segunda-feira, 17/05/2004
No Message
If you've got something to say, hire a hall. If you want to send a message, call Western Union. But if you've gotten nothing more than the urge to write and a talent to amuse, just sit down and write your book. Even if you don't change any lives, you might get somebody through a bad night or two.
[Se você tem algo a dizer, alugue um salão. Se você quer mandar uma mensagem, chame a Western Union. Mas se você não tem nada mais do que a vontade de escrever e o talento de entreter, apenas sente-se e escreva seu livro. Mesmo que você não mude nenhuma vida, voce pode ajudar alguém a passar uma ou duas noites ruins.]
~Lawrence Block
Tem gente que escreve porque tem algo a dizer. Tem muita gente que diz que se você não tem nada a dizer, o melhor é nem escrever. E o senso comum diz que quando você vai escrever uma história, deve escrever uma história que vale a pena ser contada.
Talvez então, eu esteja no caminho errado.
Eu saí da faculdade de Artes Plásticas porque eu não tinha nenhuma mensagem para passar. Porque lá eles iam me ensinar a ser uma artista plástica, e os artistas fazem sua arte quando querem passar alguma coisa. Ou ao menos era o que estavam me falando. Mesmo que a arte em si não sirva para nada, você a produz porque tem algo a dizer, mesmo que seja "meus pés ficam frios durante a noite".
E eu não tinha (ou não queria ter) nada para passar através da minha arte. Aí eu saí daquela faculdade. Todos ali pareciam bem entretidos em suas mensagens, menos eu. Eu desenhava pelo prazer da criação, fazer personagens, criar histórias, mundos. Eu desenhava para mim mesma, e mostrava para os outros porque eu sou exibida.
Eu acho que nunca quis fazer arte. Digo, Artes Plásticas, esse tipo de arte que eles iam me ensinar na faculdade.
Eu queria criar. Mas não existe faculdade para isso. O jeito é fazer outra coisa, e colocar a escrita como objetivo de vida.
Mas ainda não tinha nada a dizer. Eu só queria escrever...
Quando li aquele texto do Lawrence Block, acho que fiquei um pouco aliviada. Mas nunca tinha lido nada dele, não sabia se era bom ou ruim ou simplesmente um mané qualquer que escrevia qualquer bobagem e todo mundo achava o máximo. Um cara que sabia o que as pessoas queriam ou precisavam. Um Paulo Coelho.
Não era.
Ainda bem.
Eu posso, sim, escrever, contar histórias, que não tenham um fundo político, um objetivo, um motivo. Escrever porque escrever é bom. Escrever porque a mente humana me fascina, e eu gosto de entrar na cabeça dos personagens e descobrir suas motivações e sentimentos. Porque a mente humana é relativa, em tudo, tudo. Porque a mente se engana, te engana, e faz umas coisas que a gente não consegue entender. E é isso que eu gosto de explorar quando estou escrevendo.
São experiências, testes. Não são mensagens.
Às vezes eu me perco nas minhas próprias explicações.
Tô meio travada. Não consigo escrever. Não é exatamente "writer's block", porque eu sei exatamente o que tenho que escrever, o que vem agora e tudo mais. Acontece que eu tô odiando a Duas Luas, o Pedro Rodriguez e tudo que eu escrevi até agora. Eu ainda gosto do Iuri, mas ele sozinho não está conseguindo me fazer escrever. Espero que isso passe logo.
Olivia
não tem acento. Olivia não tem critérios. Olivia não existe. Olivia talvez
seja fruto da sua imaginação.