sexta-feira, 18/03/2005
Iuri Kieser
O pai é Karl Kieser, alemão. A mãe na verdade não tem nome nenhum, mas eu bem que podia inventar um agora. Ela é brasileira, mas os pais dela vieram da Rússia lá pela década de 30 pro Brasil. E é mais ou menos por isso que Iuri ficou com esse nome russo e o sobrenome alemão e essa cara meio exótica de tcheco-galã (a parte do galã deve ser culpa do avô materno).
Iuri nasceu em Bayreuth. É uma cidade ao sul da Alemanha, na região da Bavária. A cidade não é grande, mas também não é assim tão pequena. Ele morou lá até os oito anos e falava alemão e português e de vez em quando a mãe ensinava alguma coisa de russo só pra passar o tempo. O pai falava português que nem o nariz dele e não gostava quando sua mulher resmungava em russo porque achava sempre que ela estava falando palavrão. Ele era um homem muito sério, Karl Kieser. Mas a família (quase) se entendia.
Aí Iuri veio para o Brasil porque seu pai, advogado, arrumou um emprego em uma empresa multinacional, trabalhando com consultoria jurídica em direito internacional.
E Iuri não desaprendeu o alemão, mas só sabia falar "oi" e "tchau" em russo, além de "lave as mãos, por favor", que sua vó vivia dizendo, entre outras coisas mais feias. Perdeu muito do pouco sotaque que já tinha falando o português.
E cresceu um menino sério por causa do pai sério. Foi ficar mais amalucado na faculdade, faculdade de direito. Amalucado mas nem tanto. Ainda sempre sério, de emoções comedidas.
As meninas o chamavam de Ki. Os meninos, grande surpresa, o chamavam de Alemão. E conheceu Pedro Rodriguez, que acabaria se tornando seu melhor amigo. E conheceu Rita Barros, com quem acabaria se casando.
Formou-se, casou-se. Pedro o convenceu a prestar o concurso para investigador da polícia civil. "Vamos lá, o que você tem a perder? Não passou na porcaria da OAB mesmo!" Claro, claro. Pedro não havia terminado a faculdade porque desistiu no último ano. Rita não gostou da idéia. Karl odiou. Karl disse que se o filho entrasse na polícia, não seria mais seu filho.
Homem exagerado.
E Iuri passou e Pedro passou. E Karl arrumou um jeito de voltar para a Alemanha e nunca mais falou com o filho.
Pedro e Iuri rabalharam juntos, uma dessas coincidências que fazem a história, no 7º DP, na Lapa. Depois para o DHPP.
Iuri teve duas filhas. Laís e Júlia. E nunca mais falou com o pai.
E seu caminho foi desencaminhando, aos poucos. Rita distante, cada vez mais. Pressão, pressão. A chegada dos trinta. Pressão. Aflição. Vodca. Desencaminhando. Ah, Iuri, Iuri. Um moço tão bom, um moço tão sério.
Ah, Iuri, Iuri. Eu sempre disse que essa sua rebeldia ia acabar custando caro.
Olivia, o que se pode esperar de um ser cuja mãe *não tem nome*?
Só podia dar merda, mesmo.
Ele é parecido com o que eu imaginava.
Ele é bem diferente do que imaginava. Pensei que ele fosse mais sério e tivesse uma expressão...hmmm... sarcástica. Isso.
trinta é uma idade legal...
assim ele ficou mais hominho.
Ele é parecido com o que eu imaginava, também.
Olivia
não tem acento. Olivia não tem critérios. Olivia não existe. Olivia talvez
seja fruto da sua imaginação.