domingo, 29/05/2005

Sobre vôos e onças

always look on the bright side of life

Quero ser livre pra ser livre, pra voar sem pensar em voltar, em pra quem voltar, em por que voltar, pra onde voltar.

Não compreender ninguém, porque a compreensão é uma onça com dentes afiados, e toda vez que você coloca mais alguém na sua lista de compreendidos mais onças enormes e magras surgem ao seu redor. E ainda que uma só onça possa te atacar, já que esse é o código das onças da compreensão, uma só onça basta para acabar com você.

Não escolher entre isso ou aquilo porque a decisão lhe foi imposta, por puro capricho alheio ou mesmo inconsciente. Não, não compreender. Não acreditar, em nada, em ninguém, simplesmente porque parece que muitas vezes histórias velhas e enferrujadas tendem a se repetir. E às vezes era como se alguém já tivesse avisado sobre isso, mas você não quis saber, você não estava nem aí.

Não escolher, não compreender, não compreender, não tolerar, sem tolerância. Porque tudo isso te coloca despreparada numa situação assim, que é mais ou menos a mesma situação de quando nada disso existiu, com a diferença que nesse segundo caso you had it all coming, esperando ali em cima do muro, que é onde os gatos e os pombos ficam e são felizes.

Mas olha, não me entenda mal, porque eu sei que as pessoas têm essa mania meio feia de entender mal as coisas escritas e a falta de olhares. Nada mudou. Não tem nada de diferente. Não, não tem. Acredita em mim.

Estou aqui, pagando com minha falta de lógica e coerência toda a minha tolerância e compreensâo e escolhas e outras coisinhas também. E não, na verdade mesmo eu simplesmente não sei onde eu estou, ou onde eu deveria estar, e mesmo que eu ainda tenha uma certeza bem certa aqui comigo, ela existe independente das outras, e funciona independente das outras, e pouco se importa se o resto de mim está caindo em um buraco.

Veja, veja, olha aqui nos meus olhos.

Foda-se. Foda-se tudo isso aqui, e a compreensão e a tolerância e as escolhas. Que tudo se exploda em muitos pedacinhos. No fim, no fim da vida não sobra nada, comida de vermes, não? No fim pouco importam as suas escolhas. Os seus amigos viram comida de verme também. Antes ou depois, pouco importa. Pouco importa, tá vendo? Pouco importa, veja aqui, pouco importa aquilo que você deixou de fazer. Pouco importam os arrependimentos. Pouco importa aquilo que você não escolheu. Palavras, palavras.

Só sobram palavras.

Enquanto isso, procuro gaiolas para as onças. Alguém conhece um domador de onças?

Olivia
19:32 || Remoinhando
Comentários

Bem, eu já matei porcos...se ajudar...onça eu só vi...de longe, muito longe...seguramente longe...mas deve igual matar porcos. ;)

O universo está se expandindo. Essa é a chave. Uma delas.

E as chaves estão nos filmes do Woody Allen.

Pouco importa. Porque quando agimos no impulso, diminuindo o percurso do contrato social na ponte entre entre instinto/desejo e sua realização, não faz diferença o que foi, fica, será, deixou de, "se". Porque o que é simplesmente é, e assim deve ficar sendo, até que escolhamos outro microssegundo pra vivenciar.

Parece auto-ajuda, eu sei. Mas eu suei muito pra colocar esse livrinho nas prateleiras do meu cérebro. Um beijo.

Para que você quer engaiolar a onça?

O gato comeu a sua língua?


(não será publicado)





Type the characters you see in the picture above.

O comentário pode demorar alguns minutos para aparecer. Não entre em pânico.