quarta-feira, 09/04/2008

and yes I said yes I will Yes

vi em um artigo do blog de livros do Guardian: depois da lista dos 100 melhores começos de romances, o American Book Review fez a lista com os 100 melhores finais.

pelo que entendi, vai ter uma votação pra escolher o melhor ou qualquer coisa assim. enfim. vale fuçar. confesso que quando pensei em finais o único que consegui me lembrar foi o do Ulysses, do James Joyce. e óbvio que ele está na lista. tinha que estar.

depois lembrei outro, dos meus favoritos: "O diabo não há! É o que eu digo, se for... Existe é homem humano. Travessia." (Grande Sertão: Veredas, Guimarães Rosa, rei!)

alguém aí lembra um bom final?

Olivia
14:57 || Literatura
Comentários

Olha, a última página de "Cem Anos de Solidão" é de tirar o fôlego. Mas o meu final preferido é o de "Cidades Invisíveis", de Ítalo Calvino. É assim:

"O inferno dos vivos não é algo que será; se existe, é aquele que já está aqui, o inferno no qual vivemos todos os dias, que formamos estando juntos. Existem duas maneiras de não sofrer. A primeira é fácil para a maioria das pessoas: aceitar o inferno e tornar-se parte deste até o ponto de deixar de percebe-lo. A segunda é arriscada e exige atenção e aprendizagem contínuas: tentar saber reconhecer quem e o que, no meio do inferno, não é inferno, e preservá-lo, e abrir espaço"

Eu só consegui lembrar de um péssimo final! "O Despertar do Anticristo" de Túlio Siqueira te faz passar pelo livro inteiro esperando por certa resposta, para, no final, acabar com um "E o novo presidente do Brasil é...". Acaba assim, sem resposta! Dá vontade de esganar o autor! :D

ah! lembrei outro dos meus favoritos (que eu SEMPRE releio, incansavelmente): o final do conto "a ilha ao meio dia", do Cortázar. estou sem ele aqui porque emprestei o livro pra um amigo, e já estou começando a ficar com abstinência.

aaaah!

E o Bruno, sempre a serviço público, citando a frase final de Cien Años de Soledad, mencionado pelo Marcos VP:

"Sin embargo, antes de llegar al verso final, ya había comprendido que no saldría jamás de ese cuarto, pues estaba previsto que la ciudad de los espejos (o espejismos) sería arrasada por el viento y desterrada de la memoria de los hombres, en el instante en que Aureliano Babilonia acabara de decifrar los pergaminos, y que todo lo escrito en ellos era irrepetible desde siempre y para siempre, porque los estirpes condenados a cien años de soledad no tenían una segunda oportunidad sobre la tierra."

Coisa maravilhosa. E, sim: de fato, a página inteira é mais bacana, aliás as duas últimas páginas, isto é, o último parágrafo --- é daquelas coisas que tiram de você o chão e por um momento você cai sem previsão de aterrissar em qualquer lugar. Mais ou menos como a consciência pesada da Molly Bloom, redescobrindo, nostálgica, o amor na culpa.

Aliás, não tendo me lembrado de nenhum outro final merecedor de muita predileção, acho que vou de "and yes I said yes I will Yes". (Os outros cinco que me vieram à cabeça: "travessia∞", "não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria", o de Quincas Borba, que era algo do tipo "chorem a morte dos dois homens se tiverem coração, e se só tiverem o riso riam-se, é a mesma coisa", "--espere um instante, estou terminando de ler Se um viajante numa noite de inverno", e o "esta é a MINHA aurora, MEU dia começou: elevai-vos agora, elevai-vos, ó grandioso meiodia! --- e assim falava Zaratustra, e saiu de sua caverna, brilhante e rude, qual um Sol matinal a se erguer por detrás das montanhas frias" -- o último apenas mais ou menos se classificando como romance).

Bruno ( ) || 17:25 09/04/08

adoro esse aqui

Somebody threw a dead dog after him down the ravine. —Malcolm Lowry, Under the Volcano (1947)

"I wrote at the start that this was a record of hate, and walking there beside Henry towards the evening glass of beer, I found the one prayer that seemed to serve the winter mood: O God, You´ve done enough, You´ve robbed me of enough, I´m too tired and old to learn to love, leave me alone for ever." - Graham Greene, The End of The Affair, 1951

Não olhei a lista, mas imagino que o final de O Grande Gatsby está lá. É tão perfeito quanto o começo. Aliás, tão perfeito quanto tudo que está no meio também.

Ah, eu ia falar do final do Grande Gatsby também, mas a Alessandra foi mais rápida. :)
Acho que um dos finais mais marcantes pra mim é o do O lobo da estepe, do Hermann Hesse. Atormentador e apaziguante, na mesma proporção. O livro todo, aliás. Um dos meus xodós. :)

O gato comeu a sua língua?


(não será publicado)





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