sábado, 17/09/2005
Palavras
É que faltam as palavras, esgotadas em textos outros, poetices possíveis e desnecessárias, poetices alheias e ainda mais desnecessárias, tantos que falam tudo que eu poderia ter falado mas nunca como foi falado; mas quem sabe um dia.
Palavras lapidadas e frases trabalhadas até a exaustão por um prazer estético igualmente inútil e bobagenzinhas espirituosas, tantas coisas. Em textos outros, e documentos outros e de certa forma tão meus quanto são alheios, mas é que algumas pessoas nunca entenderiam. Essa obsessão com a verdade.
E Gene Kelly e Cole Porter e Monk e Beatles pra lavar a louça, Cortázar antes de dormir e ontem o Strambi lendo em voz alta o Happy Prince do Oscar Wilde com a entonação que se pede ("oh swallow, swallow, little swallow") e há de se estranhar alguém como o Strambi com aquele cabelo de maluco e a barbicha de hippie lendo Oscar Wilde com sotaque britânico. Coisas, sabe, coisas. A greve que acaba-não-acaba e quem sabe agora acabou. E minha irmã lá brincando com filhotes de canguru.
Mas as palavras, é. As palavas faltam, esgotadas em lugares outros com propósitos outros. Escrever, escrever.
é pequenina, as palavras são sempre as mesmas, a ordem é que faz a diferença.
Olivia
não tem acento. Olivia não tem critérios. Olivia não existe. Olivia talvez
seja fruto da sua imaginação.