terça-feira, 24/08/2004
Resposta
do dia 10/08*
Tudo era óbvio demais.
Tudo, menos a sua cabeça.
Ela deixou que alguns detalhes outros fossem um pouco mais esquecidos, só para guardar aquele momento, antes de tudo.
"E essa vontade de... De- de... De- de- de... De..."
Ele gaguejou e ela sentiu o corpo todo perdendo o peso e desaparecendo no espaço, e pensou que se estivesse em pé talvez desabaria por falta de força nas pernas. Os braços pararam de obedecer, bobos, bobos, tombados sobre a mesa. Pensou em tantas coisas e disse palavras que já não faziam sentido, enquanto ele se enrolava e gaguejava com outras frases que ela já não prestava mais atenção.
Quando deu por si, o mundo não existia mais.
Talvez ele esperasse menos, de alguém que ele achava - e ela confirmava - que conhecia tão bem. "Acho que você é a pessoa que mais me conhece." Ou na verdade ela omitira o 'acho', e lhe dera uma certeza. E ainda assim ele surpreendeu-se. Na verdade ele sabia até mais do que ela pensava, mas a razão nem sempre tem a palavra final pra certas coisas. Elas nunca são o que elas parecem ser, e cada vez ficavam menos óbvias.
É que quando as coisas são novas elas vêm de uma vez só, e ela não sabia o que fazer com tanta informação, tanto sentimento que muitas vezes teve certeza que nunca mais queria sentir.
"Te odeio."
"Vou tomar isso com um 'gosto muito de você.'"
*original postado por ele no dia 14/08, sem cortes. Mas o texto é meu mesmo.
Olivia
não tem acento. Olivia não tem critérios. Olivia não existe. Olivia talvez
seja fruto da sua imaginação.