quarta-feira, 01/08/2007

e capítulo novo

eu juro que vou colocar um troço na barra lateral com link para os últimos capítulos do meu folhetim policial, mas enquanto isso, sinto uma necessidade incontrolável de ficar perturbando por aqui.

pois.

saiu o capítulo dois! leiam, leiam! comentem!

e enquanto isso estou tentando descobrir que diabos aconteceu com o feed, porque estão aparecendo posts (antigos e marcados como lidos) de um outro blog que nada tem a ver comigo ou com o meu folhetim. a única coisa é que o cara que escrevia se chamava Gil. deve ser curto-circuito no feedburner, capaz de voltar ao normal sozinho. até lá, ignorem.

mas o quê?, ainda não assinou o feed? assine!

quarta-feira, 25/07/2007

começou

No ar o primeiro capítulo do meu romance policial folhetinesco.

Leiam, leiam. Assinem o feed para acompanhar. E comentem. Comentar é legal.

E adianto aqui o que depois vou avisar por lá, que a coisa vai ser assim: toda vez que eu postar capítulo novo eu vou atualizar o anterior com minhas inevitáveis revisões e etc. Inclusive pensando nos comentários que eu tiver recebido, e tudo mais.

Aí, buena. Vamos lá.

sábado, 14/07/2007

Pré-estréia

Eis que.

O blog está no ar. Alguns vão se lembrar da minha idéia de criar um blog-folhetim para escrever um livro aberto. Pois. Criei o blog, ajeitei um template simpático.

De qualquer forma, penso que o template não é tão importante. Queria mesmo que os interessados assinassem o feed do negócio, já que vai ser coisa para ser atualizada uma vez por semana e ninguém precisa lembrar de visitar o blog uma vez por semana. Ninguém lembra. Eu sei que eu não lembraria. Logo vou botar também uma opção para receber as atualizações por email, para quem não se dá muito bem com feeds. (Ah! Mas eu criei um tutorial bem simpático explicando o como-fazer.)

Estou resolvendo uns problemas da trama da história para logo começar. Talvez comece a postar antes de começar, para aquecer. Enfim, enfim. Estão todos muito mais que convidados. Na verdade, eu meio que estou obrigando todos os meus leitores a assinarem o feed. Talvez eu esteja implorando, mas, ah! Vamos lá. Não custa nada.

O "Gil" do endereço do blog é o nome do personagem protagonista. O (folhetim) do título do blog é porque ainda não consegui pensar em nada que prestasse, fosse para um nome do projeto ou mesmo para o nome do livro.

E é policial. Qualquer coisa assim próxima a isso, enquanto Desumano ainda for uma novela policial. Reescrita de coisa antiga, que não prestava e precisei dar uns ajustes. Dei tantos ajustes que não tem muito mais nada a ver com a primeira, além do protagonista e de um navio explodindo logo no começo.

Sim! Tem navio explodindo no começo! Você NÃO PODE perder uma história policial que começa com um navio explodindo!

Então vamos lá. Assine o feed ou bote o blog nos favoritos e assine para receber por email quando eu habilitar essa opção. Claro que eu vou avisar. Eu não vou perder a chance de avisar. Ah, e se der uma luz, me dá uma ajuda para o nome do projeto. Qualquer coisa para botar ali no título do blog. Porque qualquer coisa é melhor que (folhetim). Né?

Isso mesmo.

terça-feira, 10/07/2007

Porque essas férias na verdade estão mais para feriado prolongado

Comecei a escrever uma história policial. Vai ser a primeira de uma série, que já tenho toda cheia de voltas na minha cabeça. Capaz eu poste uma primeira parte. Mas engatei de vez, e isso é muito bom, porque eu sempre dou uma enroladinha no começo e nisso às vezes eu começo a escrever outra coisa e deixo o que comecei de lado.

A tal idéia do folhetim vou fazer, mas com uma outra idéia. Também é um policial (mais ou menos, eu diria), e devo ter falado uma coisa ou outra sobre o protagonista por aqui. Porque é na verdade um livro que escrevi aos 17 anos, e não prestava, e guardei, para um dia fazer qualquer coisa com ele. Eu gosto bastante daquele protagonista.

Então refiz a história quase toda. Sobrou só o protagonista em pé, com aquela cara de quem não faz idéia de que porra está acontecendo. Mas faltam alguns detalhes na trama. E eu sou meio retardada para começar história policial sem fechar a trama antes.

Mas, bom. Só precisava organizar minha cabeça e meu tempo para ler os livros que preciso ler para a faculdade, para o final de semestre que só vai acabar no começo do próximo semestre.




(E que raiva dessa gente que fica botando todas as páginas do site para abrir em janelas novas. Que raiva. Deixa as pessoas saírem da droga do site, gentinha egoísta. Se o cara quer abrir o link em outra janela, ele clica com o botão direito e escolhe para abrir em outra janela. Será que isso é tão difícil assim de entender?)

sexta-feira, 06/07/2007

E se

E se eu desse de publicar o que quero começar a escrever agora, conforme vou escrevendo, em algum lugar-blog que não esse (para não virar bagunça), capítulo a capítulo, etc?

Coisa que eu faria, se existissem os interessados.

Claro que problema seria porque eu a todo momento estou revisando o que já escrevi, mas eu poderia sempre deixar os arquivos com a minha última versão, e sempre que existisse alguma alteração significativa em parte anterior da história eu botaria um aviso dizendo "olha, aquilo mudou e vai fazer diferença daqui em diante".

Será? (Para os mais lentos no raciocínio -- como eu -- é aqui que você entra para dizer o que acha.) Huh?

domingo, 01/07/2007

(título?)

Isso. Que hoje terminei o livro que estava escrevendo, há tempo suficiente brigando com o personagem. Ainda não tenho um título. Aliás, não tenho nenhuma idéia de título.

(Já postei há algum tempo um trecho desse livro.)

Esse é o segundo livro de uma trilogia que estou fazendo. O primeiro foi Que os mortos enterrem. O terceiro já está semi-planejado e vai ter um nome bizarro, como A vida secreta das nuvens. Na verdade vai ser a vida secreta de alguma coisa, mas eu tenho certeza que não gosto de nuvens.

(No blog, o primeiro e o segundo capítulo de Que os mortos enterrem. Provavelmente não é a versão final que tenho comigo, mas tenho certeza que não mudei tanta coisa assim.)

Por trilogia, além de um personagem em comum, talvez um tema em comum. Porque todo escritor tem alguma obsessão. O personagem que anda pelos três livros vai ser o Michel, o amigo do Luciano do primeiro livro. Nesse segundo, passaram-se uns dez anos e Michel tem uma filha com a prima do protagonista. Assim ele entra na história. Mas fica nas bordas, como bom personagem secundário que ele é.

No terceiro livro a protagonista é a filha de Luciano. No primeiro livro ela tinha seis anos. Nesse, ela terá 27, e vai narrar, penso, a história do irmão mais novo. Não sei ainda os detalhes. Tenho outros planos antes de escrever esse. Tem uma história policial que eu quero muito escrever antes de qualquer outra coisa.

Enfim, enfim. Hip! Terminei o livro que estava escrevendo e agora preciso de um título. E, talvez, leitores. Hein?

segunda-feira, 29/05/2006

Quando as coisas (quase) funcionam

Manja inércia? Umas engrenagens; aí elas são pesadas e etc, e começam a se mexer por algum motivo de muita força e concentração, ou porque sentaram na alavanca (ui) ou porque começou assim devagarinho e então vai indo e caplec caplec caplec tchen tchen tup tup e vou por aí tropeçando em idéias brainstorm solitário e de repente BAM. Alguém enfia uma pedrinha nas engrenagens e pára tudo e aí eu ainda não decidi o miolo do livro e o fim do livro, mas pelo menos o começo e o antes do começo e o fim do miolo estão todos ali todos encaixadinhos e bonitinhos que nem a engrenagem que agora tem uma pedrinha estragando tudo.

quarta-feira, 10/05/2006

Relatório

00h49, 10/05/2006:
Operação P-2 concluída.

         Hip hip hip.

sábado, 14/01/2006

Op-2

Agora eu estou escrevendo um treco que se chama Operação P-2. Já publiquei umas coisas dele por aqui, mas só rascunhos que já viraram papel amassado na lixeira, idéias desaproveitadas recicladas reaproveitadas e turbinadas e então anyway. Mas é que finalmente terminei de fato a história, a trama e a coisa toda e botei cenas em ordem em fileirinhas no chão e a Linda deitou em cima:

E eu sei que falei que ia postar os capítulos do Que os Mortos Enterrem por aqui, mas vocês nem comentaram no último e eu deixo pra lá porque eu-mesma-eu já li esse livro umas 50 vezes e se vocês não querem ler livro em pedaços no blog eu compreendo mui bien, e se você quer ler, precisa ler, oh, não sabe o que faria se não lesse, me manda um email que a gente conversa.

Então, e aí tem o Operação P-2. E tem outra coisa que eu ainda não sei se posso contar. Depois eu conto.

terça-feira, 04/10/2005

Personagem

      Chama Tirésias, conta-me meus erros!

Ele podia ser mais dramático?

quarta-feira, 05/01/2005

Seqüências

Pedro e Iuri já começaram uma nova investigação, um ano depois do caso da Duas Luas.

A vítima estava encolhida no chão do canteiro de obras, em uma área em que a terra começava a ser retirada, certamente para a construção da fundação do prédio. Sua cabeça era uma massa disforme de sangue e cabelos. O abdômen estava rasgado e os braços formavam ângulos impossíveis com o resto do tronco. O homem usava calça jeans e estava descalço, apenas de meias. Vestia uma camisa de manga curta que deveria ser de alguma cor clara, mas estava completamente coberta de sangue, misturado com pedaços de intestino e terra. A cabeça tinha um formato indefinido. O crânio havia sido fraturado em diversos pontos.

Ele não parecia um ser humano. Era impossível reconhecer em seu rosto qualquer traço que o identificasse. Se estivessem em uma cidade do interior, Pedro diria que aquilo havia sido feito por um animal selvagem.

Enquanto o Pedro investiga paralelamente, por conta própria e por pedido de um homem meio doido chamado Eric, o desaparecimento de um ex-colega do colégio, amigo de seu cunhado.

Outra idéia também vem surgindo, com uma trama digna de novela das oito. Falta descobrir quem vai morrer e quem vai matar. Porque possíveis vítimas e possíveis assassinos com motivos diversos é o que não falta.

quarta-feira, 22/12/2004

Duas Luas

Ficou, no final da revisão, com 115 páginas. Enfiei um espaçamento de 1,5 e a quantidade de páginas pulou para 174. Com o espaçamento duplo, foi para 225. Sei que pouco importa, na verdade, a quantidade de páginas. Mas é que a gente que é pombo se diverte assim, contando páginas e reparando em coisas esquisitas, como qual a frase que se encontra exatamente no meio do livro.

A segunda revisão eu farei tomando como base os comentários dos meus bons beta-readers. Preciso descobrir onde eles se escondem.

domingo, 19/12/2004

Small talk

não vá para Atibaia com seu delegado

— Rodriguez, você tem namorada?

Era uma tentativa válida de iniciar algum tipo de conversa, mas Pedro sentiu-se um pouco invadido.

— Não tenho não, doutor.
— E a Denise?
— Que tem ela?
— Dizem que você anda de olho nela.

Pedro riu, um pouco perturbado. Iuri estivera certo ao dizer que até Daniel sabia.

— Dizem? E o senhor acredita em tudo que dizem?

Daniel virou-se para Pedro, e mesmo por detrás dos óculos escuros, era possível perceber que seus olhos continham um ar de desafio. Ele negou com a cabeça e disse que Pedro tinha razão. Sorria. Talvez aquele ar da estrada lhe fizesse bem.

— E o senhor?— Pedro perguntou.
— Eu o quê?
— Tá com alguém?
— Ah— Daniel disse, e apenas sorriu.— Sempre tem algum impedimento pra gente não ficar com quem a gente quer.

Pedro não entendeu aquela resposta, mas concordou. De certa forma, aquilo fazia sentido. O que o impedia de ficar com Denise? Uma timidez idiota? Céus, mas ele já tinha 31 anos!

— Quem é Sara?— o delegado continuou.

Pedro estranhou a pergunta.

— Como assim, doutor?
— Lembrei que ela ligou na delegacia perguntando por você há alguns meses. O Kieser comentou que era uma longa história. Você não se lembra?
— Lembro, lembro. É uma ex-namorada da época da faculdade. Mora em Campinas. De vez em quando ela vem pra São Paulo e fica no meu apartamento.

Daniel achou graça, mas segurou o riso. Pedro teve vontade de dizer que ao menos Sara não era casada, mas segurou a língua. Reconhecia o esforço que o delegado estava fazendo para ser simpático.

— Advogada?
— Promotora.
— É um tipo perigoso.
— Eu sei.

segunda-feira, 06/12/2004

Desencargo

O Iuri não é ruim. Ele só é um homem sensato. O que o Pedro Rodriguez não costuma ser.

Ser um homem sensato ainda vai ser a porta para entrar nos esquemas de corrupção que eu tenho planejados pra ele. Mas isso não vem ao caso agora. Agora, ele só está fazendo o que devia ser o mais sensato. Sejam compreensivos com o Iuri, oras.

segunda-feira, 29/11/2004

Desilusão

da terceira história, que eu ainda nem comecei a escrever

— Eu achei que você fazia o que gostava.

A postura de Iuri era outra. Ele parecia mais velho, parecia cansado. O olhar perdia-se adiante em um ponto qualquer. Tinha o rosto branco, mais pálido que o normal, e os olhos de um verde escuro incomum.

— É um vício. A vida que a gente leva, Pedro. Não passa de um vício. E como todo outro vício, faz mal. Faz um mal que você nem imagina, até o dia em que todas aquelas mortes que você já viu voltam para impedir o seu sono.— Falava como se falasse consigo mesmo, numa voz um tanto débil.— Homicídio, Pedro, é isso que a gente investiga. É um vício que eu não consigo me livrar. Um vício. Só pode ser.

E Iuri ainda repetiu a última frase, deixando ela no ar com um sorriso amargurado e outro riso abafado, o rosto se contorcendo numa careta de desgosto. Pedro ouvia tudo aquilo, e até pensou que entendia o que o amigo estava dizendo, mas ele não sentia a mesma coisa. Meu Deus, quando foi que Iuri envelheceu daquele jeito? Eles tinham a mesma idade, e de repente ele sentia como se o tempo houvesse se instalado entre eles, criando algum tipo de vácuo. Aquele discurso ele já havia ouvido. De policiais mais velhos, cansados. Ele ainda estava no começo, ainda gostava da adrenalina e da idéia de prender criminosos. Pedro ainda acreditava que ele estava fazendo uma coisa boa.

— Eu gosto do que eu faço— Iuri continuou, os olhos finalmente se encontrando com os olhos do colega, e um sorriso mais jovial parecia dar cor à sua pele.— Mas é um vício, Pedro. Isso vai acabar com a gente. Isso é o começo da vida, eu tô com 33 anos. E daqui a vinte anos? Verdammt, Pedro, daqui a vinte anos a gente pode estar aqui, no mesmo lugar. A gente prende os caras e vêm outros. As pessoas vão continuar se matando. Eu sou delegado agora, mas e daí? Eu ganho um pouco mais, pararam de me chamar de Alemão dentro do departamento, eu tenho mais coisa pra assinar e é pra mim que os investigadores vêm reclamar quando alguma coisa dá errado. A gente cresce dentro dessa droga e as pessoas continuam se matando lá fora.

Abaixou o olhar. Os dedos da mão direita tocavam o anular esquerdo, e ele fitava a aliança.

— Iuri.

— É um vício. Pra gostar de ver gente morta desse jeito, só pode ser um vício. Pra gostar desse trabalho e continuar aqui. A Rita tava certa. Um dia eu ia me arrepender de todas as noites que eu não passei em casa.

— Iuri, por favor.

— De que adianta eu ser policial se eu não sou capaz de proteger a minha própria família? Por favor o quê?! Você quer um favor, peça!

— Pára de se torturar, Iuri, porra!

— Eu tô cansado. A Rita mentiu pra mim. A Rita mentiu pra mim e foi assassinada. E eu não sei mais o que pensar. Eu não sei se eu devia ficar com raiva dela, ou se eu devia perdoar ela, pelas minhas filhas... Será que mais alguém morreu essa noite? Eu preciso de uma morte anônima pra alimentar meu vício.

— Você precisa dormir.

quinta-feira, 25/11/2004

Especulações

     — Iuri, e se não foi o Ivan que explodiu a casa?
     — Como assim?
     — Lembra daquela nossa conversa, logo depois que eu voltei pra casa? Se ele tinha tudo tão planejado, por que ele deixaria o carro pra trás?
     — O pneu estava furado.
     — Ainda assim, não faz sentido.
     — Você que cismou que ele era culpado, Pedro. Desde o começo.
     — E se ele não for?
     Silêncio. Iuri tomou um gole de seu refrigerante. Sua expressão era uma incógnita. Escolhia palavras.
     — Se ele não for, e mesmo assim eu conseguir provar que ele é, então isso não é problema meu.

terça-feira, 16/11/2004

Preparando o campo

trechos, trechos, trechos

     — O advogado do Reis acabou de falar comigo. O instituto parece que agora é meu. E do Rubens— Edson disse. Sua voz tinha um tom quase imperceptível de gozação.
     (...)
     — Isso eu pago pra ver.
     — O Rubens é um ótimo arqueólogo— Edson voltou a olhar para frente, erguendo os ombros um pouco.
     — Com um péssimo caráter. Chato e metido a besta.
     — Ninguém é perfeito.— Virou-se para o outro.— Eu preciso de um cigarro.
     — Desde quando você fuma?
     — Desde os dezesseis anos.
     — Quem você quer enganar?
     — Eu parei com trinta, mas isso não vem ao caso agora.

***

     — Arroz e frango— ele sorriu, fazendo pose de apresentador de televisão.— Esquentado às pressas, especialmente pra mulher mais linda da cidade.
     Ela riu, balançando a cabeça.
     — Da cidade?
     — Pra ganhar o título de mulher mais linda do Brasil tem que primeiro largar o Rubens.
     — Edson...— Ela tombou a cabeça um pouco de lado, lançando-lhe um olhar severo.

***

     — Do que o Rubens tava falando?
     Edson levantou um pouco o olhar, o amarelado da íris se escondendo por baixo das sobrancelhas. Luciano passou o peso do corpo para a outra perna.
     — Por que ele tava te ameaçando, Deco?
     — Escuta, se você vai ficar me interrogando, não vem com essa de Deco pra cima de mim, entendeu?— apoiou as mãos sobre a escrivaninha e fitou o colega, irritado.
     — Eu sou seu amigo.
     — Então acredita no que eu tô falando, porra.

***

     — Eu tenho uma notícia ruim e uma péssima.
     Edson riu, com os olhos ainda meio fechados. Fez um gesto com as mãos para que Luciano continuasse. Nada podia deixar sua vida pior do que já era.
     — A ruim é que...— franziu a testa, abaixando o olhar.— O Rubens... Foi encontrado morto hoje no começo da tarde.
     Edson deu um pulo, arregalando os olhos.
     — O quê?! Morto?! Morto como?
     — Assassinado.
     — Assassinado?
     — Dois tiros no peito.
     — Dois tiros no peito?!
     — Escuta, cê vai ficar repetindo tudo que eu falo ou vai prestar atenção?
     — Mas como isso é possível, ele era o—
     — Não é mais. Mas isso era a notícia ruim.
     — Puta que pariu, Luciano...
     — A polícia acha que foi você.

sexta-feira, 01/10/2004

Solidão

desumano

Estar sozinho é, na verdade, um sonho inalcansável. As pessoas sofrem de solidão. As pessoas tem medo de morrer sem que ninguém perceba. Sumir sem que ninguém sinta sua falta. As pessoas tem medos tão bobos.

Ser, entre os outros, é ato redutor, é o deixar de ser um para ser mais um, ser o todo, sendo um nada. Nada.

As pessoas em volta de mim falam muito alto, porque o barulho da rua é ainda pior que meus próprios pensamentos, e as coisas ficam confusas assim assim. O ruído das xícaras batendo no pires, e o som inexistente dos sorrisos falsos, cutucam meu cérebro como se fossem agulhas de crochê afiadas. Vivo entre meus semelhantes e me sinto um estranho no lugar errado do mundo.

Reservaram uma cadeira para mim no topo de uma montanha, onde a gente pode olhar o mundo e rir, trocando comentários sarcásticos sobre a dificuldade que uns e outros têm de fazer a barba ou amarrar os cadarços com uma mão só.

Eu só não achei o caminho pra essa montanha, ainda. A trilha é difícil de encontrar, e te informam a trilha errada quando se pede por informações.

.:escrito por Márcio Schäffer, num final de tarde de um verão quente.
(muito quente!)
Erm, num final de tarde de um verão exageradamente quente.

segunda-feira, 30/08/2004

Mau-humor

- Café?

Oferecia, por uma questão de boa educação e costume. Era mais fácil oferecer café do que conversar sobre qualquer coisa, considerando a situação. Iuri fez que não com a cabeça, colocando uma das mãos na frente do estômago.

- Faz mal pra minha gastrite- como se devesse algum tipo de explicação, após tantos anos de amizade.

- E aqueles litros diários de vodca que você toma fazem muito bem.

Iuri fitou a vista pela janela, respirando fundo.

- Não vem com sarcasmo pra cima de mim, Pedro. Eu não tô de bom humor.

- Nem eu.

sábado, 14/08/2004

Os Haguinorfs

A história começa a alguns séculos atrás, na época que o feudalismo na Europa começou a perder força e ia surgindo a idéia capitalista, que aos poucos iria tomar conta de quase todo o mundo. O século era o XVI em seu final. Era tempo de grandes mudanças históricas, e por essa razão e mais algumas iremos nos concentrar numa certa região que mais tarde seria a Holanda de hoje. Mas naquele tempo não passava de pequenas aglomerações lutando contra a água do mar que invadia os vilarejos constantemente.


Um pouco mais ao leste, já perto dos luteranos da futura Alemanha, onde o mar não chegava e as plantações eram mais tranqüilas e fartas, vivia um povo que se auto-denominava Haguinorfs. Eles se auto-denominavam assim porque ninguém mais seria capaz de fazê-lo, uma vez que homem algum sabia da existência de tais seres.

A única comunicação que tinham com o mundo dos humanos era um portal no meio do bosque que rodeava a aldeia. Era um túnel que se localizava embaixo de uma pedra grande e pesada. Poucos sabiam de sua existência e localização exata.

Viviam em um tipo de mundo paralelo ao da Terra, porém um mundo pouco explorado e perigoso. Aqueles que haviam saído em busca de algo diferente nunca retornaram e aqueles poucos que voltavam era devido a impedimentos, obstáculos, tais como os animais selvagens que moravam por ali. Os Haguinorfs eram um povo pacífico, e resolveram ficar por ali mesmo, ocupando a pequena área da aldeia. Assim, os animais não os atacavam.

Não eram tão diferentes dos humanos. Talvez a cor da pele fosse a característica mais marcante, um azul pouco esverdeado, bem claro. Eram alguns centímetros mais baixos, e um adulto teria o tamanho de uma criança humana. Não possuíam orelhas e a cabeça era coberta por uma vasta cabeleira, cobrindo os olhos que eram sempre alaranjados e brilhantes. Seus "cabelos", assim dizendo, eram amarelados e iam escurecendo conforme o indivíduo ia ficando mais velho. As mulheres Haguinorfs tinham os traços da cara muito mais delicados e finos e costumavam enfeitar a cabeça com arranjos de galhos e folhas.

Os homens da aldeia eram muito habilidosos. Produziam uma enorme variedade de tecidos, com as cores mais diferentes e inimagináveis para o olho humano. A veste de um haguinorf normalmente era composta por uma calça larga com diversos bolsos onde guardavam as ferramentas de trabalho. Cobriam o tórax com uma camisa simples, mas devido ao frio, estavam sempre com mantos por cima da roupa.


A costura era uma das maiores diversões desse povo. Cada haguinorf tinha uma roupa muito diferente da dos outros, o que os levava a muitas vezes identificar determinado estilo com o seu criador e vice-versa. As mulheres usavam o mesmo tipo de roupas que os homens, e mais uma vez, o que mudava era o estilo, e principalmente, as cores.

Enquanto os maiores costureiros da aldeia eram os homens, as mulheres também tinham suas especialidades. Eram elas que cuidavam das vastas plantações e principalmente, da comida. Um tempero muito apreciado era uma ervinha roxa chamada sairyn. Muitos diziam que ela tinha um poder curador, e era responsável pela ótima saúde dos Haguinorfs, mas não tinham muita certeza.

Outros se especializavam em outras áreas, tais como carpintaria e construção. Tudo dependia da família. Ainda assim, na maior parte das vezes, cada um fazia aquilo que mais gostava e ninguém reclamava.

A origem desse povo é desconhecida. Acreditavam em seu deus maior, Gürin e assim explicavam suas origens. Dizia-se por lá que Gürin tivera uma briga com seu irmão mais novo, e por ser mais poderoso, dividiu o irmão em diversos Haguinorfs que teriam sido os pioneiros na construção da aldeia em que viviam. O irmão de Gürin, Waarik, pretendia tomar posse de todo mundo em que viviam, mas Gürin, mais sensato e feliz com o pedaço de terra que lhe pertencia, tratou de impedir os planos do irmão o mais rápido possível.

Por isso, os Haguinorfs eram um povo que carregava nas costas a culpa de terem surgido do mal. Trabalhavam duro para que Gürin os perdoasse e lhes proporcionasse uma vida melhor e honrada. Viviam com muito medo e tinham poucas festas, mas nunca reclamavam da vidinha que levavam. Achavam-na muito justa e feliz. Tinham o alimento que precisavam e suprimentos que podia mantê-los vivos mesmo que o inverno durasse o ano todo.

Olivia
10:44
sábado, 31/07/2004

Sotaques

[Embora eu esteja escrevendo a primeira história com Pedro Rodriguez e Iuri Kieser, já tenho outras três planejadas. Esse é um trecho da 3ª história, chamada (por enquanto) O Outro Lado - que eu sei que é um nome horrível, mas eu tenho que chamar de alguma coisa, não tenho? Iuri tornou-se delegado de uma outra equipe, e Pedro ganhou um novo parceiro, Rogério.]

     - Ele é chato, Iuri. Não agüento mais aquele cara.
     Iuri riu, afirmando com a cabeça. Achava que Pedro e Rogério eram parecidos demais para se darem bem, e não entendia como aqueles dois foram parar juntos. Rogério parecia um pouco mais sensato e não tão tendencioso, embora ainda estivesse um tanto receoso quanto às suas próprias idéias, talvez por ser novo no departamento. Mas perto de Pedro, qualquer um seria assim.

     - E ele ainda fala com aquele sotaque caipira irritante.
     - Eu também tenho sotaque- Iuri provocou.
     - Mas o seu eu nem percebo. Nem dá pra notar. E não é o tempo todo.
     - Ultimamente umas pessoas têm me perguntado de onde eu sou. Ficam surpresos quando ouvem a resposta. Você não acha que eu tenho cara de alemão? Acho que vou começar a dizer que sou russo. Ninguém vai dizer que eu não sou. Sempre achei que eu tinha muito mais cara de russo do que de alemão.

     - Você não tem sotaque- Pedro disse, tombando a cabeça para o lado com a expressão de tédio que costumava fazer quando Iuri resolvia fazer algum discurso.
     - Se eu não tivesse dito que era da Alemanha, ninguém ia me chamar de Alemão. Afinal, quem ganha esse apelido são pessoas como o Marcelo, que pode ser do Maranhão, mas é loiro e tem olho azul, então já vira alemão. E nem nome alemão eu tenho! Tem tanta gente com sobrenome estranho aqui no Brasil que ninguém nem mais se preocupa em perceber a origem deles. Kieser pode ser alemão, mas ninguém vai perceber. E Iuri é russo. Aliás, se eu disser que sou russo, ninguém vai me dizer que meu nome não parece alemão. Brasileiro acha que na Alemanha só tem loiro de olho claro.

     - Seu pai é loiro e tem olho azul, e você só é metade alemão, o que você esperava?- Pedro disse, com um risinho irônico. Ele estava, ainda que contra vontade, prestando atenção.
     - Eu nasci lá, então sou alemão. Por acaso você é metade espanhol e metade... De onde a sua mãe é mesmo?

     - Ela é brasileira.
     - Eu sei, a minha mãe também, mas qual a origem do sobrenome Auricht?
     - É romeno. Iuri...
     - Você é metade espanhol e metade romeno, então?

     - Você não tem sotaque, Iuri- Pedro repetiu,
     - Pedro, você acabou de dizer que nem dava pra notar. Que não era o tempo todo. Agora vai dizer que eu não tenho?
     - Ah, não tem. E se tiver, é uma coisa completamente diferente. O sotaque do Rogério não é nem um sotaque. É aquela fala mole de caipira. Não agüento, Iuri.

     - Daqui a pouco você pára de notar.
     - Você não tá ajudando.
     - O que você espera que eu faça, Pedro? Não sou seu delegado. E eu não tenho sotaque, eu sei.

     - Só quando você fica nervoso.
     - Eu não fico nervoso.
     - Quer ver você ficar?
     Iuri deu uma risadinha, lançando um olhar desafiador para Pedro. Depois apenas balançou a cabeça e recostou o corpo na cadeira, erguendo o copo de vodca na frente do rosto. Bebeu um gole e colocou o copo na mesa.

     - Eu também sou um chato, Pedro. Você conviveu comigo dez anos. Acabou se acostumando. Vai se acostumar com o Rogério também.
     - Não gosto dele. E você viu ele dando em cima da Denise?
     Iuri riu.
     - Ah! Agora as coisas estão fazendo sentido!

     - Iuri!
     - Ah, Pedro. Você não gosta do cara só porque você acha que ele tava dando em cima da Denise.
     - Eu não acho, eu vi.
     Iuri bebeu o resto da vodca.
     - Já vai?- Pedro perguntou, erguendo as sobrancelhas. Quando Iuri bebia tudo que estava no copo daquele jeito, normalmente significava que estava de partida.

     - Daqui a pouco.
     - Não vai levar bronca?
     Deu de ombros. A expressão mudara. Antes estava sorridente, divertindo-se com as reclamações e inseguranças do amigo. Mas de repente parecia sério como aquele Iuri que Pedro costumava encontrar nos corredores do Palácio da Polícia, preocupado com inquéritos e investigadores folgados. Iuri virou-se e pediu outra bebida ao garçom.
     - Bobagem sua, Pedro- falou.- E mesmo se tivesse dando em cima da Denise, ela não daria bola pra ele.

     - Que foi, Iuri? A Rita? O que tá acontecendo?
     Sempre era Rita. Muitas vezes, a falta dela. Ainda que dividissem a mesma cama. Pedro não perguntava porque sabia que era um pouco inconveniente. Iuri detestava ficar se lamentando. E dez anos de convivência ensinaram Pedro a deixar as perguntas de lado na maioria das vezes.
     Iuri abaixou o olhar para fitar a aliança na mão esquerda.
     - Não sei. Deixa pra lá.
     - Eu sou seu amigo, Iuri- Pedro disse, como se já estivesse cansado de repetir aquilo.- Pode falar.

     - Deixa pra lá- Iuri retrucou, por entre os dentes, e resmungou alguma coisa em alemão.
     - Em português, por favor, você sabe que eu não posso entender do que você tá reclamando desse jeito.
     - Deixa pra lá, verdammt!- gritou, dando um tapa na mesa.

     - Tá vendo?- Pedro falou, com tranqüilidade.- Quando você fica nervoso, seu sotaque aparece.
     Iuri o olhou com um certo ódio, mas logo em seguida começou a rir. Pedro riu também, aliviado. O garçom trouxe a outra dose de vodca.
     - Você não fez isso de propósito pra me deixar nervoso, fez?

     - Claro que não!- Pedro ergueu as duas mãos na frente do corpo.- Eu me preocupo com você, só isso.
     - Mas deixa pra lá.

Olivia
17:32
segunda-feira, 19/07/2004

Nunca exploda seu personagem principal

Aí eu explodi o Pedro Rodriguez e ele ficou meio bravo comigo. Mas tudo bem, porque eu precisava que ele ficasse sem trabalhar por pelo menos alguns dias, pra que ele fosse até o playground lá perto da casa dele e descobrir sobre as tais esculturas que vão... Hm. Não, eu não vou contar o final.

O que eu ia dizendo, não exploda seu personagem principal. Ele pode ficar irritado. No caso do Pedro, é ainda pior. Ele já é irritado por natureza (eu sei, a culpa é minha, mas ele também não colabora) e impaciente. Eu gosto dele assim. Só que explodido, fica insuportável. E ainda fica desmaiando, pra atrapalhar meus planos de história.

Olivia
23:00
quinta-feira, 24/06/2004

Hora de explodir tudo

Eu achava que tinha alguma coisa pra dizer, mas na verdade não tinha.

Estou escrevendo o Duas Luas (viu, Keiti), agora, que nem uma maluca. Meu problema é ser uma autora leitora. Me empolgo com a história nas partes mais emocionantes e passo rápido por elas, demorando nas partes chatas e querendo cortar tudo. Aí eu comecei a pular nos trechos fazendo cortes cinematográficos só pra experimentar. Esses meus romances sempre são que nem receitas-testes de cozinheiros inciantes.


    Aos dezenove anos, Pedro já havia falhado no exame de direção três vezes. Por outro lado, já tinha a carta de moto três meses depois de ter completado dezoito. A irmã e o cunhado gostavam de dirigir tanto quanto ele, e mantinham o carro em casa apenas para casos especiais. Moravam perto da escola de música onde Andréa dava aula, e Leandro preferia andar de ônibus e metrô.
    - E a investigação?- Andréa perguntou, quando Pedro já estava saindo com o carro para a rua. Ela tinha uma aula às duas horas e estava com um pouco de pressa. Pegaria uma carona com o irmão.

    - Esquentando. Mas o principal suspeito é advogado criminalista.
    - Que merda.
    - Pois é.
    - O carro, Pedro.
    - O quê?
    - Presta atenção na rua. Você vai virar a próxima à esquerda. Dá seta.

    Pedro fez uma careta, achando exagerada a preocupação da irmã. Fez o que ela pediu. Que merda, ela dissera. Era mesmo assim tão óbvio que a conclusão daquele caso ainda estava distante?


Mas como eu ia dizendo, agora tá chegando na parte legal. O Pedro seguiu o suspeito até uma casa num lugar escuro. Daqui a pouco vou explodir umas coisas. Adoro explodir as coisas nas histórias. Pode perguntar pro pessoal que estava no navio que eu explodi na história do Gil Tradsky.

Olivia
00:02
quarta-feira, 17/09/2003

Bombas e navios

Putz, cada vez mais o meu quarto tá virando um mar de papéis e anotações, jogados por todos os lados.

É, na verdade não exatamente, mas que tem um monte, isso tem.

O bom é que eu já descobri praticamente tudo que eu precisava sobre o Rio de Janeiro, cruzeiros e explosivos. Yay! Um amigo meu, que faz faculdade com o meu namorado, por sinal (cientista é tudo doido) me ajudou com os explosivos hehe. Fora que eu já tinha passado a manhã discutindo com o Luiz e o Jorge (da faculdade) como era o melhor jeito pro Gil entrar e depois sair do navio. Sobre cruzeiros achei uma pá de coisa na internet, e com isso resolvi que o navio vai sair do porto do Rio e fazer uma parada rápida em Búzios, percurso que pelo que eu entendi demora de 6 a 12 horas. Perfeito. Hehe.

Bombas a parte, nada de muito novo a declarar. Eu deveria estar é fazendo uns estrelados e estrelas pra aula de Desenho Geométrico... Mas isso eu faço depois. Parece que tem que fazer um texto sobre mandalas tb, mas eu fiquei revoltada com o texto de mandalas que a gente teve que ler. Coisa mais fresca, parece coisa de exotérico, sei lá. Eu ando revoltada com mto texto que eu leio na faculdade. De FECH tb. Ah bah.

E... Hm... Acho que era só isso que eu queria dizer. Eu quero terminar a história do Gil logo!! (Tô no capitulo 31 eee viva!! - 31 de uns 50 e pouco. Mas ainda assim, tô no meião.)

Olivia
20:38
 

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