terça-feira, 08/06/2004

Suzana Amaral, a melhor vó do Brasil

Sair com a minha vó é sempre uma aventura.

Conversando uma conversa aleatória qualquer, eu falei pra ela que quando você bate a cabeça, mesmo que de leve, mata um monte de neurônios. Ela disse que quando caiu na casa do meu tio Lito (um que mora em Washington DC) deve ter matado quase todos os neurônios na cabeça dela. Sabe aquela vértebra que o Christopher Reeve quebrou, e ficou do jeito que ficou? Então, foi a mesma que minha vó quebrou, e ela continua aí, andando, correndo, dirigindo e andando de metrô. Porque ela mora do lado do metrô, e não paga, ela diz, não cansa de dizer.

Antes, quando estávamos voltando do Frei Caneca, depois de assitir Harry Potter, ela resolveu parar numa padaria da Haddock Lobo pra comprar pão. Porque o pão de lá era muito melhor. A mulher do caixa que a gente escolheu era uma chata mal-humorada e lenta e as outras filas estavam andando bem mais rápido. Na hora de pagar, ouço uma voz alta e meio exagerada atrás de mim:

- Suzana Amaral, a melhor diretora do Brasil!!

Ui.

Minha vó fica toda fofa e tímida quando reconhecem ela na rua. Ela falou pro cara fazer pensamento positivo pra ela conseguir dinheiro pro próximo filme. Aí, saindo, ela me diz (ainda toda fofa e tímida):

- Às vezes tem uns loucos que me reconhecem...

E ela me fez comer sopa de legumes e me deu o computador velho que ela não usava mais. Quando a gente tava jantando, ela disse que quando ia pra Atibaia fazia um monte de sopa, porque aí não precisava fazer jantar por umas duas semanas. Ela sempre almoça fora, em restaurantes por quilo, pra não ter que cozinhar. À noite, ela come sopa. Ela levantou e abriu o congelador. Imagina um congelador. Agora imagina que esse congelador não tem nada mais além de tuppwares (ui) de sopa de legumes. E imagina também que o congelador está completamente LOTADO.

Me levando pra casa, conversando sobre a diferença entra a polícia civil e militar, e o DEIC antigo e o novo (o antigo estava relacionado com o bullshit de segurança nacional, DOI-CODI e o escambau), ela diz:

- É, antigamente era foda.