quarta-feira, 30/01/2008
do que estou escrevendo agora
trecho do livro que estou escrevendo. chama-se, por ora, Esquerdo. está com umas setenta páginas, mas ainda vai mais longe. Pedro e Iuri são investigadores da divisão de homicídios e estão investigando um suposto suicídio de um primo do delegado Daniel.
-- Ela parece muito certa de que foi o Gatti chefe que mandou matar o marido.
-- Certa demais?
-- Acho que certa.
-- Rasguei o tornozelo.
E aquela droga ardia. Havia dobrado a calça para que o atrito com o pano áspero da calça jeans não piorasse minha situação. Mas estava frio.
-- Serviu para alguma coisa?
-- Para saber que a janela e o portão é uma rota válida de fuga.
-- E para entrar?
-- Ele poderia ter entrado porque conhecia o João Vitor. Tocou a campainha, o outro abriu e se deu mal.
-- E ele abriria para qualquer um, estando tão assustado? O que foi que ela falou mesmo?
-- Que ele estava em crise.
-- Pois é, em crise. Aparecia um da turma do tio, ele ia abrindo?
-- Por que não?
Iuri havia parado o carro a uma esquina do 7º DP e eu estava com vontade de fumar.
-- Não quero voltar lá.
-- Eu também não.
-- Mas queria entender do doutor Ulisses por que falar com o doutor Daniel para essa investigação. Por que falar com a gente.
Iuri concordou com a cabeça. Afastou o banco e cruzou os braços. Em esquina mais próxima do distrito havia um Santana de vidros escuros estacionado. Tive a impressão de ver alguém se mexendo lá dentro.
-- Iuri.
-- Eu vi.
-- Suspeito?
-- É a corregedoria.
-- Como você sabe?
-- Já vi esse carro.
-- Onde?
-- Estacionado perto de casa.
Olhei o carro outra vez. Não dava para ver quase nada do lado de dentro. E película escura daquele jeito só carro de polícia ou de bandido.
Havia alguém no banco do motorista.
-- Só um?
-- Não sei. Vou seguir pela rua, você olha no vidro do painel pra ver se é quem estamos pensando.
-- Não vamos entrar no DP?
-- Não.
-- E vai passar na frente? De qualquer forma a viatura denuncia.
-- Não estou me escondendo de ninguém, Pedro.
-- Ele está.
Iuri ligou o carro e arrumou o banco. Acelerou, avançando pela rua em velocidade reduzida. Quando passou pelo Santana, virei-me para espiar quem estava ao volante.
Na rua seguinte, Iuri entrou à direita.
-- Quem?
-- É o Dalmo.
-- Mas ele estava sozinho?
-- Parece que sim.
-- Scheisse.
-- E agora?
-- Agora nada.
O ponto final de ônibus na rua em que entramos estava vazio. Iuri estacionou a viatura e deu um tapa no volante.
-- A última coisa que quero agora é me meter outra vez com a corregedoria.
-- Não estamos fazendo nada de errado.
-- Isso é o que menos importa. O doutor Daniel quer que a gente investigue a morte do primo pra ter o caso nas mãos. A gente não pode saber o que ele quer esconder. Ele disse que não queria a corregedoria na história.
Iuri estava irritado. Era irritação controlada, por entre os dentes. Perguntava-me se aquilo não fazia mal. Eu já havia sofrido com gastrite nervosa alguns meses antes, e ainda tomava uns remédios por causa disso.
-- Vamos no restaurante do João Vitor-- falei.
Oi Olivia (sem acentos e preceitos!)...gostei muito da narrativa...bem cinematográfica! E essa história tem que render livro logo...também escrevo! Tô organizando meu blog com contos, crônicas e outras coisas mais que me vierem à mente...
Um abraço!
Celim Viana
Olivia
não tem acento. Olivia não tem critérios. Olivia não existe. Olivia talvez
seja fruto da sua imaginação.