terça-feira, 12/02/2008

escreve escreve escreve

olá, bem vindos à minha última semana de férias. aquela semana em que leio loucamente toda literatura policial possível para então morrer com um professor de literatura brasileira me mandando ler poetas simbolistas.

oh well.

mas foram dessas férias reveladoras. estou vidrada nessa de literatura policial. agora é isso. eu sou isso. não tem mais volta.

desde os 11 anos eu desenhava. fiz curso de desenho. fiz sozinha, aos 12 anos, fiz outra vez, nas aulas de artes do colégio, e fiz de novo, durante um curso de quadrinhos, e mais outra vez, quando comecei uma faculdade de artes plásticas. devo ter desenhado a droga da cadeira umas cinqüenta vezes, além dos milhares de desenhos sem olhar para o papel e devo ter feito uns trocentos desenhos de ponta cabeça por causa desses cursos. que são sempre a mesma coisa, diga-se de passagem. funciona que chega a ser um absurdo, vou dizer. não é brincadeira. mas chega na quarta vez você tem mesmo é vontade de sair correndo.

o negócio é que desenhar não era comigo. vá lá, eu sabia desenhar. ainda sei. tem gente que acha incrível. mas não sou nenhuma artista. muita gente desenha infinitamente melhor que eu. eu só tenho o olhar treinado e uma mão que treme.

outra: eu só queria desenhar. não queria fazer arte.

pronto. fugi da faculdade de artes plásticas.

dei de escrever.

mas, convenhamos, eu sempre escrevi. um tempo atrás topei com uma pasta de exercícios da escola de quando eu estava no pré. acho que era um trabalhozinho do tipo "quem sou eu". estava lá, na segunda página: "o que eu gosto de fazer". e vinha minha letra de forma toda gordinha: DESENHAR E ESCREVER.

eu vivo repetindo isso. mas não é incrível?

o que eu ia descobrir com a escrita era o mesmo que com o desenho. eu não sou artista. eu só quero contar histórias. assim como eu só queria fazer em paz meus desenhos de observação, porque a representação da realidade sempre me encantou muito mais do que qualquer outra coisa (eu gosto de miniaturas. eu sou viciada em miniaturas). ah!

era isso. ei, olha só. não quero ser artista. eu não quero ser genial, porque afinal com tudo que já escreveram eu não teria nenhum motivo para me meter a besta de escrever mais ainda. como se eu fosse dizer qualquer coisa nova. ah, pára com isso. se o último gênio foi Rimbaud, na metade da vida ele se arrependeu de tudo que tinha escrito e tentou em vão dizer para todos que era tudo uma bobagem de um adolescente meio emo. ninguém deu bola.

a verdade é que não sei sair por aí fazendo coisas novas. eu sei transformar idéias. adaptar idéias. usar a realidade para a ficção. é isso que eu sei fazer.

e a literatura policial. um amigo diz o que há para ser dito. literatura policial é artesanato. putz, é isso. chega de arte. se alguém vier com o papo de "o que é arte" ou "o que é literatura" eu juro que vou estar esperando com um pedaço de pau na mão.

Olivia
17:02 || Conclusões
Comentários

Muito legais seus desenhos.. \o/

E muito legal também esse seu interesse pela literatura policial..

Eu comecei a ficar viciado mesmo no início do ano passado !!
Desde essa época que eu termino 1 livro e começo outro, sem descanso..

Beijos

O que é um pedaço de pau?

Bom, não entendo nada de pau, mas eu desenho desde guri..

O gato comeu a sua língua?


(não será publicado)





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