quarta-feira, 07/03/2007

De tramas prontas

Anda me dando uma preguiça de pensar em retomar histórias prontas. E prontas, digo, trama fechada, começo meio e fim e conflitos e tudo. Que ainda não escritas, mas tudo muito bolado e revisado e todos os furos muito bem fechados.

Tenho, dessas, umas duas.

Ou talvez uma.

Mas é que é aquela uma que eu já deveria ter escrito antes, e que eu tinha planos de escrever depois de terminar o Operação P-2. E ao invés dela fui escrever uma história sem título nem nexo nem muito menos uma trama com um personagem chamado Deco.

Eu gosto de escrever porque os personagens saem vivendo feito pessoinhas de verdade e eu faço eles terem crises e brigarem com todo mundo. Mas quando já está tudo pronto e depois que passei dias e dias organizando a ordem das ações e das cenas em quadradinhos de papel e a Linda deitava em cima, e. Está tudo pronto.

Não está, sei que não está.

Mas dei de criar gosto por essa de escrever sem saber o final. E ao mesmo tempo não consigo me livrar do gosto de criar a história inteirinha com todos os seus permeios e complicações e de repente uma cena que algum personagem tem uma crise e briga com todo mundo (eu gosto quando o Iuri bate no japonês e o Pedro vai tentar impedir e dá com a cara na parede).

E tem o alpinista-piloto vegetariano que recebe um telefonema de um argentino que menciona uma expedição fracassada como se fosse uma referência boa e eu ainda não descobri muito bem o que diabos esse argentino quer, só sei que o personagem é legal.

E o Gil Tradsky, que pacientemente há cinco anos espera sua reescrita e reestruturação e por ora já troquei as profissões do chefe dele umas três ou quatro vezes. Mas acho que ele vai ser vice-presidente de um clube de futebol e dono de uma empresa de transportes (e continua sendo traficante de drogas). O Gil continua o mesmo, com o mais que dei a ele um hobby. Aeromodelismo. Eu diria que é um bom hobby para um assassino profissional.

História policial sem saber como termina? Marçal Aquino faz isso, de certa forma. Em Cabeça a Prêmio ele me disse que foi escrevendo e do jeito que está o livro, na ordem em que as coisas aparecem no livro, as coisas foram aparecendo para ele.

De mim ainda não sei. Daquela pronta que eu deveria estar escrevendo parei em uma parte (do segundo capítulo) em que o delegado conta umas coisas. E estava achando o delegado muito chato, contando sobre o primo depressivo e a família criminosa. Aí resolvi escrever outra coisa. Mas a trama está pronta. Tem perseguições e tiroteios e corregedoria. E famílias criminosas. Do jeito que deve ser. Ainda escrevo.

Comentários

Comigo acontecem umas coisas estranhas. Por exemplo, eu sempre gostei de escrever ouvindo música. No Limoeiro, tem um personagem que não liga pra música e sobre ele eu só conseguia escrever em silêncio.

Sinistro.

E daí? E nosso negócio?

Não recebi nada.

Na verdade a história já está prota na cabeça, o que parece sair por si só é na realidade a montagem ou estilo. Digo isso por que escrevi uma história e depois percebi numa futura que era a anterior, só que melhor definida, apesar de ficar pensar no começo que inspiração-automática. Apenas repetição.

Adriano ! || 16:16 08/03/07

não consigo me imaginar (trabalhando) num romance sem saber seu final, porque minhas idéias tem fôlego curto; e não consigo me imaginar (trabalhando, ainda) num romance *sabendo* seu final, porque isso acaba com meu interesse, na minha cabecinha infantil que não gosta que contem o final antes nem que mexam muito com os personagens. e como eu não escrevo um conto que preste há meses, fico aqui me batendo e pensando na Verbeat.

e aeromodelismo é um puta hobby pra um assassino.

O gato comeu a sua língua?


(não será publicado)





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