quinta-feira, 06/05/2004
Ecos
E a noite caiu. O sol desapareceu atrás das montanhas do oeste, escondido por nuvens escuras e pesadas.
Se você estivesse lá fora, você diria que havia algo espreitando nas sombras? Ou diria que foi apenas sua imaginação tão tola? Aquela tempestade estava, afinal, fazendo um barulho tão alto, não estava? Como alguém poderia dizer que havia algo mais ali além do som da água caindo com força na grama, e o vento balançando o topo das árvores?
Sombra entre sombras, nada teria sido visto. A noite já estava lá. E trevas são trevas em qualquer lugar, com ou sem o tempo. Se você estivesse ali, você diria que havia algo lá, algo estranho? O que você diria?
Teria algo te observando? Ou algo te caçando? Você seria capaz de dizer a diferença?
Ah, os humanos. Estranhas criaturas.
Enquanto a escuridão continuava, enquanto a chuva ainda caía, alguém talvez pudesse dizer que havia alguma coisa lá fora, alguma coisa observando tudo, e todos. Cada voz, cada respiração.
Ecos.
Junto de passos no escuro. Ecos podiam ser ouvidos. Tão distante, e ainda assim pareciam tão próximos... Como alguém poderia ouvir qualquer coisa com aquela tempestade? Ecos de gritos, como suspiros. E havia algo rodeando o lugar, atraído pela luz, ou talvez... Talvez apenas esperando a luz desaparecer completamente.
Mas aquilo não era apenas fruto da imaginação? Todos aqueles ruídos e sussuros, apenas dentro da mente? Por que pareciam com ecos, algo que já existiu, algo que não queria desaparecer? Algo que talvez... Que talvez quisesse desaparecer...?
Tão frio. Um azul tão brilhante e tão frio. Mas não mau. E não bom também. Apenas... Ali. Ou talvez não estivesse, talvez estivesse tudo na sua cabeça. O cérebro tão imaginativo dos humanos... E os ecos... Estavam desaparecendo, ficando cada vez mais distantes, recuando para de onde vieram. Estavam? Você poderia ouvir os passos se afastando também? Você poderia ouvir eles indo embora, sumindo, como se eles nunca houvessem estado ali antes?
As luzes piscaram, acenderam, e depois apagaram mais uma vez, de repente. Estava escuro por mais um tempo, e um ruído alto veio de fora. Luzes. As luzes se acenderam mais uma vez, e dessa vez ficaram assim, e o silêncio. Qualquer ruído vindo de fora parou. E o som da chuva caindo na grama quase que trazia paz, quase como se nada tivesse acontecido.
Olivia
não tem acento. Olivia não tem critérios. Olivia não existe. Olivia talvez
seja fruto da sua imaginação.