quinta-feira, 09/09/2004
A Grande Reunião - Parte III
Leia antes a primeira e a segunda parte.
A moça que o levara até ali lhe explicara a situação. A decisão afetaria aquele sujeito de cabelos negros e olhos grandes, e um outro que era tão igual a ele. Esse segundo está encostado na janela. Procurando diferenças, Gil nota que o sujeito que está em pé tem mais cabelos brancos, e sua expressão mostra uma preocupação que não estava ali a primeira vez que o viu.
- Bom, ótimo- Márcio diz, assim que a porta é fechada.- Podemos voltar agora?
Pedro o encara, lançando olhares rápidos para as quinze pessoas que sobraram na sala.
- Edson Decker- Márcio continua.
- Eu.
- Acho que seria justo ouvir a sua opinião, dado que você que começou a história toda.
Edson levanta-se, dando um tapa no ombro do amigo como se para assegurá-lo que sabia muito bem o que estava fazendo. Mas perde-se ao olhar o rosto espantado de Gil.
- Você tá bem?
- Ele sumiu.
Todos olham na direção da janela, deparando-se com um vazio. Igor aproxima-se e olha para fora, procurando, talvez por alguma evidência de que o sujeito tivesse escapado por ali. Pedro e Iuri aproximam-se.
Márcio encosta o corpo na cadeira, com a expressão de tédio.
- Só me faltava essa.
- Ele não saiu com os outros?
- Ele tava ali até agora. Eu vi- Gil fala, também se levantando. Coloca os óculos no rosto e vira-se para Edson.- Você não viu?
O amigo de Edson tem um sorrisinho no rosto.
- O que você aprontou?- Quem fala é Leonardo Takano.
- A Olivia...
- O que ela fez?
- Está apagando as pistas.
- Como assim?- Edson interrompe, com a testa franzida e a expressão de espanto. Ainda assim, há um certo alívio em sua voz.
- A mesma coisa que ela fez com o seu reflexo no mundo dele.
- Aquele doido?
- O próprio, Deco. O próprio.
Márcio levanta-se e anda até a porta. Abre e chama a recepcionista. Ela aparece logo em seguida. Conversam em voz baixa. Márcio agradece e assim que ela vai embora, vira-se para os outros.
- Ele não sumiu.
- Como não?
Márcio senta-se em sua cadeira na ponta da mesa e apóia o corpo nos cotovelos. Sorri um sorriso cínico, esperando ter todos os olhos voltados na sua direção para continuar falando.
- Mas eu duvido que a gente volte a ouvir falar dele tão cedo.- Sacudiu os ombros.
- Alguma tragédia?- Rubens pergunta, mostrando um pouco da origem carioca.
Deco olha o amigo, que ainda sorri, como se soubesse muito mais do que estava dizendo. Apagando as pistas? Márcio nega com a cabeça.
- Talvez, talvez, em outro momento. É tudo que sei. A tragédia ainda pode existir, mas eu não tenho nada a ver com ela. A culpa é, de certa forma, do Decker.
Rubens ri.
- Minha não. A culpa é daquele meu sócia louco que a Olivia inventou.
- O seu reflexo- Rubens diz.
- Cala a boca, você morre no começo da história- Deco retruca.
(continua...?)
Olivia
não tem acento. Olivia não tem critérios. Olivia não existe. Olivia talvez
seja fruto da sua imaginação.