quarta-feira, 08/09/2004

A Dialética dos Relacionamentos

Por que o amor acaba? Por que os relacionamentos não dão certo?

Quando tudo parecia um processo complexo e cheio de voltas, minha vó deixou tudo muito simples.

Todos nós seres humanos funcionamos a partir de um processo dialético no qual vamos crescendo e mudando ao longo da vida, conforme vamos entrando em contato com coisas novas. O velho desaparece ou se transforma, e deixamos de gostar de certas coisas para nos interessarmos por outras.

Mas não é o tempo. Não é porque mudamos. Não é porque o tempo simplesmente faz com que deixemos de gostar. Claro que não. Claro que não.

Não confundam amor com paixão, vício, tesão ou o que for. Paixão nunca dura pra sempre. E isso foi (até onde eu sei) comprovado cientificamente, por algum cientista que não tinha o que fazer. Paixão acaba, e acaba rápido. Amor deveria durar mais, se for realmente amor, mas ainda assim, não dura. Sim, o amor acaba. Mesmo o que é amor, mesmo o que foi amor, ainda tem a chance de desaparecer.

Mas não sempre. Amor acaba, pode acabar. Assim como pode, sim, durar pra sempre. E essa diferença é fundamental (olha eu aqui, começando a falar feito professor de cursinho...).

Eu queria escrever sobre a dialética dos relacionamentos, sobre como duas pessoas que davam-se tão bem no começo podem afastar-se tanto, mas de repente me perdi no meio do raciocínio e percebi que ou a coisa é ainda mais simples do que eu pensava, ou complexa demais.

Eu ia parar o texto por aqui, depois desse monte de negação. Mas quando vi, já tinha escrito todo o resto. Então deixa, deixa. Vamos lá.

A acomodação é assassina quando leva um dos lados a desistir de enxergar que o outro, como qualquer ser humano, está crescendo e mudando e tendo novas idéias a todo momento. Quando acha que o outro é o que era e sempre vai ser. Se não existe uma troca constante de idéias, os dois acabam indo um pra cada lado, sem saber pra onde o outro foi.

Talvez por distração, ou falta de interesse, ou - pior - por que a pessoa só consegue olhar pro próprio umbigo e está interessada demais em mostrar as suas novas idéias e mudanças para ouvir as do outro.

E isso desgasta. I would know.

Lendo assim, parece que isso é óbvio demais. Não era assim tão óbvio pra mim. Assim como eu passei tempo demais acreditando que amor não existe, e o que desgasta um relacionamento é um conjunto muito mais complexo de acontecimentos e equações. Brigas? Acho que podem existir brigas saudáveis se elas se encaixarem nesse processo de aprendizado em dupla.

Um relacionamento dá certo enquanto os dois estão dispostos a trocar idéias. Não é só falar de sentimento, emoção e o escambau. Não é só ser sincero em relação ao que se está sentindo, sobre como foi o dia. Céus. Bullshit. É conversar sobre aquelas idéias que teoricamente só interessam a você, e ouvir as do outro.

Assim, simples assim. Por que, oras, as amizades sempre duram muito mais? Tá explicado aí em cima. Com os amigos a gente fala um monte de besteira. E isso faz uma diferença monstruosa. Porque, convenhamos, Rita Lee, por mais mala que ela possa ser, estava certa quando disse que "amor sem sexo é amizade".

E se alguém discordar, manifeste-se. Porque eu estou interessada numa outra opinião.

Só com a minha vó eu posso sair e conversar sobre relacionamentos e blogs comendo pizza com bacon.

Olivia
16:27 || Conclusões
Comentários

Eu ia desistir de escrever isso aqui porque achava que nao tinha o que dizer, e de repente disse um monte.

Vai entender.

Eu já disse que minha vó é genial?

Eu concordo. Eu concordo pra caramba. Pra mim tudo isso é engraçado, porque eu me pretendo escritor mas acho que é inútil tentar definir, esquadrinhar, medir sentimentos. Quaisquer.

Por outro lado, tenho pensado muito sobre esses assuntos. E cada vez mais penso que o Admirável Mundo Novo é muito mais seguro e quentinho. E eu ia tomar 3, 4 gramas por dia. Certo.

É prima... Tá aí uma coisa que todo mundo deveria aprender rápido, mas tem gente que não aprende nunca. E sabe o pior? Aquele tipo de relacionamento tipo maridão-chega-do-trampo-mulé-traiz-a-cerveja-jogo-du-curíntia. Ou então namorado-boy-tapado-namorada-burra-gostosa-tipo-assim-xonadinha... Pra mim é tudo preguiça de pensar, no fundo a maioria das pessoas queria viver na novela.
Ah! Pô, a vó é foda...

Gabriel Oprimo || 21:16 08/09/04

É Olívia.Se sabe que eu gosto desses assuntos.Eu concorco com seu
texto porque achei nele um dos motivos do fim do meu namoro, e do
porque que eu nao queria amar denovo.Foi um pra cada lado.
Como teu primo disso, hoje em dia temos preguica de pensar.Eu tinha
e tenho, casa vez mais.Porque cada vez mais, agente tenta mais, se
fode mais, se frusta mais.Mas, porém, contudo, todavia, eu espero nao
ficar tao duro a ponto de nao acreditar mais.A ponto de nao acreditar
que, um dia, talvez amanha, eu va achar alguem que pense igual a mim.
Igual acreditar em papai noel e se frustar depois, com seu irmao maior
babaca e bebado no natal te frustrando.Já fizeram isso com ele antes.
Mas ele sobriviveu,voce também, e isso te fez aprender.Tem tanta merda
que eu vejo acontecendo e nao acredito, prefiro o amor, que eu nao
vejo, mas acredito.É tipo Deus, ninguém nunca viu, mas acreditam,
ele é um puta cara a mais de 2000 anos e pronto.
Sei lá,no final, eu só quero ter meu ombro de volta e sair por aí
tomando caldos.

Boca || 22:33 08/09/04

Bom, Olivia. Já que tu perguntou...

Se, como tu disse, amizades dão certo porque se pode falar besteira, por que então que quando dois amigos - um amigo e uma amiga, lógico - se gostam muito, e são atraídos um pelo outro, a guria (e é SEMPRE a guria) diz que não podem ficar juntos porque são amigos?

Sério. Queria entender isso. Acho engraçado quando, depois de dizer isso, a guria vai lá e fica com um cara que ela nem gosta tanto, e acha meio bobinho até. Pergunto isso porque, finalmente, consegui convencer uma amiga minha que nós podíamos dar certo e tudo.

Amor é mesmo uma coisa mui complicada...

A Dialética fez a Revolução Russa...e Marx só queria desmontar formas de opressão...acabou fazendo Olivia descobrir que o amor também é fórmula inventada e, portanto, pode ser modificada...

Muito bem, Pequena Olivia! Próximo passo, Escola de Frankfurt e como desmontar o conceito de família burguesa (e mesmo assim ser a muler mais feliz do mundo) ;)

Definição perfeita!

CAROL || 09:12 09/09/04

Olá, olá.

Deixa eu falar uma coisa antes.

Claro, claro, que isso aqui é um lado de uma visão geral. Claro que existe mais. Eu sei que existe. Mas ou a gente fala de tudo superficialmente ou escolhe um micro-assunto e se aprofunda.

O destino dos homens.

Tiagón, estava pensando nisso hoje, no ônibus, sobre essa coisa de medir sentimentos e etc. Lembrei do seu comentario.

E na verdade, no final, nao consegui chegar a nenhuma conclusão. Hm.

No fundo no fundo, relacionamentos ainda me assustam um pouco.

Francisco, ainda descubro a resposta e te dou.

Espero.

Na verdade, voce já deve saber a resposta.

E eu tinha outras coisas pra dizer, mas esqueci.

A questão da amizade é mais complexa que isso. Eu sei, eu sei. Mas não era da amizade que eu queria falar.

porque o amor acaba?
que importa? quando acaba, vc já não sente mais falta dele. porque vc não sente ele. vc sente falta de sentir ele, e isso é ruim, é uma acomodação, é uma falta de sinceridade com vc mesmo, com o mundo, com tudo.

Fru_Fru || 12:29 11/09/04

Leia Hegel, Nietsche, Lacan e Mario Quintana que tudo fica facil de entender....rs

José Leôncio || 22:36 01/08/08
O gato comeu a sua língua?


(não será publicado)





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