terça-feira, 26/06/2007
Gone, baby, gone
É bom poder ler um livro em três dias com toda a vontade que pode existir para se ler um pocket de 400 páginas em três dias.
Quer dizer, eu estava lendo enquanto dirigia. Ou melhor, quando o farol ficava vermelho, eu botava o livro aberto em cima do volante e lia, com um olho no carro da frente e a marcha engatada.
(E o lado bom disso é que é impossível se irritar com o trânsito quando você começa a torcer para pegar um farol fechado.)
Pois quebrei por fim meu afastamento voluntário de romances do Dennis Lehane e para ler o quarto da sua série de detetives, Gone, baby, gone. Porque li os três primeiros um atrás do outro, depois de ter lido e visto o filme (na minha opinião, uma das melhores adaptações de obra literária, aliás) do Sobre meninos e lobos, e era preciso respirar um pouco, acreditar que o mundo não era tão ruim daquele jeito e coisas assim. Sacred, o terceiro livro da série, é de fazer formar bolas de tênis na garganta de quem lê. Terrível. Não o livro. Os personagens são assustadores, e você termina com medo de olhar pela janela e olhar o mundo.
Não sei se porque agora já estava mais preparada, fui mais capaz de captar os truques literários que ele usa para te fazer sentir junto daqueles personagens. Mas saber os truques não me impediu de sofrer um pouquinho. Dennis Lehane não perdoa; se quiser te jogar uma criança nua e toda esfaqueada na sua cara, ele joga, e te faz sofrer por isso. E sem ficar parecendo aquela coisa Rubem Fonseca escorregando-em-testículos-para-chocar-o-leitor (como mencionou nosso querido Soares Silva). Ele está contando a história como se a gente nem devesse estar ali lendo.
O cara é muito bom.
Terminei o livro com muita raiva. Porque o final é quando você se dá conta que tudo aquilo era uma história, e não há motivo para tanta raiva, e nada daquilo é real. Uh? Afinal, eu faço esse tipo de coisa com meus personagens também. Eu sei os truques. Eu sei tudo que há por trás daquelas palavras. Mas não adianta muito pensar em nada disso, e então me resta aparecer aqui e escrever esse post.
Penso que Dennis Lehane é um dos melhores escritores policiais hoje em dia. Não leio tantos assim, talvez porque fico com medo de cair nas garras de algo como Jeffrey Deaver, um dos que li e achei chatíssimo (li The vanished man, num desses acasos do tipo vamos-ver-se-isso-é-bom). Gosto do Michael Connelly, e do detetive que ele criou, mas ele se repete. Ed McBain ainda não conseguiu me ganhar (comecei um livro dele e parei no meio, isso não pode ser bom). Se alguém tiver sugestões, a caixa de comentários está bem aberta.
Enfim.
Baffled.
hummmm... fiquei curiosa pra ler o cara...
saudades de vc coisinha...
vê se pára de trabalhar um pouco...
Beijocas
Dois meses sem comentar nada.
É difícil trabalhar e ler um livro por semana (como eu fazia no ano passado) e poder sugerir algo novo. Então vai uma antiga leitura que fiz: "Bartleby", que até dá para ler no trânsito da usp a porta do seu lar.
Espero poder comentar mais e ser mais conciso.
Oh, dear, eu ainda nem vi o Sobre Meninos e Lobos. Quanto a Ed McBain, li um dele, alguma coisa como "Oito cavalos". Tem um humor meio diferentão e uma noção de clímax e antecipação que te prendem, mas não é nada pra se dizer "supimpa, que coisa mais inesquecível". Talvez ele devesse jogar umas crianças nuas esfaqueadas ou então um serial killer matador da própria mãe pra atingir esse níver.
Oi querida, vai me chamar de maluco, mas quero saber o final do livro gone baby gone antes de comprá-lo, é que sofro muito com cenas violentas, aquele filme sobre meninos e lobos me fez ficar vários dias sem dormir direito. Só preciso saber se há cenas de violência contra a criança. Se puder mande pro meu e-mail. Obrigado.
Olivia
não tem acento. Olivia não tem critérios. Olivia não existe. Olivia talvez
seja fruto da sua imaginação.