ter~23out07

Último

essa é a despedida. não quero mais todo mundo tentando adivinhar o que sinto, o que vivo, quem sou. nem quero me ver patética, exposta, aberta nessas páginas. eu sempre questionei tornar público meus escritos. não quero ser escritora, com e maiúsculo. nem nenhuma censura sobre os textos. principalmente a minha. e olha que aqui me interrompo muito pouco. você lê o que eu sinto. naquele instante, golfada, surto. mas não lerá mais. por enquanto não. vou voltar a produzir pra mim e tentar achar o brilho que acho que perdi. meus espamos sem justificativa. meus orgasmos inversos, cheios de dor. a angústia, tristeza, alegria de mim, coçando pra virar palavra. dormi mal essa noite. tenho me inventado muito pouco. isso aqui se tornou um formato de escrita cômodo, em gôndolas, fácil. e a mulher que enxergas dá volta nas próprias sombras, corre atrás de agulha no palheiro e tá sentindo falta de vida nas veias. vou sentar em cima da máquina de lavar, pular no lustre, andar de salto...até renascer por aí. não sei se volto. mas foi bom enquanto durou. até breve.


Tati, 10h43min ~ diz aí {6}!



seg~22out07

Do aprendizado de ser árvore

leva tempo. parece fácil. mas é necessário um contemplar distante de corpo presente. estar atenta, comprometida, eficiente. mas com o corpo imune, fechado, aberto. ser árvore. estar ali, mesmo que longe. diferente. falar estando muda. ouvir sendo um pouco surda. nada te atinge. nem a inveja, nem a sede de poder, intriga, fofoca, falatório. estar árvore. frondosa e cheia de frutos desenhada no papel. o sangue não sobe. a úlcera não desce. tanto faz. é passageiro. indolor. árvore que segue o fluxo do cosmo. que sente as forças da vida e sabe que ainda não é o momento de mudança. esperar. não se envolver. divertir-se. sem medos. saber ficar feliz pelo que se tem em casa, pela casa, por si. reconhecer a saúde, a sorte, os privilégios e o amor. enquanto se é árvore. do aprendizado de ser árvore.


Tati, 10h01min ~ diz aí {1}!



ter~16out07

Pedido 1

atendido. ganhei um monte de areia pra pisar. e hoje, quando as baratas chegaram com suas caras sujas, eu mordi de volta. essa insegurança não me pertence. detesto parecer frágil sem poesia. encare meu trator rosa esmagando seus ossos um a um. e ciente de que você, de calças curtas, me espera na saída. a sorte está lançada. e eu de mãos dadas com o cosmo.


Tati, 20h04min ~ diz aí {1}!



ter~09out07

Nem que eu bebesse o mar

hoje tô a alguns passos do surto. cansada de tanto signo. nome, produto, conceito, letra, palavra. é essa espiral de gente que anda me entupindo. dor de cabeça. pesadelo de dente. vontade de ir pra casa e ficar quieta. não é angustia. mas sede. dançar descalça. olhar o mar. pisar na areia...ah, pisar na areia. é isso. tudo que eu precisava agora...

do que me escondo nessas palavras? vontade de pisar... agora!


Tati, 15h32min ~ diz aí {0}!



seg~08out07

Lição do dia

vai pra garupa! :)

porque eu adorei a frase
o samba, a madrugada
e resolvi pegar esse mantra
emprestado um pouquinho.


Tati, 10h56min ~ diz aí {2}!



sex~05out07

O amor que morre é uma ilusão

minha porção amélia tá em alfa. to com saudade do meu amor. vontade de ser gueixa quando ele voltar. deixei os cachos. lavei roupa. esperei telefonema. acreditei quando ele disse que me ama. nem aí de ser ou não corna. coisa que nem passa pela cabeça quando a gente confia. sem espaço na minha porção amélia carente cantando. tô mulher até dizer chega. sua mulher. exibindo minha coleira. nem aí pras feministas, pros sutiãs queimados, pra fogueira. to louca. repartida. acho que você me carrega junto. enamoradamente iludida. apaixonada. brega. cega. amélia de você.

(e uma ilusão tem que morrer. Paulinho da Viola)


Tati, 11h46min ~ diz aí {2}!



Os alquimistas estão chegando

engraçado como a gente segue vivendo e nem se dá conta. não é preciso finalidade, emprego, objetivo. nada além de estar a fim. só é preciso estar no jogo que você inventa. e estar. disponível. já achei que deixar levar seria o caminho mais próximo do nada. e é. só que no nada se vive. e estou aí. vagando como nunca pude no fluxo. solta. com certezas internas tão próprias. me carrego comigo e é o que basta. o resto é circunstância. onda. passageiro. o que vale é o que tenho aqui e valorizo. é a nossa casa. você. tudo que seguimos construindo, possuindo, partindo. aqueles que me fazem sorrir. que me são leais e a quem admiro. pensamentos tortos que seguem atravessando. minha maturidade estranha. esse gostar de mim mesmo sem ter saber pra onde ir. o abandono desse sucesso que inventaram pra gente. aos poucos. na marra. até porque a permissão da fala com o tempo dói, corta, arrasta. fantasia de ver a vida passando. quem passa é a gente. (e meu cabelo acordou bonito hoje, saboreando os cachos, de saudade de vc)


Tati, 11h02min ~ diz aí {0}!



qua~03out07

Eu só quero é ser feliz DSC00102.JPG
Tati, 16h50min ~ diz aí {0}!



ter~02out07

Te amo

qualquer dispositivo que sinta
acelera aquilo que não sei
senta
fala qualquer coisa qualquer
dispositivo cinta
não sei
e acelera senta
qualquer aquilo que


Tati, 11h31min ~ diz aí {0}!



seg~01out07

sarau sarau sarau

http://www.behance.net/Gallery/cacto-liptus/41984
tiago casagrande
e tem gente que se pergunta o que é arte. :)

(pausa para uma saudade gigante no quarto)


Tati, 09h48min ~ diz aí {2}!



qui~27set07

Vai que o samba vai até de manhã

não sei ao certo quando descobri o samba. desconfio até que foi ele quem chegou miudinho, na ponta dos pés, na barriga da minha mãe. contam que eu sabia de cor as pastorinhas, linda criança, tu não me sai da lembrança...e me lembro de algum tempo depois remexer as cadeiras como uma morena de angola. tive alguns anos de paixonite infantil pelo salgueiro, varando as madrugadas, no desespero do atravessar dos 5 mil componentes. dos meus carnavais em vassouras, com o baile rodando no salão. da bailarina azul que rodopiava com mamadeira na mão. dos bailes em teresópolis. do samba com os primos. das fantasias do carnaval de rua no rio. rodas de samba, bip bip, guanabara. os pés deslizando com o balanço da cadeira dela. as tristezas lavadas na cadência alegre do choro mais dolente que existe.


Tati, 14h57min ~ diz aí {0}!



qua~26set07

Não penses ter a vida inteira, para ganhar meu coração

faz diferença. oscilando entre ter ganho na loteria e a moldura desse papel. de repente ganhei contorno simbólico e tenho prazer. evitei pensar sobre o significado de ter um marido e agora ele cai em mim como um machado, cortando minhas dúvidas. foi tão leve que nem percebi que nosso dia a dia tinha nome e atravessei. agora eu que ando atravessada. perplexa. engolindo o cuspe que joguei pro alto. to com sombra de casamento atrasado. só agora me permito. é que tanta coisa acontecia que meu vestido de noiva parecia uma grande brincadeira. sem esse para sempre em neon berrando na porta. hoje me dei conta de que eu quero esse para sempre. e saí correndo pra abraçar meu lado mais cafona, doente por você.


Tati, 09h35min ~ diz aí {0}!



ter~25set07

Maria Robô

maria robô demora a acordar. repete a mesma rotina e veste a camisa de força de latão. entra no condutor e aguarda. adentra a cidade de playmobils, sobe na caixa, chega ao andar e coloca as bolas de ferro. maria robô é presa à cadeira e só tem direito à um banho de sol por dia. não importa se ela tem outras funções, inteligência, brilho. maria não é paga para isso, seu trabalho é repetir. e ficar calada. a cada dia a camada de ferrugem na alma é maior. são metros e metros de limo de tanto engolir sujeira. maria termina o dia engasgada.

aguarda a catarse da lata, que com um grito profundo, irá parir uma borboleta.


Tati, 09h19min ~ diz aí {0}!



qui~20set07

D

dia amarelo caminha pela beira da estrada até cair pra cima. nadando. piscina afora. e dia amarelo descansa as pernas em cima do banco. ingênuo. macio. saber deixar viver dia amarelo todo. até voar por aí.


Tati, 16h00min ~ diz aí {1}!



qua~19set07

Quem não tem colirio, usa óculos escuros

eu pago o pato por ser critica e te sirvo com laranja. engoli as papas. a lingua corre solta esbofeteando o mundo. quanta gente medíocre. inclusive eu, perdida na minha ignorância de perguntar. a verdade é que cansei. to aqui cumprindo hora até a mudança da lua. falem o que quiserem. o lobisomen sou eu.


Tati, 09h53min ~ diz aí {0}!



ter~18set07

Diversão e arte, para qualquer parte

acordei hoje apaixonada pelos seus olhos que não abrem e enxergam um mundo enorme. pelas suas canelas finas pulando montanhas. seus pêlos pretos habitando minha sala, saia, sofá. coisas. acordei apaixonada pelas suas coisas. seu muquifinho de roupas. suas moedas espalhadas. seus papéis, documentos e chaves adornando a mesa. acordei. desse sono pesado de culpa de algo que não fiz. resolvi ficar feliz e pronto. achar graça da nossa briga pelos cartazes no canto da parede. minha carência eterna. seus devaneios múltiplos. somos assim, um casal qualquer. estressados com o barulho, sentindo falta de comida na geladeira, pedindo pizza com vinho em plena segunda. amém.


Tati, 10h42min ~ diz aí {3}!



seg~17set07

Santiago

diálogo entre criador e criador, com aplausos para a criatura. a auto critica gerou um filme sensível, bonito, comovente. delicadeza. acho que é essa a palavra. e o que chamamos de loucura como uma infinita sabedoria de ser alegre, contente. e não feliz. certa inveja de quem é capaz de criar seu próprio mundo e habitar nele. triste daquele que não tem ilusões.

"Ideologia, eu quero uma pra viver" - Cazuza


Tati, 10h00min ~ diz aí {0}!



sex~14set07

Andar com fé eu vou

ando critica demais. decepcionada demais. comigo. não consigo mudar porra nenhuma. não consigo afirmar nada. e os dias passam meio sem gosto pela minha boca. tô chata. sem graça. irritante. não sei ler. escrever muito menos. todo mundo me elogia. e eu magra, sem apetite. minha vida tá apática. rotina. compromissos. vontade enorme de sumir descalça por aí...até esquecer de mim.


Tati, 11h05min ~



qui~13set07

Feliz

ano novo de sorte e paz.


Tati, 09h17min ~ diz aí {1}!



qua~12set07

Vem cá Luiza, me dá sua mão

luiza mergulhou no rio e ficou lá, se olhando. não via nada. era só seu umbigo gigante. e peixes. cabelo. muito cabelo. eles enrolavam no balanço das águas e ela lá, estática. luiza. mergulhada no rio feito peixe. a cabeça dando voltas sem sentido e os braços parados. era ela. querendo virar sereia e quase sem ar. luiza no rio de cabelos gigantes. e eles estranhos. a casa desmoronando. o piso rachado. o barulho. e luiza no silêncio do fundo do rio. tanta água que nada se podia ouvir. sem movimento. só os cabelos dançando. e ele atormentado em um barulho de trem incessante. luiza sem forças. achatada pelo rio. era corrente do porvir que a oprimia. e ele não podia estender a mão. ela estava longe de mais, no fundo d'água.


Tati, 14h58min ~ diz aí {0}!



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