sobre o nada e o inevitável, e sobre a vida imaginária de pessoas que não existem.#

23.01.2005

Carteado

[Leia a parte um e a parte dois.]

parte três

— Pôquer é jogo de gente frouxa— o mesmo velho que antes estivera questionando o forasteiro resolveu vocalizar sua opinião quando um curto silêncio se fez no boteco.

Ninguém pareceu lhe dar ouvidos. Um homem saiu de lá com a expressão preocupada. O dono do bar decidiu que deveria enxugar copos, que é mesmo o que havia para se fazer quando a situação ficava complicada e havia copos molhados esperando por ele. Ainda haveria um dia em que ele seria capaz de domar a filha. Mas desde que a mãe morrera, homem algum conseguia fazer aquela menina se comportar como uma moça.

O filho ele sabia que vivia se metendo em encrenca desde que deu a aprender esse novo jogo. Pôquer. Dizia que aquele sim era jogo de gente esperta.

Aparentemente, ele não era muito esperto.

Olivia
20:38 || Carteado
[1]

19.01.2005

Carteado

parte dois

Já se encontra no Lenda Urbana, porque o Dudu escapou dos olhares do pai dele e se enfiou na frente do computador quando não deveria. Leiam.

E a outra parte continuará aqui no Forsit, quando eu escrever e postar. O que pode acontecer a qualquer momento. Só estou um pouco atordoada com a minha cabeça de louca. É. Atordoada é uma palavra boa.

Olivia
00:14 || Carteado
[6]

17.01.2005

Carteado

primeira parte

      A placa na entrada daquela vila queria dizer pouco. Um nome conhecido apenas de tanto ser repetido na cabeça, mais nada. Havia conseguido evitar a cidade vizinha, margeando o município pela estrada, e após cinco horas, em um percurso que ele com certeza faria em uma hora se estivesse de carro, chegou. Água ele ainda tinha, no cantil, porque economizava. Mas estava com fome.
      Ouvia o som de grilos e outros ruídos da roça que desconhecia. Àquela hora da noite, os habitantes daquele pedaço de terra dormiam. Os cavalos dormiam, as vacas dormiam — as galinhas, aparentemente, estavam acordadas — e o cachorro que viu encostado na parede da primeira casa também dormia.
      Olhou no relógio. Onze e alguns minutos.
      Havia dias em que estaria acordando nesse horário.
      Desceu para o que lhe disseram ser a rua principal. Principal, talvez, por ter uma venda e um boteco. O boteco era seu destino, e era a única luz acesa que encontrou naquela rua. Andou até ele, com os passos sofridos de quem passou as últimas cinco horas caminhando. Homens falavam em voz alta. Jogavam truco.
      O lugar era uma casa feia pintada de alguma cor qualquer que ele não distinguia com a luz azulada da lua. Em uma placa sobre a porta estreita estava escrito “bar da vila”. Pensou que era um nome até que original, mas não entendeu o próprio raciocínio. Original? Bar da vila? Ele poderia ter um bar com esse nome sem pensar muito na hora de encomendar a placa.
      Entrou.

Olivia
00:02 || Carteado
[5]

16.01.2005

Projeto a quatro mãos com linhas de novelos de lã

Porque a gente já tinha um projeto antes, eu e o Dudu (também conhecido como Bruno, pela mãe dele). Só que o vestibular, o cursinho, a Fuvest, todas essas entidades malígnas me impediram de continuar o que ele tinha escrito, porque aquilo ia exigir demais da minha pobre cabecinha, porque ele me colocou no meio do deserto com um cantil de água pela metade.

E eu não sabia como continuar aquilo. De qualquer forma, a gente vai recomeçar. E eu vou começar.

Eu posto no meu blog, ele posta no dele, mas eu aviso sempre quando ele postar e todos os interessados podem continuar felizes e contentes com alguma linearidade. Espero.

Tá, vou escrever. Temos algumas linhas de novelo de lã que ele jogou ali no chão para que eu tivesse uma idéia de por onde seguir. Mas como as linhas são enroscáveis eu vou mexer nelas um pouco. Daqui a pouco eu posto a primeira parte.

Olivia
17:33 || Carteado