quinta-feira, 29/01/2009

mas é com ph? e fez faap?

e não é então uma surpresa descobrir que aquele cara muito mala da faculdade de artes plásticas, que só fazia trabalhos e artes com PINTOS (e eu não estou falando do filhote da galinha) e passava as aulas conversando sobre PINTOS e que, tipo assim, tinha passado fome na Europa e por isso tinha muita experiência de vida, e então é uma surpresa interessante descobrir que ele virou um artista "um dos mais promissores artistas jovens brasileiros", até muito bem sucedido nesse mundo artístico atual e, mais importante ainda, aparentemente se livrou de sua obsessão com PINTOS (mas não inteiramente) e aparentemente descobriu que por mais que ele seja um artista moderno e descolado não custa muito saber alguma coisa sobre arte e quem sabe aprender alguma coisa de desenho, for a change, pois já diria Mário de Andrade, etc, enfim.

mas eu estou falando sério. diria, pleasantly surprised, até. saber que nem tudo está perdido, e que até os mais malas, e até os malas mais estridentes podem evoluir e aprender, e honestamente se dar bem nesse mundo de artistas, e a verdade é que nesse momento fiquei até mesmo feliz por ele.


nota do editor: do yourself a favor, não queira ouvir os artistas falando do seu próprio trabalho. e se você é o artista, do ourselves a favor. tipo assim, né.

sábado, 04/08/2007

Galicismo a berrar nos desertos da América

Panorâmica sudeste (by Eli K Hayasaka)
São Paulo está aqui.



* o título: Mário de Andrade, Paulicéia Desvairada. São Paulo! Comoção de minha vida...

quinta-feira, 30/03/2006

Too much ado

Aquilo que se conhece como Arte é uma coisa que realmente não existe. O que existe são os artistas - isto é, homens e mulheres favorecidos pelo maravilhoso dom de equilibrar formas e cores até ficarem "corretas" e, mais raro ainda, que possuem aquela integridade de caráter que jamais se contenta com meias soluções, e se dispõe a abandonar todos os efeitos fáceis, todos os êxitos superficiais, em nome do esforço, da angústia e do tormento do trabalho sincero. Acreditamos que artistas nascerão sempre. Mas se haverá ou não arte vai depender também, em não pequeno grau, de nós mesmos, que somos o público. Por indiferença ou interesse, por preconceito ou compreensão, poderemos, todavia, decidir a questão. Nós é que temos de cuidar para que o fio da tradição não se rompa e prevaleçam oportunidades para o artista adicionar as suas pérolas ao precioso colar que é a nossa herança do passado.

E. H. Gombrich, A História da Arte
pág. 475 da 15ª edição da Ed. LTC.

Surely. O livro é de 1950. Ele fala da arte que está sendo feita no momento como "arte experimental".

Mas eu gosto dele.

E páro de falar de Arte, e volto ao Mário de Andrade.

quarta-feira, 29/03/2006

Prolegômenos

[do grego prolegómena, 'coisas que se dizem antes']

Acho que parte da minha dificuldade de discussão e argumentação também está muito ligada ao fato de que tudo que há para ser discutido sempre me parece cair em uma questão lingüística.

Porque existe na biologia uma lei de nomeação onde vale sempre aquele nome criado antes, independente de ser o mais correto ou o mais próximo da realidade. Independente de uma nova descoberta provar que tal nome contradiz características da espécie em questão, por exemplo.

Mas na lingüística isso não existe, nem perto, nem um pouquinho, e o que ocorre é o exato oposto, onde a todo momento se busca um nome mais específico para esse ou aquele fenômeno; o que não deixa de resultar em nomes iguais ou extramamente parecidos para coisas que não se relacionam.

Pois. Na lingüistica e na sociologia e em um monte de outras áreas onde os caras saem no tapa pra ver quem tem a palavra mais certa.

Sérgio comentou que quando alguém diz que arte é isso ou aquilo não faz muito mais do que querer deter o poder sobre a arte, como fez Clement Greenberg, aquele chato bocudo crítico do modernismo nos Estados Unidos, over and over again.

         [pausa: quequererdeter. minha retórica me espanta.]

I'm just saying.

Então talvez uma falta de consenso que provoca tantos distúrbios e fúrias porque cada um com sua arte; e eu que devo ter muito fundo na cabeça que arte é Rodin e Rembrandt e um outro coitado que não me lembro o nome (porque é mesmo incrível que eu tenha me lembrado do nome dos dois primeiros) vou mesmo ter esses problemas de entender arte contemporânea e instalações e um rapaz que colocou uns burros com alto-falantes caminhando em uma sala do museu.

But that's just me.

Right-o.

A lingüística passou metade da sua existência discutindo qual exatamente era seu objeto de estudo e se era parte da psicologia, da sociologia ou antropologia. Há de se pensar que nada mais justo para uma ciência que pretende estudar a linguagem querer determinar um exato significado (e talvez, veja só, significado não seja a palavra mais precisa que busco aqui, por motivos previamente citados logo ali no começo do post; vide Saussure e o cara dos prolegômenos) para essa chamada "linguagem".

O ponto então, se é que existe um ponto para isso, é que de fato tudo é maior e mais confuso do que parece. E escrevo sobre modernismo porque eu acho o modernismo o máximo, e quero mesmo é entender o que aconteceu e o que acontece agora, e essa lógica de arte contemporânea, onde as coisas todas se encontram e pra onde diabos nós vamos agora.

Mas antes, antes de qualquer coisa, é preciso se lembrar da lingüística.

terça-feira, 28/03/2006

Em defesa da arte

Espero comentários, espero alguma reação. Escrevi esse texto durante uma aula de literatura brasileira. O tema, obviamente, é o modernismo. Em um momento da aula o professor falou qualquer coisa que me revoltou e ele ainda virou-se para mim e disse "eu sei que você não gosta disso, mas..." e não tenho muita certeza do que ele falou depois desse "mas", mas... Comecei a escrever. Depois em casa revisei o texto e acrescentei alguns argumentos surgidos em uma conversa com o DGR (Mister Simpatia rules) e tentei deixar a coisa um tanto mais legível.

O texto não está pronto e talvez nunca fique. Mas what the hell.

Pois.


Há de se deixar claro que minha crítica maior não vai diretamente ao modernismo e sim para o legado que ele deixou, e o que representa hoje em dia. Porque reconheço tentativas autênticas entre os movimentos diversos, ainda que convivendo com manifestações infantis, contraditórias e aproveitadoras.

Trato aqui da arte como artes plásticas e como poesia, deixando de lado a prosa que parece seguir um caminho diferente; na prosa sempre há algum tipo de lógica no encadeamento de palavras para que seja possível se contar uma história.

Existe algo de frágil no tipo de enfrentamento onde ambos os lados apresentam um mesmo argumento atribuindo a ele diferente valor. É o que se passa com o modernismo e seus -ismos. Seria impossível debatê-lo; a crítica negativa opõe-se a determinados elementos e atitudes usando-se dos exatos mesmos argumentos com que o poeta modernista os exaltaria. O que existe portanto me parece um simples maniqueísmo despropositado, cada qual se considerando portador da opinião mais correta e inteligente enquanto o outro lado é incapaz de enxergar e compreender a verdade. A diferença agora é que não pude deixar de tomar um partido e ser então incapaz de compreender porque o modernismo causou tanto alvoroço tratando-se de adolescentes rebeldes confrontando o romantismo e o classicismo e criando teorias mirabolantes para explicar rabiscos e palavras jogadas propositalmente de maneira aleatória para "chocar a burguesia".

Mas qual! A possibilidade da criação de teorias mirabolantes sobre o nada torna-se o estandarte desses movimentos, a grande revolução, a grande inovação. Por quê? Revoluções! Como medir o valor subjetivo de uma arte que já nos é entregue como grande e importante e revolucionária? Porque aquele que não entendesse ou apreciasse esse tipo novo de arte não passava de um conservador, alguém que parou no tempo e lutava contra a inevitabilidade da chegada de uma nova geração.

Qual o valor de um artista que passa trinta anos sem encostar em um lápis e sem chegar perto de um livro sobre história da arte que decide de repente - tendo lido um manifesto qualquer recém-publicado - juntar algumas formas e cores e, apoiado por um crítico com alguma teoria revolucionária que o transforma em "the next big thing", o artista mais importante da década?

Talvez um exemplo pouco feliz que sem dúvida dá espaço a uma resposta por parte dos entusiastas do modernismos; resposta essa que vai partir de meus próprios argumentos, usando-os sem modificá-los como algo bom e transformá-los ilustratores de minha cegueira artística, sendo esse o artifício dos modernistas para desafiar e desconstruir os opositores.

Aconteceu que essas novas modas surgidas no final do século XIX devem-se muito a uma melhoria no sistema educacional. Ficou mais fácil identificar, rotular e lançar manifestos. Se um modernista não tivesse aprendido na escola quem eram os românticos e os realistas, o movimento poderia ter se organizado de maneira mais autêntica. Manifestos se esforçam para explicar o que querem que se configure como caos. A própria organização do modernismo em movimentos que se davam um nome e um propósito já contradiz aquilo a que se propõem.

A arte não deveria ter uma importância política, presa por ideais e noções tortas de liberdade. A arte não devia ser crítica de arte - e muito menos crítica social - mas foi no que se transformou. A arte não devia ser feita para chocar a burguesia, porque é a burguesia que realiza, consome e estuda arte, e a torna possível. A arte modernista lutou para se eliminar. Ainda luta. Trata-se de masoquismo e auto-flagelação: o adolescente rebelde que se corta e se fere para se encontrar, para dar sentido à sua existência confusa. Seja esse um ato consciente ou não.

A arte, desde o modernismo, inexiste sem o apoio da teoria; teoria provida pela burguesia - burgueses contra burgueses, intelectuais brincando de roda - que forma o corpo da crítica, e por vezes os próprios artistas que são parte dessa burguesia boêmia-intelectual.

Oswald de Andrade, no prefácio do Serafim Ponte Grande: "A situação 'revolucionária' desta bosta mental sul-americana, apresentava-se assim: o contrário do burguês não era o proletário - era o boêmio! As massas, ignoradas no território e como hoje, sob a completa devassidão econômica dos políticos e dos ricos. Os intelectuais brincando de roda."

Até que chegue o momento esperado por esses artistas atuais: a arte e a poesia será tudo, estará em toda parte. E portanto não será nada, dissolvida em teoria e no cotidiano das massas, e finalmente deixará de existir. Se arte = tudo, a definição da palavra perdeu o sentido.

Mas lutar pela arte é atitude conservadora enquanto os artistas continuam com esse esforço ininterrupto de destruí-la. Parece-me que revolução agora seria voltar à Grécia e buscar o belo, transformar a arte em uma ilha em meio ao caos. O verdadeiro choque não é mais o feio. Há muito tempo a sociedade aprendeu a conviver com o feio e amá-lo.

Talvez não seja esse o caminho da arte, mas insisto que o novo ainda é o mesmo desde a primeira guerra, e estamos próximos de ver completar um século desde que ela aconteceu. Não há novidade no feio e na destruição na arte. Não há novidade em se desconstruir porque não há mais o que se desconstruir. A arte clássica já foi negada e enfrentada. O que fica é uma estagnação, uma tentativa eterna de se renovar algo que já está esgotado.

O sentido do modernismo dissolveu-se em tantas atitudes despropositadas, jovens rebeldes que não sabiam o que estavam fazendo ou o que exatamente estavam negando. Mas a semana de 22 foi há quase 80 anos e as teorias ainda se repetem. O modernismo, reanimador de uma arte monótona e repetitiva, pode agora representar o início da auto-destruição de qualquer tipo de arte.


Pra espairecer, ainda sobre o mesmo assunto, um post antigo do senhor Marmotinha, aqui.

Update: Zérgio querido me fez o enorme favor de descontruir minha argumentação. Careful, young padawan, ele diz, e eu não posso fazer muito mais além de ouvir o que ele me diz e pensar um pouco mais. De qualquer forma qualquer argumentação sempre me parece um tanto frágil e não serve para outra coisa que não a desconstrução. Então estou no caminho certo. O que me resta é essa necessidade obsessiva de colocar em palavras um pensamento caótico e incompleto para que se complete um pouquinho mais e quem sabe um dia se torne mais coerente.

segunda-feira, 15/08/2005

Ah, esses artistas

mais sobre arte

Isso sim é arte:

Um encontro de avenidas: 23 de Maio, Rubem Berta, Ibirapuera, Sena Madureira.
sexta-feira, 12/08/2005

Sobre arte

Texto que minha professora de FECA - Fundamentos da Expressão e Comunicação Artística (vulgarmente conhecido como Desenho I) passou para os alunos e eu achei agora em uma gaveta juntos de pequenos quadrados de papéis com idéias de trama para romances.

Lembro que na época aquilo me deu uma certa esperança em relação ao curso de Artes. Mas aí a esperança deu uma morridinha. Enfim. A culpa não foi da professora de desenho. Coloco o texto aqui porque apesar de tratar de cor e desenho, acho que o que é dito se extende - de alguma forma - às outras artes. Inclusive a Literatura. E é genial. Matisse é genial.

Leia, leia. Eu até coloquei figurinhas, ó:

Free Image Hosting at www.ImageShack.usEspero que minha exposição seja digna de todo o trabalho que lhe está dando e que me comove profundamente. Tendo em vista, porém, a grande repercussão que pode ter, e vendo quantos preparativos estão sendo feitos para ela, pergunto-me se o seu âmbito não terá uma influência mais ou menos infeliz sobre os jovens pintores. Como interpretarão eles a impressão de aparente facilidade que lhes produzirá uma visão geral e rápida e até mesmo superficial, de minhas pinturas e desenhos?

Sempre tentei ocultar os meus esforços, sempre desejei que minhas obras tivessem a leveza e a alegria da primavera, que nunca nos permite suspeitar o trabalho que custou. Por isso, receio que os jovens, vendo em minha obra apenas uma facilidade aparente e negligência no desenho, se sirvam disso como desculpa para evitar certos esforços que me parecem necessários.

As poucas exposições que tive a oportunidade de ver durante estes últimos anos levam-me a temer que os jovens pintores estejam evitando a lenta e penosa preparação necessária à educação de qualquer pintor contemporâneo que pretenda construir apenas pela cor.

Esse trabalho lento e penoso é indispensável. Na verdade, se os jardins não fossem cavados no momento adequado, em breve não serviriam para nada. Não precisamos primeiro limpar o terreno para em seguida cultivá-lo a cada estação do ano? Se o artista não soube preparar o seu período de floração, mediante um trabalho que apresenta pouca semelhança com o resultado final, breve é o futuro que tem à sua frente: quando um artista “venceu” já não sente a necessidade de voltar à terra de tempos, começa a andar à volta, repetindo-se, até que sua curiosidade se extingue nessa repetição. O artista precisa possuir a natureza. Deve identificar-se com o seu ritmo, por meio de esforços que preparem o domínio que mais tarde lhe permitirá expressar-se na sua própria linguagem. O futuro pintor deve saber que é útil para seu desenvolvimento — desenho, ou mesmo escultura —, tudo o que o levará a identificar-se com a Natureza, entrando nas coisas — é a isso que chamo Natureza — que lhe provocam sentimentos. Considero essencial o estudo por meio do desenho. Se o desenho pertence ao Espírito e a cor aos Sentidos, é preciso desenhar primeiro, cultivar o espírito a ser capaz de conduzir a cor pelos caminhos espirituais. É isso que quero dizer bem alto, quando vejo o trabalho de jovens para quem a pintura já não é uma aventura e cujo único objetivo é a exposição individual que os ponha no caminho da fama. Só depois de anos de preparo deve o artista jovem tocar na cor — isto é, não como uma descrição, mas sim como meio de expressão. Só então pode ele esperar que todas as imagens, ou mesmo todos os símbolos que usar sejam o reflexo de seu amor pelas coisas, um reflexo em que ele pode confiar, caso tenha realizado sua educação com pureza e sem mentir para si mesmo. Então ele empregará a cor com discernimento. Irá colocá-la de acordo com um projeto natural, não formulado e totalmente disfarçado, que nascerá diretamente de seus sentimentos: foi isso que permitiu a Toulouse-Lautrec, no fim de sua vida, exclamar: “Finalmente, já não sei mais desenhar”. O pintor que está apenas começando acha que pinta com o coração. Só este último está certo, porque seu treinamento e disciplina lhe permitem ceder a impulsos que ele pode, pelo menos em parte, disfarçar. Não tenho a pretensão de ensinar: quero apenas que minha exposição não provoque interpretações falas naqueles que ainda precisam abrir o seu caminho. Gostaria que as pessoas soubessem que não podem abordar a cor como se entrassem por uma porta, que é necessário passar por um rigoroso preparo para ser digno dela. Mas, antes de tudo, é evidente que devemos ter um dom da cor, como o cantor deve ter voz. Sem esse dom, não podemos chegar a lugar nenhum, e nem todos podem dizer como Corregio: “Anch’io son pittore”. O colorista faz sentir sua presença até mesmo num simples desenho a carvão.

Meu caro Sr. Clifford, chego ao fim de minha carta. Comecei-a para dizer-lhe que compreendo o trabalho que está tendo comigo no momento. E vejo que, obedecendo a uma necessidade íntima, fiz desta carta uma expressão do que sinto sobre o desenho, a cor e a importância da disciplina na educação de um artista. Se acha que todas essas minhas reflexões podem ser úteis a alguém, faça com esta carta o que lhe parecer melhor...

Henri Matisse

Carta ao Sr. Henry Clifford, diretor do Museu de Arte da Filadélfia, antes da inauguração, ali, da grande exposição Matisse. Fevereiro de 1948.

(Ninguém vai ler, tá bom. Mas eu bem que tentei, hein.)

sábado, 05/03/2005

Sobre Gestalt

das coisas que eu acho perdidas nos meus documentos

Expressão é o que se percebe a partir da dinâmica da forma inserida em um contexto, que esta ligado a mente e comportamento humano, influenciado por fatores externos.

Muitos padrões de expressões faciais que são puramente físicos (músculos se contraindo, por exemplo) levam a associações com os estados da mente, que seriam completamente abstratos. Uma das explicações para esse fato é que o ser humano seria condicionado desde de seu nascimento a ler estas imagens, embora não se tenha chegado a uma só conclusão sobre a verdadeira origem dessas associações.

Dessa capacidade de associação surge a teoria de empatia de Lipps. Nela, o ser humano projeta seus próprios sentimentos e emoções em um objeto ou imagem inanimada, a partir da percepção da forma, das informações visuais.

A Gestalt seria então uma outra teoria, que trata a percepção da expressão como um todo. No caso, a soma das partes não necessariamente resulta no todo proposto. A percepção precisa ser direta, captando o todo de uma só vez. Mente e corpo, na teoria da Gestalt, são semelhantes em alguns aspectos estruturais, e daí surge o conceito de 'isomorfismo'. É a relação do 'padrão de estímulo': o que é captado pela nossa percepção, e a expressão transmitida por ele. Em outras palavras, a relação do que é concreto com o que a mente capta dele.

Segundo a teoria da Gestalt, a expressão só é direta se ela acontecer com base no todo.

Sobre simbolismo, a partir do momento em que a experiência da expressão depende de um conhecimento prévio, menos essa experiência vai ser direta. Isso exclui a possibilidade da percepção como um todo, e já passa a ser uma análise, portanto, indireta. O simbolismo depende de um conhecimento específico, perdendo a capacidade de transmitir tudo que pretende apenas a partir da simples e pura percepção do todo.

E eu tinha tirado 9,5 nisso aí.

sexta-feira, 14/01/2005

Tudo que eu sempre quis dizer sobre arte moderna

Talvez eu não devesse sair falando tão bem de um livro antes de terminar de lê-lo. Mas é que esse livro é demais.

O mundo da arte é um mundo à parte. E segundo Tom Wolfe o público não está convidado (e nunca esteve). O público "recebe uma participação impressa depois".

O livro é bom.

E o porquê do título (sempre muito irônico):

Todos aqueles anos, em suma, eu presumira que em arte, ao menos, ver é crer. Ora - como fui míope! Agora, finalmente, em 28 de Abril de 1974, era capaz de ver. Entendera a frase às avessas o tempo todo. Não era "ver é crer", seu bobalhão, mas "crer é ver", pois a Arte Moderna se tornou inteiramente literária: as pinturas e outras obras só existem para ilustrar o texto.
Tudo que eu sempre quis entender e tudo que eu já entendia e não sabia como dizer sobre os artistas e a arte moderna está nele. Tudo começou por volta de mil novecentos e bolinhas (literalmente, bolinhas).
... o retrato do Artista começou a se delinear: o espírito pobre porém livre, o plebeu que aspira a não pertencer a classe alguma, a se libertar para sempre das peias da burguesia ambiciosa e hipócrita, a ser o que burgueses obesos mais temiam, a ultrapassar quaisquer limites que estes estabelecessem, a olhar o mundo de uma forma que eles não conseguissem ver, andar alto, viver modestamente, manter-se sempre jovem - em suma, ser boêmio.
E o melhor de tudo, mesmo, é que o livro é L&PM e custa 12 reais. Adoro livro barato.

segunda-feira, 06/12/2004

De quando eu perdi minha fé na Arte

Duchamp's urinal tops art survey - A white gentlemen's urinal has been named the most influential modern art work of all time.
A culpa não é dele. Duchamp está certo.

But, oh dear, you people got it all wrong!

E viva o Parnasianismo.

segunda-feira, 17/05/2004

No Message

If you've got something to say, hire a hall. If you want to send a message, call Western Union. But if you've gotten nothing more than the urge to write and a talent to amuse, just sit down and write your book. Even if you don't change any lives, you might get somebody through a bad night or two.

[Se você tem algo a dizer, alugue um salão. Se você quer mandar uma mensagem, chame a Western Union. Mas se você não tem nada mais do que a vontade de escrever e o talento de entreter, apenas sente-se e escreva seu livro. Mesmo que você não mude nenhuma vida, voce pode ajudar alguém a passar uma ou duas noites ruins.]

~Lawrence Block

Tem gente que escreve porque tem algo a dizer. Tem muita gente que diz que se você não tem nada a dizer, o melhor é nem escrever. E o senso comum diz que quando você vai escrever uma história, deve escrever uma história que vale a pena ser contada.

Talvez então, eu esteja no caminho errado.

Eu saí da faculdade de Artes Plásticas porque eu não tinha nenhuma mensagem para passar. Porque lá eles iam me ensinar a ser uma artista plástica, e os artistas fazem sua arte quando querem passar alguma coisa. Ou ao menos era o que estavam me falando. Mesmo que a arte em si não sirva para nada, você a produz porque tem algo a dizer, mesmo que seja "meus pés ficam frios durante a noite".

E eu não tinha (ou não queria ter) nada para passar através da minha arte. Aí eu saí daquela faculdade. Todos ali pareciam bem entretidos em suas mensagens, menos eu. Eu desenhava pelo prazer da criação, fazer personagens, criar histórias, mundos. Eu desenhava para mim mesma, e mostrava para os outros porque eu sou exibida.

Eu acho que nunca quis fazer arte. Digo, Artes Plásticas, esse tipo de arte que eles iam me ensinar na faculdade.

Eu queria criar. Mas não existe faculdade para isso. O jeito é fazer outra coisa, e colocar a escrita como objetivo de vida.

Mas ainda não tinha nada a dizer. Eu só queria escrever...

Quando li aquele texto do Lawrence Block, acho que fiquei um pouco aliviada. Mas nunca tinha lido nada dele, não sabia se era bom ou ruim ou simplesmente um mané qualquer que escrevia qualquer bobagem e todo mundo achava o máximo. Um cara que sabia o que as pessoas queriam ou precisavam. Um Paulo Coelho.

Não era.

Ainda bem.

Eu posso, sim, escrever, contar histórias, que não tenham um fundo político, um objetivo, um motivo. Escrever porque escrever é bom. Escrever porque a mente humana me fascina, e eu gosto de entrar na cabeça dos personagens e descobrir suas motivações e sentimentos. Porque a mente humana é relativa, em tudo, tudo. Porque a mente se engana, te engana, e faz umas coisas que a gente não consegue entender. E é isso que eu gosto de explorar quando estou escrevendo.

São experiências, testes. Não são mensagens.

Às vezes eu me perco nas minhas próprias explicações.

Tô meio travada. Não consigo escrever. Não é exatamente "writer's block", porque eu sei exatamente o que tenho que escrever, o que vem agora e tudo mais. Acontece que eu tô odiando a Duas Luas, o Pedro Rodriguez e tudo que eu escrevi até agora. Eu ainda gosto do Iuri, mas ele sozinho não está conseguindo me fazer escrever. Espero que isso passe logo.

Olivia
13:51
quinta-feira, 06/05/2004

Antonio Henrique Amaral no MAM

(O que você faria com 104 milhões de dólares?)


O fotógrafo da Folha me disse que ter sua foto tirada não rouba sua alma. Acho que ele estava me enganando. O desalmado. Eu estava fugindo das câmeras, mas vira e mexe eu via um flash cruel, olhava e tinha uma câmera apontada na minha direção. Também, não podia esperar muito, grudada o tempo todo na irmã do artista. Fui com a Cecy, com a Áurea e o Carlinhos, dois amigos dela. Conheci algumas pessoas que me conheciam de quando eu ainda andava de fraldas por esse mundo. Foi lá no MAM. E vai continuar sendo, agora, até o dia 25 de Julho.


Antonio Henrique Amaral
06 Mai a 25 Jul
MAM - Sala Paulo Figueiredo

E até bati um papo com um fotógrafo da Folha. Ele veio me dizer que não ia roubar minha alma não. Ah, duvido. É só olhar a cara de sem-alma das pessoas que saem nas fotos das revistas. Oras.

A exposição tava bonita, as gravuras todas de preto e branco e fizeram as paredes de um azul-verde bem claro, pra dar um contraste que faz as gravuras saltarem. Gosto dessas gravuras do Antonio Henrique, principalmente as da década de 50 (essa da imagem é de 1958, "Casal") quando as formas eram mais duras, meio abstratas, muitas linhas e tal. Algumas das gravuras eu fiquei olhando, olhando, tinha a impressão de que elas se mexiam, o preto fazia um contraste surreal com o branco não-tão-branco do papel, como se estivesse a alguns milímetros para frente, grudado no vidro da moldura.

O Antonio Henrique (aka Antoninrique) conheceu a patrocinadora do evento na acadêmia de ginástica. Carlinhos, surpreso, chegou à conclusão que precisava começar a freqüentar uma acadêmia também.

Olivia
23:46
domingo, 21/03/2004

Bluedicius

Coloquei um link novo pra vocês olharem. É o site da Marília, o Bluedicius. É uma amiga minha, que eu conheci no DeviantArt e depois conheci pessoalmente por causa da Unicque. Ela desenha muito bem. Eu falo pra ela que ver os desenhos dela dá vontade de voltar a desenhar.

E como não poderia deixar de ser, esse é o desenho que ela fez a partir de uma foto minha. Os dois primeiros pedaços são o início do desenho, que ela escaneou no processo.

Por isso eu digo, dêem uma olhada no resto. Viu, Marília, se você fica sem graça quando eu falo que sou sua fã, é pra ficar mais sem graça ainda, porque agora eu falei pra todo mundo também.

Olivia
23:17
 

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