segunda-feira, 20/08/2007
outras considerações sobre a literatura policial
porque esses dias conversando com o Alex Castro e não chegando a nenhuma conclusão sobre o que é, afinal, a literatura policial, só tive certeza que dificilmente seria possível, de fato, chegar a alguma conclusão sobre o que é literatura policial.
digo: pode ser um gênero demais limitante, que prevê regras estritas, e assim excluímos tudo que há de diferente do modelo de Poe (e meu livro Desumano, certamente, jamais poderia ser um romance policial, e mesmo o romance negro, que Dashiell Hammett inventou, começa a escapar demais do que deveria ser a história de detetive).
e se vamos então expandir a definição para acolher tudo que hoje chamamos literatura policial, vai ser necessário dizer que Hamlet e Édipo Rei eram também histórias policiais. Não?
ou começar a desmembrar o gênero, criar subgêneros: histórias clássicas de detetives, romance noir, crime fiction...? sem contar as histórias de bandido. em inglês, chamam. há detective stories e há crime fiction. e há também um monte de outras coisas, porque eles adoram botar nomes em tudo. mas o que a gente faz com isso que chamam alta literatura e sem querer se encaixar um pouco nos específicos do gênero? o que faz com Édipo Rei, e Hamlet, Crime e castigo, O estrangeiro ou alguns contos do Borges? o que faz com todos os crimes da literatura universal? e com as investigações? e com o mistério e o suspense?
hoje um colega do trabalho me perguntou qual eu achava a melhor história policial de todos os tempos e antes que eu respondesse sugeriu: "Crime e castigo?"
será que história policial é mesmo um troço tão alienígena e periférico? ou então que seja só esse nome, com "polícia" no meio, que faz parecer que não pode ser nada muito digno de uma boa literatura? e será que vale ficar por aí tentando definir ou agrupar coisas diversas, querendo botar Hamlet e O assassinato de Roger Ackroyd no mesmo saco só porque morre gente no meio da narrativa e há um personagem tentando descobrir o que aconteceu?
Lembrei de uma coisa: muitas vezes quando há elogios a um livro policial, o crítico comenta que a obra "transcende o gênero", quase implicando que mesmo se ela fosse a melhor dentro do gênero, isso não seria o bastante.
Olivia
não tem acento. Olivia não tem critérios. Olivia não existe. Olivia talvez
seja fruto da sua imaginação.