sexta-feira, 29/06/2007
Pela literatura independente
Eis um post que se eu pensar demais vou acabar não postando.
Não é por ser mal-agradecida. Sei bem, porque está meu livrozinho de estréia pela Brasiliense espalhado em livrarias (teoricamente). E também que vou saber enfim quando esse troço vendeu na semana que vem. Penso.
Mas é que cansa.
Muito mais certa é a literatura independente, cada um publica o que bem entende, vende pra quem interessar. Não sai na Folha nem no Fantástico, mas, convenhamos, muita gente boa publicada também não sai.
Das grandes editoras, são poucas as que tem um bom trabalho de divulgação. A Cia. das Letras e... Buena. A Cia. das Letras faz um bom trabalho de divulgação, é verdade. E a Cia. das Letras, mais do que qualquer outra, não está lá tão interessada em publicar desconhecidos (não é impossível, veja bem, por vezes os astros se alinham e seu original cai nas mãos de um agraciado editor que acordou no humor certo para o seu estilo de escrita, mas isso não é, digamos, o que acontece na maioria das vezes), ainda mais porque essa editora está com o calendário de publicações provavelmente muito bem preenchido até 2011.
Claro. Com sorte, cai-se nas mãos de um editor que realmente está interessado em te ver crescer. Pode acontecer. Mas e achar o caminho?
Quero dizer: você é publicado, cai na graça de meia dúzia de jornalistas de pequenos veículos, alguns amigos te arrumam contatos, etc. E devo imaginar que existam leitores que te descobrem porque você foi citado aqui ou ali.
Mas não é isso.
Esses leitores não chegam em você. E você nunca vai ficar sabendo da existência desses leitores. Será que...?
Afinal, escrever? De que me serve? Escrevo. Depois de Desumano, já escrevi dois, e estou terminando um terceiro. Pensando em publicar? Inevitavelmente, mas tudo isso me dá uma angústia tremenda. Porque eu estou sempre muito mais preocupada em escrever do que publicar. Ou melhor: eu estou sempre muito preocupada em publicar, mas não consigo parar de escrever para fazer dessa preocupação uma ação. E daí, a angústia. Ir atrás de publicação dá muito trabalho e é muito chato e eu não tenho dinheiro para pagar agente literário para fazer isso por mim.
O segundo policial que escrevi se chama Operação P-2 e está prontíssimo. E gosto tanto dele. Queria ver ele por aí, em mãos alheias, em bocas alheias. Mais que os meus amigos próximos. Porque tem pelo menos 75 pessoas que lêem esse blog (ou fingem que, segundo o FeedBurner) e talvez ainda outros que poderiam estar interessados. Sim?
E vejo o Biajoni. Ou o Alex Castro. Literatura independente. Escrevem e têm os seus leitores. Pode não ser o grande oceano pacífico de leitores, mas. Nem sei se eles continuam buscando editoras, mas será que precisa? Na verdade eu vejo os dois e fico mesmo é com vontade de fazer como eles.
É que a internet, etc, etc.
Sabemos bem, nós, que moramos aqui na internet. Não o sabem todos, mas nós.
Pois. Cansa. E eu não tenho a menor paciência e habilidade para ficar por aí buscando publicações. E se eu continuar com esse péssimo hábito de escrever um ou dois livros por ano, a coisa vai começar a ficar feia.
tá cheio de lógicas nesse teu texto!.
mas principal, estar pronta para o próximo passo. e querendo mais do que o livrinho na prateleira.
e o op-2 é um BAITA livro. não faz sentido ficar escondido! :)
Não pare, não pare. Deixa a coisa ficar feia.
faz tudo muito muito sentido. :) e eu, que já meio que abandonei o papel de escritor, deixando ele lá para a pastinha de escritos do fundo do hd, cada dia tô mais gostando é de ler essas coisas e tendo certeza que to no caminho certo nas maluquices que pensei em como deveria ser um novo mundo escritores-editoras-leitores e tal. mas a gente precisa de uma parceria pra folhear. precisa. :) bj!
Olívia,
também estou procurando a solução. Já lancei 3 livros por editoras "menores" e até gerei um certo rebuliço na mídia (Nada que não desaparecesse dois dias depois, mas deu pra gerar uma pasta de recortes e impressões). Tenho mais 3 romances prontinhos que colecionam tanto elogios rasgados quanto recusas complacentes das editoras. Atuo em blogs, meus e de amigos. Sou ativo. Sou independente e vendido ao mesmo tempo, nessa contradição que é o mercado literário.
Sou escritor brasileiro, porra!
Queria te dar uma resposta otimista. Queria mesmo. Queria te dizer que não importa quantos murros você dar na ponta dessa faca sempre vai sobrar um dedinho que vai virar o jogo. Mas não posso. Não devo.
E o que posso te dizer?
Escreve. Escreve sempre que vale a pena. Escreva para ser lida, não publicada. Publicação deve ser como sexo: uma conseqüência, não um objetivo.
Um beijão pra você,
Alexandre Heredia
http://gardenalcomfantauva.blogspot.com
É uma verdadeira "via crucis" a vida de um escritor, ou melhor, a vida (ou morte) de um livro.
Eu escrevo desde os 12 anos de idade. Não me lembro bem se comecei a fazê-lo no dia 15 de março de 1978 - data do meu aniversário; mas é sempre bom - para mim - ter uma data, um marco. Tenho problemas com o TEMPO.
Ok, voltemos ao tema. Eu sempre escrevi por escrever. E sempre lia minhas poesias, literalmente, pois não me importo em memorizá-las. Escrevo como se parisse: saem de mim, têm vida própria, cuidam de caminhar sozinhas. Esperei por vinte anos por promessas vãs, de vãs filósofos, de políticos, de amigos de políticos. Pensei que não publicaria nunca um livro meu. Ah, ia me esquecendo. Publiquei uma única poesia numa antologia chamada "Poetas Brasileiros de Hoje - 1984", da Shogun Editora (Rio, 1984). Não tenho sequer um exemplar para contar a história.
Publico agora em antologias, publico em sites, publico em blogs... Criei meu próprio site e agora eu faço ali o que quero. Meus textos não precisam de um revisor, de um editor. Jogo tudo do jeito que nascem, e pronto! Não precisa ninguém aprovar, ou desaprovar. Eu sou o Deus Todo Poderoso. Decido o que vou publicar ou o que vai esperar. Alguns textos ficam brigando para ser o primeiro etc, mas EU é quem decido o dia e hora do nascimento deles... ou melhor, do "debut" deles na tela de milhões de computadores pelo mundo a fora. Duvida? Pesquise no Google pelo nome VALDECK, ou pelo nome VALDECK ALMEIDA DE JESUS. Nem precisa mais colocar entre aspas.
Ah... Estou promovendo um prêmio literário, já na sua terceira edição, através do qual publico poemas de desconhecidos (em um livro).
Vou parando por aqui, senão eu não terei tempo de segurar meus textos para não andarem sozinhos!
Olivia
não tem acento. Olivia não tem critérios. Olivia não existe. Olivia talvez
seja fruto da sua imaginação.