terça-feira, 26/10/2004
Personagens
Estão dizendo que eu tenho traços de esquizofrenia.
Acreditar demais nos meus personagens. Deixar que eles tomem controle de certas coisas.
Às vezes, muito às vezes, eles chegam a existir de verdade.
Não, eu não vejo coisas.
Mas eles existem. Eles se desprendem de mim, por um momento, e vão dar as caras em algum lugar qualquer. Por um momento, tão curto momento, eles realmente existem. Eles deixam de ser personagens para virarem seres humanos reais, de carne e osso, respirando.
Respirando!
E é essa revelação que me assusta: o fato deles estarem respirando, por aquele momento em que se desprendem da minha mente.
Certo, então eu tenho traços de esquizofrenia. Acho que não. Veja, eu sei que são personagens. Só não tenho culpa se resolvem existir, por alguns segundos que sejam.
E é bem legal isso deles se desprenderem assim. Queria até que acontecesse com mais freqüência.
Oh oh. Seus personagens estão tomando conta da sua cabeça?
É por isso que não crio muitos. Assim evito motins mentais.
São tão reais que fiquei fã de um deles. Com direito a passar algumas madrugadas conversando com eles pelo ICQ. Se os mantivesse dentro de sua cabeça não sei estaria tão apaixonado assim por vc.
eu acho legal quando nossos personagens começam a existir por si só. é a prova de que são bons personagens - pois já tem caráter, alma e aparência.
quanto a ter "traços de esquizofrenia", a) eu não vejo nada de ruim nisso, ruim é ser linear; e b) pra escrever tem que ter algum galho. E peito pra botá-los pra fora.
longe de glorificar escritores "malditos" ou "rebeldes". isso já era. mas pessoas equilibradas não ficam sentados diante do computador criando a eternidade. elas vão ao cinema ver blockbusters comendo pipoca com manteiga, ou assistem a novela das oito, ou vão ao culto. E são felizes assim, genuinamente.
e ninguém escolhe esse ou aquele caminho. não por causa do destino - mas simplesmente porque eu acredito no velho Freud, o barbeiro de Viena.
Então não sou o único que tem amigos imaginários? Tu também fala sozinha? Eba!
Depois que conheci minha amada também passei a praticar mais uma habilidade: acordar abraçando o cobertor enquanto sonhava estar abraçando ela.
Que coisa. Prefiro o mundo real. Mas se só tenho liberdade nos sonhos, é lá que vou exercê-la :)
:)
E o mundo real é necessário... porque é ele, mesmo que chato, que muitas vezes nos dá motivos pra fazer viagens... nem que seja pra dentro da gente mesmo...
Olivia
não tem acento. Olivia não tem critérios. Olivia não existe. Olivia talvez
seja fruto da sua imaginação.