quinta-feira, 09/09/2004

A Grande Reunião - Parte III

Leia antes a primeira e a segunda parte.

***
Conforme a sala vai sendo abandonada pela maioria dos presentes, um silêncio perturbador cresce, como se antecipasse algum tipo de grande choque. Um silêncio de filme de terror. O recém-chegado, o jovem Gil, senta-se numa das cadeiras livres e olha na direção dos dois homens que conversam em voz baixa, sentados logo ao lado dele. Um deles é Edson, e o outro é o dito segundo sujeito-assunto da discussão, aquele que se denomina o original.

A moça que o levara até ali lhe explicara a situação. A decisão afetaria aquele sujeito de cabelos negros e olhos grandes, e um outro que era tão igual a ele. Esse segundo está encostado na janela. Procurando diferenças, Gil nota que o sujeito que está em pé tem mais cabelos brancos, e sua expressão mostra uma preocupação que não estava ali a primeira vez que o viu.

- Bom, ótimo- Márcio diz, assim que a porta é fechada.- Podemos voltar agora?

Pedro o encara, lançando olhares rápidos para as quinze pessoas que sobraram na sala.

- Edson Decker- Márcio continua.
- Eu.
- Acho que seria justo ouvir a sua opinião, dado que você que começou a história toda.

Edson levanta-se, dando um tapa no ombro do amigo como se para assegurá-lo que sabia muito bem o que estava fazendo. Mas perde-se ao olhar o rosto espantado de Gil.

- Você tá bem?
- Ele sumiu.

Todos olham na direção da janela, deparando-se com um vazio. Igor aproxima-se e olha para fora, procurando, talvez por alguma evidência de que o sujeito tivesse escapado por ali. Pedro e Iuri aproximam-se.

Márcio encosta o corpo na cadeira, com a expressão de tédio.

- Só me faltava essa.
- Ele não saiu com os outros?
- Ele tava ali até agora. Eu vi- Gil fala, também se levantando. Coloca os óculos no rosto e vira-se para Edson.- Você não viu?

O amigo de Edson tem um sorrisinho no rosto.

- O que você aprontou?- Quem fala é Leonardo Takano.
- A Olivia...
- O que ela fez?
- Está apagando as pistas.
- Como assim?- Edson interrompe, com a testa franzida e a expressão de espanto. Ainda assim, há um certo alívio em sua voz.
- A mesma coisa que ela fez com o seu reflexo no mundo dele.
- Aquele doido?
- O próprio, Deco. O próprio.

Márcio levanta-se e anda até a porta. Abre e chama a recepcionista. Ela aparece logo em seguida. Conversam em voz baixa. Márcio agradece e assim que ela vai embora, vira-se para os outros.

- Ele não sumiu.
- Como não?

Márcio senta-se em sua cadeira na ponta da mesa e apóia o corpo nos cotovelos. Sorri um sorriso cínico, esperando ter todos os olhos voltados na sua direção para continuar falando.

- Mas eu duvido que a gente volte a ouvir falar dele tão cedo.- Sacudiu os ombros.
- Alguma tragédia?- Rubens pergunta, mostrando um pouco da origem carioca.

Deco olha o amigo, que ainda sorri, como se soubesse muito mais do que estava dizendo. Apagando as pistas? Márcio nega com a cabeça.

- Talvez, talvez, em outro momento. É tudo que sei. A tragédia ainda pode existir, mas eu não tenho nada a ver com ela. A culpa é, de certa forma, do Decker.

Rubens ri.

- Minha não. A culpa é daquele meu sócia louco que a Olivia inventou.
- O seu reflexo- Rubens diz.
- Cala a boca, você morre no começo da história- Deco retruca.

(continua...?)

Comentários

Tá difícil de comentar nessa joça, eu sei.

Vai passar, vai passar.

O gato comeu a sua língua?


(não será publicado)





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