terça-feira, 08/04/2008

nas entrelinhas

na verdade, o erro do Edney, ao criar a blogagem inédita, foi pressupor, naquele primeiro momento, o "repórter", que ele, agora, quer fazer nessa nova blogagem coletiva. claro que era desse tipo de post que ele estava falando na blogagem inédita, e isso estava nas entrelinhas. mas isso era porque é essa a forma que ele -- e a mídia, digamos -- está vendo os blogs agora. é esse tipo de pensamento que causa aquele debate despropositado sobre jornalistas x blogueiros. porque essa oposição só pode existir quando existe a comparação.

e a princípio eu acho isso tudo muito engraçado.

mas o negócio da revista de blogs me parece um pouco estúpido, um pouco dar dois passos pra frente e três pra trás (ai, enrolei a língua). quer dizer: que tipo de gente compra revistas de informática hoje em dia? alguém compra, mas não posso deixar de pensar que basta um mínimo de conhecimento de rss para ficar por dentro daquilo que sai na revista duas semanas depois que já estava circulando na net. toda vez que pego aquele caderno de informática da Folha é só pra ver as figurinhas, porque é sempre o repeteco do que eu já sabia. e olha que cada vez desassino mais blogs de tecnologia e web, porque é tudo sempre muito a mesma coisa.

aí vai botar blog na revista, 15 mil exemplares e a porra, e que o bicho dure e, digamos, seja mensal. que post jornalístico vai durar um mês? aliás, que post dura mais de uma semana? qual o propósito de um post de um BLOG que dura tudo isso?

não sei, hein. isso me cheira a tiro no pé. revista impressa de post de blog JORNALÍSTICO? que porra. ainda se fossem posts literários, ou mesmo alguma coisa tipo os Wunderblogs fizeram nos tempos idos.

claro que cada um faz o que quiser no seu blog, e o Edney fez a provocaçãozinha no post em que divulga essa nova paradinha. mas é um tanto desagradável essa institucionalização dos blogs. mais que isso, incomoda aquele primeiro pressuposto do Edney, como se todo blog fizesse mais ou menos esse tipo de coisa mesmo. como se, a princípio, blog estivesse aí para ser uma extensão da mídia tradicional em um novo formato (ou não, já que agora vai ser revista). e fica sendo isso o que os outros vêem, e é uma chatice assim como era antes, quando todo mundo achava que blog era diarinho, e era um desagrado ter que encarar as caretas de nojinho quando você dizia "eu tenho um blog".

no final das contas, claro, vou dizer: foda-se isso. estou aqui fazendo o que me interessa e não sou obrigada a gostar de blogs jornalísticos e formadores e opinião (ui). deixa lá o homem com seus seguidores ávidos por fazer dinheiro do conforto de suas poltronas. mas é que, né. generalização irrita sempre que pisam nas nossas cabeças.

e enquanto isso, nos EUA, a gente vê blogueiros profissionais tendo ataques cardíacos de tanto blogar e começa só a se perguntar quando é que esse tipo de coisa vai começar a acontecer por aqui.

huh!

Olivia
13:38 || Web
Comentários

tão ativista, essa garota!
pior, tá certa... coisa sem nexo fazer imprensa sobre blog... tsc, tsc, tsc!

Olivia, eu só quero experimentar :)

E a idéia da revista não é ser de novidades, é ser algo atemporal, talvez eu tenha errado de novo em não esclarecer isso, mas errando bastante é que eu vou aprendendo, as pessoas falam muito mais dos meus acertos que meus erros por aí, isso cria muita ilusão.

Outra coisa, eu não quero reduzir blogs a algo jornalístico ou um estilo específico, defendo blogs literários e outros estilos tanto que abrigo diversos deles no InterNey Blogs, nenhum está lá por favor ou por questões monetárias, eu gosto de todos eles.

Esse evento em particular está defendendo isso, no InterNey Blogs defendo outra coisa, e por aí vai, estou experimentando, só isso.

Obrigado pelo contraponto, ficar ouvindo muita gente só falar bem não ajuda a perceber algumas incoerências e inconsistências que a gente comete.

fecho contigo, Síndica.

o que me assusta é a espiral louca de pessoas entrando de cabeça nisso tudo sem ao menos refletir sobre o que estão fazendo.

revista de blog? uma revista? de blogs? tsc.

subscrevo pela desimportância relativa dos blogs,

empreendedorismo versus Comunicação.

aliás, chamou a atenção no post do Edney dois termos que lincam para anúncio do Mercado Livre: "jornalismo" e "comunicação".

a generalização me incomoda muito. foi a sensação ao ler as matérias do Estadão sobre os 10 anos de blogosfera: antes eles erravam por não entenderem e/ou estarem mal intencionados; hoje, a própria blogosfera dá a eles motivos para não entenderem e/ou serem mal intencionados sobre o que são os blogs.

ainda lembrando o Estadão, foi o que transpareceu daquele debate pós-campanha polêmica. se houverem agentes dispostos a serem assimilados em troca de algum quinhão, o caminho da institucionalização funcionaria sozinho, em cascata. é o que está se vendo.

tenho concluído de que a maior confusão - salvo, de novo, má intenção - é tratar blog como mídia. blog não é mídia. mídia é a internet. blog é ferramenta de publicação pessoal. não tem nada a ver com jornalismo, embora retome a mais antiga e importante forma de "journaling". mas essa é uma leitura acadêmica, que evidentemente não interessa e só atrapalha quem é empreendedor, ou seja, vê em tudo uma oportunidade de lucro.

pila e blog não combinam. blog e institucionalização não combinam. é canibal, autofágico. mas, ainda assim, confio no potencial da ferramenta; por não ter partido nem cor, ela se presta ao uso que lhe quiser dar e não exclui quaisquer outras iniciativas. institucionalizada a blogosfera, tende a transformar-se em tudo o que pode subverter e reivindicar; mas não evita que o mesmo propósito continue existindo. acredito que há espaço pra todos e seus objetivos, mesmo que eu discorde frontalmente e veja nas neles motivos para o enfraquecimento da própria ferramenta. mas sim, cansa a generalização, e nesse caso grita mais alto quem mais atende ao que o status quo deseja.

Na verdade o que sinto falta em todas as discussões metabloguisticas e que tratam dessas iniciativas "inéditas" é uma análise dentro de uma dimensão política e ideológica, no melhor sentido dos termos. O que os "Neys" fazem pode ser enquadrado em uma perspectiva de posicionamento político.
Os blogs tem uma característica forte que é a pessoalidade. Ainda que seja um blog coletivo, a marca de quem assina um post confere personalidade e revela porque a blogosfera é o espaço de midia com o maior potencial de àgora moderna. A blogosfera tem uma vocação democrática e de diluição que contrasta enormemente com qualquer tentativa de concentração e massificação. Essa contradição de fundo é que gera o rúido quando alguém como Ney trata esse meio como mercado simplesmente.
Existe quem vende o próprio voto, existe quem vende de tudo, até o próprio corpo. Tem gente que por dinheiro vende convicções e o que quer que seja. Nesse cenário, vender opiniões é até muito aceitável. Por isso, a orientação da atividade bloguistica com escopo de lucro não deve causar maiores rubores.
O pecado é a simplificação e o desperdício de todo o potencial da blogosfera que isso pode causar. Em resumo, para que alguns poucos que se apropriaram da prerrogativa de tentar fazer algum com blogs, todo o meio se empobrece. Seja pelo visivel esforço dos blogueiros profissionais de "falar às massas", seja pela "tabula rasa" nos conceitos e na compreensão do que o meio pode gerar como motor político e social.
Finalmente, um pedido. Vamos parar de falar disso e tratar dos outros 43 milhões de assuntos mais importantes que a gente tinha combinado de tratar?

Nada à acrescentar, Olivia. Revista de blogs é um despropósito tão grande quanto pretender publicar em papel um "almanaque da internet" -- fixa o que não é fixo, eterniza o que muda a cada hora.

Valeu um "share".

bjs

revista atemporal foi demais... super humilde. :)

tatigejfin || 16:12 08/04/08

Sou parceiro no "tanto desagradável essa institucionalização dos blogs". Sou muito parceiro nisso.

bom, enfim... tá tudo muito bem dito. o que falar? restou só me perguntar que espécie de comentário foi esse do Edney? e revista ainda é 'experimentação', hã? sem querer ser reducionista, mas segue, acerto ou erro, dando tiro no mesmo lugar, errado. e esse é ponto. 'inovar' era blog buscar audiência e credibilidade para virar media kit, depois foda de genial era a blogosfera buscar sua afirmação pelo ineditismo e qualidade e relevância de conteúdo, e dás à luz agora ao projeto inovador de, enfim, transformar blog em... papel. problema não são as idéias, problema é o que as une: insuperável visão tua de direção, e ideológica do assunto. imagino que teu roadmap inclua, para breve, um programa de TV pautado por blogs, e mais adiante um de rádio, até chegar a um sistema incrível de posts telegrafados, para por último firmar parceria milionária com a Vale para extração de matéria-prima que facilite a produção e distribuição de posts inéditos e 'atemporais' lascados em pedras.

@Flavio acredito que a blogosfera também é mercado e não só mercado, se fosse assim não incentivaria projetos literários que geram lucro zero.

@tatigejfin apenas quis dizer que gostaria que os temas da revista não fossem excessivamente datados como os hypes que vemos indo e vindo. Se os participantes conseguirem produzir isso seria ótimo.

@gejfin, qual o erro em testar/tentar? Porque tanta agressividade? Acredito sim que pode dar tudo errado, mas também acredito que pode dar certo. Parece que eu estou querendo ditar rumos e regras, quando estou apenas expressando minhas idéias e opiniões, não forço ninguém a acreditar ou aceitar.

A Olivia discutiu a idéia em si, legal, quero validar a idéia, seus pontos fracos, suas ingenuidades e distorções. Qdo eu falo, falo apenas em nome de mim mesmo, há diversos outros ecossistemas na blogosfera que não tem relação nenhuma com o que eu falo e pra mim isso é saudável, não quero convencê-los, mas fico grato em ouvi-los.

Não sei, isso de 'blogueiro-repórter' + 'papel' (como o Gejfin bem colocou) me cheira a necessidade de legitimação, o que por sua vez indica um desconforto com a provisionalidade dos blogs.

Mas, juntando tudo com a coisa de 'blogosfera também é mercado' (o que obviamente não é mentira, ainda que seja uma perspectiva um tanto limitada, para não dizer indesejável), a necessidade de uma legitimação mais palpável (o que leva ao mensurável, ao quantificável e a outros 'áveis' mais) começa a fazer sentido.

O Edney tem direito a experimentar sim. E direito a errar e acertar. Claro que sim!

O que me incomoda é o fato de se transparecer, tanto por quem concorda, como por quem discorda dele, é que estamos falando de um Donald Trump da Blogosfera.

Ele não é infalivel e vai sim ter diversas idéias ruins, como me parece esssa da revista ou a ação da LG. Mas a idéia das Aventuras do Pequeno Interney na Terra dos Blogs foi genial. ^^

Só acho que todo mundo tem que saber entender e diferencia que isso aí não é a Blogosfera e que o interney não responde por ela, por suas tendências ou por nada do gênero.

Podemos, no máximo, aceitar isso como a Ilhadecarosfera, onde o mais maneiro é fazer mídia de massa e "tirar onda" na internet.

Claro que isso ia acontecer em algum momento e foi ele e os amigos deles que pegaram a oportunidade.

Eu passo isso tudo. Ressalto.

Wallace Garradini || 18:43 08/04/08

Edney, desculpe se te chamey de Ney anteriormente, coisa que fiz sem um motivo senão o da minha confusão com nomes.
Eu disse no meu comentário que a dimensão política ideológica é sempre distraidamente relegada a um segundo, não, minto, a plano nenhum da discussão. E nesse caso é fundamental focalizar com essa lente.
Quando um alpinista, um ecologista, um poeta e um capitalista olham pra montanha eles vêem respectivamente, o desafio, a força da natureza, o abraço da mãe terra e... matéria prima pra fazer tijolo. Pois o problema é mesmo o do olhar, não o do objeto.
Tem muita gente que como voce que vê mercado em tudo. Gente que pela força desse olhar e de muita "experimentação", acaba mesmo conseguindo, transformar o que não era mercado, em mercado.
Mas eu chamava a atenção para o fato de que essa atividade, esse "approach" é em contradição com a ferramenta que se busca domar.
Pessoalmente, eu não tenho nada a perder ou ganhar com esse debate. Meu blog tem dois, talvez três leitores, mas tenho o maior orgulho de pertencer a um condomínio com o espírito da rede. E é isso que quero defender, em contraste com a mercantilização dos blogs, a formação de redes na rede. Porque aposto em um mundo que vai, ou deveria, ou mesmo, poderia ir na direção da retribalização flúida em camadas múltiplas de sobreposições das micro-vontades intrasnferíveis e pessoais por via das transferências assíncronas e paralelas.
Quero dizer, parem de transformar a minha adorada montanha em matéria prima.

Bueno, minha pequena participação está num post.

http://www.verbeat.org/blogs/afonsochato/2008/04/nas-entrelinhas.html

bjs

Olha. Não faz sentido; não é simplesmente uma questão de tentar forçosamente fazer dos blogues uma mídia (ou um quintal da mídia mainstream, como alguns dos comentaristas estão propondo). É ignorar a própria forma blog: e, de certa forma, é ignorar a estrutura da internet como um todo.

Velocidade. A internet se baseia na idéia de renovação constante dos conteúdos. O blog é um expoente disso. A chave para entender de que se trata um blog está na sua forma, não no seu conteúdo. Eu sei, estou soando qual um frankfurtichato, mas é isso mesmo: sistema de blog até otimiza certos tipos de conteúdo, mas o que é imposto por um movable type não é isso, e sim a forma como isso será publicado.

Os blogues nasceram no dia em que algum malandrão pegou um sistema de notícias (mui fashion em site de empresa, lá na idade da pedra da internet) e colocou em sua página pessoal. Isso é um blog: um sistema de notícias --- não de jornalismo, mas de, digamos, "novidades" --- apropriado para uso pessoal. Uso pessoal implicando que não dá pra impor amarras ao conteúdo: cada blog é, em si, todo um conceito pessoal de blog.

Então o que sobra? A forma. A forma do blog se estrutura em cima do tempo. Todos os posts são datados: aliás, essa é a única imposição que se faz a um post. Cria-se uma hierarquia: o novo depende do velho e se impõe sobre o velho. Pela própria questão da velocidade na internet, essa imposição de uma estrutura crônica ao post implica quase que imediatamente na noção de post como efeméride. Como a derivada da opinião em relação ao tempo, a opinião em um momento, em um átimo.

Não é dizer que o post "atemporal" não exista, mas ele é difícil --- e mais, esse tipo de texto exige tempo de preparação, pesquisa, cuidados que sinceramente brocham a própria idéia de blogar. Não se bloga com vistas à obra, ao atemporal: o blog em sí é a obra, os textos, cada um, individualmente, são apenas momentos, são datados. Fazer revista de blog, essa blogagem coletiva como um todo, cheira mesmo a não ter entendido qual é a dos blogues.

Não desaprovo: cada um desce do burro como quer. Também não vou sair jogando ideologia, reclamar sobre a opressão ou a monetização ou seja lá o que for. Honestamente não acho que era nisso que o Edney estava pensando. Mas olha, tenho que dizer: essa história de blog-jornal, de blog-revista, e acima de tudo aquela idéia de blogagem inédita?... gente, isso tudo soa muito alien pra mim, muito mesmo.

Bruno ( ) || 12:32 09/04/08

A CBN tem um programa aos sábados que fala de blogues e a MTV também. Outras mídias também falam de blogues. Falam para audiência restrita.
Vou ser simplista e achar que essa revista será apenas mais uma "vitrine" para alimentar a vaidade de bloggers conhecidos e em ascensão. Quem comprará a revista? Blogueiros que ajudarão a fazê-la, parentes, amigos e blogueiros curiosos. O leitor comum não se interessa por blogues. Na verdade, só blogueiro entende blogueiro. O povo no geral, acha a blogosfera uma tribo bem chatinha.

Nossa, quanta teoria. Blogar não seria simplesmente abrir um editor de textos, escrever algo que agrade a nós e nossos leitores e publicar isso na internet, nos blogspots da vida?

Se eu estiver errado, por favor, NÃO me corrijam.

Blogs são uma plataforma de publicação, e, como tais, podem ser usados para qualquer coisa, não? :P
Bom, deveria haver um limite entre o que é um blog... e o que deixa de ser. Mas no mesmo momento em que se impusesse tal limite, a idéia de blog como espaço de liberdade acabaria... é complicada a situação :P

O melhor do pior são os editais de convocação das blogagens. Parece concurso da Receita Federal!

Carlos || 21:13 15/04/08
O gato comeu a sua língua?
 

(não será publicado)





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