendo porque com tanta foto do palhaço carequinha sorrindo, o Globo tem que colocar na capa do jornal uma foto dele dentro do caixão com aquele algodão dentro do nariz e o véu cobrindo... acho que morbidez vende.

abril 5, 2006

Jobi

ontem meus neurônios fizeram pilates nos aparelhos que pensam o mundo.
evolui da linguagem a bataille, com momentos de criação de subjetividade, discussões metafísicas, bispo do rosário e arte.
tudo isso regado a muita cerveja porque nimguém é de ferro.
descobrir que se tem prazer ao receber o pensamento de alguém é fascinante.
é quase como uma boa roda de samba. hipnótico. pulsante.

enquanto eu no máximo escrevo um poema, Nietzsche escreve Zaratustra.

abril 4, 2006

Guerra

esqueci minha senha. esqueci minhas falhas. esqueci teu nome. me olhei no espelho e me achei bonita.
te liguei a noite. queria colo. travesseiro de gente. você aqui.
mas eu esqueci a senha. e tentei de novo. e apaguei os números.
e na minha cabeça, povoada de gente, tem uma gama de coisas e tudo pode acontecer.
vou abrir mão do final e sentar pra assistir.
não quero a senha. quero estar feliz.

abril 3, 2006

6 anos de idade

como sabiamente disse a filha de uma amiga, quando eu crescer, eu quero ser bilionária. :)

Porque nada posso falar, então me calo

foge dessa casa de pedra e cria teu ninho num lugar onde as vozes não podem
foge dessa casa e cria teu ninho de vozes
teu lugar de pedras
teus muros, tuas fontes, minhas risadas

foge dessa casa de pedra e te cria
rompe essas paredes mudas doidas pra te abraçar
essas paredes tuas que caem pelos meu cabelos

foge da tua casa de pedra e me escuta
e me olha
e me enxerga
que eu não suporto mais olhar por fora de ti.