segunda-feira, 05/04/2004
Idéias
Todas as idéias boas vêm quando eu não tenho como registrá-las. Ou, ainda, tenho, mas as idéias não vêm prontas o suficiente para serem passadas para um pedaço de papel, e logo acaba o tempo para se ficar a toa pensando nelas, e eu acabo deixando pra lá.
Ou ainda, uma terceira opção, eu começo a passar para o papel, mas a fonte seca de repente, e a idéia perde completamente o sentido. Perde o ponto. Eu esqueço o que, ou melhor, porquê, eu estava falando (escrevendo) aquilo tudo.
Ontem eu comecei a escrever alguma coisa sobre o ato de matar. Mas aí logo pensei que se escrevesse daquele jeito, iam querer me levar pra polícia. Então deixar o texto nas mãos de Gil Tradsky. Mas o Gil é teimoso e desobediente. Ele começou a escrever e logo desistiu. Achou o texto besta e sem propósito. E pra falar bem a verdade, eu acabei não gostando do rumo pro qual ele estava levando o texto. Eu queria escrever sobre uma frase que li num livro na Livraria Cultura. "Matar é fácil. Difícil é entender por que se mata." Ou alguma coisa assim. O livro se chamava O Dia em que Matei meu Pai.
Ah, sei lá.
Matar é fácil. Assim como qualquer outra coisa que é considerada errada, não fossem as leis e repressões, as pessoas se matariam aos montes. Porque as pessoas fazem coisas sem pensar, e o maior problema e dificuldade quando se trata de tirar a vida de um indivíduo não é o ato em si. E sim o motivo. Por causa das leis, as pessoas só matam com motivos. Sem elas, não seriam necessários.
E esse sempre foi meu problema para escrever dissertações. Eu tinha partes do texto na cabeça, mas não tinha um ponto a provar, nem nunca tive nada de importante para dizer. Por isso, acho, cheguei a conclusão que o melhor que podia fazer era contar histórias, apenas. E cada um que tire alguma coisa delas.
Olivia
não tem acento. Olivia não tem critérios. Olivia não existe. Olivia talvez
seja fruto da sua imaginação.