" /> Gabriela com Café: março 2006 Archives

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março 31, 2006

Sobre a humanidade em cada um de nós

o amor subiu as escadas e passou correndo por dois ou três afoitos que bebiam calmamente uma cerveja encostados com os pés no balcão do bar. o amor correu, correu, correu desembestado. o amor chegou no alto e encantou-se consigo mesmo. flutuou em torno do seu umbigo como um balão de gás feito em sorriso. flutuou.

o amor esqueceu do tempo. das horas. dos dias. o amor esqueceu e alimentou suas próprias entranhas. comeu até ficar fastiado, com os olhos fechados e os ouvidos em punho. o amor só queria ouvir falar de si. enternecer em si mesmo, como um novelo de lã. o amor enrolou-se e subiu mais alto do que os pássaros.

um dia, o amor deu dois passos a frente. e viu o chão.

março 28, 2006

Manias... sei

o sindico mandou, então, vamos lá.
5 manias:

1. não deixar sapato virado, com a sola pra cima.
e é tão compulsivo que eu "desviro" os sapatos dos outros também.

2. não guardar/pendurar roupa do lado do avesso.
dizem que a vida anda pra trás.

3. nunca falar a palavra azar. e sim, má sorte.
(é, parece mais uma lista de supertições do que manias. mas que las hay, las hay)

4.ficar desenhando ou rabiscando enquanto to falando no telefone. terapêutico. pena que eu desenho muito mal.

5. de colocar tudo no mesmo lugar. uma neurose básica de arrumação. a faxineira limpa a prateleira do banheiro e eu vou lá e coloco tudo no mesmo lugar de antes. ou quando ela arruma de outro modo a estante da sala e eu arrumo milimetricamente de novo.

ah, e não sei se é verdadeiro ou falso, mas dizem por aí que tenho mania de lavar louça e fazer amigos no avião. :)

março 27, 2006

Pra não dizer que eu não falei de flores

não tem nada não. que esse gosto de amargo de vida me possa retirar. nada não. tira o tapete da sala. pinta a parede. troca o sofá. coloca umas cortinas novas pra soprar o vento que a bailarina tá cansada e não sabe pra onde olhar. que a vida passou me arrastando e quando eu vi tava cansada. tava sem dentes. fora do lugar.
me devolve minha cadeira que eu ando tonta. me devolve a cadeira. tira tudo do lugar. empurra esse piano pra debaixo da escada. empurra o piano que eu já não posso te carregar. que to chata pro peso de futuro que mora em minhas costas e não há vaga idéia de pra onde andar.
a bailarina de sapatos pesados quer estar descalça. quer estar inspirada. quer não estar.
me empurra pela escada abaixo. me joga viva no liquidifcador.
me faz sentir qualquer coisa que eu ando perdida no vão dos meus pensamentos e não sei sair daqui.

março 23, 2006

Coelho da Alice

alguém viu o coelho da alice?
se ele aparecer, pede pra dar uma corridinha por aqui.
to com pressa. quero que a hora passe rápido.
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ai, não sei gostar desse bicho que voa.
que inveja de gente que fecha o olho e dorme.

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meu crachá ficou me esperando no carro.
tão comportado. sentado no banco. me olhando carente.

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minha coxa tá roxa.
acho que bati a perna em algum lugar e não vi.
mas pensando bem, ter estourado um vaso seria mais dramático.
poeticamente mais elegante.
ao invés de ter sido uma mesa descuidada que bateu em mim.

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dias rosa pela frente.
vou deixar meu trator estacionado na garagem, e lá vamos nós.

março 22, 2006

Neurônios de biquini

tem pessoas que tem probleminhas de cabeça. talvez um pouquinho de fósforo ajudasse. dizem que faz bem comer peixe. eu já acho que pensar duas vezes seria legal. mas não adianta, tem pessoas que tem probleminha na cabeça...

não é que elas sejam esquecidas. elas são apressadas. são grossas.
sabem que tem problema de mémoria e teimam em desconfiar de vc.
que coisa feia...

acho que me incomodo pq tb sou desconfiada. mas não saio por aí puxando as orelhas dos outros. nem fazendo brincadeirinhas engraçadas. nem engrosso o caldo sem saber ao menos o que tá acontecendo.

mas são os probleminhas. é... os tais probleminhas na cabeça.

enquanto na minha cabeça, os neurônios trabalhando a pleno vapor vestem biquini e tomam um bom chopp no jobi.
ê, vidão.

março 20, 2006

Benzocaína

To vestindo uma roupa que não é exatamente minha, mas é por pouco tempo.
Essa roupa ainda me cabe, mas já tem as mangas curtas e canelas de fora.
Tô vestindo uma roupa que não é minha. E já tem tempo.
É que essa roupa foi criando pele e arrebentando bainha, e ficando crua, e bebendo semente.
Que ah... to virando roupa enquanto devia ser gente.

março 17, 2006

Gabriela com café

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março 15, 2006

Posso ficar aqui?

tem dias que a gente se sente querida. especialmente querida. sortuda. poderosa.
é, tem dias que eu me sinto. e aí... ah, aí o bicho pega.
pq quando eu me sinto querida eu fico num não caber em mim gigante de sorriso.
feito agora.
e pra mim, esse agora é realmente agora. de instante.
porque não é sempre que esse afeto me invade. mas quando ele invade, preenche. alarga. solta pêlo.
é engraçado como a gente as vezes tem receio de dizer que se sente querida. o que é uma besteira. porque eu to me sentindo assim agora, mas daqui a 5 minutos, quem sabe? vai que bate um vento e muda tudo.
só quero contar que to adorando todo esse social de comments no meu blog, que tive um almoço ótimo, que ando encantada pela magia e inteligência dos meus amigos e que a lua tava linda ontem.

março 14, 2006

Faixa de Gaza

hoje me senti morando em israel. o exército na rua, as pessoas sendo revistadas, tendo que ir pra casa a pé. balas perdidas. fardas camufladas. armas. uns contra os outros. guerra.
a gente lê no jornal, vê na tv, ouve no rádio. mas quando é pertinho, parece que vc tá num filme.
voltei pra casa torcendo pra não ver nada. e não vi.
mais uma vez me safei nessa roleta russa...
e como diria borges: "todo instante é uma arma carregada".
que a minha demore pra explodir.

março 13, 2006

Tanta coisa

Tem dias que tem tanta coisa, tanta coisa, tanta coisa... que minha vontade é ser uma shiva, com vários braços. ser mutante, metaforseada em várias tatianas fazendo milhares de coisas ao mesmo tempo. dividir minha cabeça em vários corpos e trabalhar, trabalhar, trabalhar... ufa, trabalhar um pouco mais.

é que hoje acordei agitada e com vontade de enfrentar o mundo. com gula de produzir, de me sentir inteligente, de criar. acordei de um cochilo e tenho montes de responsabilidade em cima da mesa. montes de desejo dentro de uma gaveta. e a vontade de engolir em mergulhos, como que furando uma onda enorme, essa vontade de vida.

março 11, 2006

Pontiagudas

Tem palavras que sinto pontiagudas. Palavras que sinto. Penduradas em um varal com cordas transpassadas. Que hora me acariciam o peito. Hora me estrangulam a boca. Palavras que não saem pela boca e correm assustadas pra fazer água nos olhos. E se escondem lá. Na cera dos ouvidos. No buraco da unha. No mergulho do umbigo.
Tem palavras que sinto pontiagudas. E vou triturá-las nesse texto. Até caber em mim.

março 9, 2006

Estranho (e bom)

começo o blog com uma confissão. to achando muito estranho essa coisa de escrever e todo mundo ler. escrever já me é suficientemente estranho. e bom. como se cada texto fosse sempre uma primeira vez, uma primeira experiência, o primeiro post. sim, escrever me é estranho. e eu adoro...

tá, pode falar o que quiser. diz aí o que que tá pensando. acho que o espirito de todo mundo ler é esse. ou não. mas que eu to me sentindo num BBB das palavras, ah eu tô. acho até que daqui a algum tempo vou esquecer que tem pessoas me olhando, ops, lendo, e ser mais livre.

mas, por enquanto, to estranhando.
e sim, adorando.