sobre o nada e o inevitável, e sobre a vida imaginária de pessoas que não existem.#

16.11.2004

Preparando o campo

trechos, trechos, trechos

     — O advogado do Reis acabou de falar comigo. O instituto parece que agora é meu. E do Rubens— Edson disse. Sua voz tinha um tom quase imperceptível de gozação.
     (...)
     — Isso eu pago pra ver.
     — O Rubens é um ótimo arqueólogo— Edson voltou a olhar para frente, erguendo os ombros um pouco.
     — Com um péssimo caráter. Chato e metido a besta.
     — Ninguém é perfeito.— Virou-se para o outro.— Eu preciso de um cigarro.
     — Desde quando você fuma?
     — Desde os dezesseis anos.
     — Quem você quer enganar?
     — Eu parei com trinta, mas isso não vem ao caso agora.

***

     — Arroz e frango— ele sorriu, fazendo pose de apresentador de televisão.— Esquentado às pressas, especialmente pra mulher mais linda da cidade.
     Ela riu, balançando a cabeça.
     — Da cidade?
     — Pra ganhar o título de mulher mais linda do Brasil tem que primeiro largar o Rubens.
     — Edson...— Ela tombou a cabeça um pouco de lado, lançando-lhe um olhar severo.

***

     — Do que o Rubens tava falando?
     Edson levantou um pouco o olhar, o amarelado da íris se escondendo por baixo das sobrancelhas. Luciano passou o peso do corpo para a outra perna.
     — Por que ele tava te ameaçando, Deco?
     — Escuta, se você vai ficar me interrogando, não vem com essa de Deco pra cima de mim, entendeu?— apoiou as mãos sobre a escrivaninha e fitou o colega, irritado.
     — Eu sou seu amigo.
     — Então acredita no que eu tô falando, porra.

***

     — Eu tenho uma notícia ruim e uma péssima.
     Edson riu, com os olhos ainda meio fechados. Fez um gesto com as mãos para que Luciano continuasse. Nada podia deixar sua vida pior do que já era.
     — A ruim é que...— franziu a testa, abaixando o olhar.— O Rubens... Foi encontrado morto hoje no começo da tarde.
     Edson deu um pulo, arregalando os olhos.
     — O quê?! Morto?! Morto como?
     — Assassinado.
     — Assassinado?
     — Dois tiros no peito.
     — Dois tiros no peito?!
     — Escuta, cê vai ficar repetindo tudo que eu falo ou vai prestar atenção?
     — Mas como isso é possível, ele era o—
     — Não é mais. Mas isso era a notícia ruim.
     — Puta que pariu, Luciano...
     — A polícia acha que foi você.

Olivia
21:15 || Projetos
comentários

você "caiu da cadeira" com o texto bobinho do Alexandre SS? Fragilzinha você, né, Olívia? Cair da cadeira por causa de uma bobajada daquela. Imagine se você lesse alguma coisa que prestasse, e não um mero repetidor dos cacoetes do Paulo Francis...

Lucas Dias || 21:17 16/11/04

Puxa vida, é verdade. Não tinha pensado nisso, caro Lucas. Já imaginou?

Ainda bem que eu gosto dos textos bobinhos.

Ei, você está indo de blog em blog das pessoas que falaram bem do texto do ASS pra fazer um comentário desse tipo ou eu fui a escolhida da noite?

Puxa vida.

Postei, veja só. O Metrô voltou a funcionar.

O do Arroz e Frango é über alles. Grande, Grande.

Tiro meu chapéu pro arroz e frango...

o gato comeu a sua língua?
 

(não será publicado):



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