Sobre a humanidade em cada um de nós
o amor subiu as escadas e passou correndo por dois ou três afoitos que bebiam calmamente uma cerveja encostados com os pés no balcão do bar. o amor correu, correu, correu desembestado. o amor chegou no alto e encantou-se consigo mesmo. flutuou em torno do seu umbigo como um balão de gás feito em sorriso. flutuou.
o amor esqueceu do tempo. das horas. dos dias. o amor esqueceu e alimentou suas próprias entranhas. comeu até ficar fastiado, com os olhos fechados e os ouvidos em punho. o amor só queria ouvir falar de si. enternecer em si mesmo, como um novelo de lã. o amor enrolou-se e subiu mais alto do que os pássaros.
um dia, o amor deu dois passos a frente. e viu o chão.
