terça-feira, 17/06/2008
geração internet
a internet está criando uma geração burra?
como pode deixar burro uma coisa que te dá possibilidades? que dá escolhas? que obriga a fazer escolhas?
mas hein?
sim, a nossa sociedade está ficando a cada dia mais burra. não vamos discutir o que é óbvio. mas é por causa da internet? do computador? da tecnologia? do iphone? duvido muito. a internet é só um espaço em que se pode disponibilizar informações. há informações falsas? sim. mas sempre houve, fora dela. sempre haverá. há bobagens e propaganda enganosa. como há fora da internet. como há na televisão e nos jornais e em toda a grande mídia de um modo geral.
a diferença é que na internet você pode escolher.
estão fazendo as escolhas erradas? não duvido. depois de anos aprendendo a assisir às maiores futilidades na televisão, por que esperar que vão procurar ensaios críticos sobre proust na internet? se ninguém se deu ao trabalho de desligar a televisão para, digamos, ler um livro sobre física nuclear, por que esperar que essa gente vá à internet pesquisar sobre a biodiversidade no congo?
claro que não. essa gente vai à internet para assistir a bobagens no youtube, porque é isso que aprenderam com a televisão. vão escrever scraps no orkut do amigo, porque a internet sempre vai ser espelho do que existe fora dela. vão ficar em redes sociais. não fosse a internet, estariam assistindo à MTV (eu diria que a MTV parece ficar a cada dia mais estúpida, mas concluí que ela não fala mais para a minha geração, então eu não seria mais capaz de compreendê-la).
não se lê? claro que não. mas tenho certeza que lêem mais do que antes da internet. ou, ainda: quem lê mal na internet não leria coisa nenhuma se não fosse a internet.
como, então, culpar a burrice da sociedade moderna por uma ferramenta que permite a escolha? não é a internet que dita a escolha. a culpa não é da internet. é da escolha. é do que determina as escolhas. mais que isso: o problema é justamente que as pessoas ainda não são capazes de se livrar do clichê da escolha comum e descobrir o quanto existe por trás dos vídeos do youtube ou da pesquisa rasa na wikipedia.
e não? vão dizer: o google me deixou muito burro, não preciso saber mais nada, basta jogar ali na caixa de busca. mas que merda, hein? desde quando tenho a obrigação de decorar todos os nomes dos rios do estado do maranhão? ou o nome daquele ator, daquele filme? a gente aprende na escola que saber é decorar e reproduzir na prova, e isso é uma estupidez sem tamanho. isso serve pra escola. isso não serve pra vida.
como poderia ser ruim uma ferramenta -- que seja o google -- que te dá a possibilidade de se lembrar dessas informações menores? que tal ocupar a cabeça com qualquer atividade mais... sei lá, criativa? que tal usar a internet como ela pode ser usada?
internet é escolha. e nisso ela é diferente da televisão e de toda a grande mídia. na grande mídia o objetivo é quebrar as pernas da possibilidade de escolher. há esse e aquele canal, esse e aquele programa. mas estão quase todos ligados a uma noção de que se deve falar ao espectador "médio". claro que há um jogo de interesses por trás disso, e nesse jogo de interesses melhor mesmo é emburrecer todo mundo. e por isso o que existe é o clichê.
e convenhamos, quem vocês pensam que está sendo acusado de burro por usar a internet?
o nosso querido espectador "médio".
o que há na televisão se reproduz na internet. o que há em toda a grande mídia se reproduz na internet. mas a internet é infinitamente maior que isso. e a merda é que a grande massa não se dá conta disso. o computador com a internet vira mais um joguinho estúpido para passar o tempo e matar a hora de estudar. pelo menos estão clicando e escrevendo -- feito macacos, mas --. o que não deixa de ser melhor do que passar o dia na frente da televisão. ou não?
dá até pra culpar a televisão, o capitalismo, a sociedade de consumo, a indústria cultural, o william bonner. mas culpar a internet é culpar o papel pelos livros do paulo coelho.
Olivia, você escreveu tudo que eu gostaria mas nunca tive competência. Concordo em tudo, cada vírgula.
E por isso não tenho televisão em casa.
Beijo!
ding ding ding! BRAVO!
lá vou eu jogar ideologia: lembrar que muito serve, assim como a televisão, pra manter o "médio" no médio-baixo, médio-quase-nada. quem abre a boca pra dizer que internet emburrece ajuda a manter o tolo assim. blogosfera "limpa" é aquela que faz o sentido inverso - batalha pra combater esse tipo de coisa e fortalecer o livre pensar.
aí conscientização etc.
se falta a faísca pro médio deixar de ser raso, internet tá aí pra isso. pinguinho de boa vontade do leitor, e feito!
aliás: tenho certeza que, não fosse essa a geração da informação descartável e, enfim, a dita "geração internet", seria sem dúvida a geração da inércia.
futilidade x inércia.
assim fica difícil.
acho que está tudo aí. de um jeito que é até difícil olhar pra tv e ver as pessoas lá dentro ensinando as outras que a internet tem um uso muito simples, que se resume a dar opções de escolhas a quem assiste escolhidas previamente por quem transmite informações.
a gente sabe que não é assim. mas a maioria só usa internet pra mandar pergunta pro Galvão durante jogo da Seleção ou pra entrar em chat do Jornal Hoje.
precisa é dizer pra todo mundo. 'conscientização etc.', como já disseram.
mas, claro, *aplausos*.
:)
hmmmm, mas quem disse que é óbvio que as pessoas estão ficando mais burras? isso é desconhecimento da história... antigamente, muito menos pessoas eram capazes de ler e entender um texto... serio, qualquer indicador socioeconomico prova isso... alfabetizacao, anos na escola, etc... vc está pegando uma impressão pessoal sua, causada por excesso de miguixes na web, e transformando isso num fato auto-evidente facilimo de desprovar... que antigamente era esse onde as pessoas eram mais inteligentes? em 1880, a taxa de analfabetismo era de 80%... em 1970, 30%.... hj, 15%.... etc
alex, pode pegar só os últimos dez anos.
Disse tudo.
Oi Olívia!
Acho que a humanidade está até ficando mais inteligente, se bobear, mas dependendo do tipo de inteligência que se considera. Sim, existem tipos de inteligência... A capacidade de alterar o foco de interesse quase automaticamente aumenta de geração em geração; a velocidade de cálculo, idem. A facilidade de adaptação a condições de pura instabilidade, então, nem se fala. Acontece que, ao mesmo tempo, perde-se a capacidade de análise, de relação, de profundidade. O silogismo está morto, substituído pela percepção absoluta e inquestionável. Nesse sentido, estamos "mais burros", quer dizer, "menos inteligentes". No fundo, é simplesmente que a mente humana está submetida a exigências muito diferentes. A pergunta é: isso é bom ou ruim? Dá pra discutir isso até a morte. Cá entre nós, colocando na balança, minha opinião é de que está mais pra ruim que pra bom, mas enfim...
Sim, Diego, acho que é por aí. Na verdade tudo é mesmo muito discutível. O que me parece mesmo é que a manipulação das massas é um troço assustador, e isso faz que exista essa inércia, essa falta de gente pensar por si, tirar conclusões por si, discordar, vez ou outra, do que está dito ou falado no jornal. E nisso me parece que está a burrice de que falo.
Não acho que seja questão de saber ler ou escrever, como disse o Alex. Acho que é o caso de pegar quem SABE ler e escrever e ver o que está sendo feito dessas pessoas. Ou, ainda, se saber ler e escrever mudou qualquer coisa.
sabe o que é mais legal de tudo isso? pessoa cheia de assunto é cult. e cult a gente ignora porque eles são esquisitos.
as pessoas não querem ter opção. elas aprendem a não querer ou elas realmente não querem?
o que adianta as pessoas saberem ler se não lêem?? o que adianta o nível decrescente de analfabetismo, se a população simplesmente se nega a ler, e ainda por cima a maioria que lê, o faz se perdendo num amontoado assustador de auto-ajuda, pseudociências, paulos lebres e afins, para muito orgulhosamente ostentar um "executivo e monge" no perfil do orkut?
medir inteligência por analfabetismos é nada mais que correr expressar opiniões contrárias o mais rapidinho e bonitinho possível.
burrice se prova quando o sujeito tem tudo na frente pra "desemburrecer" e não faz. aí é que dói. mineiros e camponeses de séculos passados só podiam saber "historia" vendo os vitrais das igrejas.
A quantidade de opções de entretenimento que diminuem o interesse da leitura, o culto ao efêmero, o excesso de valorização do dinheiro, a superficialidade nas relações entre as pessoas, a falta de alternativas políticas REAIS, a sensação de impotência diante das mudanças. Acho que tudo isso precisa ser pesado.
No fundo, não importa muito se as pessoas são muito ou pouco inteligentes, mas sim o quanto elas usam dessa inteligência para viver.
Ou não!
:D
T§
Eu não sou burro (nessa conotação que falas, ao menos), tu assim não me pareces também e tampouco os outros que comentaram.
Os "burros" sempre existiram e sempre existirão. E sempre serão a maioria.
E tem outra, a burrice enjoa. O exemplo que deste da MTV, do caralho, pois eu senti a mesma coisa. A despeito dumas experimentações formais legais, é futilidade assumida, antes a MTV era até meio cabeça. Mas aí eu penso que há programas legais como o do Melamed, e ninguém põe no canal - mas aí entra a coisa da escolha que falaste.
Mas o que eu falava ("a burrice enjoa") é uma coisa sempre se revolta contra a anterior.
Talvez haja sede de "inteligência/ intelectualidade" no futuro (desculpe-me pelo exagero no uso das aspas, mas é que tudo muito relativo).
Comentei isso com minha esposa ao vermos o filme A Lenda do Tesouro Perdido, onde nicolas cage tinha profundos conhecimentos históricos, e seu concorrente nada sabia, mas tinha grana e consultava a internet, e ambos chegavam às mesmas pistas.
Já tinha lido sobre isso em outro lugar e o cara resumiu tudo simplesmente assim:
As salsinhas entram na internet procurando coisas idiotas, mesmo que exista conteúdo interessante. Como visitação conta mais que conteúdo, os geradores de conteúdo estão gerando conteúdo para as salsinhas, o que acaba criando um círculo vicioso que vai emburrar cada vez mais a internet.
Abração
*aplausos*
Concordo com o que diz (escreve). As pessoas escolhem mal o conteúdo. Transpõem para a internet aquilo que elas estão cansadas de ver na televisão.
E mais, não se pode culpar uma ferramenta pelo uso que as pessoas dão para ela. Acho que se até inferir o contrário: os usuários estão emburrecendo a internet (mas isso jé é outra discussão).
E sobre o comentário do alex castro, tenho a dizer o seguinte (corrijam-me se estiver errada): existe um conceito chamado analfabeto funcioanl que se encaixa perfeitamente no perfil de grande parte do brasileiro médio. Tudobem que no século XIX a maioria sequer sabia ler, mas hoje a massa não é mais iletrada e continua sem saber ler. A maioria não sabe interpretar um texto.
Abraços.
Corrigindo os erros de digitação do comentário anterior:
1. Acho que se PODE até inferir o contrário
2. existe um conceito DENOMINADO analfabetISMO funcioanAl
Desculpem-me.
Olivia, tudo bem? cheguei a esse seu post por indicaão de um colega. de fato, tem a ver com o que acabei de fazer para o meu blog, em cima de uma matéria da "Atlantic". te convido a ler, o post e a matéria.
é claro que a internet é sinônimo de possibilidades. o que acho é que o excesso de leitura nos sites tipo notícias por segundo acaba idiotizando a pessoa. é minha opinião.
abraço.
A liberdade de escolha na internet é sim pré determinada pelo sistema vigente, excludente, manipulador, massificador...
Sinceramente não entendo a comparação vulgar da capacidade menor de aprendizado, muitas vezes ditada pela situação econômica de um indivíduo, com o termo burrice!
A classe média sempre ditou o padrão de desenvolvimento cultural e claro são em sua maioria os jovens deste meio que fazem o maior uso da internet, a que se perguntar o que essas pessoas consideram inteligência e a quanto tempo não sabem fazer suas escolhas...concluo então que é classe média que está menos inteligente!
[]s
Nossa, que texto bão.
No meu caso, a internet está me deixando a bit mais burro porque é muita coisa interessante pero não tão relevante pra ler, e eu deixo de ler os meus livros pra ler bobagenzinhas por aí. É uma adicção semelhante à de certas substâncias ilegais.
Abração.
Oi,
SOu novo por aqui e cheguei através da Lúcia Malla...
Bato na tecla do "bom uso da internet há tempos" e fiquei feliz ao ver que mais pessoas compartilham do mesmo ponto de vista.
Abraço.
Trackback manual: http://grandeabobora.com/o-gosto-do-brasileiro-mudou.html
clap! clap! clap! clap!
:c))
Não tenho nenhum comentário "inteligente" a fazer, apenas registrando que você falou tudo!
Não acho que deva ser chamado de burro quem usa a internet, pois ela é um alimento para a nossa idiotice!
Excelente texto, a internet não só não deixou ninguém mais "burro" como também está para revolucionar a forma de trabalho. Tenho um texto sobre o assunto em meu blog: http://www.fabrique.com.br/blog
Luis Otávio
Sensacional! Tudo, tudo o que vc escreveu.
A internet é uma revolução que só será percebida pelos burros que a criticam daqui a uns 100 anos... e até lá já estarão mortos...
Olivia,
gostei do olhar a internet como um lugar onde o internauta faz escolha. Mas essa escolha acontece em cima daquilo que está disponível, né. Vc aponta algumas coisas disponíveis e me foco nas redes sociais onde supõe-se que o internauta escolhe conhecer um amigo e ficar horas conversando sobre algo que lhe interessa, ok? O tempo que passa ali é tão grande que ele perde a noção das horas, então qual valor da internet para esse cara? Relacionamento e informação, certo? A pergunta que coloco diante disso é: como trazer informação de qualidade diante desse atributo de valor? como enriquecer essa troca de conhecimento que acontece no orkut?
Muito bom, concordo com tudo. O que se vê na Internet é um reflexo da sociedade ;)
entao pq estao falando disso na internet e fica chigando a internet e tambem depende o que voce ve na internet mais sao burro pra fica falando disto na internet sem ofende niguem mais tem mais nada pra fazer que ficar escrevendo isso na internet xau
Olivia
não tem acento. Olivia não tem critérios. Olivia não existe. Olivia talvez
seja fruto da sua imaginação.