quarta-feira, 12/04/2006

Porto do Desespero

hunf.

         (aquela coisa que começou e está rodando por aí e sobrou para mim. e minha poddle menina está deitadinha usando Edmund Wilson de travesseiro, porque no meu quarto todos os animais usam os livros de travesseiro e principalmente os livros da biblioteca da faculdade, não sei bem por que, mas talvez o cheirinho de biblioteca lhes seja mighty agradável.)

Capítulo I: A Carne (Ana Lúcia)
Capítulo II: O Serviço (Leila Couceiro)
Capítulo III: O Noivado (Serbon)
Capítulo IV: A Encruzilhada (Vanessa)
Capítulo V: A Malvada (Alex Castro)
Capítulo VI: Os Paquistaneses (Biajoni)
Capítulo VII: A Virgem Celestial (Almirante Nélson Moraes)
Capítulo VIII: As Contas (Marcos VP)


A Notícia

- "Sobrou pra vocês".

Resmungava, repetindo-se, a cada meia dúzia de passos no corredor em direção ao quarto. Mariana abstraía. Roberto carregava a mochila e uma pasta de couro; única bagagem.

- Paquistaneses.
- Roberto.
- Paquistaneses. Isso é ridículo.
- Roberto, você está com as chaves.

Haviam parado de andar. Roberto olhou a porta. Quarto 216. Ele não era supersticioso, mas sempre se perguntava se os números dos quartos onde ficavam tinham algum significado. Abriu a porta e entraram. Roberto jogou a mochila e a maleta sobre a cama e Mariana foi procurar o controle da televisão.

- Televisão agora, meu amor? Vamos tomar um banho.
- Quieto.

Ela ligou a televisão e procurou um canal onde sabia que teria notícias.

- Essa sua obsessão com o telejornal vai começar a me irritar.

Estava passando um comercial de shampoo. Roberto tirou a camisa e resmungou que ia tomar banho sozinho.

- São três da manhã, Mari, pelo amor de Deus!- gritou, antes de entrar no banheiro.

Mariana continuou sentada na beirada da cama. Quando terminou o comercial, entrou uma reprise de um programa de debates. Mudou o canal. Nada. Hábito estúpido; o dedo não descansava e ela não ia parar em outro canal se não encontrasse algo interessante. Em certo momento ouviu uma voz grave de apresentador de telejornal dizer algo que lhe soou como "ministro". Voltou para o canal e deixou o controle remoto de lado.

Era isso. Morto. Assassinado. A polícia está iniciando as investigações. Algum entrevistado estava contando que o corpo fora encontrado pelo assistente do ministro da economia. Depois alguém na polícia dizendo que encontraram certas pistas na mesa no ministro que podiam lhes servir. Um serviço limpo. Segundo o assistente, nada fora do lugar.

Roberto desligou o chuveiro e Mariana já não prestava mais atenção no que era dito. Estava em transe.

- Merda- murmurou.

Roberto saiu do banheiro com a toalha enrolada na cintura quando Mariana estava atirando o controle remoto contra a televisão.

- Eu sabia que isso não era saudável- ele disse.
- Merda.
- O que foi?
- A gente precisa sair daqui.
- O que aconteceu, Mari?
- Você faz pergunta demais. Última vez que fui te ouvir você inventou um serviço que colocou a gente atrás de uns paquistaneses idiotas.
- Porra.

Ele olhou para a televisão. Ainda falavam do assassinato do ministro.

- Que merda é essa e por que diabos a gente tem que sair? Se a gente não fizer essa dos paquistaneses nossa situação vai piorar. Eu sei que...
- Os paquistaneses que se explodam.

O telefone celular de Roberto tocou. Música clássica. Dizia que era para acalmar; ninguém ligava para lhe dar boas notícias. Atendeu. Mariana não estava prestando atenção na conversa. Queria entender o que a morte do ministro significava. E se isso tinha alguma coisa a ver com ela. Ou com o que ela sabia. Devia ser algum dos dois. E de qualquer forma, sua posição não era das melhores.

Roberto desligou o telefone com uma risadinha.

- Você é um perigo com as palavras.
- O que foi?
- Parece que os paquistaneses se explodiram.
- Mortos?
- Um deles. Serviço a menos.
- Era o Zeca?
- Isso. O paquistanês está no hospital. Zeca falou que se a gente não fizer essa vai ser incompetência demais.
- O que você disse?
- Suck it.

Talvez se preocupar depois. Ela não estava sozinha e o ministro era mesmo um tipo meio incompetente. Inevitável que acabasse com três tiros na testa. Ela era mais esperta que isso.


[Marmotinha, é contigo.]

Olivia
09:25 || Diversos
Comentários

mas afinal, voce tomou a Petra mumificada do seu tio ou não??? hehehehe
arrasou linda, como sempre!

Putz! Vou ter que ler tudo isso! :-D

Stunning, pretty babe! ;-)

Olivio querida ! Ficou excelente e eu tô contente de ver as minhas duas crias iniciais voltarem para a historia :-) Brigadim e vamo que vamo pressionar o Marmota !!! Beijocas.

E este romance, depois de pequeno hiato humorístico-nonsense, volta a ser sério.

Showdi, bebê.

Excelente, Olivia, você alinhavou muito bem os pedaços que estavam soltos na história!

bjs

magnífico texto. e me refiro ao blog como um todo. peço licença para incluí-lo no meu "Clube do Linkey".

E o suspense volta a pairar no ar... Ótimo!!!
Beijos,
Vanessa

Fiquei curiosíssima!

Viva || 16:05 12/04/06

Puf.
Oi.
Ninguém gosta de cebolas.
Alinhavar é uma palavra engraçada.
Right on right on.

Olivia, é do tempo em que as mulheres costuravam.

a OLIVIA é CORAJOSA!
:>)
ótemo!

Putz estamos ainda no aguardo do proximo capitulo ! Espero que o Marmota nao vai cortar a corrente, ou que ao menos passe pra outra pessoa continuar ... Bjos

Achei que ficou um lixo. Mas enfim.

http://www.marmota.org/blog/2006/04/16/1544

E não é que o petit finale caiu no meu colo? Vê lá o que saiu!

O gato comeu a sua língua?


(não será publicado)





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