domingo, 08/06/2008
uma constatação (ou uma contradição)
a verdade é que me divirto demais criando as tramas para meus livros policiais, tanto que tenho planos para sete deles, sem contar o que estou escrevendo.
ainda também um outro que não é tanto policial quanto o Operação P-2, mas envolve traficantes colombianos (ou bolivianos? não me lembro) e um médico metido a pesquisador que desaparece na Colômbia (ou na Bolívia), e a "investigação" por parte de um rapaz meio perdido na vida que era guia de expedições e piloto de monomotor, mas que desistiu dessa vida depois de ferrar com uma expedição pra Antártida (na verdade, o pai ferrou com a expedição, ele quis proteger o pai e assumiu a culpa, e o pai nunca mais falou com ele), e antes da história começar estava trabalhando como barman em um boteco de um amigo.
(ainda bem que eu anoto minhas idéias, senão eu estava perdida.)
mas.
para escrever mesmo eu gosto é dos não-policiais, de fugir do que é linear (para a alegria do Tiagón) e não saber o que acontece no meio da história enquanto eu avanço em direção ao final. vai ver. digo que digo que escrevo literatura policial, mas publiquei dois policiais e tenho dois não-policiais escritos, e enquanto escrevo o terceiro policial (aquele que estou ensaiando escrever desde meus 14 anos), me vem umas vontades de começar o terceiro não-policial, e aí, paf.
tenho planos de publicar os não-policiais em pdf, deixar para download por algum preço ridículo e simbólico, porque desconfio que em papel eles não vão fazer lá tanto sucesso. ou.
enfim.
porque adiantei 97 correções em um sábado e meio domingo, e aí sobrou tempo para ficar pensando.
sabe como é.
agora, te lendo assim - sabe, talvez muito me fascine essa coisa toda da literatura (incluindo o OP-2) avançar sem muito controle, escapar do linear e tornar-se mais envolvente não pela trama, mas pelo intrincado cerebral... essa coisa do controle, das frases enxutas, da objetividade em respeito e diração à trama, me afasta, como leitor. me sinto menos vivendo do que simplesmente lendo, e as coisas então ficam técnicas, e eu me pego voltando pra algo que coloque o gato no teto.
e OP-2 é um livro fantástico e não me canso de dizer isso. e achei muito legal de ter lido o que tu escreveu aqui - nunca tinha pensado nisso, que eu sou fã do teu estilo, mas talvez tu tenha parecido mais à vontade nele do que em outros livros teus. essa coisa da tensão das frases sincopadas - parece preocupação da trama estar toda certa e encaixada e tal e no OP-2 tu deixou trama mais pros teus personagens, lidou com eles mais tranqüila e eles que dêem vazão à angústia que às vezes fica presa nas frases mais objetivas dos policiais. agora retrospectivo, penso em mais naturalidade. que é o prazer do escrever aí de cima e tal ;)
(pensando alto, sem muito nexo, deixando de lado amizade e envolvimento e trajetória de escritora :))
Olivia
não tem acento. Olivia não tem critérios. Olivia não existe. Olivia talvez
seja fruto da sua imaginação.