segunda-feira, 04/06/2007

Eu conheço o Marcão

E depois de brigar comigo achando que eu tinha contado o final do livro (não contei nada não, eu nem lembro o final, na verdade), eis que Marcão escreveu sobre o Desumano.

E que belo sobrenome. Hah.

Oof.


(na verdade eu ia fazer um post grande e gordo sobre personagens e linguagem, mas fiquei com preguiça)

sexta-feira, 16/03/2007

Resenha!

Gostei demais da resenha que o Adriano Koehler, do Rascunho, fez sobre meu livro Desumano. Apesar dele ter colocado acento no meu nome.

Copio aqui.

Hip!

SEM UM TIRO SEQUER
Mesmo com alguns problemas, Olívia Maia faz de Desumano uma boa estréia na literatura policial

Adriano Koehler • Curitiba – PR

Desumano
Olívia Maia
Brasiliense
152 págs.

Ler jornal hoje é como ver o diário de um Circo de Horrores. Os crimes são cada vez mais bárbaros, a Terra convulsiona devido à poluição, os políticos continuam roubando e se fazendo de inocentes, a corrupção grassa. Enfim, não há notícias alvissareiras no front. Quer dizer, até há, mas são tão pequenas que passam despercebidas ante o dilúvio de desgraças. E como todo dia temos novas barbaridades, vamos até nos acostumando um pouco.

Por isso, como a realidade já é demasiado pesada, o romance de estréia da escritora Olívia Maia, Desumano, perde um pouco do seu impacto. Não que ele seja um livro ruim, pelo contrário, é uma boa estréia, em que a escritora mostra que pode melhorar e muito o seu trabalho. Mas um livro bem escrito, com uma trama relativamente fraca e previsível, apesar de correta, e com um tema que já foi superado pela realidade inúmeras vezes, acaba sendo apenas mais uma estréia promissora.

Olívia começa a trama sem rodeios. Márcio, o jovem paulistano protagonista de Desumano, volta à consciência na sala de sua casa tendo à sua frente o corpo da mãe ensangüentado. Ele não se lembra do que aconteceu, mas tem nas mãos e nas roupas muito sangue, além de uma ferida na cabeça provocada pelo golpe de algum objeto. Ele se pergunta se fora um ladrão. Ele chama um tio distante, este aciona a polícia, os investigadores chegam e concluem que Márcio é o único suspeito da história. Márcio foge.

Em um determinado local de São Paulo, Márcio encontra Luisa, uma menina-mulher, de profissão incerta, em um ponto de ônibus. O encontro rende uma conversa que rende um convite que rende um lugar para Márcio passar a noite. Márcio conta a Luisa a sua história. Ela acredita em sua inocência A partir daí, o livro passa a ser uma mistura entre o presente de Márcio e sua condição de fugitivo e a volta da sua memória, que vai nos esclarecendo detalhes de sua personalidade.

Até aí, tudo bem. O que pode haver de tão terrível em um crime hediondo, mais um dos tantos que acontecem diariamente neste país? Olívia dá o tom hediondo ao abordar a violência como se fosse algo banal, que acontece normalmente. É a normalidade da violência, é a banalidade do sangue correndo de maneira gratuita, sem aparente razão. É a ausência de limites para o que um ser humano pode fazer com o seu semelhante. O horror, o horror, como já disse Conrad (e Coppola, na voz de Marlon Brando posteriormente).

Neste ponto, Olívia acaba até pegando leve ao abordar os aspectos mais horríveis da psique humana. Ela não entra em detalhes sórdidos, não aborda os medos que todos temos, nem as travas que criamos para não dar vazão à violência que é inerente a todos nós. Talvez este receio em ir a fundo seja um dos pontos que torne o livro bom, mas não muito. Existe até alguma superficialidade no tratamento que Olívia dá ao tema. Como se fosse um pudor em tratar algo que está ao redor de nós, mas que temos medo de falar abertamente sobre.

Outro aspecto de Desumano que causa um certo incômodo ao leitor é a pressa de Olívia em fazer com que Márcio resolva logo o seu problema. As coisas são até relativamente aceleradas para que o romance chegue ao seu fim. Mas como Olívia tem talento, criamos uma empatia com Márcio, empatia negativa, é importante frisar, pois ficamos com raiva de um menininho mimado, um paulista filhinho de papai que não sabe exatamente o que quer da vida e vive às custas da mãe. Talvez até a escritora tenha essa sensação e queira dar cabo ao suspense.

Mas a estrutura do romance está bem montada, e mesmo com estes pontos que tiram a atratividade do trabalho de estréia de Olívia, Desumano mostra um bom caminho a ser seguido. Claro, deve-se levar em consideração que Olívia é muito nova, tem apenas 22 anos, e tem bastante tempo pela frente para lapidar o seu talento. Esperemos que ela perca o pudor ao falar de temas espinhosos e assim possa construir trabalhos ainda melhores e mais impactantes. Mas já fica o mérito de conseguir escrever um romance policial sem um tiro ou um revólver.

sexta-feira, 02/02/2007

Desumano no Tododia

Biajoni escreveu sobre Desumano para o jornal Tododia.

Não desminto nem confirmo nada.

Mas eis a matéria:

Desumana menina

Era uma vez uma menininha que escrevia historinhas com coelhinhos e ursinhos. Muitas crianças começam a escrever logo cedo, dando asas à imaginação, colocando no papel tudo o que as suas desenfreadas e ingênuas cabecinhas imaginam. E as histórias quase sempre contam com bichos fofinhos. Mas as histórias escritas pela menininha Olivia Maia, aos sete ou oito anos, eram um pouco diferentes: os ursinhos panda eram serial killers e os coelhinhos andavam em becos escuros a procura de vítimas. A ainda pequena Olivia conta sobre o seu início como escritora tentando parecer veterana, mas não dá: ela tem apenas 21 anos e é, ao mesmo tempo, uma das mais jovens escritoras brasileiras lançadas por uma grande e tradicional editora e uma grande promessa. “Foi tudo de repente. Escrevi um livro, depois outro, até que esse terceiro caiu nas mãos da (editora) Brasiliense e acabou publicado. A repercussão não poderia ser melhor.”

A repercussão do livro se deve especialmente a dois fatores: a excelência da escrita da garota e ao conteúdo forte e violento. E não tem como dissociar o conteúdo da imagem doce de menina tímida de Olivia Maia - que mais parece uma heroína de Woody Allen que não sabe bem o que quer e tropeça nos cadarços. O livro, este publicado e violento, tem o título de “Desumano”. “A história nasceu como um conto e decidi que podia resultar num romance. Basicamente temos um garoto que encontra a mãe morta e acaba perseguido pela polícia. Ele tenta provar sua inocência e conta com a ajuda de uma garota”, sintetiza a escritora, em visita recente ao TodoDia. E sintetiza bem, já que mais não se pode falar sobre o livro sem revelar detalhes que poderiam estragar surpresas.

“Sempre gostei de mistério, do crime, das agruras humanas... Desde criancinha.”, diz sorrindo, semicerrando os olhos por trás dos óculos de aros grossos. Mas só agora parece ter conseguido alinhavar seus interesses com uma boa história e uma narrativa satisfatória. Talvez além, já que o livro flui lindamente. “Reescrevi muito, só apresentei o livro quando estava satisfeita com a prosa”, afirma ela, estudante do Curso de Letras da USP (Universidade de São Paulo).

“Desumano” pode ser encontrado e encomendado nas livrarias. Apesar de ser classificado como “policial” e “violento”, o livro de Olivia Maia não tem um só tiro, nem agentes policiais. Não tem muitos personagens. Não tem prosa rebuscada. Não tem elipses. Mas tem muitas surpresas. E é diversão garantida.

Para quem ficou terrivelmente curioso, tem link aí do lado para comprar pela internet no Submarino ou na Livraria Cultura. Sugiro o Submarino, que está mais baratinho.


(Enquanto isso, estou aqui configurando meu Ubuntu. Hup!)

sexta-feira, 05/01/2007

Na Gazeta de Cuiabá

Terça-feira última chego em casa minha mãe avisa que um Iuri ligou. Na hora eu me assustei, porque o único Iuri que conheço é um personagem, e ele não costuma me ligar.

Mas enfim.

(Não era o personagem.)

Eu, aqui.

[Link para o artigo no Gazeta Digital.]

Precisa fazer um cadastro para ler no site, mas não tem que pagar nada.


A estréia de uma jovem escritora

Iuri Gomes
Especial para o Vida

Uma mulher estirada no chão sobre uma poça de sangue e o filho, ao lado, paralisado. Ele é um dos suspeitos. Assim começa o livro Desumano (Editora Brasiliense, 152 páginas, R$ 24,90), de Olivia Maia, de 21 anos. Com um quê mórbido, este "conto comprido que virou livro" marca a estréia dela na literatura.

Desumano consumiu cerca de um ano de Olivia até ser finalizado. Ela explica que estava escrevendo outro livro e, nas horas vagas, se dedicava a iminente publicação. Mas como uma estreante conseguiu um contrato com uma grande editora? "Foi sorte: eles queriam, eu tinha. Eles gostaram e deu no que deu", diz a estudante de Letras da Universidade de São Paulo (USP).

A Editora Brasiliense já estava pensando em uma série de publicações policiais feitas por escritores brasileiros. O livro de Olivia seria o primeiro, apesar de ela não saber se a idéia inicial da editora vai vingar.

A jovem escreveu outros trabalhos antes, um aos 17 anos e outro aos 19. Desumano é o terceiro romance dela. Olivia acha que a maior dificuldade enfrentada pelos novos autores é a ansiedade. A quem tem trabalhos e ainda não sabe como publicá-los, ela aconselha ir atrás, batalhar - mas, no fim, admite: ter um contato e sorte sempre é bom e ajuda nessas horas.

Entretenimento - Sabe-se que se lê pouco no brasil. Segundo o Instituto Paulo Montenegro (IPM), braço social do Grupo Ibope, só 26% da população brasileira na faixa de 15 a 64 anos de idade são plenamente alfabetizados. Sendo assim, vale a pena insistir em literatura?

"O problema é a idéia mirabolante que as pessoas fazem da leitura", opina Olivia. Para a autora falta no país uma literatura "mais novela", mais próxima daquilo que as pessoas vêem na TV: entretenimento. A partir desse tipo de literatura, acredita Olivia, é que as pessoas chegarão a um Kafka, James Joyce ou Henry Miller. "Falta entretenimento, do tipo: a pessoa lê um livro numa semana e fala: "Quem bom, vou ler outro"", completa.

Olivia acha que é uma questão de costume. As pessoas devem passar por estágios, alimentando aos poucos o gosto pela leitura. Para isso elas têm de passar por "degraus", como um Paulo Coelho.

Desumano - O livro na verdade é um conto que se estendeu e acabou virando livro. Olivia já escrevia textos com tons policiais e suas tramas habituais, mas um tanto um quanto complicadas - o que acabava emperrando o trabalho. "Ele (Desumano) é mais simples na idéia, mas acabou ficando mais consistente", diz Olivia.

O protagonista e narrador é Márcio, um garoto de 20 anos. Ele estuda em uma universidade pública de São Paulo e é órfão de pai e agora de mãe - a mulher estirada na poça de sangue com o pescoço cortado e o maxilar estraçalhado que abre o livro. Por não se lembrar de nada, Márcio é um dos suspeitos do crime.

O cenário de sua fuga é a cidade de São Paulo. Na correria, Márcio conhece Luisa, sua companheira de investigação e de solidão. Os dois voltam até a cena do crime em busca de pistas que denunciem o verdadeiro assassino.

Sobre a autora - Olivia começou a escrever cedo. O gosto pela literatura policial nasceu das horas gastas na leitura de casos de crianças psicopatas em um site, nas conversas e textos trocados com o escritor e ex-delegado Joaquim Nogueira e no próprio casamento: Olivia é casada com um investigador de polícia. Quem lê Desumano nem imagina que ela, aos sete anos, montava livros sobre coelhos e gatos.

Na adolescência, porém, por pouco ela não parou de escrever e de ler. Tudo por causa das suas crises, amores não-correspondidos e provas de química e física. Foi só no último ano do colégio que o gosto voltou, graças a um professor. "A partir daí comecei a ler os escritores de verdade", diz ela se referindo a Cortázar, Guimarães Rosa, Dennis Lehane, James Joyce e outros.

A jovem já dois livros prontos, um policial e outro que ela classifica como "cult": um historiador de 35 anos com crises existenciais. Ela está escrevendo outro nesta linha. "Não sei o que fazer com os não-policiais. Eles estão numa crise existencial", brinca Olivia, que pretende lançá-los, mas não faz a menor idéia de quando.

terça-feira, 26/12/2006

Caderno Dez!

perfil
Tamanho grande e legível, clica aqui.

Hoh!

Jornal A Tarde, de Salvador. 26 de dezembro de 2006, Caderno Dez!. Uma página inteira só pra mim!

Preciso me acostumar com essa coisa de jornalistas "adaptarem" tudo que eu digo. Mas enfim, enfim. Mor legal. Podem espalhar por aí.

sábado, 23/12/2006

E mais

Dani Castilho escreveu sobre Desumano.

E do texto:

Não tem nada rodriguiano no livro da Olivia, graças-a-deus. Também não encontraremos fedores putrefatos de ralos e outros modismos da linha “estorvo”.
Isso! Graças-a-deus. Porque Rubem Fonseca acabou.

Vitrine

vitrine
Caderno Ilustrada, Folha de São Paulo de hoje.
Eba!

E terça-feira vou estar no jornal A Tarde, de Salvador. Se não me engano é o caderno Dez ou algo assim. E na Folha outra vez, talvez, em breve, ainda não sei quando.

telefone
Em Sertãozinho: entrevista por telefone para o moço do jornal A Tarde.
Hup hup!

E por ora, feliz natal.

segunda-feira, 18/12/2006

Livraria do Crime

Hup!

sábado, 16/12/2006

Primeiro

ê!

Mr. Edward Bloom escreveu sobre Desumano (e nem me avisou). Hup!

terça-feira, 12/12/2006

Desumano online

E talvez você se pergunte, mas que diabos, que agora essa menina só fala disso!

Sim.

Vejam, vejam.
Já dá para comprar o livro pela internet na Saraiva, na Cia. dos Livros e na Livraria Galileu. Na Cia. dos Livros está 18,43 reais e na Livraria Galileu 21,91. A Saraiva está com o preço normal, 24,90 reais. Mas tem frete grátis com algum cartão de crédito aí.

(E nem dá muita bola quando dizem que eles não tem estoque, porque o estoque deve estar chegando.)

Vai estar na Livraria Cultura amanhã. Logo chega no Submarino, pros adeptos.

Hup! Podem começar a espalhar por aí. Quando ele for aparecendo em outros lugares eu aviso. Porque vocês bem sabem, eu sou compulsiva.



(Abner descobriu uma praça Olívia Maia -- com acento -- no Rio de Janeiro. Medo.)

segunda-feira, 11/12/2006

Mais Desumano

Parece que o Desumano já está na Livraria Cultura. Pelo menos a do Conjunto Nacional, que foi onde viram, todo bonitinho na parte dos lançamentos. Ainda não está na loja online da Cultura, mas acho que tem que dar um tempo pra eles botarem no cadastro ou qualquer coisa assim.

Provavelmente também já está na Livraria da Vila, onde foi o lançamento. (A Livraria da Vila não tem loja online, mas enfim.) E me disseram que ele ia ficar lá no destaque, hup! Ou pelo menos nas novidades.

Quem souber de alguma coisa ou ver o livro em alguma livraria, me avisa! Sempre tem gente querendo saber onde encontrar, e a verdade é que eu nunca sei. Pelo menos por enquanto.

E assim que estiver em alguma loja online dá pra começar a campanha "dê Desumano de natal" sugerida pelo Bia. Eh! (Ah, dá pra começar antes, fazer uma pré-propaganda, hein? Não sabe o que dar para aquele amigo secreto do trabalho? Desumano!)

(Chapéu-noel gentilmente cedido por PikiPimp.)

terça-feira, 05/12/2006

Hoje é terça-feira

lançamento do meu livro Desumano -- dia 5 de dezembro, terça-feira, a partir das 18h30 na Livraria da Vila!

É hoje, é hoje.
Espero todos vocês lá. Com ou sem chuva.

Mas se tiver chuva, melhor não ir pela rua Harmonia.
Qualquer outra rua serve, menos a Harmonia.
Sério.

(Hoje entrego uma prova/trabalho de literatura portuguesa; trabalho sobre a memória em Camões e no poema "Sôbolos rios que vão". Até hoje de madrugada tinha uns perdidos entrando no meu blog com buscas desse tipo. Assustador essa gente que faz prova na madrugada do dia de entrega. Pelo Google.

Sei lá, o Google é um rapaz esperto e tudo mais, mas ele não é lá muito expert em Camões.)

Ah!
Até mais tarde, até.

quarta-feira, 29/11/2006

Release do Desumano

(Release é uma palavra que fica mui feia escrita. Rilise. Parece nome de condicionador para cabelo --use condicionador Riliese® com frutas e sinta o frescor da leveza de cabelos tão soltos quando o arroz da sua avó--.

E minha assessora de imprensa é mor fofa.)


BRASILIENSE LANÇA DESUMANO, ROMANCE DE ESTRÉIA DE OLIVIA MAIA


Uma mulher é morta aparentemente sem motivo. Não tinha inimigos, não tinha feito nada para ninguém. O único filho é o principal suspeito. Mas pode um filho matar a mãe? Seria humano? Em Desumano, romance de Olivia Maia pela Editora Brasiliense, Márcio, o narrador, tenta provar que não, não matou a mãe, não seria capaz.

Uma mulher está estirada no chão sobre uma poça de sangue e o filho, ao lado, paralisado; olhando-a como se fosse pela primeira vez. Sua roupa está encharcada com o sangue da mãe e o ferimento na cabeça diz que ele também havia sido atingido pelo assassino. Tem nojo de tudo. Do sangue, do cheiro, da mãe com o pescoço cortado e o maxilar estraçalhado. Não se lembra de nada e por isso mesmo é um dos suspeitos. “Mas que motivos eu teria para matar a minha mãe?”, justifica-se. Assim começa Desumano, romance de estréia da jovem escritora Olivia Maia com lançamento pela Editora Brasiliense no dia 5 de dezembro, a partir das 18h30, na Livraria da Vila, à rua Fradique Coutinho, 915, Vila Madalena, em São Paulo.

Desumano pode virar filme. Na verdade, já está roteirizado. Olivia Maia é neta da cineasta e professora de cinema Suzana Amaral (A hora da estrela e Uma vida em segredo) e num trabalho do curso, o romance ganhou roteiro.

Numa história bem montada onde o protagonista é o narrador, Olivia conta a saga de Márcio, um garoto de 20 anos, estudante de uma universidade pública de São Paulo, órfão de pai e agora de mãe, que foge da polícia por ser o principal suspeito da morte dela para, justamente, encontrar o verdadeiro autor da barbárie e provar sua inocência.

O cenário de sua fuga é a cidade de São Paulo. Num ponto de ônibus, conhece Luisa, sua companheira de investigação e de solidão. Com ela, volta até a casa em busca de pistas que os leve até o assassino.

Nesse tempo, Márcio vai se conhecendo e se descobrindo humano. Ao mesmo tempo em que não entende que motivos teriam uma pessoa para fazer o que foi feito com sua mãe, é contraditório nos relacionamentos que começa a partir do crime.

O cerco vai se fechando e ele continua sendo o único suspeito. A memória falha e ele conta apenas com fragmentos da noite do crime. Nessa busca, ele se reencontra com a lembrança do pai e a partir daí vai reconstituindo sua própria história para enfim encontrar o verdadeiro assassino de sua mãe.


Sobre a autora

A paulistana Olivia Maia nasceu em 1985 e sempre se divertiu observando as pessoas e a cidade. Aos sete anos, já montava livrinhos de histórias sobre coelhos e gatos. Aos 14, começou a escrever. Por tentar desvendar as pessoas, dedicou-se ao romance policial. Escreveu um aos 17 e outro aos 19. Desumano é o terceiro romance da autora, mas o primeiro a ser publicado. É estudante de Letras na USP.


Desumano
Olivia Maia
Editora Brasiliense
Número de páginas: 152
Preço: 24,90

terça-feira, 28/11/2006

Lançamento!



Quem puder me ajudar a divulgar, eu agradeço demais! Estão todos convidados!

Aproveita que fica aí lendo o blog na surdina e aparece no lançamento para um abraço. A Livraria da Vila é mor gostosinha. Vai dizer.

Hup!

(Dá pra pegar uma versão maior do convite clicando aqui.)

sábado, 25/11/2006

Mais um tanto, do lançamento

Disse o editor que segunda-feira ficam prontos os convites para o lançamento do meu livro. Que ele pediu urgência. Espero que também a versão virtual para postar aqui.

E espero demais a ajuda dos meus leitores e simpatizantes para a divulgação.

Vai ser dia 5 de dezembro -- terça-feira --, na Livraria da Vila. Os detalhes, em breve. Êh!

E também tem que ligar para toda a família.

Só de tio e tia eu tenho uns 10. Tio-avô, uns 6. Primo; não sei, que perdi a conta. E família é um troço sensível, a gente tem que ligar.

Huur!

terça-feira, 07/11/2006

Sobre o lançamento

Eu não estava entendendo muito bem o que o editor queria dizer quando falava que o lançamento do Desumano provavelmente ia ser dia 30 de novembro. Mas agora eu sei. Quando ele diz que provavelmente vai ser no dia 30 de novembro, é porque vai ser dia 5 de dezembro.

Huh!

A princípio, então, vai ser dia 5 de dezembro, e, a princípio, na Livraria da Vila. Podem começar a desmarcar o que já tinham para fazer, e não marcar mais nada. Heh!

terça-feira, 25/04/2006

Perdidos e motivos

questão de causa e conseqüência

Eis que encontrei meu Pedro Páramo que pensei que tivesse sido devorado por algum dos animais da casa, ou então mesmo desaparecido, como acontece normalmente com essas coisas de fantasmas.

   Pois o livro estava na pasta que usei quando fui fazer os registros dos meus romances, não sei bem por quê.
   E também na pasta estavam meu RG e meu CPF, que não estavam na gaveta onde deveriam estar.
   Aí eu achei o RG, o CPF e o Pedro Páramo.

O melhor mesmo é que estava procurando o RG e o CPF para abrir firma no cartório ali embaixo, e eu estava querendo abrir firma que é pra gente lá da editora poder reconhecer firma, que é porque hoje hoje eu assinei, at last, o contrato.

Então agora é oficial.

         Meu romance Desumano vai sair, ainda esse semestre (se o trem não sair do trilho), pela editora Brasiliense.

Vou aqui torcer pro trem não sair do trilho. E pra tudo dar certo certinho como há de dar, e quando for lançamento todo mundo vai, todo mundo mesmo, até vocês leitores disfarçados que não comentam nunca mas eu sei muito bem que vocês estão aí.

   Hooray!

sexta-feira, 27/01/2006

It's oficial

         O melhor está por vir.

segunda-feira, 11/04/2005

Revisão em voz alta

Original
Havia sangue por todos os lados, e minha camiseta branca tinha uma enorme mancha vermelha no peito. O sangue não era meu, logo concluí.

Variação 1
Havia sangue por todos os lados, e minha camiseta branca tinha uma mancha enorme no peito. O sangue não era meu, logo concluí.

Variação 2
Havia sangue por todos os lados, e minha camiseta branca tinha uma mancha vermelha no peito. O sangue não era meu, logo concluí.

Ou então;
Logo concluí que o sangue não era meu.

Se havia sangue por todos os lados, é de se esperar que a mancha no peito é vermelha e é de sangue, certo? Ou não? Estou gostando mais da variação 1, mas ainda não sei muito bem.

Será que é necessário dizer que a mancha no peito era enorme? Suponho eu que sim, já que uma mancha no peito poderia também ser uma mancha de uns 4 centímetros de diâmetro em qualquer lugar específico. O enorme se faz necessário, mas quem sabe em outro formato? Meu Deus.

E a ordem do segundo período? Com "o sangue não era meu" em primeiro lugar talvez fique em evidência o quê ele concluiu ao invés do fato de ter concluído qualquer coisa.

Pensei, antes de pensar qualquer outra coisa, que quem fizera aquilo deveria ser algum tipo de monstro. Ela parecia uma boneca, após ter passado pelas mãos de uma criança cruel, com diversos cortes em seu pescoço e o maxilar estraçalhado.

Aos tropeços. O que há de errado com esse trecho? Muita coisa. Muitos tropeços. Lendo em voz alta. Hm. (...) algum tipo de monstro. Que tal um sinônimo mais simpático pra monstro? Ok, empaquei aí, deixa pra lá, vamos pro próximo problema. Que tal;

Ela parecia uma boneca nas mãos de uma criança malvada (...) Ah, por um momento achei que fosse conseguir continuar, mas empaquei outra vez. (...) com diversos cortes em seu pescoço e o maxilar estraçalhado. Gosto do maxilar estraçalhado. É uma imagem bonita. Mas diversos cortes? E com o pescoço todo cortado ou então apenas com o pescoço cortado... Não, não, fica parecendo que a cabeça se separou do resto do corpo.

Pensei, antes de pensar qualquer outra coisa, em como alguém seria capaz de tanta crueldade. Ela parecia uma boneca nas mãos de uma criança malvada. Seu pescoço estava todo cortado e o maxilar estraçalhado.

Não gostei do primeiro período. Céus. Essa história de revisão é muito complicada.

terça-feira, 15/02/2005

Mais uma vez de novo

Mas então eu terminei o Desumano, em que a história é narrada em primeira pessoa, e acabei gostando da coisa. Justo eu, que defendia o não-uso da primeira pessoa porque achava assustador. Sim, justo eu. Aí eu tive uma idéia maluca.

E como eu tinha dito, não sabia se tinha gostado tanto assim do Duas Luas. Tem coisas lá que eu gosto, e outras que tenho vontade de enforcar em praça pública. No geral, eu gostei. Mas não o suficiente. Aí, enquanto eu conversava com um amigo que escreve — que odeia escrever em primeira pessoa, aliás —, me veio uma idéia!

Oh, eu já disse que me veio uma idéia. Dois parágrafos que eu termino dizendo que tive uma idéia.

É pra manter o suspense, sabe?

Acho que não estou fazendo muito sentido.

Hm, então, a idéia.

Vou reescrever o Duas Luas, com o Pedro no volante. Digo, com o Pedro narrando, em primeira pessoa. Acho que vai ficar melhor. Aí também aproveito e mudo as coisas que não gostei. Reescrever é sempre mais fácil que escrever, eu sei bem.

Mas eu gostei demais do Desumano. Nossa, gostei demais. Estou me achando. Normalmente eu não gosto do que escrevi, depois de pronto. Dessa vez gostei demais. Preciso fazer alguma coisa a respeito.

sábado, 05/02/2005

Desumano

trecho

E por onde mesmo eu ia começar?

Uma lista de suspeitos, talvez.

Não.

Aquele não fora um crime de vingança. Não fazia sentido, fora violento demais.

E por que alguém cometeria um assassinato como aquele, de forma tão desumana? O que seria humano? Qualquer ser humano, com a devida força de vontade, seria capaz de um crime assim. A partir de que momento um assassinato se tornava desumano? Ou eram todos humanos? Talvez o contrário.

Talvez esse tipo de raciocínio não me levaria a lugar nenhum.

Por que matariam minha mãe?

Eu tinha a impressão de que apenas os peritos e médicos legistas seriam capazes de encontrar pistas melhores, e isso não aconteceria se a polícia continuasse com aquela idéia fixa de que eu era o culpado. E, se não houvesse nada que eu pudesse fazer, talvez eu devesse sair de vez de São Paulo.

Olivia
20:35
quarta-feira, 03/11/2004

Desumano

capítulo 2

[leia o capítulo 1]

— Márcio, você tá me ouvindo? Que horas você chegou em casa?

Era a terceira vez que o homem repetia aquela pergunta. Ergui o olhar para fitá-lo, olhando em seguida para o sujeito que estava sentado ao meu lado. O que falava comigo era o delegado; homem pequeno e grisalho, com um bigode feioso e branco. Na verdade, era um segundo delegado que aparecia, pois há pouco tempo um outro homem já havia se apresentado como tal, e inclusive me fizera perguntas semelhantes. O homem sentado ao meu lado, um tanto mais jovem, chamava-se Eduardo. Poderia ter a minha idade, talvez um ou dois anos a mais. Era um dos investigadores.

Eles não pareciam policiais. Enquanto os observava, pensei que eles mais pareciam motoristas de táxi ou funcionários de uma loja de sapatos da rua Augusta. Algum preconceito meu. A presença deles ali, tão próximos de mim, incomodava. Eu não gostava do cheiro deles, do ar quente que eles soltavam com a respiração. Fechei uma das mãos e a senti grudenta, como se ainda estivesse cheia de sangue.

— Márcio, eu sei que é difícil. Mas você tem que fazer um esforço, a gente precisa da sua ajuda.

— Eu não me lembro— respondi.— Não ando de relógio.

Mostrei o pulso esquerdo, onde tinha amarrada a pulseira de couro que comprara em São Sebastião, como se precisasse provar qualquer coisa àqueles homens. O delegado ficou em silêncio e eu voltei minha atenção aos sons da sala de estar, onde os peritos trabalhavam. Estávamos na sala de jantar. Um dos investigadores dissera que eu já havia visto demais daquela tragédia. Mas não fazia a menor diferença, a imagem de antes ainda estava em minha cabeça junto daquele zumbido insuportável, como uma ópera sangrenta. Haviam examinado o corte em minha cabeça, e um dos homens fizera um curativo improvisado. Se tiraram alguma conclusão dele, não me contaram.

Os dois me olhavam com um interesse irritante. Levantei-me e andei até a cozinha — na verdade a continuação da sala de jantar — para olhar o relógio do microondas.

— São dez e vinte— eu disse.— Eu saio da faculdade... Que dia é hoje?

— Quinta-feira.

— Quinta-feira... Eu saí da faculdade às cinco e meia. Mas eu acho que eu não vim direto pra casa.

— Você acha?

— Eu não me lembro— falei, por entre os dentes.

O delegado detestou aquela resposta, pois bufou, impaciente, revirando os olhos com desprezo. Era a verdade, eu não me lembrava. Havia um espaço em branco na minha memória, algum tipo de vácuo.

Isso já havia acontecido antes, poucas vezes, e como o delegado não perguntou, achei melhor deixar pra lá. Às vezes eu dava por mim no meio da rua, sem memória de como ou por que estava ali. Isso podia acontecer no carro, em bairros desconhecidos, e muitas vezes eu não fazia idéia de como voltar para casa.

Sim, aquilo já havia acontecido antes. Mas eu nunca sentira necessidade de me lembrar dos acontecimentos como estava sentindo naquele momento. O relógio digital do microondas queria me fazer lembrar de algo. Dez e vinte e três.

Voltei à sala de jantar e encostei o corpo na parede, cruzando os braços, longe o suficiente daqueles homens. O tira Eduardo me examinava de forma perturbadora, e tive a impressão que ele conseguia ler meus pensamentos, pois havia em seus lábios algo que se assemelhava a um sorriso, mas um tanto cínico e distorcido. Eu queria que eles fossem embora e me deixassem sozinho. Queria deitar e dormir, e espantar aquele zunido da minha cabeça.

— Você quer que a gente ligue pra alguém, Márcio? Pai, tio, tia...?

— Eu não tenho pai. Meu pai morreu— retruquei.

Falei aquilo pela diversão de ver as reações. Meu pai havia morrido quando eu tinha seis anos, e dele eu guardava algumas vagas lembranças de viagens, muito mato e um pouco de futebol no sítio dos meus avós. Sentia a falta dele tanto quanto sentia a falta de um primo distante de quinto grau que eu vira uma vez na vida, e que morreu em uma briga de bar. Consegui, entretanto, a reação que esperava. O delegado abaixou a cabeça e pediu desculpas.

— Algum outro parente? Amigo?

Afirmei com a cabeça, mas era um tanto desagradável a idéia de encarar meu tio num momento daqueles.

— O Sílvio. Na agenda de telefones, em cima da mesinha da sala. É meu tio, irmão da minha mãe.

Estava um calor insuportável ali dentro, e a sala de jantar sempre fora o ambiente mais abafado da casa. Tirei a franja que grudava no rosto e continuei com o olhar perdido, fitando a parede oposta. Em meio ao caos que era minha mente, surgiu uma pergunta. Por que alguém ia querer assassinar minha mãe?

O tira Eduardo levantou-se e aproximou-se do delegado, com uma expressão irritantemente apreensiva. Eles conversaram qualquer coisa em voz baixa, e o delegado fez uma careta descontente.

Eu havia lavado minhas mãos duas vezes desde que as tive cobertas de sangue, mas ainda sentia que estavam sujas. A roupa manchada eu havia jogado no lixo, antes mesmo da polícia chegar. Colocara o saco de lixo na calçada, junto dos sacos do vizinho. Quando pensei nisso, achei que fora uma coisa idiota de se fazer, e me arrependi de tamanha estupidez. A polícia ia desconfiar de mim. Ia achar que eu estava querendo esconder alguma coisa. Eu só queria me livrar do cheiro, daquela sensação de nojo. Sangue e suor. Só queria me livrar...

Sentia um cheiro podre, sem saber de onde estava vindo. E tinha a sensação que o cheiro vinha de mim mesmo.

O delegado virou sua careta de rato na minha direção.

— Isso já aconteceu antes? Esse tipo de perda de memória?

Fiz que sim com a cabeça. Aqueles brancos de memória me incomodavam quando aconteciam, mesmo que fossem raros. Ele veio até mim e ergueu um braço para tocar meu ombro, mas esquivei. O homem fez uma outra careta, um pouco mais discreta. Eu sempre odiei gente pegando em mim sem motivo nenhum.

— Você tem algum médico? Que cuide desse seu... Problema...?

— Não.

— Tá certo...

Ele sacudiu a cabeça e virou-se, fazendo um gesto para o investigador, que saiu para a sala de estar. Ficou mais um tempo me encarando, até que também foi embora, finalmente me deixando sozinho. Os homens na outra sala conversavam em voz baixa, e era impossível entender o que falavam. Ouvi o som das teclas do telefone, e resolvi parar de prestar atenção neles. Vi a imagem de minha mãe, sorrindo, falando que ia voltar mais cedo àquela tarde, e ia cozinhar o jantar. Desencostei-me da parede e fui até a cozinha, parando no meio do caminho e olhando a pia. Havia um pacote fechado de espaguete sobre o balcão, e uma panela vazia logo ao lado. Dei alguns passos à frente. Dentro da pia, vi uma faca grande com o cabo de madeira, a lâmina afiada e quase brilhando, jogada próxima ao escorredor de macarrão.

Não havia motivo para aquela faca ter chamado minha atenção. Mas por alguns segundos, tive a impressão de ter visto aquela lâmina coberta de sangue. Eu podia até sentir o cheiro. Aquele cheiro doce de ferro, um cheiro podre e enjoativo. Num ato instintivo, levei as mãos ao nariz, mas apenas senti o odor do sabonete que eu usara mais de uma vez.

— Márcio?

Virei o corpo num susto, e o investigador Eduardo me encarou com olhos surpresos.

— O seu tio disse que chega em dez minutos.

quinta-feira, 28/10/2004

Desumano

capítulo 1

Eu não conseguia me lembrar como havia chegado àquela situação. Eu estava ajoelhado no tapete. Sentia as mãos sujas, e o tecido da calça grudado no joelho de um jeito incômodo. Sangue.

Havia sangue por todos os lados, e minha camiseta branca tinha uma enorme mancha vermelha no peito. O sangue não era meu, logo concluí. Sentia uma dor aguda no joelho direito devido à posição, mas além da sensação gelada que o sangue na minha camiseta proporcionava, não sentia nada no meu peito, nenhum corte, nenhum machucado.

Deitada no chão, meio de lado, estava a figura de uma mulher de meia-idade, com cabelos castanhos emaranhados, antes presos em uma fivela atrás da cabeça. Levei alguns segundos para perceber que aquela era minha mãe. E eu, ajoelhado ao seu lado, tinha os olhos fixos nela, sem saber o que fazer. Pensei, antes de pensar qualquer outra coisa, que quem fizera aquilo deveria ser algum tipo de monstro. Ela parecia uma boneca, após ter passado pelas mãos de uma criança cruel, com um corte profundo em seu pescoço, e marcas inchadas de unhas ao longo dos braços.

Examinei seu rosto, como se aquela fosse a primeira vez que a visse. Ela estava com os olhos abertos, esbugalhados, e vazios. Senti nojo, uma ponta de enjôo se formando, como se aqueles olhos fossem me sugar para um mundo morto a qualquer momento. Eu reconhecia minha mãe, mas não conseguia sentir que era ela mesma, ali, ensangüentada e sem vida. Não sentia nada, além de aversão, uma angústia infundada que eu não saberia explicar.

Peguei em seu braço e sacudi. Era um gesto inútil, desprovido de qualquer sentido. Não havia nada em minha cabeça naquele momento, além de um ruído agudo e contínuo, como se eu tivesse acabado de sair de uma festa com a música muito alta. Minha mãe estava morta, e era quase como se eu estivesse dentro de um filme sinistro, apenas esperando que alguém no fundo gritasse “corta!”.

Outros minutos se passaram, e eu continuei ali, parado, fitando a cena com a mente vazia.

Ninguém gritou nada. Nenhum diretor imaginário fez qualquer comentário sobre minha atuação, e por isso me levantei, tirando a camiseta e limpando as mãos nela. Olhei meus joelhos ensangüentados e tive nojo de me mexer. Tirei a calça, os tênis e as meias, ficando só de cuecas. O sangue ainda estava em mim, grudado em minhas mãos e joelhos como cola escolar depois de seca. Mas o desespero que por um momento quis tomar conta da minha razão logo foi controlado.

Entrei no lavabo e olhei meu rosto no espelho. Havia sangue nele também, respingos de sangue alheio. No lado direito da cabeça, próximo à têmpora e encoberto pelo cabelo, havia um corte inchado. E um pouco de sangue meu, seco. Levei a mão ao ferimento e o toque desencadeou uma corrente de dores na cabeça. Fui atingido por uma enxaqueca aguda, que chegou como uma agulha enfiada pelo corte aberto.

Lavei o rosto, com cuidado. Nas minhas mãos, o sangue havia se fixado nas linhas e dobras, e custou a sair. Esfreguei tudo com uma calma que me espantou, fitando vez ou outra meus olhos no espelho. O castanho claro da íris mostrava com nitidez as pupilas. Eu estava calmo. Não tremia. Pensei no corte em minha cabeça e só pude concluir que alguém havia me atingido, e daí a falta de memória.

Sem ver alternativa, corri ao telefone. Antes de discar, olhei as roupas no chão e pensei que precisava me livrar delas. A sala inteira tinha um cheiro podre de ferro e suor. Aquele zunido dentro da minha cabeça me impedia de pensar direito. Disquei o número da polícia. Fizeram algumas perguntas, e tentei responder a maioria. Havia pouco a dizer. Minha mãe estava morta no chão da sala, e com toda certeza, fora assassinada.

 

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