quinta-feira, 08/05/2008
da literatura
e me encanta a literatura pelo tanto dela que não podemos compreender, que jamais se poderá compreender; que é o que fazem os poetas -- que são todos os escritores -- quando tentam capturar com palavras o inexistente, o inexprimível e o impossível, como fez Alice ao atravessar o espelho, não saltando sobre ele, mas sim diluindo-o com a palavra, horizontalmente atravessando-o como se nunca pudesse ter havido ali qualquer tipo de oposição.
deparar-se com esse choque, com o que é a ficção e se mescla ao real, com essa possibilidade inexplicável de criar-se a si mesmo e transformar os possíveis. essa literatura que é sempre o Odradek, esse ser efêmero de forma ao mesmo tempo precisa e incerta -- impossível -- que fala em um sopro sem pulmões, porque a idéia de que ele possa nos sobreviver é eternamente dolorosa para mim.
quarta-feira, 07/05/2008
por ora
olá, olá.
talvez você queira voltar outra hora. estou sendo absurdamente devorada por redações a corrigir com um prazo curto, uma prova fantasma que nem mesmo o professor deve saber quando cai e nas entrelinhas uso o tempo para escrever o conto policial, ou que seja ler um conto do Cortázar que não deve ser lido para a aula de teoria literária.
segunda-feira, 05/05/2008
porque afinal é segunda-feira
domingo, 04/05/2008
o que deveria ser sempre o muito óbvio
tudo que é dito em coro por mais de meia dúzia de pessoas é mentira;
o que foi dito em conjunto e concordado por mais de uma pessoa é mentira;
duas cabeças em concordância produzem melhor uma mentira;
duas cabeças em concordância estão mentindo;
etc.
sábado, 03/05/2008
novo trailer do Indiana Jones 4
no site oficial.
agora faltam menos de vinte dias!
sexta-feira, 02/05/2008
a casa no morro
enfim!
publicada no Palavra #27 a primeira parte de meu conto-folhetim A casa no morro. é um conto policial de cinco partes. o resto virá aos poucos nas próximas edições. e vou avisando por aqui.
pra mim um desses desafios auto-impostos, porque é sempre difícil driblar minhas idéias mirabolantes e criar algo curto, rápido e eficiente. ou então esse meio-termo. nunca tinha tentado nada parecido antes. ou melhor, tinha. mas não deu certo. o bicho se encompridou e virou um romance.
mas agora entrei nos eixos.
pois leiam! e digam aqui o que acham, e façam essas coisas que leitores decepcionados ou indignados ou satisfeitos fazem. coisa nova assim a gente gosta de saber se funcionou. mas que não esse silêncio.
terça-feira, 29/04/2008
découragez!
you're an author? me too! pra ler, do NY Times. em inglês (bã). que devemos desencorajar novos escritores, sempre quando possível. sim?
‘Découragez! Découragez!’
não duvido. ninguém jamais conseguiria me desencorajar (se nem mesmo uma faculdade de letras), mas isso talvez não queira dizer nada.
cat in stereo
segunda-feira, 28/04/2008
dos medos
na verdade quanto mais convivo com professores e ouço de professores que há muitos anos dão aulas -- e veja que estou falando de escolas particulares -- mais me parece assustador dedicar a vida a esses projetos-de-gente que são os adolescentes (e as crianças), e deixar-se despedaçar por esse eterno reencontrar-se com o passado, o eterno reinventar-se para ser percebido, e o choque das gerações que passam a viver juntas ao mesmo tempo dentro de você.
mas então, eu...?
desses softwares para escritores, parte 2
eu disse que ia usar o yWriter, mas meus fellows comentadores e outros amigos via twitter me convenceram (sem, de fato, precisar me convencer) a tentar o Celtx. eu já tinha mexido no Celtx umas várias vezes. quem me indicou foi um que é mesmo roteirista e diretor e tal. mas, enfim, o programa é para quem é roteirista e diretor e tal. mas tem um modo (item) de texto para coisas diversas, e que pode mui bem ser usado para... chans, escrever prosa.
(bah, vou começar a falar grego, quem quiser entender baixe o programa e entenda. tem pra tudo que é plataforma.)
descobri que o esquema é separar os capítulos por itens-texto e usar a função de fichas do item "roteiro" para planejar a trama. dá pra mudar as fichas de lugar e tal, arrastando pra lá e pra cá. fora isso o item "roteiro" fica sem servir de muito, mas isso pouco importa. as fichas são lindas.
o ruim é não poder exportar o que é texto depois para qualquer formato decente, mas sempre há copiar e colar, e com tudo pronto, sim, jogar os textos no OpenOffice, transformar as quebras em parágrafos e só aí se preocupar em formatar ou não.
li em um fórum alguém dizendo que escrevia direto no template do roteiro, usando o "cabeçalho" como título dos capítulos. a vantagem é fazer então com que as fichas sejam criadas automáticamente; assim, também, ao se mover as fichas, os capítulos se ajeitam na ordem em que as fichas são colocadas. mas me irrita escrever em fonte monospace. mas se no fim não exporta nada de jeito nenhum (mentira, o "roteiro" pode exportar como pdf, mas pra quê eu vou querer um pdf com aquela formatação de roteiro horrenda?), prefiro usar o modo de "texto" para o que se tem para escrever, e deixar o "roteiro" só para brincar com as fichas.
agora está bom. já escrevi um monte e tudo. agora vai.
desses posts que eu certamente não postaria
não há mais o que de novo se possa fazer com a palavra que se possa fazer sem pretencionismos. não há quem chocar (e pra que chocar?). a palavra perde, aos poucos, seu poder de dizer o oculto e alardear as consciências. não há o que ser descoberto e não há (há?) o que ser inventado. e a palavra...? que força resta à palavra, agora? que malabarismos se fazem? o que se pode dobrar, retorcer, virar do avesso, como última alternativa para conseguir do mundo algum resto de reflexão? por onde se pega um leitor que não se move (comove) ao belo ou ao feio e recebe tudo filtrado pelo que já foi, que achata, comprime, equaliza...?
o que há
que psicologia pode resolver as crises do homem moderno devorado pela angústia do tempo?
Olivia
não tem acento. Olivia não tem critérios. Olivia não existe. Olivia talvez
seja fruto da sua imaginação. 




