domingo, 28/06/2009

eis o mundo

The political role of rhetoric arouses Plato's suspicion and criticism. He asks why the Athenian democracy should regard rhetorical ability as a sufficient qualification for giving political advice, and he presents two objections against rhetoric: (1) If, as Isocrates admits, the orator does not try to reach independent rational convictions of his own on moral and political questions, he will simply repeat popular prejudices. If he simply follows the ignorant and prejudiced moral and political assumptions of the majority, his advice will not promote the common good. (2) If the orator persuades people, not because he convinces them that the course of action he advices will really benefit them, but because he arouses their feelings and prejudices, even against their better judgment, what he persuades people to do will not even be what they really want to do.
T. H. Irwin, "Plato: the intellectual background". In: The Cambridge Companion to Plato

qualquer semelhança com o presente será mera coincidência.

... [?]

ou.

quinta-feira, 25/06/2009

on a side note

mortes e crises mundiais à parte, minha contagem regressiva:

. . um trabalho sobre as diferenças entre o sofista e o filósofo no diálogo Protágoras do Platão pra tentar fazer em dois dias, no máximo.

. . um resumo de algum ensaio do Antonio Candido [escolhi o "Jagunços mineiros de Cláudio a Guimarães Rosa"], pra entregar no dia 30 de manhã.

. . 50 redações de recuperação pra receber na segunda e corrigir até terça.

. . um trabalho de metodologia do ensino do português pra finalizar, botando uns dados pra deixar a professora feliz.

tudo isso porque greve pra lá e pra cá e melhor mesmo é terminar tudo isso antes da minha viagem pra Fortaleza pra visitar o pai no dia 3. e volto no dia 13. ou seja: tenho sete dias pra dar um jeito nisso. ou seis, porque a quinta-feira dia 2 não conta.

e torcer pra professora de metodologia não inventar encontro na primeira semana de julho, que aí fodeu.

aliás, botar na lista: mandar email pra professora de metodologia e dizer que, pelo amor de deus, deixa eu viajar e depois a gente conversa.

viver é muito perigoso

ainda sobre aquele assunto, mestre:

Viver é muito perigoso... Querer o bem com demais força, de incerto jeito, pode já estar sendo se querendo o mal, por principiar.
Guimarães Rosa, Grande sertão: veredas
quarta-feira, 24/06/2009

pra onde se cospe

depois conversando com o Doni por email sobre meu último post, ele comentou do tgi que estava escrevendo e me mandou esse trecho do Adorno:

Enquanto o cálculo egoísta é expandido ao extremo, a visão da totalidade dos fatores e, particularmente, dos efeitos de tal política sobre o todo, é estranhamente diminuída. A perspicácia excessivamente concentrada no interesse próprio resulta na deterioração da capacidade de enxergar além dele, o que resulta em prejuízo para o interesse próprio. A irracionalidade não é necessariamente uma força que opera em uma esfera externa à racionalidade: ela pode resultar do transtorno de processos racionais de autoconservação.

[que pode também ser uma maneira de cuspir pra cima.]

terça-feira, 23/06/2009

da minha incapacidade de se compreender a lógica de torcer contra si próprio

me parece sintomático essa revolta de uma grande parte da torcida são-paulina, que de repente se volta contra o time indignada com a saída do Muricy. assim como também poderia ser sintomática a reação de boa parte da torcida palmeirense que vaia o Keirrison e o Luxemburgo durante os jogos. ou ainda os brasileiros -- e falo daqueles que gostam de futebol -- que torcem 'contra' a seleção brasileira, porque o Dunga é retranqueiro ou o escambau, e começam a gritar 'olé' quando o outro time pega na bola.

por qualquer motivo me lembrei desses estudantes da usp que torcem contra a própria universidade, e acha que só mesmo a pm pra botar ordem nessa baderna e esse povo não quer trabalhar. dessa gente que diz que 'político é tudo igual' e fica indignado com a fila do açougue e do banco, e comenta com a pessoa do lado 'ai, é por isso que esse país não anda, não é?'

aí penso na torcida do corinthians -- e veja bem, eu sou muito palmeirense e muito verde -- com aquele 'eu nunca vou te abandonar' e que torce até o último momento da segunda divisão, e comemora empate contra o palmeiras, e acredita, e faz a sua parte, que é ficar gritando e incentivando, porque é afinal o que cabe a eles fazer.

um momento e tentar então compreender a diferença mais básica e superficial entre, digamos, corintianos e são-paulinos, estudantes da fflch e estudantes da fea, no que cabe à generalização mais comum e óbvia e clichê, e me parece que há algo a ser notado, algo a ser pensado, uma conclusão a ser encontrada.

ou não?

segunda-feira, 15/06/2009

reitoras e serpentes

"sabe o que a reitora fazia antes de ser reitora?"
"não."
"pesquisava venenos de serpente."
"olha só, que coincidência."

[marido espirituosinho.]

quarta-feira, 10/06/2009

um desespero terrível

a usp está às traças. quase literalmente. digo quase porque na fflch a biblioteca é muito bem cuidadinha, mas vá entrar na biblioteca da feusp ou da eca. medo.

os funcionários e os professores querem aumento salarial. justo. ganham mal. estão lutando pelos seus próprios interesses? justo. se eles não lutarem pelos interesses deles, quem vai lutar?

eu e você?

a sociedade não se importa. porque quem reclama é baderneiro que não quer trabalhar.

então não pode reclamar.

ou: pode. mas sem bagunça. mas aí, quem é que vai perceber? a reitora está em sua sala assistindo a tudo pela televisão. não quer conversar. não tem diálogo. e quem se importa com bibliotecas fechadas, bandejão fechado?

os alunos, os professores.

a sociedade não se importa.

mas os alunos também não se importam com o aumento salarial dos funcionários. eles só querem que a biblioteca e o bandejão estejam funcionando.

os funcionários então abaixam as orelhas e voltam a trabalhar?
justo?

é preciso chamar a atenção da sociedade. a usp na usp não importa pra ninguém. funcionários em greve só poderiam fazer alguma diferença para os alunos, mas os alunos também não se importam. a reitora, aparentemente, também não se importa. não é greve de ônibus, de metrô, de banco. é greve de funcionário de usp!

não adianta. a sociedade não se importa. a sociedade quer levar sua vida, não quer pegar trânsito na rua Alvarenga.

estamos todos abandonados, sozinhos. minorias são minorias. minorias são irrelevantes.

dois mil estudantes são contra a incapacidade de diálogo da reitora? minoria. irrelevante. três faculdades? minoria.

estudante da poli e da fea não tem do que reclamar. eles recebem investimento, eles estão muito bem obrigado. justo. que não reclamem. seria demais exigir que parassem para perceber a situação dos vizinhos e não olhassem só para o próprio umbigo. mas que compreendam a necessidade dos outros de reclamar. de pedir diálogo. independente de quem está certo ou errado.

afinal, é uma universidade.

os estudantes não tem pauta de reivindicações? não sabem o que querem? massa de manobra partidária?

os estudantes só querem da reitora a capacidade de diálogo.

não deveria ser necessário concordar com a greve para não concordar com a falta de diálogo.

mas a sociedade não se importa com a incapacidade de diálogo de uma reitora de universidade. a sociedade se importa com a rua Alvarenga sem trânsito. cada um com o seu umbigo. afinal, não estão também os funcionários preocupados só com seus próprios umbigos? ah, essa gente que não pensa nos outros!

a universidade está às traças.

mas isso tudo não importa.

somos irrelevantes e seremos esquecidos.

não, não estamos na ditadura. a gente pode dizer o que pensa. pode gritar bem alto. mas ninguém vai ouvir. e se alguém ouvir, logo vem outro pra apontar o dedo e dizer: pfff, minoria. irrelevante.

desolação.

ouvir certas opiniões sobre tudo isso só me causa essa sensação terrível de desolação. um desespero sem fim. meu deus, estou sozinha. estamos sozinhos.

de nada adianta. gritar, espernear. pedir um aumento? nem pensar. e se insistir demais, eu solto os cachorros. afinal, quem provocou foi você. quem começou foi você. eu aqui só estou querendo fazer o meu trabalho.

não existe diálogo. perdemos a capacidade de conversar. de discutir opiniões opostas com civilidade. e pergunto-me se algum dia já tivemos essa capacidade. tivemos?

não existe diálogo.

e se na universidade não tem diálogo, que dirá fora dela.

que desespero, meu deus. que desespero terrível.

segunda-feira, 08/06/2009

bom dia, enxaqueca

tipo, se mata.

quinta-feira, 04/06/2009

o discurso e o narrador

e de insistências minhas com o discurso, e a necessidade de se montar e estruturar uma forma condizente com o que se pretende, deixei passar a minha própria falha, nesse sentido, de não perceber que o incômodo e descompasso entre o objetivo e o resultado no texto se dava justamente pelo descompasso entre discurso e objeto.

a forma era o descompasso.

isso desconfiava, nessa leitura insistente do mestre-açu Antonio Candido, e o brilhantismo que é o livro "O Discurso e a Cidade". que eu tenha compreendido o que os professores já disseram sobre ele, duvido. uma intuição me guiava.

Ninguém sabe melhor do que tu, sábio Kublai, que nunca se deve confundir a cidade com o discurso que a descreve. No entanto, há uma relação entre ambos.
Italo Calvino, Le città invisiblili

a forma a linguagem. o discurso. eu havia enchido as paciências do Doni com esse papo, conversando sobre escritos dele. mas olhar para si é sempre outra tarefa, e em um email a um amigo que começou a ler esse meu último livro, segunda mão, comentei de uma revisão que se focou demais no temperamento do narrador, mas que ainda não foi capaz de solucionar algum problema maior. que não foi capaz de compreender o descompasso.

ora! que não poderia, jamais. o temperamento do narrador não são as atitudes, tão somente. o temperamento do narrador é o discurso do narrador, e está aí o descompasso, o desencontro, o ponto central de todo o incômodo. essa gente que é texto, tão só, nunca um reflexo de imaginação sem mediador. tudo é o texto. e o texto é o discurso. a linguagem. tudo que o texto retrata vem mediado pela linguagem, inevitavelmente.

nisso muito Antonio Candido insiste, e volta sempre ao texto. no que soube levar adiante a compulsividade obsessiva dos new critics para um patamar mais produtivo de análise.

No romance [o estilo] não se reduz a um modo determinado de usar a língua, pois manifesta simultaneamente a posição do narrador, formando ambos uma realidade dupla. A língua dá vida ao enfoque, o enfoque dirige o estilo.
Antonio Candido, "O mundo provérbio", em O Discurso e a Cidade

inesperada revelação pela leitura da análise de um romance do naturalismo italiano. isso pouco importa. certo que ainda Antonio Candido não diria que se precisa existir a consciência do autor para que se alcance essa organização do discurso, e bem se pode tomar o ensaio do Schwarz sobre o Alencar para saber os efeitos possíveis (ou causas possíveis) de um tal descompasso, mas há um despropósito que se multiplica na literatura atual e é responsável por muitos insucessos e esquecimentos.

deveria o autor buscar qualquer coerência interna e compreender o próprio discurso. ou.

relevância, coerência.

compreender certos mecanismos, para expandir possibilidades. assim como ninguém é obrigado a concordar com Antonio Candido, mas vale conhecê-lo. compreendê-lo.

e depois a gente conversa.

quarta-feira, 03/06/2009

evolução

here, there, everywhere.


[desenho de Emmanuel Chaunu, cartunista francês.]

constatação ou fase

o linux me curou dessa busca incansável pelo próximo programinha que faz isso ou aquilo, a próxima webapp que faz aquilo ou o que mais.

talvez seja o caso de desassinar ainda mais outros feeds de blogs de tecnologia e webcoisas, que já pouco me dizem sobre o que poderia me interessar.


descoberta: o mundo não se implode quando deixamos para ver email só duas vezes por dia.

ou quando desligamos o computador antes das nove da noite.
ou quando isso significa ter que ligar ele outra vez antes de dormir porque esqueci de reler o email do professor de diálogo platônico.

getting better all the time.
getting so much better all the time.


[eu já falei que está frio?]

e esse frio, hein?

o frio de São Paulo acaba com o assunto da gente.

 

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