quarta-feira, 23/05/2007

porque acabou a quarta-feira e esse foi o mês de maio mais rápido dos últimos 22 anos

E então.
Greve.
Redações.
American Idol.

e eu fico fazendo sudokus e jogando Gweled.

e nunca dar conta de tudo porque o dia é sempre tão curto e sempre é necessário deixar algo para o dia seguinte. mas se um dia de 18 horas acordadas não deveria ser lógico que um monte pode ser feito em 18 horas acordadas?

a gente poderia aproveitar melhor os dias. e cumprir todas as tarefas e fazer todos os telefonemas.

não lembrar que no dia seguinte haverão outras tarefas e outros telefonemas. mais. e ponto.

eu ainda queria dizer sobre a linguagem. de livros que tenho medo de ler porque quando leio são tantas as idéias e revelações que preciso registrar tudo, mas é tanto, e não registro, e as coisas passam inregistradas. de livros que ainda podem te sorrir e te mostrar algo de novo, algo que você não tinha pensado, relação que você não tinha feito. livros assim.

e eu queria falar sobre Guimarães Rosa e Deleuze. e livros que falam com você e falam com o mundo, e que te mostram o mundo. mas eu nunca poderia ser de todo compreendida, por todos. e isso me deixa um pouco cansada.






(eu gosto do Phil, do American Idol, porque ele é esquisitinho e careca e tem vezes que canta bem e outras que parece que botaram ele no palco sob pena de morte. mas ele não vai ganhar.)

segunda-feira, 17/04/2006

Sombras

Há um despropósito tão grande em todas as coisas. E Mário disse, "é engraçadíssimo." Tudo em um cômico profundo. E essa gente toda se levando tão a sério, e discutindo Proust e versos tocantes de poetas brasileiros menores, e vendo força e beleza em uma palavra, singela palavra, isolada palavra. Agonia. Gritos. Oras! Despropósitos tão grandes. Música tocando como se não tocasse. Indiferenças. Desfalar de um que tentou compreender coisas demais muito mais do que deveria ou poderia. Quem está mais certo? Por que se importar. O passado aconteceu e estará acontecido também amanhã, e um pouquinho mais ainda daqui um ano. O passado desvirtua tudo. Somos sombras, sempre sombras, e sombras buscam a luz porque na escuridão elas deixam de existir. Sombras rastejam. Generalizações e outros erros rebaixando o futuro a um mundo de sombras, cada vez mais porque as pessoas desacreditam nos efeitos do tempo e as pessoas se esquecem que o presente não é nada demais senão o que está para se fazer passado, e o passado um monstro gigantesco com uma boca enorme a devorar tudo que encontra pela frente.

terça-feira, 14/03/2006

Sobrevivência

um post sem começo, meio e fim e sentido, mais ou menos como a lógica dos meus pensamentos

Acontece que começo de ano sempre me deixa meio perdida, mais perdida do que eu já sou normalmente e eu posso querer botar a culpa no carnaval e no ano que só começa mesmo depois dele ou então a culpa em fazer aniversário logo assim no final de fevereiro e o ano só começar depois do meu aniversário, mas eu estou com preguiça de botar culpa nas coisas.

Literatura Portuguesa I é mais ou menos o inferno na sala 132 do prédio de letras por uma hora e quarenta professora lendo texto de 1300 com voz monótona vez ou outra levantando a cabeça pra fazer um comentário do tipo "ele quis dizer tal".

Enquanto Olivia se esforça pra ficar acordada e abrindo os olhos bem forte e as imagens tremendo tremendo tremendo e o olho fechaaaaando.

Depois Literatura Brasileira I no Instituto de Estudos Brasileiros lá longe lá embaixo perto do bandeijão com uma velha falando e pausa longa a cada palavra pronunciada, Mario... de... Andrade... 1917... Anita... exposição... Zzzzzzzzzzzzzz enquanto meu amigo João falando que vai me superar nos gigabytes de mp3.

Não sei, modernismo, arte, o rumo da arte e da literatura hoje em dia; tem alguma coisa que minha cabeça quer pensar mas não consegue e acho que isso é um pouco frustrante. Um sentido assim tão oculto que se oculta até de mim. Mas está lá como se fosse óbvio.

Porque eu estou tão perdida.

E a faculdade me irrita e eu tento ser uma pessoa mais sociável e conversar e criando o hábito de perguntar o nome das pessoas quando converso com elas mas no fim do dia me dá um cansaço tão grande.

Hoje não, hoje nem tanto, amiga me arrastou para almoçar com ela na história e depois visitar a geologia. Ah, a geologia é tão mais legal que a letras. Visitamos museu de geologia e muitas pedrinhas, e agora quero um personagem geólogo chamado Dr. Ortoclásio Berilo. Tinha muitas pessoas enlameadas ali atravessando a rua também, estátuas vivas.

Feeds de RSS também têm me irritado. É muito prático, sim. Mas me irrita. Onde está todo mundo? Atrás dos feeds? Está tudo tão vazio por aqui. Estou tão longe de tudo. Acho que eu devia deixar os feeds pros blogs sobre coisinhas techs e web e voltar para o antigo método de leitura para blogs amigos. Isso devia vir com a revolução do meu layout que vai se atrasar porque no meio do caminho eu mudei de idéia sobre a imagem e as cores e whatnot.

E por falar em feeds, acabei de ler isso. Guy's got a point. O mundo conspira.

Na verdade eu sou assim com manias anti-sociais mas eu gosto de conversar porque tem aquela coisa de ação e reação e isso é divertido. Construções poli-cérebro. Por que o blog? Oras. Simples assim. De que me servem idéias sem saída? De que me servem segredos meus?

Segredo é coisa de gente que gosta de sofrer.

Todo mundo é igual, todo mundo é gente.

Essa coisa de iPod, estou ouvindo uns podcasts, e os mais divertidos são aqueles que têm mais de uma pessoa falando, e na verdade eu dou mais risada quando as pessoas dão risada do que quando realmente falando alguma coisa engraçada.

"You look like a 'before' picture!"

Or maybe I'm just picky. Pessoas me irritam. Formalidades e convenções e manuais de como fazer amigos e influenciar pessoas.

Or.

Eu não tenho feito muito sentido ultimamente.

Isso, ação e reação.

Olivia e o óbvio.

Oblívia.

Meu dente fantasma me dói e o carro fica tão quente porque não tem sombra no estacionamento.

quarta-feira, 01/02/2006

Da teoria dos gêmeos

Porque eu sou meio assim e às vezes a coisa desliga, a cabeça entra em looping e a fechadura da porta fica meio emperrada, mas você tem que entender que eu não troquei a chave, eu não vou trocar a chave nunca; só tem que abrir com jeitinho ou quem sabe tentar pela janela ou pela porta dos fundos porque eu não me tranco de propósito, na verdade eu deixo tudo sempre aberto demais; e pouco adianta também tentar abrir com pontapés, sabe, porque aí vai estragar a porta e vai ter que colocar outra e vai ter que colocar outra fechadura e vai trocar as chaves e tem que fazer cópia das chaves e minha cabeça aqui em looping negligente esquecida distraída vai levar dias pra se tocar que preciso fazer uma cópia das chaves e entregar pra você ou então deixar aqui debaixo do capacho ou no vaso da samambaia. Só não fica bravo, não fica bravo assim porque minha cabeça voou pra longe por um momento, afinal por vezes é a sua cabeça voando longe e eu nunca vou me esquecer o dia em que percebi que você tinha isso de mim de cabeça voar para longe de repente e saber que não adianta querer entrar pela porta quando a porta está fechada, e eu fico sentadinha na janela olhando tudo ali do parapeito e sorrindo um sorriso abobado. Eu vou estar sempre aqui com você, é que eu sou assim, sabe, e talvez seja essa lua em gêmeos, ou talvez seja a lua nova; o que importa é que você tem a chave, então não fica assim olhando as coisas pelo lado de fora pela janela meio fechada; você não precisa bater, é só dar um jeitinho na fechadura sem arrebentar a tranca e empurrar a porta.

terça-feira, 13/12/2005

Significados

Tem coisas que a gente não sabe como falar porque parece que o único jeito de falar não é assim o melhor jeito de falar então melhor mesmo seria ficar quieto e não falar coisa nenhuma. Tem vezes que a gente quer ser entendida compreendida mas não consegue, e tem vezes que a gente simplesmente não sente que se foi compreendida, parece que palavras pairam no ar,
         e na verdade, palavras, sempre palavras,
         elas saem da nossa boca e de nossos dedos cheias de significado mas aos olhos e ouvidos alheios elas são palavras de dicionário, palavras com definições, nada mais que definições.

Palavras que saem da gente com tanto significado e chegam nos outros e nunca são aquilo que a gente significou com tanto cuidadinho,
         e de repente rebeldes viram tapas na cara, cuspe no olho, palavrão.

Porque às vezes me sinto tão incompreendida, quando na verdade sei que tanta gente me compreende e sabe exatamente o que é isso que estou pensando porque tantas outras pessoas também devem se sentir assim, mas não é nem isso, percebe, não é nem isso,
         é querer uma compreensão além da compreensão, é uma empatia de sentimento e de significados de palavras,
         é você sentir com as minhas palavras todas tão cheias de significados que eu tentei dar só pra fazer você entender, pra você sentir como eu, o que eu,
         é uma cumplicidade assim de olhares sem nem precisar olhar, e de sorrisos que nem se vêem, e então essa empatia que surge em você volta logo pra mim e eu sei, aí eu saberia que você me compreende além da compreensão, e sabe o que é estar no meu lugar, e como é bom ter você aqui do meu lado sorrindo pra mim.

sábado, 17/09/2005

Palavras

É que faltam as palavras, esgotadas em textos outros, poetices possíveis e desnecessárias, poetices alheias e ainda mais desnecessárias, tantos que falam tudo que eu poderia ter falado mas nunca como foi falado; mas quem sabe um dia.

Palavras lapidadas e frases trabalhadas até a exaustão por um prazer estético igualmente inútil e bobagenzinhas espirituosas, tantas coisas. Em textos outros, e documentos outros e de certa forma tão meus quanto são alheios, mas é que algumas pessoas nunca entenderiam. Essa obsessão com a verdade.

E Gene Kelly e Cole Porter e Monk e Beatles pra lavar a louça, Cortázar antes de dormir e ontem o Strambi lendo em voz alta o Happy Prince do Oscar Wilde com a entonação que se pede ("oh swallow, swallow, little swallow") e há de se estranhar alguém como o Strambi com aquele cabelo de maluco e a barbicha de hippie lendo Oscar Wilde com sotaque britânico. Coisas, sabe, coisas. A greve que acaba-não-acaba e quem sabe agora acabou. E minha irmã lá brincando com filhotes de canguru.

Mas as palavras, é. As palavas faltam, esgotadas em lugares outros com propósitos outros. Escrever, escrever.

terça-feira, 30/08/2005

Quatrocentos, dez mil

E acho que até uma certa mediocridade naqueles que só lêem, e lêem demais; aqueles que tem dez mil livros na biblioteca de casa e já leram muito mais da metade e até produziram uns ensaios críticos sobre literatura, e vem alguém me dizer que esses sim são os leitores de verdade, gente que lê um livro por dia. Mas meu Deus eu nunca seria capaz de ler um livro por dia mesmo se minha capacidade de leitura me permitisse isso, porque só ler e mesmo só produzir em cima do que se lê, isso me parece tão pouco, e o universo é tão maior, e a vida é tão pequena.

domingo, 29/05/2005

Sobre vôos e onças

always look on the bright side of life

Quero ser livre pra ser livre, pra voar sem pensar em voltar, em pra quem voltar, em por que voltar, pra onde voltar.

Não compreender ninguém, porque a compreensão é uma onça com dentes afiados, e toda vez que você coloca mais alguém na sua lista de compreendidos mais onças enormes e magras surgem ao seu redor. E ainda que uma só onça possa te atacar, já que esse é o código das onças da compreensão, uma só onça basta para acabar com você.

Não escolher entre isso ou aquilo porque a decisão lhe foi imposta, por puro capricho alheio ou mesmo inconsciente. Não, não compreender. Não acreditar, em nada, em ninguém, simplesmente porque parece que muitas vezes histórias velhas e enferrujadas tendem a se repetir. E às vezes era como se alguém já tivesse avisado sobre isso, mas você não quis saber, você não estava nem aí.

Não escolher, não compreender, não compreender, não tolerar, sem tolerância. Porque tudo isso te coloca despreparada numa situação assim, que é mais ou menos a mesma situação de quando nada disso existiu, com a diferença que nesse segundo caso you had it all coming, esperando ali em cima do muro, que é onde os gatos e os pombos ficam e são felizes.

Mas olha, não me entenda mal, porque eu sei que as pessoas têm essa mania meio feia de entender mal as coisas escritas e a falta de olhares. Nada mudou. Não tem nada de diferente. Não, não tem. Acredita em mim.

Estou aqui, pagando com minha falta de lógica e coerência toda a minha tolerância e compreensâo e escolhas e outras coisinhas também. E não, na verdade mesmo eu simplesmente não sei onde eu estou, ou onde eu deveria estar, e mesmo que eu ainda tenha uma certeza bem certa aqui comigo, ela existe independente das outras, e funciona independente das outras, e pouco se importa se o resto de mim está caindo em um buraco.

Veja, veja, olha aqui nos meus olhos.

Foda-se. Foda-se tudo isso aqui, e a compreensão e a tolerância e as escolhas. Que tudo se exploda em muitos pedacinhos. No fim, no fim da vida não sobra nada, comida de vermes, não? No fim pouco importam as suas escolhas. Os seus amigos viram comida de verme também. Antes ou depois, pouco importa. Pouco importa, tá vendo? Pouco importa, veja aqui, pouco importa aquilo que você deixou de fazer. Pouco importam os arrependimentos. Pouco importa aquilo que você não escolheu. Palavras, palavras.

Só sobram palavras.

Enquanto isso, procuro gaiolas para as onças. Alguém conhece um domador de onças?

domingo, 22/05/2005

Prólogo

Minha cabeça roda roda e roda e parece que roda sem muito rumo, sem muito propósito, sem muita noção de porque está rodando. Tudo parece preparação pra outra coisa, e não the actual thing. Não parece muito bem vida, talvez uma pré-vida. Uma espera para alguma coisa maior que vai acontecer, como se tudo isso que acontece agora fosse só um jeito de fazer o tempo passar mais rápido, como se nada disso importasse assim, de verdade. Como se a minha vida fosse começar logo logo, daqui a pouquinho, só mais um minuto, mas não agora, não, agora não é o momento. Agora é a musiquinha de espera do telefone, ou aquela falação irritante de quando você liga pro Terra ou pro Speedy e eles te deixam aguardando na linha com aquela voz fazendo propagandas. O momento do download de uma música que eu quero ouvir muito, mas tem que esperar, porque ainda tá fazendo o download. Nada me parece assim, muito estável. Em construção. Permanente estado de construção, sem previsões pra damn thing ficar pronta. Diabo. E agora? Quando é que é a minha vez? Quando é que eu vou de fato subir ali no palco e fazer o que eu tenho que fazer, quando é que a minha vida começa e, céus, se a minha vida já começou e é isso aqui mesmo, por que é que eu me sinto como se estivesse esperando, ainda. Esqueceram de me avisar? Oh, Deus, mas eu não sou assim tão boa em improvisar, por que diabos ninguém me falou nada? O que, exatamente, eu estou esperando? Por que, exatamente, eu estou esperando? Por que eu fico matando tempo ao invés de fazer alguma coisa de útil?

Tá tudo meio errado, tudo meio sem sentido, tudo rodando e indo pra... Onde? Minha cabeça é incapaz de me fazer concentrar em uma só coisa por mais de quinze minutos, porque tudo que dura mais de quinze minutos parece um exagero, uma perda de tempo, uma coisa pra se fazer daqui a pouco, quando eu estiver com cabeça pra isso. Mas essa cabeça pra isso nunca vem, nunca, nunca.

sexta-feira, 08/04/2005

Eu ganhei

Que inconstância meu Deus do céu. Norte, sul, norte, sul. Vou rumar pra Livraria da Vila, só. Amanhã, 13h. Coisa demais acontecendo e minha noção de tempo continua assim meio sem sentido, e amanhã pra mim demora tanto quando um mês inteiro. É bem assim, e vica-versa, passa rápido e nem tanto e dia 6 de junho tem que entregar o trabalho de pesquisa de sociolingüística e antes ainda o trabalho de poesia pra estudos literários.

Mas agora, só amanhã, Livraria da Vila, coisa e tal. Não gostei de me acharem gente grande e de acharem que gente grande não pode sorrir e sujar as mãos com a caneta ponta porosa (e a minha incrível habilidade em manejar uma caneta) com a ponta mole de tanto reforçar o escrito "mural dos bixos" de um jeito bem toscão.

O mundo acabou em 68 já dizia alguém que tanto estimo, mas que coisa, eu nem tinha nascido e o mundo já foi acabar?

Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?
**

Deixa, Olivia, deixa. Pensa, Livraria da Vila, quem sabe, alguma coisa. Matar é tão humano. Uma coisa publicável é uma coisa publicável, mas não é uma coisa publicada, veja bem. Mas é um começo. Pensar na minha própria vida e, sabe, foda-se. Não, não, é mais que uma questão de formatação, é que eu achei o backup antigo, justo aquele que eu achava que tinha perdido! Uau!

Vou ali assistir The naked gun. Sim, eu tenho esse filme em VHS.

quinta-feira, 24/03/2005

Micro-momentos

Porque hoje eu acordei meio cética. Hoje eu acordei há uns anos atrás. Mais ou menos entre o fim de 2001 e o começo de 2002. Eu vi que é bom me sentir assim. Assim como é bom também me sentir do jeito que me sinto hoje em dia, quando não acordo há uns anos atrás e sim no dia de hoje.

(Agora lembrei do Tiagón acusando meus textos de serem herméticos. E eu nem sabia o que diabos era isso.)

O certo mesmo seria encontrar um ponto de equilíbrio, não? It's amazing/how you make your face just like a wall/how you take your heart and turn it off. Mentira, mentira. Exageros à parte, só acordei cética e depois voltei ao normal. E o normal é assim até que um pouco cético, mas nem tanto.

domingo, 13/03/2005

Minuto

É meio assustador como a cabeça da gente às vezes pensa uma coisa que a gente mesmo não pensa. É meio assustador a linha que existe na barreira do falado e do não-falado (spoken and unspoken - o português é tão insuficiente às vezes). É meio assustador a tentação de falar as coisas que não devem nem precisam ser faladas porque foram pensadas sem que você pensasse de verdade nelas. É mais assustador ainda porque isso dura tão pouco, menos de um minuto. E é nesse minuto que as coisas todas podem desmoronar.

quarta-feira, 16/02/2005

What, like it's hard?

Algumas coisas eu acho fácil. Algumas coisas eu acho que são fáceis. Algumas coisas eu acho que devem ser fáceis, por comparação. Aí outras pessoas falam como se fosse difícil. Aí eu fico um pouco confusa.

Minha visão do mundo às vezes entra em conflito com a visão dos outros. Eu fico tentando pensar se sou só eu que penso assim diferente, se eu que sou simplista demais, ou se são os outros que são complicados demais.

quarta-feira, 02/02/2005

Vingança

Todo mundo me diz o que fazer.

Todo mundo sabe o que é melhor pra mim.

Todo mundo tem uma merda duma opinião.

Todo mundo só quer que eu acerte.

Mas ninguém quer me deixar errar. E na verdade, não me deixam nem acertar. Porque ficam o tempo todo querendo acertar por mim. Apontando a direção certa antes que eu pense nela.

Diabo, me deixem errar em paz! Às vezes eu tenho vontade de me vingar do mundo, errando e sendo feliz.

domingo, 30/01/2005

Porque até em Fortaleza eu sou chata

Eu estou reticente.

Não gosto de posts com reticências, então deixa pra lá.

Durante o dia eu me preocupo com o sol, mas à noite bate uma saudades que parece que quer explodir o peito.

Mas eu confio no tempo. Porque o tempo passa, sempre.

quinta-feira, 27/01/2005

Estado de espírito

os céticos que continuem céticos

Eu te amo tanto, que até dói. Quando a gente tem algo que é bom demais, que é bom demais até pra se acreditar, sempre dá um medo enorme de perder.

Medo bobo e infundado.

Te amo tanto, que até dói. Te amo tanto, que às vezes acho que vou explodir. Te amo tanto, que perco as palavras, e frase nenhuma é suficiente pra te fazer entender o quanto eu gosto de você. E eu escrevo, para ver se isso consegue resolver a minha quase-angústia de te fazer perceber que isso tudo não é pouca coisa. Te amo tanto, que o peito aperta de felicidade, e só o seu rosto, os seus olhos, são capazes de me acalmar. Te amo tanto, que com você eu sei que posso tudo, e com você eu sei que não preciso ter medo de nada, porque nada é tão ruim que não se resolva com um abraço seu. Não tenho medo de planos, futuro.

Não tenho medo de dizer que quero ficar com você pra sempre, porque essa é a verdade, a mais simples verdade, do jeito que eram as verdades no início de tudo quando o mundo foi criado.

domingo, 16/01/2005

Literatura

Se eu esperar para ganhar mais experiência de vida para escrever, eu acho que não vou escrever nunca. Se eu esperar conhecer com detalhes sobre tudo que quero escrever, não vou escrever nunca sobre nada. Se eu precisar conhecer a fundo todos os tipos de pessoa, suas angústias, defeitos e pensamentos mais obscuros, para criar personagens, todos os meus personagens vão desaparecer. Se eu precisar fazer parte do submundo para escrever sobre o submundo, vou começar a escrever fanfictions de Malhação. Se eu precisasse ser homem para criar personagens masculinas, eu morreria de overdose por intoxicação de idéias sem terem por onde sair. Se eu precisar sentir a violência para escrever violência eu prefiro pintar as paredes do meu quarto. Se eu precisasse de experiência em todos os assuntos sobre os quais escrevo, simplesmente não escreveria. Imagino se Tolkien visitava a Terra Média com freqüência, ou se guerreou com algum orc.

Eu nunca fui pra Keplan. Os humanos só chegaram (chegarão) em Keplan em 3099.

Sou nova demais e não quero esperar ou lamentar experiências que não tive ou que nunca terei como justificativa para escrever o que não gosto de escrever.

Um escritor já me disse que não é necessário conhecer de fato tudo sobre o que se escreve. Apenas o suficiente para satisfazer um leitor que conhece um pouco sobre o assunto. O que conhece demais vai ficar insatisfeito de qualquer jeito, afinal.

Quando eu nasci me contaram toda a história do mundo. Conforme crescia, fui esquecendo aos poucos. Por isso nada me choca. Algumas coisas podem me surpreender, mas chocar? Nada me parece um absurdo tão grande. Nada me parece tão novo e inovador que já não fosse um pouco esperado.

(Deve ser esse o motivo do meu desafeto pelos Artistas, Escritores e todos esses que fazem tanto esforço para chocar as massas com um conceito inesperado e inovador. Que fazem uso de todas as suas forças para ouvir um “oh”, sincero e ofendido.)

Conheço todos os sentimentos do mundo. Já senti todos os sentimentos do mundo, por empatia. Por empatia, eu conheço o mundo todo. Por empatia, qualquer um é capaz de conhecer o mundo todo. Não entendo tudo, mas de qualquer maneira também não me entendo por completo. Os anjos que me contaram a história do mundo me avisaram que os humanos têm umas manias estranhas e que eu ia ter algumas delas também. Também me avisaram que eu ia ter uma estrutura frágil de humano e que às vezes meu corpo ia me contradizer. Mas que eu podia me acostumar com isso, era só aceitar.

Escrevo sobre o que quero escrever. Tudo que é literatura é, afinal, apenas um punhado de mentiras bem contadas.

quinta-feira, 13/01/2005

Pseudo-esquizofrenia

daquelas que todo mundo tem (eu acho)

Preciso descobrir quantas Olivias existem.

Quer dizer, preciso descobrir quantas Olivias vivem dentro da minha cabeça. Quem sabe assim eu aprendo a controlar elas direito. Eu sei que uma delas é artista e usa boina. Tem uma outra, meio tímida, que até usa vestido. Tem uma Olivia meio histérica que grita sem motivos e tem ataques quando encostam nela. Outra que sai por aí danto pulos só porque dá vontade.

E umas outras Olivias também.

Talvez uma delas tenha acento!

Eu não me entendo.

Cara Estranho (3:25) - Los Hermanos
quarta-feira, 15/12/2004

Do it

Descobri que faço melhor as coisas quando não penso.

Resolução para 2005: pensar menos.

terça-feira, 14/12/2004

Laissez faire, laissez passer

Na verdade eu tenho muitos pensamentos que queriam um espaço no blog, mas são tantos, e são tão feios. São na verdade pensamentos pela metade, com preguiça de serem inteiros. Pois que sejam inteiros ou não vêm para o blog, meus caros. Não me atormentem, pensamentos pela metade, a não ser que com - ao menos - a intenção e força de vontade de se transformarem num pensamento inteiro.

Caso contrário será só isso que é. Duas ou três linhas em um caderninho vermelho.

Mas é que hoje o professor de História que tanto me irrita me deu uma resposta que me deixou feliz. Ele deu a resposta que eu queria ouvir, e não sei se talvez essa foi sua intenção. Pouco me importa, convenhamos. Programei minha cabeça para aceitar algumas coisas com ingenuidade, e deixem-me com isso.

Sim, a resposta que eu queria ouvir. Mas por que quando ouvimos uma opinião igual à nossa vinda de outra pessoa de repente essa nossa idéia fica mais forte e começa a se achar a última azeitona da pizza?

(Na verdade, na minha pizza, sobram comunidades inteiras de azeitonas intocadas.)

O que importa é que a resposta me deixou feliz. "Ah, melhor ainda, não volte." Poxa, e eu também gosto de ver sorrindo pessoas que nunca sorriem. Eu acho isso divertido.

Volto ao Duas Luas, que ainda termino esse livro antes de 2005.

segunda-feira, 29/11/2004

Das palavras

Não consigo entender a força das palavras porque para mim elas não são um instrumento da verdade. As palavras eu uso para mentir. Quando quero ser sincera, não são palavras que eu uso.

sexta-feira, 26/11/2004

Coisas tão pequenas

Às vezes eu sei ter as opiniões que mais me irritam. Tomar as posturas que eu mais detesto.

Às vezes eu sei ser tudo o que eu mais odeio.

O blog me obriga a transformar pensamentos em palavras. Idéias abstratas precisam se tornar orações completas, com sentido. Exercício mental.

É que a gente nunca fala na hora o que depois a gente pensa que devia ter dito. "Boa prova domingo. O que você precisa saber você já sabe. Eu confio em você."

Não acreditem em tudo que eu escrevo. Todas as certezas são mutáveis.

terça-feira, 16/11/2004

Joaninhas

joaninhas2.jpgTerça-feira com cara de segunda-feira e aulas de terça-feira mesmo, Trigonometria e Geografia, lutar pra não dormir. Joaninhas pela minha apostila, entre fórmulas de Química e questões de uma aula chata de Geografia, porque eu não pego manias, eu simplesmente as roubo.

Joaninhas roubadas.

Joaninhas, porque agora só falta duas semanas pra grande prova malvada, e elas são como borboletinhas pintadas e redonchudas (sim, redonchudas) que me deixam mais calminha.

Joaninhas, de manias que eu roubei, o sotaque que eu já tomei como meu, como se já falasse assim desde sempre. Ouvindo o mesmo CD pela milésima vez (eu já perdi a conta). Tão longe, e tão perto, tão perto.

Ouvindo Gentileza (2:47) - Marisa Monte
terça-feira, 09/11/2004

Dos numerinhos, sorrisos e derivados

Às vezes eu queria ser um pouquinho mais, um pouquinho do impossível. Às vezes eu ficava frustrada. Às vezes, eu achava que eu era muito pequena, muito pequena mesmo, assim, quase invisível.

Mas agora nada disso importa. Porque eu sou do tamanho do mundo. É tudo uma questão de ponto de vista. 2 ou 73. Nem o zero me incomoda mais. Pronto. Estou livre.

Pseudo-crises

Uma parte teimosazinha de mim às vezes cisma em criar algum tipo de crise dentro da minha cabeça. Ultimamente, por mais que essa parte procure por um motivo, não tem encontrado nenhum.

Mas eu não posso sem tragédias, pequenos dramas. Escrever. Sim, por isso que eu preciso escrever. E na verdade, não gosto de dramas na minha vida. Prefiro o drama dos outros. Manipulando minhas marionetes, enfiando elas em acidentes tramáticos e matando os amigos. Hah.

Não, não era disso que eu ia falar. Céus.

Ah, minha mente. Minha cabeça estranha, e a parte que continua escondida embaixo da mesa, porque essa parte tem medo das coisas. E ela também tem medo das coisas boas. Mas como eu disso, ultimamente nem pelas coisas boas ela encontra um motivo pra se fazer ouvida. Nem por oposição. Nada.

Essa parte está sendo ignorada, enquanto eu continuo feliz. Ela fala. Mas é ignorada. Que continue assim.

Eu preciso maltratar uns personagens. O problema é que os personagens mais maltratáveis andam se escondendo de mim. Cadê o Leonardo? Leozinhooo...?

Olivia
19:37
quarta-feira, 27/10/2004

Momento

Baixou um momento de sensatez exagerada. Coisa que antes eu chamava de abstração total de tudo e todos. Só que dessa vez não foi total.

Nem foi uma sensatez repressora, autocenrura, autocrítica. Nada. Foi quase uma paz. Felicidade de estar assim como estou. Apaixonada e agora ainda sensata e consciente. Apesar de. Apesar de!

Mesmo porque eu parei com aquela autocensura antes de dormir por coisas que eu fiz ou deixei de fazer. Acreditei de uma vez em mim mesma e larguei mão de ser tão desconfiada. Não existem motivos. Era que a parte desconfiada agia sem precisar de motivos, aí não tinha jeito. Agora eu sei controlar tudo isso.

Passei o dia ontem com dor de cabeça. Estou preocupada com coisas outras que, céus, não fosse a parte de mim que realmente sabe abstrair, já teria ficado louca. Preciso me conhecer melhor.

Imagino que a sensatez venha disso. Um mecanismo de proteção, apenas. E foi encobrir uma preocupação tão grande que as menores ficaram totalmente submersas.

terça-feira, 26/10/2004

Personagens

Estão dizendo que eu tenho traços de esquizofrenia.

Acreditar demais nos meus personagens. Deixar que eles tomem controle de certas coisas.

Às vezes, muito às vezes, eles chegam a existir de verdade.

Não, eu não vejo coisas.

Mas eles existem. Eles se desprendem de mim, por um momento, e vão dar as caras em algum lugar qualquer. Por um momento, tão curto momento, eles realmente existem. Eles deixam de ser personagens para virarem seres humanos reais, de carne e osso, respirando.

Respirando!

E é essa revelação que me assusta: o fato deles estarem respirando, por aquele momento em que se desprendem da minha mente.

Certo, então eu tenho traços de esquizofrenia. Acho que não. Veja, eu sei que são personagens. Só não tenho culpa se resolvem existir, por alguns segundos que sejam.

E é bem legal isso deles se desprenderem assim. Queria até que acontecesse com mais freqüência.

domingo, 17/10/2004

Fim de semana

Existe um sentimento que vem da alegria, mas não se contém em si mesmo. E não cabe em nenhum nome, nenhuma palavra. É um sentimento que escapa da razão quando ela se aproxima dele. É quase uma loucura.

É olhar nos olhos do outro e só enxergar certezas. Querer falar o que sente e não conseguir. Todas as palavras são fracas, são poucas.

É quase uma loucura.

Mas palavras, palavras. Palavras são insuficientes. E desnecessárias.

sexta-feira, 15/10/2004

Borboleta preta

Estranho.

O tempo passa, as coisas se rearranjam, mas parece que algumas delas insistem em ficar fora do lugar. Ocupando espaço demais. Uma borboleta preta que entra pela janela.

Um conversa curta, meia dúzia de palavras. E incomoda. Algumas coisas parecem que vão incomodar pra sempre, pro resto da vida; não tem jeito.

A gente tenta fingir que não se importa, que tá tudo bem. Mas magoar os outros é sempre uma coisa meio ruim. É sempre meio difícil de aceitar essa idéia. É um peso nas costas, uma sombra andando atrás de você. Olha, você tá vivendo a sua vida sem se meter na vida de ninguém, mas tem gente magoada, e a culpa é sua. Seria mais fácil não se importar. Cada um com a sua vida, oras, e eu com isso?

Mas é a borboleta preta, que entra pela janela e dá umas voltas, como quem não quer nada.

E de quem é a culpa?

De ninguém. O pior de tudo é que a culpa não é de ninguém.

O momento ainda não é certo. O tempo também precisa de tempo, como dizem por aí. Eu já entendi que algumas coisas a vida conserta, outras ela estraga. E algumas coisas não têm volta.

É péssimo saber que eu posso estar fazendo tanto mal a alguém. E ainda estando assim, tão feliz como eu estou. Mas se eu não posso fazer nada, eu não posso fazer nada. Não vai ser ficando mal também que as coisas vão mudar.

O tempo, o tempo...

No mais, eu não poderia estar mais feliz. A contradição incomoda. Mas não vai mudar o meu estado de espírito. Só mais 3 horas.

Ouvindo Round & Round (3:18) - Bob Schneider
sexta-feira, 08/10/2004

Dele

Gosto dele com seus defeitos. Com o mau-humor e a vontade de pintar uma Blazer de preto, branco, vermelho e cinza, e encher de bala. Quem sabe ele não me deixa atirar um pouquinho também.

Gosto dele quando diz que a minha voz alegra um dia seguinte de 24h de plantão, mesmo sem entender o porquê. Gosto dele quando tolera meus comentários desnecessários sobre assuntos desagradáveis, e depois esquece e não se fala mais nisso.

Gosto dele apesar de 400km de distância, e cinco horas de ônibus, e plantões inconvenientes em feriados que eu estou à toa porque ele arruma encrenca com aquele delegado frustrado com nome esquisito.

Gosto daquele sorriso tímido de aparelho nos dentes, o olhar bobo de apaixonado e de quando olha feio pra atendente mal-humorada da videolocadora. Gosto da variação de personalidades, e das personalidades malvadas que eu nunca vi, mas morro de vontade de conhecer.

Gosto da sua sinceridade. Da sua loucura, tão parecida com a minha, e tão dele, só dele. Gosto dele quando abraça as minhas loucuras e não me olha torto quando falo coisas que não fazem sentido nenhum. Gosto dele quando discursa sobre política e sociedade, e depois esquece por que afinal começou a discursar sobre aquilo.

Gosto dele dormindo, sempre com a cabeça enfiada debaixo do lençol ou do travesseiro, como se protegesse de algum tipo de ataque noturno. Gosto das piadinhas bobas, sem graça, e mesmo as mais machistas, e como ele até fica com um pouco de medo que elas me ofendam.

Gosto de andar ao lado dele, e dos nossos passos sincronizados, dedos entrelaçados, apesar do calor insuportável que deixa as mãos suadas.

Gosto de conversar com ele, conversas intermináveis, duas, três ou sete horas que passaram e a gente nem percebeu, o dia já terminou e parece que acabou de começar. De onde se tira tanto assunto? Gosto dele por me entender, e às vezes entender mais do que eu mesma seria capaz de entender sozinha. Gosto dele quando coloca em palavras minhas idéias confusas e sem nexo, como se estivesse passeando dentro da minha cabeça.

Gosto dele com seus planos e sonhos, e como ele me coloca no meio deles também, e deixa eu colocar ele no meio dos meus. Gosto dele com o ciúmes e a chantagem emocional, que é um jeito de me lembrar que gosta de mim, e de se lembrar por seus meios o quanto eu gosto dele. A insegurança comedida, toda a segurança que eu preciso.

Gosto dele com seus medos, e defeitos que ele acha que esconde de mim. Gosto do que eu vejo e do que não vejo, do que eu sei e do que ainda pretendo descobrir.

Gosto dele por ser tão infinito.

Gosto dele às 6 da manhã, quando me diz bom dia via mensagem de celular.

Gosto dele mesmo quando não entendo o que se passa na sua cabeça.

Gosto dele, gosto demais. E talvez eu saiba dizer como, mas não os porquês. Pouco importa. Tem coisas que não se explicam. Mas por isso digo que amo. Por isso sei que amo. Talvez. Talvez seja por isso.

segunda-feira, 27/09/2004

De volta, sempre voltando

Uma viagem de cinco horas é longa e eu não sei dormir por mais de dez minutos em um ônibus com ar condicionado gelado. Mas quando o ônibus pára no ponto da fábrica de refrigerante e eu finalmente desço, o Roger me pergunta como foi a viagem e eu já nem me lembro mais.

Incrível é essa coisa do tempo não parar de passar nunca, mesmo quando parece que não passa, e mesmo quando você faria qualquer coisa para que ele ficasse parado.

Daí a grande frustração humana.

E depois, dor de garganta e enxaqueca, dois Tylenol, um comprimido de vitamina C, três de Neosaldina e duas pastilhas pra garganta, nada de computador e um pouco de História do Brasil pra passar a segunda-feira sem ele. Maldito seja o ar condicionado do ônibus.

Antes sobrevivi 15 dias, agora mais 17, ou 18, não sei. Parece que o tempo entre a gente se estica cada vez mais, pra testar limites. Mas de limites a gente entende, pode apostar. Se quiser jogar um mês inteiro pra cima de mim, eu agüento. Enlouqueço um pouquinho, mas depois passa e eu esqueço, como esqueço de uma viagem interminável de cinco horas.

Mesmo porquê, o tempo vai continuar passando.

segunda-feira, 13/09/2004

Pseudo-louca declarada

Descobri de onde vem a minha loucura. Descobri por que sempre tive essa sensação de que eu era um pouco louca. Sim, sim, tudo faz um pouco mais de sentido agora.

Ainda caio e quebro a cara por causa disso. Aliás, já devo ter caído várias vezes. Mas a idéia está principalmente relacionada com a incapacidade de aprender por condicionamento. Claro, racionalmente não há nada que não possa ser driblado, mas meu botãozinho laranja funciona às vezes bem demais.

As pessoas às vezes me parecem tão preocupadas de tudo. E o mundo continua rodando, sempre.

Vento Noroeste

Mudei tanto, tanto, em tão pouco tempo.

Aconteceu uma revolução dentro de mim. As minorias se manifestaram, e sentimentos resolveram que tinham o direito de rebelião. Idéias ajeitaram-se de ponta-cabeça e decidiram que daquele jeito era mais confortável. Meu mundo virou.

Pensamentos mal-formados concluíram-se. Pseudo-opiniões bateram o pé para serem ouvidas. E foram. Foram todos ouvidos. Um novo Estado foi estabelecido.

E eu aqui. Aqui e ali, em janela alheia. Mudei tanto, em tão pouco tempo.

E acho que nunca fui mais feliz.

Ódio, ódio

Aos rapazes e meninas mais afortunadas desse mundo:

Imagina que você teve o pior dia da sua vida. Logo de manhã você acordou e enfiou a canela no banquinho da cozinha, que algum idiota mudou de lugar. O cachorro fez xixi no tapete. O ônibus atrasou. O mundo acordou pra te fazer infeliz. Nada dá certo, nada deu certo, você só se ferrou o dia inteiro.

Sim, e ao final desse dia, imagine o seu humor. Se alguém encostar em você:
a) Chora
b) Grita
c) Manda tomar no cu
d) Tem uma crise nervosa

Claro.

Agora imagina que o dia acordou bonito, e os passarinhos estão cantando. Ainda assim, você acordou naquele mesmo humor que você alcançaria num dia tão horrível como o que eu descrevi.

Sim, você acordou de TPM.

Pelo menos só dura dois dias, comigo, normalmente. E pelo menos não é assim, todo todo mês. Só alguns.

Ah, saudade aperta. Nesse estado de espírito, pode sufocar. Saudade sufoca. Mas já passou, des-sufoquei. Sou quase uma pessoa sensata agora.

Depois que eu matar o idiota que tá ouvindo música alta com um baixo desgraçado que treme a janela aqui na frente de casa a gente conversa sobre isso. Sim, sim.

sexta-feira, 10/09/2004

A origem de todos os traumas

se.qüe.la
   [Do lat. sequela.]
S. f.
       1. Ato de seguir.
       2. Seguimento, seqüência, continuação.
       3. Resultado, conseqüência.
       4. Súcia, matula, bando.
       5. Série de coisas: &
       6. Jur. Direito de seguir a coisa e subtraí-la do poder de quem quer que a detenha ou possua.
      7. Med. Qualquer lesão anatômica ou funcional que permaneça depois de encerrada a evolução clínica de uma doença, inclusive de um traumatismo.

Tudo na vida deixa seqüelas.

Elas estão lá, mesmo quando você não quer vê-las. Mesmo quando você vê e não dá a menor bola. E o problema dessas tais seqüelas é que elas duram pra sempre.

sexta-feira, 27/08/2004

Viramundo

mais um momento disléxico

Queria dizer tanto, gritar tão alto. Falar da aula de Literatura de hoje, falar de emails que mandei e recebi, falar das mudanças que vêm e me deixam um pouco tonta no começo. Falar de como de repente eu me sinto bem, tão bem, capaz de passar um dia inteiro estudando toda a Física que eu não estudei ontem.

Meu mundo tá virado, completamente virado. Mas eu estou gostando dele assim.

Escrevo melhor do que falo porque posso escrever e apagar e ler e reler até ficar satisfeita, até conseguir passar o que eu realmente estou pensando. Você estava certo mais uma vez.

Ou talvez eu tenha algum tipo de dislexia.

Nunca se sabe.

Deixa eu, deixa eu aqui.

Olivia
15:10
quinta-feira, 26/08/2004

Invisível

O coração acelerado, e vários sentimentos ao mesmo tempo. Uma saudade que tenta virar ódio de um jeito tão besta e tão sem sucesso. Uma vontade infundada de quebrar tudo e todos, frustrada por ser tão invisível. Vontade de ser alguém o tempo todo todo ou então desaparecer por completo, sem meio termo. Atitudes loucas que querem se manifestar com uma violência sangrenta, mas caladas pela inevitabilidade da falta de repercursão, por serem tão escondidas. Como um mundo novo num lugar inabitado, com explosões tão coloridas e desconhecidas, inassistidas. Inexistente. Tão inexistente. O ódio some no vácuo que preenche os pensamentos confusos, se dispersando entre outros sentimentos sem nome, inomináveis. Fica um resto teimoso de alguma coisa-ódio-saudade-paixão, o coração ainda acelerado demais - era labirintite?, aquela tontura... - e a razão querendo botar ordem no caos e escolher um sentimento só, um só por vez. Mas não. Não consegue. E o ódio que ressurge vem racionalizado, ligado à incapacidade de racionalizar.

Um ódio tão invisível, frustrado. Tantos sentimentos invisíveis, contidos.

Eu, forte?

Aí, mais tarde, me pego pensando nele e quando dou por mim, estou sorrindo sozinha no ônibus.

Não se entende, não se explica. A distância me faz mal, mas estou tão tão feliz. Uma felicidade invisível que às vezes consegue me irritar. Mas não vai embora, de jeito nenhum.

Olivia
15:26
domingo, 22/08/2004

E o celular ficou (quase) um dia inteiro sem apitar

De repente é domingo e é de noite, e já passam das dez. Céus. O mundo não tinha parado? Até alguns minutos atrás era sábado às 4 da tarde.

Mas não tenho mais dúvidas. Ainda tenho medo do que eu sou capaz de fazer. Vocês nem imaginam. Porque afinal, o que são 400km, 5 horas e meia, 10 pedágios e uma criança incapaz de calar a boca (aliás, duas)?

Eu tinha medo de tanta coisa.

E eu sei muito bem o perigo que eu corro. Eu sei e acho que vou até parar de fugir, porque acabaram os motivos. Estão acabando, todos os motivos pra fugir. O dia em que você me alcançar, eu vou estar com um sorriso no rosto, esperando você, e provavelmente vou reclamar que demorou pra chegar.

(Porque eu reclamo sempre.)

Todo mundo devia se sentir assim como eu tô me sentindo. Todo mundo devia ter acessos de loucura (não precisa ser um maluco assumido pra isso) e fazer o tempo parar e o mundo desaparecer, just for the helluvit.

Não gosto de planos porque planos demoram sempre pra acontecer. E é por isso que eu decido e faço, assim, pá, pá, se ninguém me segurar eu vou. Já me seguraram por tempo demais, agora eu sou uma pessoa feliz.

Mas, oh céus, eu juro que não queria ficar falando assim, em códigos. Eu juro que queria fazer todo mundo entender, direitinho, o que é e o que foi e o que vai ser e tudo tudo mais. Juro.

Ah, mas não é óbvio?

Olivia
22:36
quinta-feira, 19/08/2004

Tempo, tempo

O tempo é rebelde demais. O tempo nunca passa quando precisa passar. Nas aulas de ótica um minuto vale 3. Os dias agora duram horas demais. Quando eu achava o dia curto, ele passava e acabava e quando eu percebia já era a outra semana. Mas agora, agora!

Diabo, nunca pensei que eu fosse querer tanto que chegasse logo a data do primeiro simulado.

Duas semanas. Tic.

Tac.

De qualquer forma, eu aprendo rápido a lidar com o tempo rebelde, e com distâncias maiores, porque tem coisas que valem a pena mesmo quando não fazem muito sentido.

Acho que vou explodir. Igual àqueles Lemmings (que eu jogava no meu Macintosh Performa 750, System 7.5 de 1900 a.C), que colocavam as mãozinhas em cima da cabeça, sacudiam um pouco e puf! explodiam. Meu, eu odiava aquele joguinho maldito, mas jogava mesmo assim. Depois ficava meio tonta e com dor de cabeça e não sabia por quê.

E depois, depois, eu quero ver onça.

Olivia
15:35
sexta-feira, 13/08/2004

Medos e covardias

Eu só queria saber o que aconteceu, e principalmente o que acontece agora. Eu queria saber o que acontece agora, mas não tenho coragem de dizer o que eu queria que acontecesse. E não tenho coragem de perguntar, e talvez ninguém saiba me dar a resposta.

Quer dizer, eu quero. Eu quero. Mania que a gente tem de usar esses verbos desse jeito como se não quisesse mais.

Tô me sentindo meio covarde. Covardia ou medo. Que diferença faz? Qual, qual a diferença entre medo e covardia? Ou não tem diferença nenhuma? Eu queria poder dizer que não sou covarde, só um pouco medrosa.

No dicionário, parece que um é sinônimo do outro. Mas que merda.


covardia
[De covarde + -ia1.]
S. f.
1. Falta de coragem; medo, timidez, poltronice.
2. Fraqueza de ânimo; pusilanimidade.
3. Ânimo traiçoeiro. [F. paral.: cobardia; sin. ger.: covardice. ]

medo
(ê). [Do lat. metu.]
S. m.
1. Sentimento de grande inquietação ante a noção de um perigo real ou imaginário, de uma ameaça; susto, pavor, temor, terror.
2. Dúvida acompanhada de temor;
3. Apreensão quanto a possível dano, perigo ou malogro; medo, temor:

Tá, deve ter alguma diferença. Hoje não estou no melhor dos espíritos pra perceber as entrelinhas do Aurélio.

Mas Olivia, olha, vai estudar, pára de ficar procurando palavra no dicionário. As matérias agora fazem muito mais sentido, acho que eu fiquei mais inteligente, um pouco. Matemática, fatoração, trigonometria, nem tanto. Bom, trigonometria e análise sintática são duas matérias que eu nunca entendi, mas nunca entendi porque eu não entendia, porque na verdade elas são tão simples! Coisa de 5ª, 7ª série, como a professora de matemática do 1º ano sempre fazia questão de lembrar. Ah, diabo.

E o que eu estava dizendo mesmo? Já vou estudar, calma, calma.

Eu sei pegar as palavras quando elas já estão em formas de palavras e brincar com elas e até, quem sabe, fazer elas terem um tanto de sentido. Mas pegar o que não é palavra e transformar em palavra, oh céus, que horror. Tem gente que faz isso melhor que eu.

Mas eu quero saber, mesmo assim. Quero saber e vou acabar não perguntando, engolindo e sufocando, porque eu sou mesmo muito incompetente demais. O que eu quero, o que eu quero, ah, até queria dizer. Queria, queria. (Quantas palavras repetidas, tô começando a ficar um pouco tonta.)

O que, o quê? Ninguém me disse, acho que imaginaram que eu já sabia. Diabo. Ou esqueceram de me contar.

Ei, ei, olha bem pra mim e diz o que diabos vai acontecer agora. O que eu faço agora?

De covarde e medrosa, já basta eu. Não falo nem metade do que penso. Mas pra bom entendedor, meia palavra basta, como já diziam por aí muito antes de eu nascer.

Olivia
16:56
quinta-feira, 12/08/2004

Desconstrução

A gente trabalha tanto construindo o muro, usando tijolo bom e cimento do melhor tipo, pra depois aparecer alguém um pouco mais esperto e pular por cima na parte em que ele é mais baixo, sem se importar com o fato de que a queda é um pouco maior do lado de dentro.

Aí ainda vai embora pela porta da frente, como se isso fosse a coisa mais normal do mundo.

Olivia
17:42

Respirar


É que quando a vida fica sem muito sentido, me baixa a resistência e me deixa gripada, com dor de garganta e o escambau. Não fui na aula hoje e fiquei na cama até as quatro da tarde, e já estou pensando em voltar pra lá, embaixo das minhas cobertas com o meu celular que parou de apitar de cinco em cinco minutos, odiar um pouquinho.

Não que eu queira me matar, na verdade eu já passei dessa fase. Adolescente que se mata, porque adolescente é burro, como disse o professor maluco de História do Brasil. E por mais que eu ainda tenha 19, eu acho que sou ora menininha ora mocinha crescida (e nem eu sei quando é uma e quando é outra que está no comando) e minha fase de ora adolescente ora coisa nenhuma já passou, de quando eu tinha uns 16 anos.

Então me resta odiar, já que é o que eu sei fazer.

Grunf.

Olivia
17:40
terça-feira, 29/06/2004

Nada

- No meu sonho...

Às vezes a racionalização a impedia de falar as coisas. Mentiras, mentiras, que importava? Era mais fácil falar as mentiras que já haviam sido aprovadas pela senhora Razão. Isto, aquilo, falar a verdade sempre parecia machucar as pessoas um pouquinho demais. E agora ela pensava "Vale a pena? Será que vale a pena?", pra machucar daquela vez, talvez uma última vez? E a língua se enrolava em palavras fáceis.

- No meu sonho, tudo era tão diferente.

Ah, sim, uma generalização, assim, era só pra finalizar a frase e despendurá-la da janela antes que caísse no chão.

Os olhos dele ainda a fitavam.

Mas ela calou-se. Sacudiu a cabeça e riu de si mesma, e quando ele insistiu - ele sempre insistia - ela ofereceu-lhe um sorriso melancólico que fazia seus olhos ficarem com o formato de meias-luas invertidas.

- Nada. Não é nada.

E era tudo.

Tudo tão diferente.

Olivia
11:18
terça-feira, 15/06/2004

O mundo...

Minha cabeça se encheu de pensamentos importantes que eu não consigo processar. De assistir Dogville e ler Darkness Take my Hand, tem algum pensamento que quer se fazer grande crescendo na minha cabeça, mas eu não consigo entender exatamente o que ele quer dizer.

Ainda não terminei o livro do Lehane, mas a coisa tá ficando boa. Eu estava achando meio chato, mas agora estou achando melhor que o primeiro do Patrick Kenzie (A Drink Before the War). De repente todas as informações aparentemente inúteis que tinham sido jogadas pela história começaram a fazer sentido. Wee.

Dogville é sensacional (pra usar um adjetivo que não quer dizer absolutamente nada, mas faz parecer que é bom demais acima do normal). Só não gostei do fato da câmera não parar em nenhum momento, porque eu fiquei um pouco tonta. Pior que a Bruxa de Blair, eu digo, que eu nem vi nem vou ver, mas enfim. Eles bem que podiam ter dado uma trégua com a câmera uma vez ou outra, só pra gente conseguir focar o olhar em algum lugar. Mas enfim, vou parar de reclamar, porque no final eu gostei do filme. Aliás, o melhor é o final. Eu tenho a sensação que eu não deveria ter gostado tanto do final, mas o que eu vou fazer?

E, hm, sei lá. O mundo é um lugar estranho. Ou, como diz aquela música do Pato Fu: O mundo é/Um grande pão com manteiga café e com leite/Nunca mais/Nunca mesmo sobre qualquer assunto/Obtemperarei/Assim espero.

Ouvindo Gol de Quem? (02:45) - Pato Fu
Olivia
13:06
sexta-feira, 19/03/2004

Limite

Eu tenho um limite. Tenho um limite pra tudo, assim como qualquer outra pessoa, mas principalmente, tenho um limite pra lidar com as pessoas. Eu tenho um limite pra contato humano. Eu não gosto de contato humano. Eu me irrito - comigo mesma! - se eu ultrapasso esse limite de contato com gente. E não é nem que eu fico irritada com as pessoas, ou pessoa, mas sim comigo, por me deixar ultrapassar o limite. E claro, certos indivíduoes tornam esse meu limite um pouco mais próximo, algumas pessoas deixam a minha tolerância um pouco mais curta.

E olha, não são muitos. Eu ficava achando que eu era contraditória, eu não entendia eu mesma. Não me entendia. Achava que não fazia sentido eu gostar de ter amigos, e ao mesmo tempo me irritar tanto com as pessoas. Mas o bom de ter amigos - no meu caso, pelo menos, uma vez que eu nunca tive um melhor amigo ou nada assim - é que amigo é uma coisa assim, pra se divertir. Amigo não é responsabilidade. Amigo não é um peso nas suas costas. Antes eu achava ruim nunca ter tido um melhor amigo, antes eu me sentia mal. Devia ser alguma coisa que havia de errado comigo. E é. Claro que é. Eu sou egoísta. Eu gosto de ficar sozinha. Eu gosto de ser sozinha. Eu gosto de fazer o que eu quiser, a hora que eu quiser, e não fazer nada a hora que eu não quiser fazer nada. Claro, na vida, a gente tem que fazer uns sacrifícios. Mas eu tenho o meu limite de sacrifícios. E o meu limite de sacrifícios talvez seja um pouco mais próximo do que o limite dos outros.

Eu quero ser só eu. Não quero ninguém dependendo de mim, porque ninguém pode contar comigo pra nada. Eu não sei manter a minha palavra. Eu canso das coisas. Eu sou muito distraída, eu tenho uma memória fraca e atenção dispersa. Eu abstraio demais. Eu abstraio tanto que acabo me abstraindo do mundo. Eu não gosto de ver jornal. Eu não gosto de discutir política. Foda-se tudo isso, porque eu não consigo me importar.

Às vezes eu tenho vontade de me morder. E eu quero poder me morder e bater a cabeça na parede sem ninguém se importando se isso me faz mal ou bem. Eu não quero ninguém fazendo coisas 'pro meu bem'. Foda-se isso também. Eu não sou retardada e tenho plena consciência das minhas ações. Às vezes eu preciso me machucar, pra sentir que eu tô viva. Ou talvez - porque eu nem tenho tanta certeza - seja que nem aquela música do Pato Fu:

Não é tão ruim assim/Não é de todo mau/Quando me corto sem querer/É bom pra me lembrar/Que todo esses sangue/Que vejo por aí/Está por aqui também

Talvez, talvez, eu não sei. Eu sou assim, mas eu quero poder ser quem eu sou e nada nada nada mais. Eu não quero ninguém dependendo de mim, quero depender só da minha mãe e de mais ninguém. Eu não preciso disso.

Eu cansei. Cansei de ter que sorrir e de ter que explicar as coisas e cansei de falar e falar e falar. Eu tenho um limite, e eu sou egoísta pra caralho, e eu só quero ser eu. E eu quero o meu espaço, e quero ter os meus amigos, pra ir no cinema e dar risada e falar mal de pessoas estranhas. Não quero dividir os meus problemas com ninguém, não quero solução pros meus problemas, nem quero ser a solução pros problemas dos outros.

Chega, chega. Eu sei ouvir, eu posso ouvir, eu posso ajudar. Eu ofereço sorrisos e companhia, e gracinhas pra quem quiser, muitos abraços e o escambau. Ofereço com todo o prazer, e como eu digo pros meus amigos que podem me ligar no meio da madrugada, porque eu realmente não me importo. Mas não quero compromissos. Quem vai viver a minha vida, agora e depois e pra sempre, vai ser eu.

Só eu.

Olivia
23:28
quinta-feira, 11/03/2004

Parachutes

Coldplay

In a haze, a stormy haze, I'll be round, I'll be loving you always, always, Here I am and I'll take my time, Here I am and I'll wait in line always, always.
Olivia
20:27
segunda-feira, 09/06/2003

Woo

Eu aqui mais uma vez. Hm... Coisas novas:

- Me transformei numa elfa de novo.
- Fiz um treco bizarro no olho da elfa que eu me transformei.
- A Chris passa mal (hm, não, essa não é nova).
- Foi um fim de semana bizarro.
- Eu fiz o layout da Chris com uma mina apontando uma arma, mó do mal.

Heh. Ontem, ontem... Ontem eu passei o dia em casa sem fazer nada. Por isso que eu me fiz elfa de novo. Isso se faz quando não se tem o que fazer. Ainda vou finalizar aquela imagem de um jeito mais legal. Aí de noitão eu falei com o Pedro e a Chris no tefone, e fiquei com a Chris no telefone até umas duas da manhã. Aí eu capotei na minha cama depois.

E hoje (domingo) eu passei o dia com a Chris na casa dela ouvindo música, falando dos outros e vendo foto. Hehe. Hm. Pobre bichinho... Como eu tinha falado pra ela, tenho uma coisa a dizer:

- Ela cortando morango e suspiro é pior que o Pedro passando manteiga no pão. (querendo dizer, voce tem vontade de arrancar a faca da mão e fazer voce haha)

Mas sei lá, com o Pedro, foi um fim de semana meio bizarro. Mas acho que a gente tá bem agora. Espero que sim. A vida é uma coisa complicada. E ao mesmo tempo que desistir de tudo parece tão fácil, a gente é idiota e continua levando tudo pra ver no que vai dar. Sempre, sempre... Ser humano é bicho teimoso. Como é que faz quando parece que tem algum tipo de coisa contra voce? E desde quando existe esse tipo de coisa, meu? Parece até piada.

Eu não consigo entender umas pessoas. Tem certas coisas que eu vejo de um jeito tão simples, e as vezes eu nao sei se é assim porque eu to vendo de fora mesmo, ou se são os outros que exageram. Mas ao mesmo tempo, eu vejo de fora mesmo as coisas que tão acontecendo comigo. Mesmo que eu nao aja como se eu tivesse muito tempo pra analisar tudo, eu sei que se eu quiser eu vou e analiso.

Sim, sim. A mesma conclusão de sempre. Eu penso demais. Eu penso pelos outros. Eu não conheço todo mundo, mas tantas vezes que eu tenho a sensação que eu conheço. Parece que ser humano é tudo igual, tudo tão previsível... Sei lá... Acho que chega um ponto que depois de escrever tanto sobre motivações e ações, voce acaba conhecendo as pessoas num geral, mesmo que as coisas tenham saído tudo da sua cabeça. Como eu li no livrinho que minha vó me emprestou sobre como escrever roteiros... Todo escritor tem um pouco de psicólogo. E de filósofo tambem, eu completo. Tem que sair analisando vida dos outros, de uma forma ou de outra.

E no final das contas, as pessoas ficam mais claras. As coisas ficam mais claras. Tudo sai tão simples numa folha de papel. Angústia... Hah. Angústia é o pior de todos. E o que cega. Angústia cega qualquer um. Mas as vezes, eu tenho a impressao que mesmo com ela tudo nao é tão complicado assim. A vida é complicada. Complicada porque devia ser mais simples. Devia, porque na verdade é, mas as pessoas não percebem isso.

As pessoas... As pessoas não percebem muita coisa. Ser uma pessoa sensata as vezes até me cansa. Não gosto de ser sensata. Mas sei lá, eu sou. Doida doida. Mas sensata. Pegar e se por no lugar dos outros. Acho que é por isso que eu sou meio doida. Pego dos outros. Pego dos meus personagens... Heh. Eles me mantém sã, essa que é a verdade.

Sei lá, perdi o rumo do que eu tava falando.

O Pedro. Ah, sim, o Pedro. Eu gosto muito dele. As coisas vão funcionar dessa vez.

Aliás, mudando de assunto de um jeito extremamente drástico e bizarro, eu descobri que ficar traduzindo música é uma coisa mó divertida hahaha. E eu vou fazer isso agora mesmo. Tchau.

Olivia
01:05
sexta-feira, 10/01/2003

Hm.

Dormir.

Dormir e sonhar que eu não vou acordar nunca mais...

"All your dreams are made
When you're chained to the mirror and the razor blade ..."
- Oasis, What's the Story (Morning Glory)

Back from hell. Acho. Não sei, as vezes as coisas quando parecem tão bem de repente voltam a ficar esquisitas com um minimo movimento. Watch your step! Ahh! Que bosta.

Eu assisti 007. Wooo... Nada de mais, muito barulho, explosões, tiroteios, perseguições. Cumpre o que promete como um filme do James Bond, oras bolas. Eu já sabia o que esperar.

Quem abriu a janela pra entrar mosquito e me picar? (...)

Pronto, fechei.

A chuva passou, mas eu ainda tenho que lidar com os estragos que ela causou. E isso pode levar um bom tempo, talvez seis meses até. Ou mesmo mais. Não, as coisas não mudam com o ano novo. Só um bando de idiota explode uns fogos, fazem barulho e promessas. Mas a vida que você tem é uma só e ela continua a mesma. Com o ano novo, com o mês novo, com o dia novo. Não é tudo a mesma coisa?

"Can you imagine no love, pride, deep-fried chicken
Your best friend always sticking up for you
even when I know you're wrong
Can you imagine no first dance, freeze dried romance, five hour phone conversation
The best soy latte that you ever had . . . and me"
- Train, Drops of Jupiter

Olivia
11:25
quinta-feira, 09/01/2003

Será que se eu tivesse coragem eu ia me suicidar?

Porque é fato, apesar de eu querer muito ter toda minha vida pela frente, as vezes não dá vontade, nem um pouco de vontade, de passar por algumas coisas. E afinal, se eu me suicidar, não tem como eu me arrepender. Parece tão simples...

Suícidio não é iniciativa exagerada. Não me parece que se precisa de uma grande razão, ou que o mundo tenha virado totalmente as costas pra você, ou que tudo tenha dado errado e nada tem sequer chances de dar certo. Parece coisa mais simples que isso. Afinal, se você desiste de viver, não vai precisar sequer em se arrepender, porque voce morreu, não existe mais, puff. Tão simples...

É uma desistencia, e nao da vida, mas sim de um momento da vida. Porque eu sei que depois as coisas se ajeitam de um modo ou de outro, isso pra mim é fato. Mas e se eu não quiser percorrer esse caminho que vai levar e passar o tempo que vai demorar, e mesmo que um segundo, até que as coisas se ajeitem? E se eu simplesmente não quiser? E se a dor for tanta que você sequer quer alcalnçar esse momento onde tudo vai voltar ao normal, e até talvez ficar melhor? Afinal, se vai dar tanto trabalho, não é mais facil simplesmente desistir? Que é facil é, e sei que não é o correto. Sim, sei, já pensei muito sobre isso.

Existir cansa. Cansa, eu sei que cansa. As coisas sempre vão estar ruins, não importa o quão bem esteja sua vida. O sentimento que prevalece no fundo da sua cabeça é o que existir não vale a pena. A relação lucro/perdas não tá valendo a pena. Nunca vai valer. Porque cada vez mais voce tem que passar por algo pior pra chegar em algo bom. E cada vez mais esse algo bom fica menos bom. No final, tudo que voce teve de bom nao vai servir pra nada de qualquer forma. Voce vai morrer no final de qualquer jeito. Voce vai deixar de existir de qualquer jeito, cedo ou tarde, e se voce viveu muito ou pouco simplesmente não vai fazer diferença nenhuma.

Cansa ter que passar pelas coisas ruins para depois nao ter a certeza que vai vir alguma coisa boa.

E eu sei, assim como passou o final de 3o ano, assim como passou o meu segundo ano que foi infernal, sei que tudo que é ruim acaba. Depois de qualquer chuva, seja como ela for, mesmo que o sol não saia, pelo menos voce nao está mais se molhando. Sei, sim, sei. Mas e se voce nao quiser mais passar pela chuva? E se voce nao aguentar mais essa chuva, que assim como o sol, é inevitavel? E se eu simplesmente nao aguentar mais me molhar nessa porra de vida?

Faço o que? Cruzo os braços e deixo passar? E se a chuva começar a estragar alguma coisa com a qual eu me importo? E se essa chuva começa a provocar danos ao resto das coisas? (O que, convenhamos, é o que sempre acontece). Cruzo ou braços? E se nao for possivel? Porque eu tenho que ficar na chuva e ainda ficar tentando ajeitar as coisas?!! Essa bosta nao vai passar de qualquer jeito?!! Porque entao eu nao simplesmente desisto de ter que aguentar tudo isso?!!

Passa, eu sei que passa. Hoje de noite, amanha, daqui uma semana. Pra sempre não dura. Mas eu cansei. Queria ter coragem de me matar. Queria ter um metodo eficiente ao meu alcance. Queria dizer: "FODA-SE! Pelo menos essa saída eu tenho o direito de ter." Eu não digo porque não tenho coragem, e talvez até tenha, mas não tenho nenhum jeito pratico e eficiente que me mate sem que eu precise pensar muito. Simplesmente deixe de existir. Sumir, mas nao ir pra lugar nenhum. Afinal, de que adianta sumir se a sua cabeça é a mesma e nao vai te deixar esquecer que ainda tá chovendo e tem coisa sendo destruida pela chuva?

Sumir, e desaparecer até pra mim mesma, e nao ir pra lugar nenhum, e nao existir mais corpo, nem memoria, nem mente, nem nada. Sem me preocupar com quem ficou, porque se eu nao existo, nao posso sequer querer pensar em qualquer coisa. Eu não seria. Simples assim. Não existo, logo não penso.

De que adianta tantos mundos, tantos universos, tantos personagens e historias, se eu estou sozinha de qualquer jeito? De que serve tudo isso se as coisas continuam como estao?

Eu quero morrer. Quero deixar de estar. Ser ainda nao é o problema, mas não se é sem estar. Entao o jeito é não ser. Quero deixar de existir, não existir mais uma Olivia. É o que eu quero. Eu cansei. Cansei mesmo. E mesmo porque quando essa chuva passa depois de um tempo vai vir outra, e eu nunca vou poder ficar em paz. "Desculpa, vida errada. Aperte ESC para sair." Se esse botão tivesse ao meu alcance, eu apertaria, por depois não teria mais como me arrepender. Que diferença iria fazer, afinal?

Olivia
19:14
 

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