09.07.2009
"em uma aula de 50 minutos, o professor desperdiça cerca de 20 horas"
trabalhei por seis meses numa escola do Butantã com um projeto semelhante ao projeto da Escola da Ponte, de Portugal. vi o quanto muita coisa não funciona, o quando muita coisa continua a mesma merda das escolas tradicionais. fico com um pé atrás quando vem uns tipos me dizer sobre ideias mirabolantes de educação, porque quase sempre isso vem de gente que nunca meteu o pé numa sala de aula.
contra isso, vale a leitura da entrevista com o educador José Pacheco, idealizador da Escola da Ponte.
porque por alguns momentos, que às vezes são mais breves do que deveriam, eu acredito que ainda não está tudo perdido, que existe alguma chance e que eu tenho alguma responsabilidade nisso tudo e não posso ficar olhando em desespero sem tentar fazer nada.
"os professores são um problema e são a solução", ele disse. e em seguida minha crença na humanidade se desintegra outra vez, e eu visualizo pro futuro um esforço terrível e improdutivo, e volto a ficar olhando em desespero sem fazer nada.
ou não?
13.05.2009
o enfoque no acerto
agora falando sério.
ortografia.
vem sempre o professor com sua caneta vermelha e circula a palavra errada, e escreve por cima caza casa ou, pra entrar num clima mais PUNK, excessão exceção.
POR QUÊ?
deixa errar. deixa pra ir guardando as palavras que se erram para depois tentar uma que use aquela palavra, que use palavras com S. que use palavras com Ç. uma coisa de cada vez.
porque o aluno não precisa saber que ELE ERROU ANTES pra conseguir ACERTAR DEPOIS. basta ele acertar e continuar acertando. ele não vai saber que exceção é com Ç porque quando ele escreveu com SS estava errado. na verdade, assim ele vai ficar pra sempre confuso, como todos nós. o professor corrigiu, o que foi mesmo que ele corrigiu, eu não lembro como eu tinha escrito, socorro.
foda-se isso. deixa errar. adiante, adiante. ortografia é arbitrário, é convenção. ortografia a gente só pode mesmo decorar. uma atividade em que a palavra exceção esteja ali bem gorda e com todos os XC e Ç que lhe são de direito, na lousa, para que os alunos inventem frases e historinhas com ela, vai ser 50 mil vezes mais produtivo do que se circular o ERRO e dizer TÁ ERRADO, o certo é assim, ó.
é pra dizer o certo. mas só o certo. esquece o errado. deixa errar. corrige depois, em grupo, em aula, em contexto. criança não tem a obrigação de saber que CASA é com S, e só vai saber que é com S lendo a palavra em algum lugar, e vai decorar que é com S escrevendo, escrevendo, escrevendo. e não olhando pra um círculo vermelho.
há algo de torto em certas atitudes tão bem intencionadas.
professores de outras disciplinas, então, ainda pior. deixa a língua com a gente, hein? ou passa um BRANQUINHO na palavra errada e escreve a palavra certa por cima. circula, pra mostrar que ali tinha um problema de ortografia, mas só restou agora o que ele realmente deve aprender: a grafia certa. isso não é passar a mão na cabeça de aluno burro. repito: é ortografia. não se aprende ortografia por erro. ortografia se aprende por acerto. por repetição do acerto, insistência no acerto. agora o aluno sabe que ele tinha errado a palavra CASA, e a palavra casa é com S. pronto.
mais fácil saber que exceção é com Ç ou saber que não é com SS nem SC nem XSSÇ?
[ô palavrinha maldita, meu deus.]
agora para. pensa. bota o ceticismo no cesto de roupa suja.
ok?
porque de certas aulas tão mais tortas pode-se ainda tirar algum proveito. e porque o assunto dessa vez me pareceu tão grande me senti na obrigação de colocar isso aqui. pra refletir.
preciosismo em ensino de língua é coisa de Napoleão Mendes de Almeida. é coisa de gente que faz coleção de barbie sem nunca tirar da caixa.
mas. cada um com as suas manias.
[e faço um mea culpa, porque é isso que eu faço: circulo erros, e escrevo do lado ORTOGRAFIA, jaburu. com caneta verde, é verdade. mas.]
olivia
não tem acento. olivia não tem critérios. olivia não existe. olivia talvez
seja fruto da sua imaginação.