domingo, 18/04/2004

O Baixista

Era a terceira noite do congresso. No jantar, a banda de rock de Carlinhos Toledo estava se apresentando, tocando muito Beatles e outros rocks da década de setenta. Pessoas tão sérias, de terno e gravata, se divertindo e agindo como adolescentes é sempre uma coisa engraçada de se ver. Ainda que, de certa forma, executivos bem-vestidos e sérios bebendo e falando besteira não é mais novidade pra ninguém.

Deu o intervalo, aplausos. A banda desceu do palco para ser cumprimentada pelos colegas e amigos congressistas e esposas e maridos, e mesmo alguns dos garçons queriam falar qualquer bobagem. José Felipe Mazzili, o baixista, aproveitou a pausa para fumar do lado de fora. Avisou Carlinhos que não começassem nada sem ele.

E saiu.

Não voltou mais. Seu corpo foi encontrado dali meia hora, num canto mais escuro do estacionamento, com três facadas no estômago e um tiro no meio da testa. O cigarro, jogado ao lado do corpo, mal fora aceso. Carlinhos nunca admitiria, mas a primeira coisa que pensou, quando viu de longe o corpo do amigo, foi: "merda, Mazzili, você sabe como é difícil achar um baixista que preste!".

***

Tive essa idéia num jantar do congresso. Não tem mais nada, só isso mesmo. Resolvi escrever aqui, porque gostei da idéia. Nem vou fazer nada com ela, a princípio.