Meu avô Vantuil, o impagável!
Meu avô paterno, Vantuil de Almeida e Silva, era uma das pessoas mais incríveis que já conheci.
Ele era de uma família de gente enrolada. Tinha uns irmãos que eram terríveis: Cici, João Picolé e Zé Capetinha. Viviam aprontando, passando as pernas em incautos, inventando mil expedientes pra sobreviverem.
Mas o meu avô não participava destas tramóias, porque ele tinha a profissão de alfaiate. Ele era um exímio alfaiate, mas tinha um espírito aventureiro e vivia zanzando de cidade em cidade, atrás de trabalhos. E sempre deixava minha avó e os três filhos pra trás, geralmente vivendo de favores em casas de parentes.
Ele tinha uma pose de aristocrata. Você olhava e pensava que ele era um rico fazendeiro. Sempre com o seu terno impecável de linho tropical 120, chapéu panamá e sapato bicolor. Mas tinha uma conversa de baba-de-quiabo, impressionante! E gostava de contar vantagens e ser do contra.
Uma vez em que raramente estava com a minha avó e os filhos em uma festa junina no interior de Minas, ele foi vítima da sua própria mania de ser do contra.
Era uma festa de um casamento em uma famíla amiga. A fartura de comida era uma coisa impressionante. O pai da noiva não economizou e só de garrotes, mandou matar quatro pro churrasco. Sem contar os leitões assados, frangos e todo um elenco de iguarias capaz de saciar qualquer bóia-fria que aparecesse do nada.
Meu avô se fartou, juntamente com a minha avó e filhos. Eles eram muito pobres e muito queridos na cidade de Pirapetinga. Além da comida ainda tinha uma mesa enorme de doces mineiros. Minha avó me contou que eram pra mais de quinze tipos diferentes de doces.
Meu avô vendo todo mundo se fartar nos doces, resolveu ser o do contra.
A dona da festa ao ver ele não comer nada, chegou perto dele e perguntou o por que dele não estar comendo os doces. Ele, rapidinho, olhou a mesa de ponta e ponta e disse:
- O doce que eu mais gosto, infelizmente não tem aqui!
A mulher, apavorada, perguntou que doce era esse.
E o meu avô:
- Doce de abóbora!
A dona da festa não se fez de rogada. Gritou a plenos pulmões:
- Emília! Traz as travessas de doce de abóbora pro seu Vantuil comer!
Aí começou o desfile de travessas de doces de abóboras em direção à mesa. Meu avô foi jogado em uma cadeira e a mulher, dizendo:
- Pronto, Vantuil. Mata seu desejo!
Meu avô suou frio. Minha avó começou a rir e falou:
- Toma papudo! Come doce de abóbora até o cu fazer o bico!
E assim, o meu avô passou a noite se empaturrando de doce de abóbora.
Resultado: uma caganeira de três dias.



Sua avó se vingou... esperta ela era!