quarta-feira, 01/02/2006
Da teoria dos gêmeos
Porque eu sou meio assim e às vezes a coisa desliga, a cabeça entra em looping e a fechadura da porta fica meio emperrada, mas você tem que entender que eu não troquei a chave, eu não vou trocar a chave nunca; só tem que abrir com jeitinho ou quem sabe tentar pela janela ou pela porta dos fundos porque eu não me tranco de propósito, na verdade eu deixo tudo sempre aberto demais; e pouco adianta também tentar abrir com pontapés, sabe, porque aí vai estragar a porta e vai ter que colocar outra e vai ter que colocar outra fechadura e vai trocar as chaves e tem que fazer cópia das chaves e minha cabeça aqui em looping negligente esquecida distraída vai levar dias pra se tocar que preciso fazer uma cópia das chaves e entregar pra você ou então deixar aqui debaixo do capacho ou no vaso da samambaia. Só não fica bravo, não fica bravo assim porque minha cabeça voou pra longe por um momento, afinal por vezes é a sua cabeça voando longe e eu nunca vou me esquecer o dia em que percebi que você tinha isso de mim de cabeça voar para longe de repente e saber que não adianta querer entrar pela porta quando a porta está fechada, e eu fico sentadinha na janela olhando tudo ali do parapeito e sorrindo um sorriso abobado. Eu vou estar sempre aqui com você, é que eu sou assim, sabe, e talvez seja essa lua em gêmeos, ou talvez seja a lua nova; o que importa é que você tem a chave, então não fica assim olhando as coisas pelo lado de fora pela janela meio fechada; você não precisa bater, é só dar um jeitinho na fechadura sem arrebentar a tranca e empurrar a porta.
Sou bom em pular muros. Principalmente aqueles que parecem mais baixo de um lado e tem um barranco do outro. Te amo, cabeçuda!
Lindo, lindo.
Olivia
não tem acento. Olivia não tem critérios. Olivia não existe. Olivia talvez
seja fruto da sua imaginação.