sexta-feira, 20/08/2004
Literaturas
Talvez eu que tenha uma sorte monstruosa. Mas meus últimos professores de Literatura foram todos geniais. Até o do cursinho é. Aliás, é demais.
E eu me convenci que pra entender o bicho que é gente, só precisa estudar Classicismo e Barroco. E pronto, porque o resto é mais do mesmo, velho de novo renovado.
E outra. Meu problema é ficar no inbetween, não ser nem um nem o outro. Maneirismo.
Na verdade, mesmo, meu problema é essa capacidade de afastamento e abstração (as vozes, as vozes!) que me faz ver as coisas pelo lado de fora mesmo quando eu estou do lado de dentro.
Mas não sempre, não quando as coisas estão acontecendo. Só depois, à noite, que é quando as vozes costumam se manifestar.
Todas as noites antes de dormir eu me arrependo de coisas que eu não devia ter dito e juro que vou mudar, e minha cabeça racionaliza tudo e fica tudo fazendo sentido. Assim como penso em atitudes que eu devia tomar e atitudes que eu não devia ter tomado. De manhã eu esqueço o que eu pensei antes de dormir e faço e falo outras coisas pra me arrepender na noite seguinte.
Coisas, coisas.
Maneirismo, vê?
Ultimamente eu tenho superado essas vozes, porque é tão bom se sentir segura, que eu quase tenho medo de - num acesso de barroquismo - destruir todo o muro que eu levei tantos anos construindo. E eu disse quase. Até meus medos já estão querendo mudar.
Professor de literatura. O que ele ensina?
Olivia
não tem acento. Olivia não tem critérios. Olivia não existe. Olivia talvez
seja fruto da sua imaginação.