terça-feira, 21/08/2007
do Bernardo de Carvalho e a entrevista lá
ok, ok. todos já comentaram sobre essa entrevista que Bernardo Carvalho deu para o Rascunho. eu, confesso, comecei a ler pensando: ah, ah, esses escritores que falam, falam, falam. mas aí eu parei de reclamar e li, e vi que a entrevista é toda mesmo muito boa, e muito cheia de verdades, e que vale a leitura.
do final, quando ele responde aquela irritante pergunta do "por que escrevo", colo aqui o que ele disse e que eu poderia ter dito, e que, imagino, muitos outros também. e ele diz, brilhantemente, que é toda a razão para eu continuar insistindo e batendo a cabeça incapaz de fazer qualquer outra coisa, e que também é o motivo pelo qual eu, apesar da birra, fui e li a entrevista até o fim, para me surpreender:
Eu escrevo porque não daria para não escrever. Não sei explicar. Quando eu não escrevo, fico agitado. Mas não é terapia. É fundamental, é a minha vida. É mais importante que qualquer outra coisa. O chato é quando vejo que é uma ilusão. Uma ilusão que eu criei para mim, mas é uma ilusão que dá sentido para a minha vida. Acredito nesse negócio. Tem um negócio meio religioso. Igreja de um homem só. Vou lá, rezo, e acredito naquele negócio. E funciona. Não acredito em Deus, não acredito em nada. Em alguma coisa, eu tinha de acreditar. E, aí, sobrou a literatura. É ótimo. Agora, não dá para ficar sem. Igual a uma pessoa que acredita em Deus e não consegue passar sem essa crença. Tem de acreditar que Deus existe. Eu acredito na literatura. É uma ilusão. Cada um arruma uma forma para viver. A literatura é a minha.
Olivia, professo a mesma fé. Não saberia mais viver sem escrever. Privei-me durante anos, décadas disso. Sofrí. Não sabia explicar a angústia permanente que me envolvia. Voltei a escrever com força e fé. Hoje, não preciso mais me preocupar com o que meus filhos vão comer, vestir ou usar. Encontrei o que procurava.
Beijo, menina
já havia lido a entrevista via link do milton e fiquei meio sem saber se gostei ou não do que li. acredito que este ranço com o mercado que ele deixa transparecer me irrita por demais. sempre tem um culpado para os livros não serem bons o suficiente, e nunca é o escritor. acho isso egocêntrico demais. pode ser que me tornar um professor de marketing me fez ver o mercado não como uma quimera que devemos decapitar inúmeras vezes, mas, como uma esfinge onde depois de desvendado, tudo se torna possível. ele não dita as regras, dá dicas, e quem faz o produto a ser consumido somos nós, no caso, eles, escritores. enfim, dá pra discutir por uma semana tomando caixas e caixas de cerveja e comendo tremoço.
só um toque: nos teus comentários o botão "VISUALISAR" não deveria estar escrito "VISUALIZAR", com Z??
Escrever sem pensar em como ser lido é melhor ainda.
Pelo menos eu gosto quando o leitor não fica regulando palavra, isso é Escrever.
Olivia
não tem acento. Olivia não tem critérios. Olivia não existe. Olivia talvez
seja fruto da sua imaginação.